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CAPÍTULO 2

Autor: Ara Pereira
last update Fecha de publicación: 2025-10-11 13:02:01

A semana passou como um furacão, e eu mal tive tempo de entender o que estava fazendo da minha vida.

Logo na manhã seguinte à minha aceitação, recebi uma ligação da agência. A voz da assistente era doce, calma, quase maternal, o que me deixou ainda mais nervosa.

— Júlia, querida, preciso que venha hoje à tarde. Temos muito o que resolver. E seria interessante você já pedir demissão da boate.

— Demissão?

— Sim. Você vai viajar em alguns dias. Vai precisar se dedicar exclusivamente a isso agora. A papelada, os exames médicos, a entrevista na imigração. É um processo minucioso, e o cliente não aceita atrasos ou erros.

Meu coração disparou.

Ouvi aquilo e me dei conta, talvez pela primeira vez, de que era real, que eu realmente tinha vendido algo que não podia ser devolvido.

Fui até a boate naquela noite como quem se despede de um pedaço da própria história, entreguei minha carta de demissão ao gerente, que me olhou surpreso, mas não perguntou nada, só desejou sorte. Tive vontade de chorar, mas engoli.

Na tarde seguinte, fui até a agência. Eles tinham uma sala reservada só para mim, mesa de vidro, laptop aberto, uma pasta cheia de documentos, e uma mulher que parecia ter saído de um filme de espionagem, Carolina, uma das diretoras da agência.

Ela cruzou as pernas, olhou pra mim com um sorriso profissional.

— Sente-se, Júlia. Hoje começa a sua verdadeira preparação.

— Eu nunca saí do país.

Confessei, sentando tensa na cadeira.

— Nem sei como tirar um passaporte...

— Vamos cuidar disso. Você vai preencher estes formulários, fazer uma foto oficial, agendar a retirada. Tudo legal, tudo limpo. Afinal, nosso cliente exige discrição, mas também exige que tudo esteja perfeito.

— Mas... e se eu errar na entrevista? O que eu vou falar? Eles não vão desconfiar?

Ela sorriu, tranquila.

— É por isso que você vai fazer uma aula de conduta, não vai precisar mentir.

Vai apenas responder com firmeza. Diz que vai a passeio, turismo. Você é uma jovem rica que quer conhecer novos países, vai estar com tudo pago, e vai ter uma carta de recomendação da agência, como se fosse uma viagem de negócios.

Eu assenti com a cabeça, mas meu estômago já doía.

Passamos a tarde toda ensaiando como me portar, como responder perguntas simples, qual roupa usar, como cruzar as pernas, como não parecer nervosa, como sorrir sem parecer desesperada. Tudo era ensaiado, ensinado, corrigido.

Em um momento, minha cabeça já latejava, eu fechei a pasta com força, levantei da cadeira e disparei...

— Eu não sei se quero mais isso. Eu… não sei se consigo.

Carolina me olhou por um instante, depois, se levantou calmamente e se aproximou de mim.

— Júlia, olha pra mim.

Eu levantei os olhos, cheia de medo.

— Você tem ideia do que esse dinheiro pode fazer?

Ela perguntou.

— Você vai salvar a vida da sua mãe. Vai tirá-la de um hospital público, dar o melhor tratamento, os melhores médicos, vai dar conforto, dignidade. É uma única noite. Uma.

— Mas, e depois?

— Depois?

Ela cruzou os braços.

— Depois você decide o que quer fazer com o seu poder. Porque é isso que você vai ter, poder, liberdade.

Fiquei em silêncio, com o coração ainda acelerado e as mãos suando.

— E quem é esse homem?

Perguntei de repente, minha voz mais baixa, quase sussurrada.

— Quem… comprou isso?

O sorriso de Carolina foi mais amplo, quase malicioso.

— Um sheik.

— Um…?

— Um sheik. Árabe, bilionário. Tem dinheiro suficiente pra comprar um país inteiro só pra você, se quiser. E olha...

Ela se inclinou levemente.

