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Capítulo 57

Autor: Luli S.Z
last update Data de publicação: 2026-07-26 19:38:37

Aurora

O primeiro trovão me acordou antes mesmo que eu entendesse onde estava.

Abri os olhos de repente.

O quarto permanecia escuro, iluminado apenas pelos relâmpagos que atravessavam as frestas da cortina.

Por um instante, fiquei imóvel.

Então veio outro.

Muito mais forte.

O som pareceu atravessar meu peito.

Fechei os olhos com força.

Respira.

É só uma tempestade.

Você não está naquela estrada.

Você não está naquele dia.

Mas meu corpo não acreditava.

Meu coração disparou.

As mãos começaram a t
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Último capítulo

  • Tudo aquilo que não assinamos   Epílogo

    Janeiro de 2030São Paulo, BrasilCinco anos haviam passado desde que Aurora Duarte e Leon Monteiro se conheceram.Cinco anos desde aquele contrato que deveria ser apenas uma solução temporária.Cinco anos desde que duas pessoas completamente diferentes entraram em uma sala acreditando que não tinham nada em comum e acabaram encontrando uma vida inteira uma na outra.Algumas histórias não terminam quando o conflito acaba.Elas continuam nas pequenas coisas.No café preparado pela manhã.Na mão que procura a outra durante a noite.Na risada que surge por algo completamente sem importância.Na certeza tranquila de que, depois de tudo, você finalmente chegou ao lugar certo.---AuroraÀs vezes eu ainda fechava os olhos e conseguia voltar para aquele dia.O aeroporto.A chuva.O medo.A sensação de estar diante da escolha mais difícil da minha vida.Durante muito tempo, achei que aquele momento definiria quem eu seria.Achei que precisava escolher entre o sonho que carreguei por anos e o

  • Tudo aquilo que não assinamos   Capítulo 82

    AuroraVoltar para casa com Leon naquela noite parecia estranho.Não porque algo estivesse diferente.Mas porque, pela primeira vez em muito tempo...Não havia uma data de término.Não havia uma cláusula.Não havia um contrato determinando quanto tempo teríamos.Não havia uma mentira que precisávamos sustentar.Era apenas nós.Eu olhava nossas mãos entrelaçadas enquanto caminhávamos pelo estacionamento do aeroporto.Ainda parecia impossível.Horas antes, eu acreditava que estava prestes a entrar em um avião e deixar para trás a maior história da minha vida.Agora eu estava voltando para casa.Com ele.Leon abriu a porta do carro para mim como sempre fazia.Sorri.— Você sabe que eu consigo abrir uma porta sozinha, não sabe?Ele fechou a porta depois que entrei e deu a volta.Quando sentou no banco do motorista, olhou para mim.— Eu sei.Fez uma pausa.— Mas eu gosto de fazer isso.Meu coração apertou.Porque era exatamente isso.Leon nunca fazia grandes declarações.Ele demonstrava.N

  • Tudo aquilo que não assinamos   Capítulo 81

    AuroraO aviso ecoou pelos alto-falantes.— Passageiros do voo com destino a...Parei de prestar atenção.Aquela frase parecia distante.Como se viesse de outro lugar.Olhei para o cartão de embarque nas minhas mãos.Era apenas um pedaço de papel.Mas carregava anos de esforço.Anos de estudo.Anos tentando provar para mim mesma que eu conseguiria.Meu sonho.Ou pelo menos aquilo que eu sempre chamei de sonho.Segurei o papel com força.Minha mãe sempre dizia que sonhos não deveriam ser uma prisão.Ela dizia que uma conquista só valia a pena se ainda existisse felicidade quando chegássemos até ela.Na época, eu não entendia.Agora entendia.Porque eu estava prestes a realizar algo que desejei por tanto tempo...E meu coração estava procurando outra pessoa.---Levantei da cadeira.Minha mala estava ao meu lado.O portão de embarque ficava poucos metros à frente.Era simples.Eu só precisava andar.Um passo.Depois outro.Era tudo.Mas meu corpo não se movia.Porque, pela primeira vez,

  • Tudo aquilo que não assinamos   Capítulo 80

    LeonMeu nome estava escrito na frente do envelope.A caligrafia era dela.Delicada.Levemente inclinada para a direita.Passei o polegar sobre as letras, como se aquele gesto pudesse, de alguma forma, adiar o que eu já sentia que encontraria ali dentro.O apartamento estava silencioso.Silencioso demais.— Aurora?Minha voz ecoou pela sala.Nenhuma resposta.Olhei para a cozinha.A luz permanecia acesa.Havia uma caneca sobre a bancada.A dela.Ainda pela metade.O sofá continuava desalinhado, como sempre ficava depois que ela passava a noite lendo.Mas havia uma ausência impossível de ignorar.O casaco dela não estava no cabide.As chaves também não.Meu coração acelerou.Segurei o envelope com mais força.Por alguns segundos, simplesmente não consegui abri-lo.Uma parte de mim ainda acreditava que ela sairia do quarto a qualquer instante, reclamando que eu estava dramático.Outra parte...Já sabia.Respirei fundo.Rasguei cuidadosamente o envelope.Dentro havia várias folhas dobrad

  • Tudo aquilo que não assinamos   Capítulo 79

    LeonSegunda-feira.Acordei antes do despertador.De novo.Durante alguns segundos, fiquei observando Aurora dormir.Ela estava de lado, com o rosto parcialmente escondido no travesseiro.Uma mecha de cabelo caía sobre seus olhos.Afastei-a com cuidado.Ela sorriu dormindo.Meu peito apertou.Talvez fosse uma das últimas manhãs em que eu acordaria ao lado dela.Afastei esse pensamento imediatamente.Não.Eu havia prometido a mim mesmo que não faria isso.Não a faria carregar o peso da minha tristeza.---Quando Aurora acordou, fingimos que era uma segunda-feira comum.Tomamos café juntos.Conversamos sobre uma reunião importante.Daniel havia mandado um áudio reclamando do trânsito.Até rimos.Mas havia um vazio entre cada frase.Como se ambos estivéssemos evitando falar sobre a única coisa que realmente importava.Quando ela terminou o café, levantou-se.Pegou a bolsa.Parou diante de mim.— Tenha um bom dia.Sorri.— Você também.Ela se inclinou.Beijou meus lábios demoradamente.Fo

  • Tudo aquilo que não assinamos   Capítulo 78

    AuroraFaltavam quatro dias.Quatro.Nunca um número tão pequeno pareceu tão assustador.Passei a manhã inteira repetindo isso mentalmente enquanto organizava a agenda de Leon.Quatro dias.Era o tempo que eu tinha para decidir o resto da minha vida.---— Senhorita Duarte?Levantei os olhos.Clara apareceu na porta da minha sala.— Tem uma encomenda para você.Franzi a testa.— Para mim?Ela assentiu.— Acabou de chegar.Agradeci e recebi uma pequena caixa de papel kraft.Não havia remetente.Apenas meu nome.Abri devagar.Dentro havia um chaveiro antigo.Em formato de avião.Meu coração disparou.Reconheci imediatamente.Era o chaveiro que meu pai usava nas chaves do carro.O mesmo que eu pensava ter desaparecido depois do acidente.Junto dele, havia um pequeno envelope."Encontramos isso durante a organização dos pertences antigos da universidade. Acreditamos que pertença à família Duarte."Sorri entre as lágrimas.Passei o polegar sobre o metal já desgastado.Meu pai dizia que aqu

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