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Trinta Dias Até Meu Alfa Me Perder de Vez

Trinta Dias Até Meu Alfa Me Perder de Vez

By:  ElevinaKumpleto
Language: Portuguese
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Antes do meu vigésimo primeiro aniversário, as leis da alcateia exigiam que eu nomeasse um Primeiro Guardião. Na Alcateia da Lua de Sangue, a maioria dos lobisomens escolhia um dos pais. Alguns escolhiam seus futuros companheiros. Meus pais haviam morrido anos antes, então escrevi o nome do Alfa Ivander no formulário — meu pai adotivo, que havia me acolhido quando eu tinha treze anos e me criado como sua própria filha. No dia seguinte, ele devolveu o formulário. — Escolha outra pessoa. Antes que eu pudesse perguntar o motivo, ele voltou a falar, com a voz fria e distante. — Cuidei de você durante anos, Lina, mas continuo sendo seu pai adotivo. Quaisquer sentimentos que você ache que tem por mim são inadequados. Levei alguns instantes para compreender. Ele achava que eu estava apaixonada por ele. A partir daquele dia, Ivander retirou todos os privilégios que um dia havia me concedido. Revogou minha autorização para entrar na propriedade do Alfa, bloqueou nosso vínculo mental privado e ordenou à sua assistente que nunca mais lhe transmitisse qualquer informação a meu respeito. Tentei vê-lo uma vez, na esperança de conseguir me explicar, mas os guardas me impediram de passar pelo portão. — O Alfa Ivander nos deu ordens diretas. Ele não quer vê-la. Depois disso, sempre que nossos caminhos se cruzavam pelo território, ele simplesmente se virava e ia embora. Seis meses se passaram. Então, fui diagnosticada com Degeneração do Espírito Lupino. O curandeiro me disse que não havia cura. Eu tinha, no máximo, mais trinta dias de vida.

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Kabanata 1

CAPÍTULO 1

Eu não queria que a expressão fria de Ivander fosse a última lembrança que levaria dele para a morte.

Por isso, concordei em dar uma chance a Eric, o candidato a companheiro que Ivander havia escolhido para mim.

Assim que tomei essa decisão, Ivander finalmente parou de me evitar. Pela primeira vez em meses, ele falou comigo por vontade própria.

— Como estão as coisas entre você e Eric? Já decidiram quando vão realizar a cerimônia de união?

— Estamos nos dando bem. Ainda estamos discutindo a data.

Aquela simples conversa quase me fez chorar. Fazia tanto tempo que Ivander não falava comigo com tanta gentileza que eu queria prolongar aquele momento o máximo possível.

— Queremos rosas cor-de-rosa por toda parte — contei a ele. — Até meu vestido de noiva será rosa, com uma cauda longa.

O sorriso desapareceu de seu rosto, mas não percebi. Continuei descrevendo a cerimônia de união com que sempre havia sonhado, até que ele finalmente me interrompeu.

— Antes que esse dia chegue, lembre-se de uma coisa: eu sempre serei seu pai adotivo, e você sempre fará parte da família. Pode voltar para casa quando quiser.

Seu olhar percorreu o quarto, e só então ele percebeu quantos dos meus pertences haviam desaparecido.

— Você já decidiu morar com Eric?

— Se vai se mudar, então vá. Vou pedir aos empregados que substituam tudo o que estiver faltando.

Aquelas palavras se cravaram dolorosamente em meu peito. Apertei os lábios e desviei o olhar.

— Não precisa. Acho que não vou voltar.

Dali a um mês, voltar já não seria possível.

Eric nunca receberia nenhum dos meus pertences. Eu já havia enviado tudo para a casa onde morara com meus pais.

Depois da morte deles, apenas uma criada leal havia permanecido lá. Quando eu voltasse, ela ficaria ao meu lado durante o tempo que me restasse.

A expressão de Ivander escureceu. Ele nunca gostava de me ouvir falar daquela maneira, nem mesmo por brincadeira.

Mudei rapidamente de assunto.

— Qual é a cor favorita de Daisy?

— Azul-claro. Por quê?

Sua voz voltou a ficar fria, e meu coração se apertou.

Ele devia estar pensando que eu planejava fazer algum mal à sua futura Luna.

Em vez de responder, olhei para as paredes cor-de-rosa ao nosso redor.

Quando Ivander me adotou, aos treze anos, aquela propriedade me parecera estranha e assustadora. Eu sentia tanta falta dos meus pais que nada conseguia me consolar.

O próprio Ivander havia trazido as latas de tinta para aquele quarto e pintado as paredes com minha cor favorita, fazendo tudo o que podia para que aquele lugar se tornasse um lar para mim.

— Eu só queria preparar uma surpresa para você e Daisy.

Ele rejeitou a ideia sem sequer perguntar que surpresa seria.

— Não precisa. Se Daisy quiser alguma coisa, ela mesma vai me dizer. — Seus olhos se estreitaram. — E você realmente precisava me fazer essa pergunta três vezes?

Três vezes?

Eu já havia perguntado outras duas vezes?

Não era de admirar que ele estivesse desconfiado.

O curandeiro havia me avisado que a Degeneração do Espírito Lupino apagaria lentamente minhas memórias, até que não restasse mais nada. E isso já estava acontecendo. Eu mal conseguia me lembrar de como Ivander costumava realizar todos os meus desejos, por mais absurdos que fossem, apenas para me ajudar a superar a dor da perda dos meus pais.

Também havia me esquecido de que Daisy, e não eu, era agora a pessoa mais importante da vida dele.

Como um dos Alfas de mais alta posição entre os clãs de lobos, Ivander podia dar a ela qualquer coisa. Se Daisy lhe pedisse as estrelas, ele encontraria uma maneira de colocá-las em suas mãos.

Depois de tudo o que havia feito por mim, eu só queria seguir seu exemplo e fazê-lo feliz ao menos uma vez.

Nenhum de nós voltou a falar.

O outono havia chegado, e as noites estavam ficando mais frias. Desde que adoecera, eu me tornara extremamente sensível à temperatura. Depois de ficar ali por apenas alguns minutos, comecei a tremer.

— Está tarde. É melhor descansarmos.

Antes que Ivander pudesse responder, apressei-me de volta para o meu quarto.

Na manhã seguinte, meu estado havia piorado. Eu não conseguia me lembrar de nada, nem mesmo da conversa que tivera com Ivander na noite anterior.

Apenas meu diário me dizia o que eu deveria fazer.

"Comprar tinta. Preparar presentes. Voltar para casa em uma semana."

Segui as instruções e pedi aos empregados que levassem vários baldes de tinta azul-clara para o quarto.

Naquela noite, Eric me convidou para jantar.

Como eu já havia decidido partir, queria ser sincera com ele.

— Eric, me desculpe, mas não posso ficar com você. — Obriguei-me a encará-lo. — Estou com uma doença terminal. Posso morrer a qualquer momento.

Ele me encarou, chocado.

— Vou voltar para casa — continuei. — Quero passar o tempo que me resta na casa onde meus pais me amaram. Ninguém sabe do diagnóstico, e quero que continue assim.

— Então Ivander também não sabe?

Balancei a cabeça.

— Não sabe. Por favor, me ajude a manter isso em segredo.

Ergui a bolsa pesada que estava ao meu lado e a coloquei sobre a mesa.

No instante em que Eric viu o que havia dentro dela, ficou paralisado.

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