LOGINA manhã chegou e Lia despertou sozinha no quarto. Com alguma dificuldade, incorporou-se sobre a cama; as costas ainda doíam e o movimento fez com que franzisse levemente o cenho. Olhou ao redor procurando instintivamente por Giorgio, mas o lado da cama estava vazio. Estendeu a mão sobre os lençóis e sentiu que estavam completamente frios. Fazia bastante tempo que ele já não estava ali.Seu coração começou a bater com força.O ar pareceu escapar de seus pulmões. Todo o medo que havia acumulado durante aquele mês voltou a se instalar em seu peito. Sentou-se na beira da cama com a intenção de se levantar, ignorando completamente a ferida nas costas.Exatamente nesse momento, a porta se abriu.— Amore mio... o que você está fazendo?Lia levantou o olhar, ali estava Giorgio.Vestia-se novamente como o Don Bellamonte. Usava a calça preta perfeitamente ajustada, a camisa preta com os primeiros botões abertos, as mangas arregaçadas até os antebraços e o cabelo impecavelmente penteado. Em uma
Os dias passaram e Lia melhorou rapidamente. A ferida nas costas continuava doendo, mas o médico estava completamente satisfeito com a evolução. A bala não havia causado danos permanentes e a cirurgia havia sido um sucesso. Ela só precisava de repouso, curativos diários e evitar esforços durante algumas semanas.Naquela manhã, finalmente, recebeu alta, e Giorgio nem sequer permitiu que seus pés tocassem o chão.Levantou-a nos braços assim que saiu do quarto e começou a caminhar pelos corredores do hospital com passos firmes. Todo o pessoal médico e os pacientes que cruzavam com eles viravam a cabeça para olhá-los. Ele, alto, elegante e imponente, segurava Lia como se fosse o tesouro mais valioso do mundo. Atrás caminhavam Mark e Will sem se afastar nem um único segundo da Donna, enquanto Jean ia alguns metros à frente abrindo caminho para que ninguém se aproximasse demais.Lia permanecia completamente aconchegada contra seu peito.— Amor... o tiro foi nas costas, não nas pernas. Eu re
As horas passaram lentamente. Pouco a pouco, o som constante do respirador deixou de ser necessário. O médico entrou junto a duas enfermeiras, revisou os monitores e sorriu satisfeito.— Ela respondeu muito melhor do que esperávamos. Vamos retirar o respirador.Giorgio permaneceu imóvel ao lado da cama enquanto observava cada movimento. O tubo saiu lentamente e, pela primeira vez desde que entrou no centro cirúrgico, Lia parecia simplesmente adormecida. Sua respiração era tranquila, ritmada, como se apenas estivesse descansando depois de uma longa viagem.Quando a equipe médica saiu do quarto, Gio voltou a se sentar ao seu lado. Seus dedos acariciaram com infinita delicadeza a bochecha de Lia enquanto um sorriso travesso aparecia em seus lábios ao recordar aquela imagem que jamais poderia apagar da memória: ela entrando na igreja completamente vestida de preto, com o casaco ondulando atrás de seu corpo, o chicote pendurado na cintura e uma arma na mão, caminhando como a própria morte
A porta da clínica se abriu de repente. Elian e Gio corriam dos dois lados da maca enquanto os médicos empurravam Lia pelo corredor a toda velocidade. Seu corpo permanecia imóvel, coberto de sangue, com uma máscara de oxigênio sobre o rosto. O monitor não parava de emitir bipes rápidos que faziam o coração de Giorgio se rasgar um pouco mais a cada segundo.— Por favor, salvem-na! Salvem-na, eu imploro! — gritou sem se importar com quem o escutasse.Jamais havia sentido um medo tão absoluto. Nem mesmo quando despertou sem lembranças. Aquilo era infinitamente pior, porque agora sentia algo forte por ela.As portas do centro cirúrgico se fecharam diante deles, e o silêncio caiu como uma laje.Segundos depois chegaram Mark, Will e Jean, todos com restos de sangue e pólvora sobre a roupa. Os cinco permaneceram imóveis diante daquela porta metálica, incapazes de desviar o olhar.Gio caminhou até a pequena janela do centro cirúrgico tentando distinguir algo no interior. Só conseguia ver médi
No dia seguinte, Lia organizava as malas para voltar naquela mesma noite. Gio a observava sentado na cama, vendo como dobrava toda a roupa. Tomou sua mão, sentou-a sobre suas pernas e, sem aviso, beijou-a.— E isso?— Cada vez que tenho você perto, quero fazer isso. Não há razão para me conter.— Esteve falando com Jean? Ele te disse alguma coisa?— Está tentando me colocar a par do básico. Sinto-me como uma criança pequena de jardim de infância.— Meu lindo bebezão, eu vou cuidar de você.Gio sorriu e escondeu o rosto em seu peito.— Posso fazer uso desse cuidado agora?Deixou beijos suaves na borda de seu decote, passando a língua bem pelo contorno de seu sutiã.— Pode fazer uso de tudo o que quiser, quando quiser.— Disso eu gosto.Voltou a beijá-la, mas a porta soou com três batidas. Ele grunhiu e escondeu o rosto em seu pescoço.— Sempre é assim?— Sim, meu amor, na maioria das vezes.Lia se levantou e abriu a porta, enquanto Gio continuava colocando roupas na mala.— Donna.— Ma
Lia levantou o olhar. Os olhos cinzentos de Giorgio estavam furiosos. Ela o observou durante alguns segundos e depois sorriu.— Gio, só vou jogar cartas. Não estou com sono.— Assim, com essa roupa?Lia deu um passo para trás e abriu lentamente o robe, deixando ver a lingerie que sabia ser a favorita de Giorgio. Tinha sido ele mesmo quem a havia presenteado tempos atrás.— O que tem de errado? Estou feia?Deixou o robe cair no chão e girou lentamente sobre si mesma. Giorgio engoliu em seco, agachou-se, recolheu o robe e o segurou irritado.— Você não pode ir assim até um homem que, visivelmente, quer levar você para a cama dele. Ele disse com todas as palavras.Lia sorriu com ternura.— Elian não significa nada para mim. Só existe um homem que eu amo, mas ele...Olhou para Giorgio com tristeza, pegou o robe e voltou a vesti-lo sem terminar a frase.— Vou, jogarei uma mão de pôquer e voltarei para dormir. Assim, quando eu chegar, você já estará dormindo e minha presença não vai incomod







