MasukGio se encontrava de pé diante do altar. A enorme catedral transbordava elegância; os vitrais deixavam entrar a luz do meio-dia, os arranjos florais cobriam cada canto e os bancos estavam ocupados por empresários, Dons e famílias influentes da França e da Itália. Ao seu lado permanecia Giancarlo com um enorme sorriso de satisfação. Diante deles, Ginna avançava com um lindo vestido cor champanhe escoltando a noiva como dama de honra, enquanto Paulino Weiss caminhava orgulhoso levando a filha pelo braço. Todos os presentes se colocaram de pé para admirar Paula, que parecia deslumbrante em seu vestido branco de alta-costura. Ao chegar diante do altar, Paulino tomou a mão da filha e a colocou sobre a de Giorgio antes de olhá-lo com solenidade.— Entrego a você a luz dos meus olhos. Cuide dela.Giorgio simplesmente assentiu. Não encontrou palavras para responder. Tudo continuava parecendo alheio, como se estivesse contemplando a vida de outro homem.O sacerdote começou a cerimônia com as b
Giorgio permanecia diante do enorme espelho da sala do noivo enquanto terminava de ajustar as abotoaduras prateadas de sua camisa. Ao seu redor, tudo transbordava luxo. Os empregados iam e vinham ultimando detalhes, as vozes dos convidados eram ouvidas cada vez mais perto e o som de um quarteto de cordas anunciava que a cerimônia começaria em poucos minutos. Tudo estava preparado para a boda mais importante das famílias Bellamonte e Weiss. Todos pareciam felizes, emocionados, orgulhosos daquele enlace. Todos... menos ele. Observou seu reflexo durante longos segundos e não encontrou absolutamente nada naqueles olhos cinzentos. Nem ilusão, nem nervosismo, nem felicidade. Apenas um vazio imenso. Era como se estivesse vestido para assistir à boda de outro homem, como se aquela vida não lhe pertencesse e ele simplesmente estivesse cumprindo um papel que todos esperavam dele.A porta se abriu e Giancarlo entrou com um sorriso satisfeito. Ao vê-lo, Giorgio voltou a experimentar aquela estran
O escritório permanecia completamente em silêncio. Lia caminhava de um lado para o outro sem conseguir ficar quieta enquanto Jean esperava junto ao enorme televisor preparado para receber a videochamada. Os segundos pareciam eternos. Cada minuto que passava aumentava a ansiedade de Lia, até que, por fim, a tela se iluminou. Jean aceitou a chamada e o rosto de Elian apareceu do outro lado. Vestia uma camisa preta e, atrás dele, podia-se ver o interior de um quarto de hotel.— Olá, Lia... como você está?— Não me pergunte como estou. Diga-me uma única coisa. É verdade que encontrou Gio?— Sim.Elian levantou lentamente seu telefone.— Veja.Na tela apareceu uma fotografia tirada de certa distância. Giorgio caminhava por uma elegante rua de Marselha. Paula ia segurando seu braço e Ginna caminhava do outro lado, sorrindo, enquanto os três avançavam em direção a uma joalheria.Lia levou as duas mãos até a boca, as lágrimas começaram a cair sem controle.— Gio...Sua voz mal saiu em um suss
Os dias foram passando lentamente.Giorgio observava tudo como se vivesse atrás de um vidro. Ginna e Paula pareciam transbordar felicidade enquanto falavam da boda a cada momento. Giancarlo e Paulino discutiam contratos, convidados, alianças e negócios que nasceriam com aquela união. Todos avançavam com uma segurança absoluta, como se o futuro já estivesse escrito, enquanto ele simplesmente permanecia ali, contemplando uma vida que, segundo todos, lhe pertencia, mas na qual era incapaz de se reconhecer.Cada conversa soava distante, cada fotografia parecia pertencer a outra pessoa, cada sorriso dirigido a ele se sentia estranho, até que finalmente se colocou de pé.— Vou sair um momento.Paula levantou imediatamente o olhar.— Amore, aonde você vai?— Preciso tomar um pouco de ar.— Eu te acompanho.— Não, tranquila. Não vou sair da propriedade. Só vou caminhar pelo jardim.Paula sorriu docemente.— Está bem.Ficou na ponta dos pés para beijar seus lábios, mas, assim que sentiu o toqu
Passaram duas semanas.Na Itália, o mundo parecia estar ardendo sob os pés de Lia Bellamonte. Cada empresa pertencente a Giancarlo Bellamonte ou a Paulino Weiss era atacada sem descanso. Portos incendiados, cargas desaparecidas, sócios rompendo contratos e rotas comerciais bloqueadas. Onde aparecia o nome Weiss ou Bellamonte, aparecia também a Mamba Negra para destruir tudo. Ninguém conseguia deter aquela guerra silenciosa que a Donna havia declarado desde o momento em que arrancaram Giorgio dela.Enquanto isso, do outro lado da Europa, Marselha vivia uma realidade completamente diferente.Todos os dias Paula encontrava uma nova desculpa para se aproximar um pouco mais de Giorgio. Acompanhava-o durante as refeições, caminhava ao lado dele pelos jardins da mansão Weiss, mostrava-lhe fotografias cuidadosamente selecionadas e repetia uma e outra vez as mesmas histórias falsas sobre o suposto amor que ambos haviam compartilhado. Ginna colaborava com entusiasmo, reforçando cada mentira com
O silêncio caiu sobre toda a sala.Elian se colocou lentamente de pé e percorreu com o olhar cada um dos líderes sentados ao redor da mesa.— Todos os que estamos aqui sabem que Lia foi minha noiva durante anos, até que se tornou a Donna Bellamonte. Também sabem que, se hoje ocupo um dos nove assentos deste concílio, não é graças a mim, mas graças a ela. Foi Lia quem construiu minha organização. Ela criou nossas conexões, negociou nossos territórios, levantou nossas finanças e transformou uma organização medíocre em uma das mais fortes da Itália. Eu só tive a arrogância de acreditar que tudo isso era mérito meu.Ninguém o interrompeu. Elian virou apenas a cabeça em direção a Lia.— Meu voto... é para ela.Paulino abriu os olhos com incredulidade, Giancarlo bateu na mesa.— Que demônios você está dizendo?!Elian nem sequer olhou para ele.— Porque, embora me custe admitir, conheço Giorgio Bellamonte. Sei o quanto ele ama Lia e também sei em primeira mão o quão implacável ele pode chega







