FAZER LOGINGleide sentia que a haviam rasgado ao meio, perder a virgindade com um homem que tinha um pênis de mais de trinta centímetros era um preço alto demais.
— Vejam só... parece que eu tirei a sorte grande aqui, temos uma garotinha intocada até então.
Gleide não sabia se chorava ou se mantinha firme naquela situação.
— Fico feliz em ser o primeiro, querida, dizem que as mulheres jamais esquecem o primeiro homem.
Realmente jamais me esquecerei de você desgraçado, pois será a primeira pessoa que irei matar na vida...
Ela não sabia se conseguiria encontrar a mulher no parque, nem sabia se conseguiria voltar a andar depois daquele dia, mas era se esforçar ao máximo ou o desgraçado faria aquilo novamente com ela.
Aos poucos o corpo foi voltando ao normal e a dor foi amenizando.
Se a velha disse que esse mundo que eu quero tanto é regado de sexo, vou ter que me acostumar a ele se quiser ter sucesso...
Ela foi até o banheiro e tomou um banho demorado, tocou suas partes íntimas que ainda estavam assadas pela forma como Camillo a havia penetrado de forma tão selvagem.
Tenho que transformar essa dor em prazer se quiser vencer, deve haver alguma forma de fazer isso...
MESMO INDO BEM DEVAGAR, Gleide chegou no horário combinado e a senhora já estava lá alimentando seus pombos.
— Que alegria voltar a vê-la, querida.
— O que é combinado não sai caro.
A senhora sorriu e pensou:
Essa garota transpira orgulho e ambição... é perfeita para o mundo da moda...
As duas foram até a casa dela.
— Vamos, a pessoa já está nos esperando.
A CASA ERA LUXUOSA e tudo parecia que se encaixava perfeitamente em cada cômodo.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— Porque desistiu da vida de modelo.
— Essa é uma longa história que vai descobrir por si só.
— Como assim?
A velha sorriu.
— Minha vida é igual à de todas, é um ciclo vicioso, assim como será a sua.
Isso é o que você pensa...
— Um dia pensei exatamente o que você está pensando.
Ela deu um sorriso como se soubesse exatamente o que ela tinha pensado.
— Pelo que vi, alguém teve um dia um pouco agitado.
— Tive que pagar uma dívida.
— Sempre estamos devendo algo, não é mesmo?
Ela assentiu.
— Primeira regra de ouro do mundo da moda:
Nunca deva nada a ninguém, eles irão cobrar...
— Não é só no mundo da moda não.
— Pelo jeito você aprende rápido, garota.
ELA A LEVOU até um belo quarto.
— Se quiser, é aqui que irá ficar.
Gleide olhava o quarto e era magnífico, de uma delicadeza clássica que não estava acostumada, não era luxuoso, mas estava muito longe de ser a espelunca em que tinha passado os últimos meses.
— É como se fosse um sonho.
— Lembrando que algum dia terá que pagar essa dívida.
Ela sorriu.
— Essa dívida ficarei feliz em pagar, está sendo muito bondosa comigo.
— Segunda regra de ouro, querida:
Ninguém é bondoso de graça...
— Agora vamos trabalhar...
— Porque não disse antes...
E pela primeira vez na vida Gleide sentiu o prazer que o trabalho lhe dava e ficou viciada.