Se você souber usar esse corpo, Júlia, pode sair de lá com muito mais do que quinhentos mil.

Meu coração pulou no peito.

Um sheik. A palavra soou exótica, distante, quase mística. Mas, ao mesmo tempo, perigosa, instável, impossível de prever.

Voltei pra casa com a cabeça girando, os passos lentos, arrastados, como se eu tivesse acabado de sair de uma arena de batalha. As palavras dela ecoavam: “Dinheiro suficiente para comprar um país”.

Na mesa da cozinha, abri a pasta com os documentos. Passaporte, formulário da imigração, instruções, tudo separado.

Meu celular vibrava a cada hora com notificações da agência, confirmando exames, horários, o motorista que iria me buscar para a entrevista.

Mas minha mente só conseguia imaginar o sheik.

E se ele fosse velho? E se fosse um homem com dentes podres, olhos opacos, voz áspera? Um tarado, perverso, daqueles que colecionam garotas como troféus exóticos?

E se... e se ele fosse cruel?

Senti um enjoo súbito, corri até o banheiro e vomitei. As mãos agarradas à borda da pia, o corpo todo tremendo, as lágrimas vieram logo depois, silenciosas, desesperadas.

Eu estava com medo, medo de mim mesma, do que estava fazendo, do que eu me tornaria depois disso.

Mas aí pensei nela. Na minha mãe.

Pensei no olhar fraco, nos dedos finos dela me tocando o rosto e dizendo “Vai ficar tudo bem, filha”. Lembrei das noites em claro, dos remédios negados, das filas no hospital. Lembrei da mulher que me criou com tanto esforço, limpando escadas e cozinhando para fora.

Eu ia dar isso a ela. A chance de viver.

Limpei o rosto, me olhei no espelho, e pela primeira vez em dias, tentei ver algo além da culpa.

Vi uma filha, vi alguém lutando com as armas que tinha. Mesmo que isso custasse mais do que podia medir.

A entrevista com a imigração seria em dois dias.

E se o destino havia escolhido um sheik para cruzar o meu caminho, então que fosse. Ele teria o que queria e eu salvaria a minha mãe.

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Último capítulo

  • UMA VIRGEM PARA O SHEIK   FIM

    JÚLIA*Se alguém me dissesse, no início de tudo, que eu terminaria minha história vivendo em Dubai, casada com um Sheik e segurando a mão do homem que um dia eu achei que destruiria minha vida, eu teria rido.Ou talvez chorado.Porque a verdade é que, naquele tempo, eu não conseguia enxergar futuro nenhum.Minha vida era feita de medo.Medo das contas.Medo do hospital ligar.Medo da minha mãe piorar.Medo de ficar sozinha no mundo.E no meio de todo aquele caos, apareceu Al Rashid.Lindo.Frio.Intimidador.O tipo de homem que parecia ter sido criado para nunca ouvir um “não”.E talvez tenha sido exatamente isso que tornou tudo tão destrutivo entre nós no começo.Porque eu lutei contra ele.Contra o desejo.Contra a atração.Contra o sentimento absurdo que começou a crescer mesmo quando eu tentava odiá-lo.Mas a vida…A vida tinha outros planos para nós dois.Hoje, olhando para trás, eu percebo que tudo aconteceu rápido demais.A descoberta da mentira de Carolina.O acordo.Dubai.L

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  • UMA VIRGEM PARA O SHEIK   CAPÍTULO 99

    Eu nunca fui uma mulher difícil de impressionar.As pessoas costumavam acreditar nisso porque viam o dinheiro ao redor de Al Rashid, os carros, os seguranças, o poder, as extravagâncias. Mas a verdade era que nada disso me atingia da forma que atingia outras mulheres.O que realmente me desmontava, eram os detalhes.E naquela noite, desde o momento em que entramos no helicóptero, eu percebi que Al Rashid havia preparado cada detalhe pensando em mim.Não na mulher que ele desejava.Mas na mulher que ele amava.O voo até a ilha foi silencioso em vários momentos, não por desconforto, mas porque existia algo extremamente intenso entre nós dois. Uma expectativa quase palpável.Eu sentia o olhar dele em mim o tempo inteiro.Nas minhas pernas.Na minha boca.No meu pescoço.Como se quarenta dias de espera tivessem deixado aquele homem perigosamente perto de perder o controle.E talvez tivesse mesmo.Às vezes eu flagrava ele respirando fundo discretamente, como se estivesse tentando manter o

