FAZER LOGINGleide estava crescendo e já era uma menina que chamava a atenção pela beleza exuberante que irradiava, seu apelido era Esmeralda, devido seu livro favorito, O corcunda de Notredame, de Victor Hugo, era magra, com seios Espanhóis sobressalentes e protuberantes, seus olhos verdes cristalinos e um cabelo encaracolado que saltava os olhos.
Não nega a sua descendência cigana...
Seu pai já não sabia mais o que fazer para conter os inúmeros pedidos de casamento, ele sabia que mais dia ou menos dia teria que tomar uma decisão, ela gostando ou não, o dinheiro que tinha levado para Paris estava quase no fim, daria para eles manterem seus pequenos luxos por apenas três meses, depois disso estariam à mercê de seus próprios destino, assim como todo bom cigano gostava de viver.
— Vou facilitar para você, meu anjo.
— Não quero saber desse assunto, papai.
— Você não tem que decidir nada enquanto estiver aqui, está me entendendo?
Gleide, assim como a mãe, era geniosa e Jamien nunca conseguiu domá-la, não adiantava a quantidade de surras que ela levasse, a garota simplesmente fazia o que bem entendesse da vida.
— Acho que o senhor ainda não entendeu, não é mesmo, papai?
Jamien levantou a mão, mas deteve-se.
— Vamos... BATE!!! – Disse ela mostrando a face e dando tapinhas em sua bochecha.
— Eu bem que gostaria de te dar uma bela surra, menina, mas depois de todos estes anos apanhando, já não sei mais o que fazer com você.
— Você é um homem muito fraco para isso, sempre foi, minha mãe devia se deitar contigo por dó, só pode.
— Nunca mais ouse falar da sua mãe, desse jeito, está me entendendo? Sua mãe era uma santa.
A face de Gleide era de espanto.
— É mesmo?
Gleide foi até as suas coisas e pegou um diário antigo de sua mãe.
— Sabe o que é isto, não é?
— O diário dela.
Gleide sorriu maquiavelicamente.
— Acredito que nunca tenha lido, não é mesmo?
— Porque o faria? Confiava cegamente em sua mãe.
— Porque existem coisas bem interessantes aqui, mas pelo jeito além de cego irá se fazer de surdo.
Ela entregou aberta em uma página e após ler um trecho, Jamien simplesmente não podia acreditar no que estava escrito.
Era a letra dela... não havia a menor possibilidade de outra pessoa ter escrito tudo aquilo...
— É... é... impossível... – balbuciou ele com a imagem à sua frente ficando turva devido às lágrimas que começaram a correr.
— Essa é a vida nua e crua, papai... é o seu destino...
***
DIÁRIO DE FRANCHESCA VIERMOND
Aquela noite foi a mais especial de todas que tivemos juntos, ele sim era um homem de verdade, capaz de me fazer gozar por horas, que conseguia tirar o melhor de mim, na verdade, ele fazia o que bem entendesse comigo, me tratava como sua escrava sexual e era exatamente assim como eu desejava ser tratada, mas naquele dia não fizemos sexo como das outras vezes, fizemos amor, então o que nenhum de nós esperava aconteceu, o fruto daquele relacionamento começou a crescer dentro de mim, enquanto ele me batia e estocava com seu pênis enorme a criança se debatia dentro de mim, como uma reação natural de alguém que não aceitava calada seu destino, assim como eu aceitei...
***
JAMIEN JOGOU O DIÁRO no chão e foi em direção à porta e parecia que iria arrancar os batentes dela, ele jamais bateu em sua filha sem que ela merecesse, a achava bela demais, mas percebeu que estava pagando caro pelo erro cometido.
— Tenho que dar uma resposta amanhã, Gleide, você aceite ou não seu destino.
— Faça o que quiser fazer que farei o que eu quiser... você pode acreditar no seu destino enquanto eu acredito que sou o próprio destino.
— É o que veremos.
Gleide sorriu.
— É o que veremos...
O CASAMENTO FOI MARCADO para o próximo mês com um conde riquíssimo, tinha pago um dote altíssimo pela mão da garota.
— Tenho certeza que ela será uma esposa excelente para o senhor.
— Claro que vai... me dará muitos herdeiros lindos que terão seus olhos da cor do mar da Córsega.
— Mas o mar da Córsega é azul, Conde.
Ele sorriu.
— Eu sei...
Jamien não tinha nem ideia do que aquele homem estava falando.
GLEIDE NEM SEQUER OLHOU para a face do conde, um homem de meia idade, rechonchudo, com bigodes largos e cumpridos e uma careca brilhante.
— Claro que será uma esposa excelente... teremos filhos lindos, não é mesmo minha cara?
Prefiro morrer antes disso...
— Claro que sim, conde... ficaria honrada em seu a sua esposa.
A IGREJA ESTAVA LOTADA e como era de costume, a noiva estava atrasada, muito atrasada.
— Espero de bom grado que isso não seja alguma brincadeira de mau-gosto, senhor Viermond.
— Também não sei o que aconteceu...
— Se a Gleide não entrar por aquela porta, diante do Cristo pregado nesta cruz, é assim que você irá ficar.
Jamien sentiu a bile subir pela garganta, ele sabia exatamente que tipo de homem era o Conde.
De repente, a porta da igreja se abriu e a cena mais bizarra que todos eles já viram na vida aconteceu, um cachorro da raça Dogue Alemão, maior do que qualquer pessoa ali presente, entrou na igreja vestido de noiva, latindo e babando, foi correndo até o altar e pulou sobre o noivo o lambendo como se fosse seu melhor amigo.
