INICIAR SESIÓNAura KellerO presente para a Dona Ermínia já tinha ficado para trás. O abraço dela ainda estava no meu ombro, o “não sumam de novo” ainda no ouvido. Lucas dirigia com uma mão no volante e a outra na minha coxa, os dedos parados, quentes. Não era um aperto. Era presença.Eu olhava o perfil dele no semáforo. A gravata que eu mesma tinha refeito de manhã. O maxilar mais solto. A camisa no pulso. E aquele frio no meio da barriga que eu conhecia pouco e mesmo assim reconheci na hora.Ele também estava se apaixonando.Não era impressão. Era o jeito que ele me olhava quando achava que eu não via.“Você está quieto” falei.“Estou dirigindo.”“Você dirige e fala o tempo
Lucas HendrickEu acordei antes dela.Aura dormia de costas para mim, o corpo encaixado no meu, minha mão na barriga dela. O apartamento estava quieto. Eu fiquei assim um tempo, sem mexer, só sentindo a respiração dela. Fazia uma semana que eu não acordava com ela daquele jeito. Eu tinha me afastado de propósito. Tinha sido cuidadoso. E mesmo assim, na noite anterior, ela tinha me puxado primeiro.Beijei a nuca dela. Depois desci a boca pela coluna, devagar.Ela resmungou no travesseiro.“Está na hora de acordar.”“Mais cinco minutos.”“Você falou a mesma coisa ontem.”Aura se virou no meu braço, ainda de olhos fechados, e me abraçou.“Você ro
Aura Keller HendrickFazia uma semana que ele não me tocava de verdade.Uma semana de beijo na testa, de mão nas costas, de “você ainda está se recuperando”. Lucas estava sendo cuidadoso. Eu estava ficando louca. E eu sabia que, se dependesse dele, a gente ia continuar assim até o meu estômago virar uma desculpa eterna.Por isso eu subi no colo dele no beco.O beijo não saiu manso. A boca dele respondeu no mesmo segundo, faminta, como se tivesse segurado aquilo tempo demais. As mãos grandes apertaram minha cintura. Eu senti ele duro contra mim e gemí na boca dele.“Aura…” a voz saiu rouca. “A gente não deveria...”“Para de se controlar, eu estou desesperada por você.” Passei a mão pelo pei
Aura Keller HendrickO dia inteiro foi um corre-corre sem fôlego.Reunião de estrutura às nove. Reestruturação de equipes às dez e meia. Um intervalo que durou o tempo de um café e já estávamos de novo em uma sala fechada, ouvindo alguém explicar por que um departamento inteiro tinha sido inchado na gestão Starling e agora precisava ser enxugado sem parecer demissão em massa. Mathias anotava. Lucas falava pouco. Eu perguntava.Pela primeira vez, as perguntas não saíam da minha boca como pedido de permissão. Saíam como dona.“Se a gente junta esses dois times, quem perde cargo de chefia?”O diretor hesitou.“O senhor Hendrick ainda vai avaliar...”“Eu pergun
Lucas HendrickO cartório ficava em um prédio antigo do centro. Eu entrei primeiro. Aura vinha ao meu lado, o queixo erguido, o corpo inteiro tenso. Caio já estava na calçada com dois oficiais e uma pasta na mão.“Confirmado” disse ele, baixo. “Tentaram protocolar uma procuração antiga no nome dela. O tabelião travou por causa da cláusula nova. O representante insistiu. Disse que era válido. Disse que tinha direito.”“Quem?” A voz saiu fria.Caio olhou para a porta de vidro.“O intermediário que ligou usava um nome de escritório fantasma. Mas o homem que está lá dentro… o segurança acabou de reconhecer.”Eu já estava andando.A sala de e
Aura KellerFazia uma semana.Sete dias de reunião, corredor, assinatura, café frio e Lucas dividindo o corpo entre duas empresas. Eu via o cansaço nele, mesmo quando ele fingia que não existia. A gravata um pouco mais frouxa no fim da tarde. O maxilar mais travado. O celular nunca longe da mão. Ele não falava. Mas eu via.Por isso eu me empenhava mais.Naquela manhã, o hall do Grupo Keller ainda cheirava a tinta nova e madeira. Operários terminavam o suporte da parede principal. Mathias passou com uma pasta debaixo do braço.“Senhora Hendrick, a reunião do financeiro começa em dez minutos. O senhor Lucas pediu que a senhora entre com ele.”“Eu já ia entrar mesmo.” Ajustei o blazer. “Obrigada, Mathias. E é Keller Hendrick. Me chame sempre pelos dois, por favor.”Por mais que meus sentimentos por Lucas tivessem explodido no meu peito, aquilo ainda era um contrato, e aqui era o grupo Keller. Nunca mais eu ia deixar que apagassem a minha história de mim.Ele assentiu, um pouco surpreso,