  • UMA VIRGEM PARA O SHEIK   CAPÍTULO 98

    JÚLIA*Quarenta dias.Foi esse o tempo que levou para minha vida virar completamente do avesso mais uma vez.Mas, diferente de todas as outras mudanças que aconteceram comigo, aquela não veio acompanhada de dor, medo ou desespero.Veio acompanhada de paz.E talvez fosse exatamente isso que mais me assustava.Porque depois de tudo o que Al Rashid me fez passar, depois da forma cruel como nossa história começou, eu jamais imaginei que um dia acordaria feliz ao lado dele.Mas aconteceu.Os primeiros dias após o nascimento da Aisha foram os mais difíceis fisicamente. Meu corpo doía, eu me sentia cansada o tempo inteiro, mal conseguia dormir direito e chorava por qualquer coisa.Às vezes eu chorava porque a bebê dormia demais.Às vezes porque ela chorava demais.Às vezes porque minha mãe não estava ali para ver aquilo.E em todas essas vezes… Al Rashid estava comigo.Sem fugir.Sem reclamar.Sem agir como um homem poderoso que acreditava que certas funções não eram responsabilidade dele.

  • UMA VIRGEM PARA O SHEIK   CAPÍTULO 97

    Durante toda a minha vida, eu pensei que desejo fosse a coisa mais intensa que um homem poderia sentir por uma mulher.Eu estava errado.Desejo queimava.Mas aquilo que Júlia despertava em mim parecia atravessar a pele e atingir diretamente a alma.Ela caminhava devagar pela varanda da casa enquanto o vento balançava suavemente os cabelos dela e o vestido vermelho acompanhava cada movimento do corpo perfeito que eu conhecia bem demais e ao mesmo tempo conhecia tão pouco.Porque não importava quantas vezes eu a tocasse.Nunca parecia suficiente.A ilha inteira estava silenciosa. Apenas o som do mar quebrando nas pedras ao redor da casa preenchia o ambiente, e aquela paz parecia irreal perto da vida caótica que eu sempre tive.Júlia se aproximou lentamente da varanda de vidro, observando a água escura refletindo as luzes suaves espalhadas pela propriedade.— Isso aqui parece um sonho.A voz dela saiu baixa.Quase emocionada.Me aproximei por trás devagar, envolvendo a cintura dela com c

  • UMA VIRGEM PARA O SHEIK   CAPÍTULO 96

    Ao entrar em casa, fui dando ordens para todos que cruzaram meu caminho.— Liga para a babá e manda ela vir mais cedo hoje.Entreguei Aisha cuidadosamente para a cozinheira, que ficou me encarando sem entender nada.Continuei andando pela sala como um homem completamente fora da própria sanidade.Júlia vinha atrás de mim tentando entender o que estava acontecendo.Ou melhor…Tentando não morrer de rir.— E vocês…Apontei para dois dos meus homens.— Arrumem uma casa isolada. Hoje.Eles assentiram imediatamente.— Senhor, temos algumas propriedades...— Não. Eu quero isolamento absoluto.Passei a mão no rosto.— Uma ilha. Um lugar no meio do nada. Sem pessoas. Sem interrupções. Sem bebê chorando no momento errado.Júlia gargalhou alto atrás de mim.— Você está surtando.Ignorei completamente.— Se não existir uma ilha em São Paulo, comprem uma. Se não tiver uma casa, construam uma até a noite chegar.Os homens tentaram manter a postura séria.Mas um deles claramente quase riu.Júlia já

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