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CAPÍTULO 6 - TÂNIA COPELLI

last update Data de publicação: 2021-09-04 07:20:58

Genara entrou no quarto do hospital e ficou todos aqueles dias ao lado da neta, revezando entre orar a Deus e fazer promessas a si mesma, principalmente depois do erro grotesco que cometeu em m****r matar o marido, o infeliz do assassino saiu correndo de sua casa, e após perder muito sangue, desmaiou ao tentar abrir a porteira, onde a vaca saiu correndo, atravessou a pista e o carro de sua família o acertou em cheio, por um milagre a menina sobreviveu caindo justamente em cima da vaca, amortecendo a sua queda.

Deixe que os mortos enterrem seus mortos...

Foi isso o que aquela velha cigana desgraçada disse daquela vez no circo quando decidiu levar a filha ver aquele espetáculo há tantos anos.

Maldita a hora que fui ver aquelas cartas...

GENARA ESTAVA COM A FILHA de cinco anos de idade quando o circo chegou na cidade, e tudo aquilo era extraordinariamente mágico, principalmente para Genara que sempre sonhou fugir de casa em um circo e conhecer o mundo, mas ela sabia que aqueles homens jamais conheceram mais do que o próprio país, eram escravos de suas próprias limitações enquanto ela nasceu para voar alto.

O circo estava munido de leões, elefantes, palhaços, acrobatas, malabaristas, mulher barbada, o pseudo homem mais forte do mundo, um rapaz que tinha três pernas, mas o que mais chamou a atenção dela foi a tenda de madame Viermond, a cigana que tinha o poder de ver o futuro.

— Vamos ver a mulher que pode ver o futuro, mamãe – disse Janice.

— Isso é uma grande besteira, querida, só Deus pode ver o futuro.

— Quem sabe Deus emprestou seu poder a ela.

— Poderia ter emprestado para qualquer um e não para uma mulher que vive numa tenda de circo, não acha?

— Talvez seja exatamente por isso que Deus emprestou para ela.

Ela olhou para a tenda e a luz bruxuleante dela parecia chamá-la, ela percebeu que o valor era quase irrisório por aquela brincadeira inocente só para agradar a filha.

    Foi então que ela entrou com a filha.

— Sejam bem-vindas, minhas queridas.

Genara se sentiu pouco à vontade ali dentro, tudo parecia fazer parte de um passado distante, como se estivesse entrado em uma máquina do tempo e estivesse há mil anos no passado.

— Sente-se – disse a mulher – sei porque vieram aqui.

— Acho que cometi um erro.

— Não existem erros quando algo está predestinado a acontecer, senhora Veronese.

— Vamos, filha...

Ela tirou duas notas do bolso, o que era proporcional a quase dez consultas descritas na placa.

— Se você já pagou, não custa nada ver o que os astros dizem sobre você, não é mesmo?

— É melhor não...

— Vamos mamãe... ela sabe o que vai acontecer no futuro.

A velha tirou um lenço azul da cabeça, era de linho finíssimo.

— Leve este presente, ajudará alguém muito especial a conhecer seu próprio destino, foi um presente que ganhei da minha mãe, ela disse que quando chegasse a hora, eu a daria para alguém que mudaria o destino do mundo com ele.

Genara ficou receosa em pegá-lo, mas ao encostar na velha, era como se suas almas tivessem sido ligadas... ela olhou para um quadro que estava ao lado da bola de cristal.

— É a carta que representa a morte.

Genara sentiu um frio gutural lhe percorrer a espinha.

— Nunca poderá fugir das consequências do seu passado, minha filha...

Parecia que Genara tinha visto um fantasma.

— Você não sabe de nada, velha.

— Mas o destino sabe de todas as coisas, ele te levou a fazer todas aquelas coisas por um bem maior...

Genara apertou a mão da filha com força.

— Quando tiver em dúvidas sobre o que fazer... deixe que os mortos enterrem seus próprios mortos... e os vivos que vivam as suas próprias vidas

Genara puxou a filha e foram embora.

***

GERANA ACORDOU AO OUVIR a neta balbuciar algumas coisas sem sentido, ela sabia que a família estava passando maus bocados no casamento e aquela pequenina infeliz estava carregando o mundo em suas costas.

— Vai ficar tudo bem, querida...

Ela então acordou assustada ainda delirando pela febre.

— Calma... está tudo bem, Tânia, minha querida.

— Vovó? Onde estou? Cadê meus pais?

— Que bom que você acordou... – Genara abraçou a neta com força – não sabe o quanto estou feliz em vê-la acordada.

— Eu tive... tantos pesadelos, vovó.

Ela sorriu e a abraçou novamente.

— Mas agora terá uma vida de sonhos, minha querida.

Então ela começou a convulsionar.

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