FAZER LOGIN– A missão hoje é simples, vamos combater alguns traficantes arruaceiros nas docas.
Totalmente concentrado e sério, o capitão Dimitri explicava do que se tratava a missão que eles teriam que cumprir e o papel de cada um nela. – Nosso trabalho é apenas um: Extermínio. O governo foi bem claro quando disse que não queria nenhum preso. Marie, um pouco surpresa, apenas balançou a cabeça em afirmação enquanto prestava atenção nas palavras daquele homem que, até então, ainda não havia conquistado seu respeito como capitão. Mas cá estava ela, tendo que se submeter a alguém que nem mesmo considerava como seu superior. Mesmo que a figura dele fosse ameaçadora, isso não significava nada para a garota que se via prestando atenção no movimento da cicatriz dele em seus lábios. Se não me engano isso parece ter sido feito por uma faca quente. Ela pensou enquanto analisava a cicatriz que transpassava seus lábios. Entretanto, de alguma maneira aquela cicatriz combinava com ele. Algo entre os olhos escuros e os cabelos levemente longos e seu maxilar afiado fazia ela ter essa sensação. – Claro, estamos na época de eleições, eles não vão querer gastar dinheiro público com isso. Carlo comentou fazendo os pensamentos de Marie voltarem para o briefing da missão. – Não me interessa como vão exterminar esses vermes, só não morram. Reiterou o capitão vestindo sua balaclava cinza escuro. – Damon e Ricci vão pelo leste, Vishal e Kappel vão pelo oeste e eu vou pelo centro. Existem poucas rotas de fuga, então vamos terminar isso rapidamente. Explicou verificando suas armas e os carregadores, e enquanto todos faziam o mesmo, Marie guardou suas facas dentro do colete e pendurou o fuzil sobre o peito. Ela normalmente não utilizava armas, mas era sempre bom tê-las, por isso manteve sua pistola também no coldre em sua cintura. – Capitão, a Tenente disse ontem que era apenas uma combatente comum, não quer que eu vá com ela ao invés disso? Carlo se dispôs atraindo os olhos entediados de Dimitri que posicionou seu capacete no lugar. – Tenho certeza que o Vishal dá conta de proteger eles dois, e são só alguns traficantes, até uma criança conseguiria pegá-los. Desdenhou o capitão nem mesmo se dando ao trabalho de olhar para as feições irritadas de Marie que tirou sua balaclava preta de dentro de seu bolso e vestindo ela. Já entrando no carro que levaria eles para as docas, o indiano olhou para Marie com curiosidade. – Você fica assustadora vestida assim, Tenente. Ravi comentou com um sorriso fraco e Marie riu levemente puxando a balaclava o suficiente para dar ao indiano um sorriso cúmplice. – Você ainda não viu nada, sargento. [...] – Aposto dez conto e uma cerveja que eu derrubo mais do que você hoje. Damon comentou com Carlo do banco da frente enquanto o italiano, que estava sentado ao lado do capitão apenas riu. – Não comigo aqui! Carlo riu ainda comentando com o subtenente algumas coisas sobre a missão e no último banco daquele carro estavam Ravi e Marie. – Tá tudo bem, tenente? Achei você mais calada hoje. Ravi comentou enquanto olhava a paisagem fria do lado de fora do carro e Marie suspirou chamando a atenção do capitão de cabelos escuros que apenas fingiu desinteresse e continuou olhando para frente, mas com sua atenção no banco de trás. – Estou bem, Ravi. Obrigada pela preocupação. Ela agradeceu brincando com os próprios dedos sobre o seu colo e o sargento viu que ela parecia ainda um pouco sem jeito, talvez por estar envergonhada - o que não era o caso, mas ele não precisava saber - ou coisa assim. – Meu nome é Ayaan. O indiano comentou baixinho e os olhos de Marie finalmente se ergueram para encarar ele com curiosidade. – Mas... como assim? Perguntou ela e Dimitri não conseguia ouvir bem o assunto por seu irmão e Carlo estarem falando ainda sobre aquela aposta ridícula. – Meu nome americano é Ravi, mas meu nome de verdade é Ayaan. O moreno sorriu brilhante para a garota que não pode deixar de sorrir em reflexo do carisma daquele rapaz. – É um nome muito bonito. Mas por quê decidiu me contar isso agora? Inevitavelmente ela se sentiu impelida a perguntar, já que ele não sairia com essa informação do nada. – Quando estávamos conversando hoje sobre o nome do Capitão e de Damon eu percebi que não havia contado para ninguém meu nome de verdade. O indiano deu de ombros colocando seus óculos escuros e fechou o colete de seu peito. Eles estavam chegando nas docas. – Espera... então apenas eu sei disso? Marie perguntou lisonjeada e Ravi afirmou fazendo Dimitri bufar no banco da frente impaciente. Já era para todos naquele carro estarem concentrados para a missão. – Fiquem quietos! Precisamos manter o foco. O capitão disse mau humorado e todos se calaram. Ah, que Deus nos ajude. Pensou Marie revirando os olhos.Marie POVEu estava cara a cara com a minha mãe, coisa que raramente acontecia depois que eu saí de casa para servir. Mas aqui estávamos, nos encarando como nos velhos tempos.Não pude me manter em silêncio ao ver que eles claramente estavam tentando coagir Dimitri a me deixar.– O que vocês estão fazendo aqui? Não tem outros problemas mais importantes para resolver?Perguntei já irritada apenas de pensar que eles tinham vindo apenas com o intuito de nos separar.Por que eles não podiam ser apenas pais normais que zelam pela filha?Por que eles sempre tinham que estar contra mim em tudo?– Não fale isso, você é nossa filha, Marie.Ah sim, a cartada do "você é nossa filha" como se isso fosse apagar automaticamente todas as merdas que eles fizeram ou falaram ao meu respeito.Quis rir e não me inibi mesmo vendo o rosto totalmente sério de minha mãe. – Aposto que você estaria bem mais feliz com su
Marie POV– Eu não quero cesárea!Gritava enquanto Dimitri empurrava a cadeira de rodas onde eu estava sentada e urrando de dor querendo matar ele por não usar aquela maldita camisinha quando deveria.– Mas Rosie, o plano cobre a cirurgia! Tem certeza que não quer?Ele tentava me convencer de que era a maneira mais indolor mas nada e nem ninguém me convenceria de que alguém abrindo minha barriga e mexendo nos meus órgãos seria indolor.– Dimitri Nikolai Zervas, eu juro que se cortarem a minha barriga eu corto a sua!Gritei chamando a atenção dos enfermeiros e médicos ao nosso redor que logo se deram conta de que eu estava em um furioso trabalho de parto.Minhas pernas não conseguiam ficar fechadas mais e eu estava tão inchada que parecia que eu ia explodir.– Melhor obedecer, hein chefia...Escutei a voz de Damon e eu respirei fundo algumas vezes vendo os enfermeiros vindo em nossa direção com uma maca.
