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Capítulo 3

Author: Anne Smith
last update Petsa ng paglalathala: 2026-06-03 08:23:46

Felicity

Washington DC, 27 de junho de 2024

— Alô? Cheguei.

— Ótimo. Siga o plano.

— Certo. Até daqui a pouco.

Felicity olhou para a entrada do aeroporto.

John estava atrasado.

O motorista da família King não costumava se atrasar, mas, com certeza, Brigitte o impediu de chegar no horário.

Era a forma dela mostrar seu poder como senhora da mansão.

Felicity olhou o celular em busca de alguma mensagem.

Estava ansiosa.

Quase dez anos longe de casa.

A família Benson a maltratara e fizera de sua vida um inferno.

Ela teria perdido tudo se seu avô não tivesse sido esperto e colocado os bens em seu nome, sob condições específicas.

George Benson, seu padrasto, estava à frente da King Aerospace, porém não podia fazer o que quisesse.

Havia diretores e acionistas observando tudo, bem como o advogado escolhido pelo Sr. King para proteger seu patrimônio. Infelizmente, nenhum deles sabia o que acontecia dentro da mansão.

Ali, Felicity estava completamente sozinha.

O Bentley preto chegou, e John desceu com um sorriso no rosto enrugado.

Ele havia sido motorista de sua mãe por quase toda a vida.

Seu avô confiava nele, e foi uma surpresa ele não perder o emprego quando o Sr. King faleceu.

— Minha menina! — exclamou com afeto, enquanto a abraçava.

— Olá, John. Como você está? Como está tudo por aqui?

— Tudo do mesmo jeito. A senhora preparou um jantar para recebê-la. Ficou me enviando para buscar uma coisa e outra, e…

— Não se preocupe, John. Sei como Brigitte é.

O ar noturno diferia do que ela estivera respirando nos últimos anos em Londres.

Ela inspirou profundamente e caminhou até o carro.

— Onde está sua bagagem? — John perguntou, confuso.

— Não tenho. Não possui muito nos últimos anos. Aliás, não possuo quase nada desde a morte do meu avô.

O motorista fez uma expressão triste.

Ele fora devotado ao Sr. King e havia sofrido muito quando o patrão falecera.

George Benson não era um patrão agradável, muitas vezes pior do que fora o Sr. King.

— Se o seu avô estivesse aqui, a senhorita não teria passado pelo que passou. Não teria esses sanguessugas roubando o que é seu.

— Talvez. Meu avô não estava em condições de decidir o que acontecia na sua casa.

— Ele tentou impedir a crueldade dos Benson, mas não teve muito tempo.

— E como você tem vivido nos últimos anos, John? Ainda é maltratado por Brittany?

— Ela tem seu próprio carro. Não preciso mais levá-la para onde quiser.

— Um carro? Imagino que seja um modelo muito caro.

— Uma Ferrari. Não sei o modelo, mas custou alguns milhões. Foi o presente de aniversário de 18 anos dela. Agora já fala em adquirir um mais atual. Mas acredito que o patrão não vá comprar por enquanto. Ele tem reclamado muito dos gastos dela e da senhora.

— George Benson reclamando de gastos? Devo imaginar que a empresa está quebrando?

— Não sei dizer. Acho que é por outros motivos. Os empregados têm comentado que o casal não está em boas condições.

— Sério? Depois de ele empurrar sua amante para dentro da nossa casa, agora estão se desentendendo? Isso é realmente inimaginável!

— Talvez não seja verdade…

— Se os empregados estão comentando, alguma verdade tem.

Felicity ainda se lembrava do dia em que seu padrasto chegou em casa com uma nova esposa e dois filhos, menos de uma semana após a morte de sua mãe. A dor de ser maltratada dentro da própria casa ainda era viva.

Seu avô não conseguiu impedir que ela fosse expulsa do próprio quarto ou que perdesse suas roupas e brinquedos para Brittany. Apesar de tudo, Felicity ainda queria ser amiga da garota — afinal, não tinha família nem outras crianças com quem brincar. A doença de Chloe as mantivera isoladas na mansão, com quase nenhum contato com o mundo externo.

Brittany era cruel.

Puxava seus cabelos, chamava-a de feia e zombava por ela não ter pai nem mãe.

George não se importava com o que acontecia.

Junior era tão assustador que ela mantinha o máximo de distância possível.

Agora, ela estava de volta.

Não estava mais sozinha no mundo.

Ela iria recuperar sua herança — e era melhor que os Benson não tivessem dilapidado seu patrimônio.

(***)

Logan

— Logan! Ainda bem que você chegou! O que significa isso?

Um tablet foi jogado sobre a mesa, e a imagem dele com uma ruiva, em uma posição comprometedora, preenchia a tela.

