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CAPÍTULO 8 - TÂNIA COPELLI

last update Data de publicação: 2021-09-04 07:22:33

Os médicos já haviam desenganado Genara quanto ao destino da pobre garota, tudo o que a medicina poderia fazer por ela já tinham feito, o que esperavam agora era por um milagre ou o mais perto disso, e foi exatamente o que aconteceu.

Certo dia, logo pela manhã, Tânia simplesmente acordou bem, como se absolutamente nada tivesse acontecido com ela.

— Realmente não sei o que dizer, Genara... eu...

Genara segurou a mão do doutor com suas duas mão balançando de alegria.

— Ela é um milagre, doutor, sempre foi...

— Não tenho como discordar disso.

— Nem Deus discordaria, doutor... nem Deus...

Genara ainda se lembra de tudo como se tivesse sido ontem quando a sua filha lhe trouxe a notícia.

***

— ESTOU GRÁVIDA, mamãe.

Genara abraçou a filha.

— Deus seja louvado, minha querida...

Genara olhou para o marido que não esboçou qualquer reação diante daquela notícia radiante, ela sabia de tudo o que estava acontecendo com o marido, ele estava tendo um caso com uma garota na fábrica, e a relação deles que já não era calorosa, simplesmente se transformou em um abismo sem fundo, o que ela também não deixou barato e pagou na mesma moeda, porém, o que ele não sabia é que ninguém traía Genara Sala Veronese e ficava sem pagar o devido preço.

A princípio, a gravidez transcorreu sem quaisquer transtornos, a barriga crescia naturalmente, a criança ali dentro parecia sempre estar brincando e com fome, mas na noite em que nasceu, tudo, simplesmente TUDO, deu errado.

Janice sentiu um líquido escorrer por entre as pernas e uma explosão de alegria começou a transbordar seu coração.

— Mamãe... acho que a bolsa estourou.

Assim como a alegria no coração de Genara.

— Calma, querida, tudo bem? Vai dar tudo certo... estou aqui...

Quando Genara chegou perto da filha, simplesmente parecia que estava em um pesadelo, não era o líquido natural de toda gravidez, era sangue...

Muito sangue...

Com toda a calma do mundo ela levou a filha até a sua cama deixando um rastro atrás delas, como era de praxe, ela não falou absolutamente nada para não alarmar a filha.

Por sorte, as contrações vieram, Genara chamou a empregada, e antes que ela falasse qualquer coisa, colocou a mão na boca dela e fez sinal para que permanecesse em completo silêncio.

— Só faz o que estou mandando, traga água quente e panos limpos, o bebê vai nascer a qualquer momento, tudo bem?

A empregada assentiu nervosamente e saiu correndo providenciar o que a sua chefe havia ordenado, mas no caminho cruzou com o patrão.

— O que aconteceu aqui? Mataram alguém?

— A senhora Janice, doutor... ela entrou em trabalho de parto.

— Que merda... justo hoje?

— Senhor... eu...

— Vai à merda você também, Marcelle, sai da minha frente.

E saiu bufando.

Genara colocou um pano na boca da filha e disse.

— Morda isso, tudo bem? E segure bem forte nas barras da cama, não solte por nada.

Ela assentiu.

— Vai dar tudo certo... estou aqui... só faça o que estou mandando e esqueça de tudo lá fora... somos só nós três agora, está me ouvindo?

Nem sei se Deus teria tanta certeza assim...

— FORÇA!!! – gritou Genara.

Janice oscilava entre perder as forças e perder a consciência, toda vez que isso parecia acontecer, a empregada batia levemente em seu rosto.

— Isso Marcelle, a mantenha acordada e fazendo força, essa criança dentro em breve estará em nossos braços cheia de vida.

Depois de quase duas horas, ela ouviu o som do choro da criança.

Janice enfim desmaiou em paz de cansaço.

— Deixe-a descansar, ela merece, foi uma guerreira, tenho muito orgulho da filha que tenho... ela lutou como uma verdadeira Sala.

***

GENARA ACOMPANHOU A NETA até a saída, abriu a porta do carro e a ajeitou.

— Estou tão feliz que esteja bem, meu anjo.

A pequena Tânia sorriu de volta para a avó.

— Agora esta incrível aventura de viver a vida sobrou para nós duas, minha querida.

— E o que faremos, vovó?

Genara beijou a testa da neta e disse da forma mais motivada do mundo:

— Vamos ter a melhor vida que alguém pode viver.

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