Marie POV– Esse é um bom momento de dizer que quer cair fora. Eu não vou te julgar se você quiser...Olhando bem em seus olhos eu procurava qualquer que fosse o sinal de hesitação, mas mesmo assim o homem em minha frente parecia bem certo da decisão que havia tomado.Ter um bebê não era brincadeira, precisava de muito planejamento, dinheiro, saúde mental, saúde física e muitas outras coisas. E metade dessas coisas (ou até um pouco mais) nós não tínhamos.– Você tá brincando? Isso é a coisa mais incrível que me aconteceu em todos esses anos!Ele falava alto e sorria bobo fazendo meu coração esquentar, mas não pude evitar de tapar a boca dele alarmada.– Shiiu! Fala baixo ou vão nos escutar! Esqueceu que nosso relacionamento não é oficial?Murmurei e vi as sobrancelhas grossas dele se juntarem em uma coisa só em sua testa.– Não é oficial ainda. E mesmo assim, deixe que saibam! Abanou a mão como se foss
Dimitri POV – Damon, tudo certo aí?Assim que aquele idiota finalmente atendeu eu respirei fundo perguntando e olhando em volta percebendo que a maioria dos apoiadores daqueles homens terríveis já estavam aqui.Todos segurando bandeirinhas com o número que representava o senador e seu partido eleitoral ou bonés decorados com o mesmo tema.Era de embrulhar o estômago saber que tudo aquilo era apenas uma fachada que escondia milhares de mortes de pessoas inocentes.– Sim, não se preocupe, vá em frente.Ouvi Damon dizer e ao fundo uma corrente de ar passava com força, me dizendo que ele já devia estar chegando onde precisava chegar para pegar Ayaan.Mas na verdade eu não estava muito preocupado com a missão. Na verdade, quem eu queria enganar? Eu não estava nada preocupado com aquela merda.Queria apenas voltar para o QG e ver o rostinho de Marie. Saber como ela está. Meu coração doía por ter deixado ela para
Marie POV– O quê? Mas por que eu preciso ficar e Carlo não?! O caso dele não era mais grave que o meu?Eu andava em passos rápidos tentando alcançar os três homens altos que andavam na minha frente, apenas Carlo se virando para me olhar com pena.– Sim, era. Mas você perdeu tanto sangue quanto ele e acontece que está anêmica, então temos muito o que fazer.Damon explicou abrindo logo a porta do nosso alojamento que agora - por ordens do capitão - não tinha mais a minha cama separada, então eu estava dormindo onde antigamente Ravi dormia, assim deixando a impressão de que o local estava bem mais amplo do que antes.– E eu doido por uma folguinha...Carlo reclamou se jogando sobre sua beliche cuidadosamente após subir as escadas com dificuldade. Percebendo que nossa conversa certamente iria desaguar em mais reclamações, nosso capitão nos interrompeu.– Chega de falar sobre isso, o doutor falou que é o que tem que ser
Marie POV– Dimitri, para onde está me levando?Perguntei com o rosto enterrado em seu pescoço enquanto ele me carregava como uma criança.Seu coração batia um pouco acelerado em seu peito e seu calor me acolhia.– Meu quarto. Não quer conhecer?Sua voz estava calma, nem parecia que queria me esfolar uma hora atrás por causa da situação no alojamento.– Quantos quartos tem nessa casa?Minha pergunta genuína soou pelo corredor enquanto ele tirava seu molho de chaves do bolso para achar a que em específico destrancava a porta de seu quarto.– Se contar com aquele cativeiro minúsculo onde dormíamos, três. Hoje eu e Damon temos quartos separados.Ele disse acendendo as luzes e me colocando sentada sobre a grande e alta cama no centro do quarto.Aquele quarto definitivamente era para um cara do tamanho dele.Os móveis eram grandes, de um tom escuro de madeira e tudo estava impecavelmente limpo.