— Os paparazzi não me deixam em paz. Eu só estava me divertindo, vovô. Nada demais.

— Se divertindo? Quando você vai crescer? Já tem quase 30 anos! Chega dessa vida de playboy irresponsável! Eu o nomeei CEO da Fox Armaments não foi para você ficar se divertindo, mas para ter responsabilidade! Não aceito esse tipo de atitude do meu herdeiro!

— Eu sou responsável. A companhia tem crescido sob minha administração. Se o senhor olhar os dados do último ano…

— Não estou questionando os dados nem o que você tem feito na empresa! Estou falando das suas atitudes fora dela. Acha que esse comportamento não afeta os negócios? Não prejudica a imagem dos Fox?

— Não acho que o que faço na minha vida particular afete meu trabalho. E, quanto à imagem da família, não dou a mínima.

— Não seja insolente! Não tolero esse comportamento! Você vai mudar. Vai agir como um legítimo Fox ou do contrário…

— Ou o quê? Vai me tirar do cargo? Me expulsar da família?

— Posso colocar o Robert no seu lugar. É isso que você quer?

— Haha, muito engraçado! Nós dois sabemos que Robert é um idiota! O senhor não seria tolo de usá-lo para me substituir. Ele levaria a empresa à bancarrota.

— Robert me obedece. Ele não faria nada sem minha aprovação!

— Então por que o senhor não o nomeou CEO, já que ele é perfeito?

— Porque você é meu neto! Não poderia colocar meu sobrinho no lugar do meu herdeiro! O que os investidores diriam? Eu nomeei você, e você vai fazer o que eu mando!

— Nos seus sonhos, vovô. Nos seus sonhos!

— O feriado está chegando. Vou anunciar seu noivado com a filha do George. A Companhia King está muito bem no mercado, e essa é uma excelente aliança. Soube que a filha dele está de olho em você, e não vou perder essa oportunidade.

— Sem chance! Nunca vou casar com uma patricinha mimada como a Brittany! Pode desistir da ideia. Ela jamais será minha esposa!

— Ora essa! Ela é uma moça de uma família de prestígio! Você não vai encontrar um casamento melhor!

— Quando — e se — eu decidir me casar, não será por conveniência social ou financeira! Vou escolher por querer a garota, não a família ou o status!

— Não seja ridículo! Um bom acordo é o melhor tipo de casamento.

— Ah, claro! Isso porque o senhor fez um acordo para minha mãe e olha só no que deu!

— Melanie era uma cabeça oca! Se tivesse permanecido com Ben, ainda estaria aqui. Fugir com um soldado foi o pior erro que ela cometeu!

— Bom, então o maior erro dela é quem dirige sua companhia hoje. E, se não fosse por mim, o senhor não estaria tão bem!

— Bobagem! Melanie teria tido muitos filhos com Ben. Eu teria netos responsáveis!

— Não importa. Eu sou o único que o senhor tem. É melhor aceitar.

— É melhor você aceitar minhas orientações e anunciar um noivado o mais rápido possível! Já chega dessas bobagens de boates e mulheres fáceis!

— A Linda não foi fácil. Tive que usar todo o meu charme para conquistá-la.

Logan sorriu, divertido, enquanto seu avô parecia prestes a ter uma apoplexia.

— Já chega desse comportamento insolente! Você vai noivar com a Brittany no feriado, ou vou colocar seu primo no seu lugar! E mais: vou retirá-lo do meu testamento! Não vou ficar ouvindo reclamações de investidores e clientes. Não vou permitir que o nome Fox seja arrastado para a lama! Dei o meu sangue e suor por essa empresa. Dediquei cada segundo para torná-la a melhor — e investi muito em você!

— Ah, claro. A Fox... sempre a Fox. Seu bem mais precioso.

Zombou ele, embora estivesse incomodado.

A empresa sempre vinha acima dos laços de sangue.

Às vezes, ele duvidava que o avô fosse capaz de amar alguém.

— Se não quer a Benson, traga outra noiva. Mas apareça no jantar comprometido com algo sério! — Por que essa preocupação agora? Qual dos seus puxa-sacos andou reclamando da minha vida pessoal?

— Não vou discutir isso com você. Quero seu compromisso, Logan. Ou aparece com uma noiva, namorada — alguém decente —, ou perde tudo! Fui claro?

— Muito. E não estou nem aí.

— Como é que é?

Ele não respondeu. Apenas se afastou e subiu para o quarto.

Não tinha paciência para lidar com o avô naquela noite.

Precisava descobrir quem era o paparazzi que não o deixava em paz — e, principalmente, quem estava por trás disso.

Havia alguém. E ele iria descobrir.

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