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Capítulo 2

Author: Washing Wheat
— Você não vai atrás dela? Não é um completo bobo apaixonado? — Perguntou Bianca.

Lucas soltou uma risada de desdém.

— Ela só está fazendo birra. Se eu realmente for atrás dela, o que vai ser de você?

— Além disso, ela não tem ninguém além de mim em quem possa se apoiar. No fim das contas, é muito mais fácil agradar ela do que agradar você.

Meu coração, que ainda ardia, pareceu ser rasgado ao meio. As palavras dele foram como um vento gelado cortando minhas feridas uma por uma.

Seis anos antes, foi exatamente ali que Lucas se declarou para mim, dizendo que eu era a única pessoa que ele queria para a vida toda.

Para me conquistar, ele realmente se esforçou bastante.

Quando eu tinha quinze anos, meus pais seguiram caminhos diferentes, se casaram novamente e construíram novas famílias. Eu acabei me tornando um peso que nenhum dos dois queria carregar.

Desde então, passei a rejeitar qualquer ideia de namoro ou de formar uma família.

Recusei Lucas cinco vezes.

Na última delas, fui seguida por um criminoso quando voltava sozinha para casa.

Foi Lucas quem apareceu a tempo e conseguiu impedir o ataque.

Por causa disso, ele acabou ferido e foi parar no hospital.

Depois que a enfermeira terminou de fazer o curativo, os olhos de Lucas ficaram vermelhos de repente.

— Marina, por que você insiste tanto em carregar tudo sozinha? Não pode simplesmente me deixar cuidar de você?

Naquele instante, meu coração amoleceu por completo.

Pensei que, talvez, namorar alguém tão gentil e confiável quanto ele não fosse uma ideia ruim.

Naquela mesma noite, ele me chamou para ir até ali e se declarou para mim.

Quando ouviu meu "sim", aquele homem sempre tão maduro e contido me ergueu nos braços e começou a girar sem parar, feito um bobo apaixonado.

Giramos tanto que acabamos tontos e caímos juntos no chão.

Mesmo assim, ele me protegeu com força, envolvendo meu corpo em seus braços antes que eu me machucasse.

Sentados nos degraus da entrada, ele jurou diante da lua que, enquanto estivesse ao meu lado, eu nunca mais seria sozinha nem me sentiria abandonada.

Mas agora, as feridas que eu tinha criado coragem para mostrar a ele mal começavam a cicatrizar, e ele já as rasgava de novo, cravando outra faca nelas.

Soltei uma risada amarga de autodeboche.

Abri o e-mail com a proposta de transferência para a matriz, enviada cinco dias antes e prestes a expirar.

"Marina Costa aceita a transferência para a sede."

No fim das contas, digitar aquelas poucas palavras não era tão difícil assim.

Ergui os olhos para a lua, escondida atrás de uma camada fina de nuvens.

Lucas, na verdade, eu nunca fui fácil de agradar.

E, daqui para frente, também não preciso disso.

Minha passagem para a transferência estava marcada para a tarde do dia dois, e eu já não tinha muito tempo.

Assim que cheguei em casa, lavei às pressas toda a sujeira que ainda carregava no corpo e comecei a arrumar minhas malas.

Não havia muitos pertences meus espalhados pela casa, então terminei tudo rapidamente. Uma mala grande e outra menor foram suficientes para levar tudo o que era meu.

Já eram três da manhã quando reservei um quarto de hotel. Eu estava prestes a sair quando dei de cara com Lucas, que acabava de voltar da comemoração.

Ele acomodou Bianca, completamente bêbada, no sofá e me estendeu um saco de peras.

— Ainda bem que você está acordada. A Bianca bebeu demais. Faz alguma coisa pra ela melhorar da bebedeira, senão ela vai aprontar a noite inteira.

Fiquei parada, sem me mover.

Quando começamos a morar juntos, Lucas também exagerou na bebida certa vez e passou a noite vomitando quando voltou para casa.

Eu fiquei tão preocupada que me levantei no meio da madrugada para preparar uma sopa para ajudá-lo a se recuperar.

Mas a panela de barro que eu usei não era resistente. Com o calor do fogo, ela explodiu de repente.

A sopa fervendo e os pedaços da panela se espalharam pelo meu corpo, me queimando em vários lugares.

Quando Lucas viu aquilo, o efeito do álcool desapareceu na mesma hora.

Ao ver meus ferimentos, ficou arrasado e cheio de culpa.

Desde aquele dia, nunca mais deixou que eu entrasse na cozinha.

Até quando ele ficava doente, preferia pedir comida por aplicativo a me deixar cozinhar.

Durante todos esses anos, nunca mais entrei numa cozinha. Até as frutas, eram sempre Lucas quem lavava e trazia para mim.

Até hoje, ainda havia uma plaquinha pendurada na porta da cozinha, feita por ele mesmo.

"Área restrita. Marina não pode entrar."

Soltei uma risada amarga e arranquei a placa, jogando-a no lixo.

— Desculpa, mas isso não é mais problema meu. Quer alguma coisa? Pede delivery.

Depois de dizer aquilo, peguei minhas malas e me preparei para sair.

Mas Lucas agarrou meu braço de repente e me empurrou contra a porta.

— Já chega, Marina. Tudo bem fazer birra e falar em terminar, mas precisava mesmo arrumar as malas? Eu já disse que foi só uma brincadeira de Dia da Mentira. Para com isso.

— Eu sei que você quer se casar comigo o quanto antes. E eu também quero. No ano que vem, eu prometo. No ano que vem a gente se casa, tá bem?

O hálito dele, ainda carregado pelo cheiro de álcool, roçou de leve o meu pescoço.

Mas, dessa vez, eu não me deixei convencer por algumas palavras bonitas como fazia antes.

Empurrei Lucas para longe e lhe dei um tapa no rosto.

— Lucas, eu já fui muito clara. Acabou entre nós. Eu não vou me casar com você!

Aquele tapa não serviu apenas para fazê-lo recuperar a sobriedade. Até Bianca, largada no sofá, pareceu despertar na mesma hora.

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