IGUALMENTE AO LIVRO “O sorriso de Cíntia Donnaville”, este livro surgiu de uma ideia absurda que veio em uma talagada só, uma amiga, Tânia postou uma foto com um lenço azul amarrado ao pescoço e até então nada daquilo havia me chamado a atenção, mas como se tivesse recebido uma marretada na cabeça, a ideia veio...A menina do lenço azul...Essa era a primeira ideia de um título, contei a ela, que inicialmente gostou, mas achou que tudo fazia parte de alguma brincadeira, o que não é o meu caso, se eu simplesmente vislumbrar uma ideia, com certeza a colocarei para frente sem pestanejar, e assim sucedeu.Em sua maioria, os personagens são inspirados em pessoas reais, Marcel um Guitarrista, amigo em minha adolescência, Gleide, uma amiga do Rio de Janeiro, com uma personalidade forte e que vence tudo e todos dia-a-d
Tânia Copelli continuou a ser conhecida no mundo todo como a mulher que revolucionou a moda, ela se casou novamente e foi avó de muitos netos, abriu uma fundação com o mesmo nome de sua grife e ajudou a muitas crianças carentes, abrindo oportunidades em seus ateliês no mundo todo.JANICE, AO CONTRÁRIO DA MÃE, seguiu a carreira militar, sendo uma oficial altamente condecorada igual ao pai, lutou em diversas batalhas, como o Vietnã e no Golfo, quando se aposentou, seguiu na carreira política, chegando ao Senado dos Estados Unidos e sendo cotada a ser a primeira mulher a disputar para a Presidência dos Estados Unidos, perdendo nas eleições primárias duas vezes seguidas.THEODORE seguiu a carreira de cineasta de filmes eróticos parisienses, um dos primeiros a seguir aquele ramo, ganhando fama mundial seguindo o sucesso de Deep Throat, do qual er
Tânia fechou os olhos e por um instante o tempo começou a passar em câmera lenta, então, ouviu o barulho oco do corpo sem vida de Marcel cair no chão e a voz de Greg.— Ainda bem que chegamos a tempo.— GREG!!! – Ela jamais imaginou que ficaria tão feliz em vez alguém na vida quanto ele – Nunca achei que ficaria tão feliz ao vê-lo novamente.— Ainda bem que meus instintos estavam certos em segui-la até aqui, sabia que uma hora esse miserável apareceria.— Mas...— Sei que deve estar pensando que ele era apenas o auxiliar de Gladys, mas era um miserável invejoso, matou Gael, o pai de Gladys, Jorge e agora queria te matar também.— Jorge está morto?— Infelizmente... ele foi sequestrado e torturado no dia do acidente.— Coitado do Jorge... era um excelente profissional.
Theodore entrou no escritório de sua mãe e olhou para o atelier, todos estavam tristes e o ambiente visivelmente sem vida.— Sua mãe era uma grande mulher.Theo olha para trás e viu Gabrielle, a secretária de sua mãe e a intermediária entre eles.— É o que todos dizem.— Isso aqui agora é tudo seu.— Isso aqui nunca será meu.Apesar de ser um rapaz que acabou de sair da adolescência, ela o percebeu muito adulto naquele instante.— Mas alguém terá que dar seguimento ao que ela construiu.Theo sorriu.— Parabéns, Gabi... é todo seu... só me mande relatórios semanais.— Para de brincadeira, Theo.— Você acha que eu iria brincar com uma coisa dessas, e outra, era o desejo da minha mãe.Theo abriu o cofre e mostrou o tes
Os médicos estavam correndo com as duas macas emparelhadas lado-a-lado, tudo estava turvo, as luzes se revezavam entre clarear e escurecer...— Tânia... disse quase num sussurro quando as camas pararam para iniciarem os procedimentos médicos.— Não fala nada...— Queria que você soubesse que foi uma extraordinária adversária... fico feliz em tê-la como minha rival.— Agora não é hora....— Nem nunca mais será...Gladys sorriu e por um instante, Tânia percebeu que era seu adeus.— RÁPIDO!!! – Gritou um dos médicos – perdemos os sinais vitais dela.Tudo o que Tânia ouviu foi sumindo... então ela adormeceu.AOS POUCOS, TÂNIA foi recobrando a consciência e, de repente, se lembrou de Gladys.— GLADYS!!! CADÊ A GLADYS???As
Theo estava passeando pelas ruas de Paris e sabia que seriam bem tranquilas devido à semana da moda em Milão, não haveriam madames desfilando pelas ruas, pois todas estariam por lá vendo as tendências para a próxima estação, então era apenas administrar seus negócios ilegais.— E aí, Theo, tudo bem? Meus sentimentos...— Tudo bem... porque meus sentimentos?— Você não ouviu o rádio e nem viu as capas de jornais?Ele negou com a cabeça e correu até a banca e viu estampado na primeira página a tragédia tripla... porém só uma delas lhe chamou a atenção...“MORRE A HEROÍNA PARISIENSE, GLADYS VIERMOND...”