— Mas que diabos está acontecendo aqui? Tirem esse cachorro desgraçado daqui.
Jamien tentou tirá-lo, mas o cachorro era grande demais, ele olhou para a porta e viu a filha rindo como se fosse a piada do século e lhe soprou um beijo.
— GLEIDEEEEEEEEEE!!!! – gritou contra a filha.
Mas ela já tinha ido embora.
IGUALMENTE AO LIVRO “O sorriso de Cíntia Donnaville”, este livro surgiu de uma ideia absurda que veio em uma talagada só, uma amiga, Tânia postou uma foto com um lenço azul amarrado ao pescoço e até então nada daquilo havia me chamado a atenção, mas como se tivesse recebido uma marretada na cabeça, a ideia veio...A menina do lenço azul...Essa era a primeira ideia de um título, contei a ela, que inicialmente gostou, mas achou que tudo fazia parte de alguma brincadeira, o que não é o meu caso, se eu simplesmente vislumbrar uma ideia, com certeza a colocarei para frente sem pestanejar, e assim sucedeu.Em sua maioria, os personagens são inspirados em pessoas reais, Marcel um Guitarrista, amigo em minha adolescência, Gleide, uma amiga do Rio de Janeiro, com uma personalidade forte e que vence tudo e todos dia-a-d
Tânia Copelli continuou a ser conhecida no mundo todo como a mulher que revolucionou a moda, ela se casou novamente e foi avó de muitos netos, abriu uma fundação com o mesmo nome de sua grife e ajudou a muitas crianças carentes, abrindo oportunidades em seus ateliês no mundo todo.JANICE, AO CONTRÁRIO DA MÃE, seguiu a carreira militar, sendo uma oficial altamente condecorada igual ao pai, lutou em diversas batalhas, como o Vietnã e no Golfo, quando se aposentou, seguiu na carreira política, chegando ao Senado dos Estados Unidos e sendo cotada a ser a primeira mulher a disputar para a Presidência dos Estados Unidos, perdendo nas eleições primárias duas vezes seguidas.THEODORE seguiu a carreira de cineasta de filmes eróticos parisienses, um dos primeiros a seguir aquele ramo, ganhando fama mundial seguindo o sucesso de Deep Throat, do qual er
Tânia fechou os olhos e por um instante o tempo começou a passar em câmera lenta, então, ouviu o barulho oco do corpo sem vida de Marcel cair no chão e a voz de Greg.— Ainda bem que chegamos a tempo.— GREG!!! – Ela jamais imaginou que ficaria tão feliz em vez alguém na vida quanto ele – Nunca achei que ficaria tão feliz ao vê-lo novamente.— Ainda bem que meus instintos estavam certos em segui-la até aqui, sabia que uma hora esse miserável apareceria.— Mas...— Sei que deve estar pensando que ele era apenas o auxiliar de Gladys, mas era um miserável invejoso, matou Gael, o pai de Gladys, Jorge e agora queria te matar também.— Jorge está morto?— Infelizmente... ele foi sequestrado e torturado no dia do acidente.— Coitado do Jorge... era um excelente profissional.
Theodore entrou no escritório de sua mãe e olhou para o atelier, todos estavam tristes e o ambiente visivelmente sem vida.— Sua mãe era uma grande mulher.Theo olha para trás e viu Gabrielle, a secretária de sua mãe e a intermediária entre eles.— É o que todos dizem.— Isso aqui agora é tudo seu.— Isso aqui nunca será meu.Apesar de ser um rapaz que acabou de sair da adolescência, ela o percebeu muito adulto naquele instante.— Mas alguém terá que dar seguimento ao que ela construiu.Theo sorriu.— Parabéns, Gabi... é todo seu... só me mande relatórios semanais.— Para de brincadeira, Theo.— Você acha que eu iria brincar com uma coisa dessas, e outra, era o desejo da minha mãe.Theo abriu o cofre e mostrou o tes
Os médicos estavam correndo com as duas macas emparelhadas lado-a-lado, tudo estava turvo, as luzes se revezavam entre clarear e escurecer...— Tânia... disse quase num sussurro quando as camas pararam para iniciarem os procedimentos médicos.— Não fala nada...— Queria que você soubesse que foi uma extraordinária adversária... fico feliz em tê-la como minha rival.— Agora não é hora....— Nem nunca mais será...Gladys sorriu e por um instante, Tânia percebeu que era seu adeus.— RÁPIDO!!! – Gritou um dos médicos – perdemos os sinais vitais dela.Tudo o que Tânia ouviu foi sumindo... então ela adormeceu.AOS POUCOS, TÂNIA foi recobrando a consciência e, de repente, se lembrou de Gladys.— GLADYS!!! CADÊ A GLADYS???As
Theo estava passeando pelas ruas de Paris e sabia que seriam bem tranquilas devido à semana da moda em Milão, não haveriam madames desfilando pelas ruas, pois todas estariam por lá vendo as tendências para a próxima estação, então era apenas administrar seus negócios ilegais.— E aí, Theo, tudo bem? Meus sentimentos...— Tudo bem... porque meus sentimentos?— Você não ouviu o rádio e nem viu as capas de jornais?Ele negou com a cabeça e correu até a banca e viu estampado na primeira página a tragédia tripla... porém só uma delas lhe chamou a atenção...“MORRE A HEROÍNA PARISIENSE, GLADYS VIERMOND...”