LOGINA bruxa disse que minha irmã mais velha morreria aos dezesseis anos, e as profecias dela nunca erravam. Desde aquele momento, minha irmã passou a ser a pessoa mais importante da família. A melhor carne de veado era reservada para ela. A rara pele de raposa branca era dada a ela. Todas as noites, nossos pais contavam histórias para ela dormir. Eu sabia que ela era digna de pena, mas ainda assim me sentia magoada e ressentida. Então, no dia em que ela completou dezesseis anos, uma dor aguda se espalhou pelo meu peito. Com medo de que eu causasse problemas, meus pais me trancaram no porão. — Mãe, por favor… — chorei, batendo na porta. — Consigo sentir minha loba interior ficando mais fraca. Me deixa sair… No entanto, minha mãe disse sem hesitar: — Não! Hoje é um dia importante para sua irmã. Só resta um dia para ela. Aguente só mais um pouco… Quando finalmente fechei os olhos e minha alma se desprendeu do meu corpo, vi a sala de estar tomada por uma luz quente de velas. Meus pais seguravam minha irmã, viva e perfeitamente bem, enquanto choravam. Só então percebi que a profecia da bruxa realmente nunca errava. A escolhida para morrer nunca foi minha irmã.
View More— Eu consigo ver você.Quando essas palavras saíram da boca de Mary, achei que ouvi errado.Ela estava parada à entrada da casa antiga, segurando a urna com minhas cinzas. Seus olhos estavam fixos diretamente em mim, que flutuava no ar.Não havia medo em seus olhos velhos e enevoados, nem choque. Havia apenas uma dor que eu não sabia descrever.Minhas lágrimas caíram.Então alguém conseguia me ver. Desde o momento em que morri, Mary conseguia me ver.Mary colocou a urna sobre a mesa e estendeu a mão.Ela a levou até o ar vazio, parando exatamente onde minha alma permanecia. Seus dedos tremiam levemente, como se testassem alguma coisa.— Você sofreu tanto… — sua voz embargou.Ela abriu os braços, fazendo o gesto de um abraço.Eu flutuei para mais perto e parei dentro daquele abraço.Claro, ela não conseguia me segurar.Seus braços envolveram o nada. Quando seus dedos se fecharam, não havia nada ali para agarrar.Mesmo assim, ela não me soltou. Apenas ficou daquele jeito, ab
Meu funeral foi simples.A alcateia construiu uma pequena pira de cremação com madeira de pinheiro no terreno aberto a oeste do vilarejo.Os troncos foram empilhados em uma estrutura quadrada e organizada, mais arrumada do que qualquer cama em que dormi enquanto estava viva.Mary tirou um manto de pele de raposa branca do fundo de um baú.Eu conhecia aquele manto. Ele ficava guardado no fundo do armário dela, envolto em tecido, e era retirado uma vez por ano para arejar.Ela disse uma vez que ele seria usado no dia de sua própria partida, quando fosse encontrar seus ancestrais.Agora, ela o colocou sobre o meu corpo.A pele branca cobriu meu rosto acinzentado, e a gola macia repousou contra meu queixo.Em vida, eu nunca usei nada tão fino.Linda tentou ajudar. Com os olhos vermelhos, estendeu a mão, querendo prender os laços do manto.Mary afastou sua mão com um tapa.— Você não merece tocar nela.Sua voz não foi alta, mas cada palavra parecia uma lâmina mergulhada em gelo.
O choro atraiu uma vizinha, a Senhora Hill.Ela provavelmente passava por ali e ouviu o barulho. Espiou para dentro do quintal e entrou.Parou à porta e lançou um olhar para dentro. Ao me ver nos braços de Mary, com Linda desabada no chão, seus lábios se curvaram, e ela estalou a língua.— Nossa, isso é… Bella não resistiu?Sua voz estava baixa, mas cada palavra saiu clara.— Pobrezinha. Finalmente chegou aos dezesseis anos, mas mesmo assim não sobreviveu…Mary ergueu a cabeça e olhou para ela.— Não é Bella — disse. — É Clara.A Senhora Hill congelou. A expressão em seu rosto passou de pena para choque, e depois para outra coisa.Sua voz se elevou, alta o bastante para todo o quintal ouvir.— Clara morreu? Não era Bella quem deveria ser levada?Ninguém respondeu.Ela ficou ali, segurando uma bolsa de pele. Sua boca se moveu mais rápido que seus pensamentos enquanto murmurava:— Isso… quem devia morrer não morreu, e quem não devia morreu…Linda saltou do chão.Eu nunca v
Quando minha irmã desmaiou, ninguém a segurou a tempo.Ela caiu direto no chão, e sua testa bateu no batente da porta, deixando um rastro de sangue.Linda gritou e correu até ela. David ainda segurava meu corpo, imóvel, como se não escutasse nada.Foi Mary quem ajudou Bella a se levantar.Ela a levou para o quarto, deitou-a na cama, limpou o sangue de sua testa com um pano molhado e a cobriu com uma manta.Linda a acompanhava ao lado, completamente perdida. Chorava tanto que mal conseguia falar direito.Eu fiquei parada no canto, observando.Eu já estava morta, mas, ao ver o rosto pálido da minha irmã, ainda senti uma pontada de dor.Quando minha irmã acordou, já era meio-dia.A luz do sol entrava pela janela e caía sobre seu rosto, deixando sua pele pálida quase transparente.Linda estava sentada ao lado da cama, segurando sua mão. No instante em que viu Bella abrir os olhos, as lágrimas caíram de novo.— Bella, você acordou — a voz de Linda estava rouca e quebrada. — Que b






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