Mag-log inFelicity
Washington DC, 27 de junho de 2024
— Alô? Cheguei.
— Ótimo. Siga o plano.
— Certo. Até daqui a pouco.
Felicity olhou para a entrada do aeroporto.
John estava atrasado.
O motorista da família King não costumava se atrasar, mas, com certeza, Brigitte o impediu de chegar no horário.
Era a forma dela mostrar seu poder como senhora da mansão.
Felicity olhou o celular em busca de alguma mensagem.
Estava ansiosa.
Quase dez anos longe de casa.
A família Benson a maltratara e fizera de sua vida um inferno.
Ela teria perdido tudo se seu avô não tivesse sido esperto e colocado os bens em seu nome, sob condições específicas.
George Benson, seu padrasto, estava à frente da King Aerospace, porém não podia fazer o que quisesse.
Havia diretores e acionistas observando tudo, bem como o advogado escolhido pelo Sr. King para proteger seu patrimônio. Infelizmente, nenhum deles sabia o que acontecia dentro da mansão.
Ali, Felicity estava completamente sozinha.
O Bentley preto chegou, e John desceu com um sorriso no rosto enrugado.
Ele havia sido motorista de sua mãe por quase toda a vida.
Seu avô confiava nele, e foi uma surpresa ele não perder o emprego quando o Sr. King faleceu.
— Minha menina! — exclamou com afeto, enquanto a abraçava.
— Olá, John. Como você está? Como está tudo por aqui?
— Tudo do mesmo jeito. A senhora preparou um jantar para recebê-la. Ficou me enviando para buscar uma coisa e outra, e…
— Não se preocupe, John. Sei como Brigitte é.
O ar noturno diferia do que ela estivera respirando nos últimos anos em Londres.
Ela inspirou profundamente e caminhou até o carro.
— Onde está sua bagagem? — John perguntou, confuso.
— Não tenho. Não possui muito nos últimos anos. Aliás, não possuo quase nada desde a morte do meu avô.
O motorista fez uma expressão triste.
Ele fora devotado ao Sr. King e havia sofrido muito quando o patrão falecera.
George Benson não era um patrão agradável, muitas vezes pior do que fora o Sr. King.
— Se o seu avô estivesse aqui, a senhorita não teria passado pelo que passou. Não teria esses sanguessugas roubando o que é seu.
— Talvez. Meu avô não estava em condições de decidir o que acontecia na sua casa.
— Ele tentou impedir a crueldade dos Benson, mas não teve muito tempo.
— E como você tem vivido nos últimos anos, John? Ainda é maltratado por Brittany?
— Ela tem seu próprio carro. Não preciso mais levá-la para onde quiser.
— Um carro? Imagino que seja um modelo muito caro.
— Uma Ferrari. Não sei o modelo, mas custou alguns milhões. Foi o presente de aniversário de 18 anos dela. Agora já fala em adquirir um mais atual. Mas acredito que o patrão não vá comprar por enquanto. Ele tem reclamado muito dos gastos dela e da senhora.
— George Benson reclamando de gastos? Devo imaginar que a empresa está quebrando?
— Não sei dizer. Acho que é por outros motivos. Os empregados têm comentado que o casal não está em boas condições.
— Sério? Depois de ele empurrar sua amante para dentro da nossa casa, agora estão se desentendendo? Isso é realmente inimaginável!
— Talvez não seja verdade…
— Se os empregados estão comentando, alguma verdade tem.
Felicity ainda se lembrava do dia em que seu padrasto chegou em casa com uma nova esposa e dois filhos, menos de uma semana após a morte de sua mãe. A dor de ser maltratada dentro da própria casa ainda era viva.
Seu avô não conseguiu impedir que ela fosse expulsa do próprio quarto ou que perdesse suas roupas e brinquedos para Brittany. Apesar de tudo, Felicity ainda queria ser amiga da garota — afinal, não tinha família nem outras crianças com quem brincar. A doença de Chloe as mantivera isoladas na mansão, com quase nenhum contato com o mundo externo.
Brittany era cruel.
Puxava seus cabelos, chamava-a de feia e zombava por ela não ter pai nem mãe.
George não se importava com o que acontecia.
Junior era tão assustador que ela mantinha o máximo de distância possível.
Agora, ela estava de volta.
Não estava mais sozinha no mundo.
Ela iria recuperar sua herança — e era melhor que os Benson não tivessem dilapidado seu patrimônio.
(***)
Logan
— Logan! Ainda bem que você chegou! O que significa isso?
Um tablet foi jogado sobre a mesa, e a imagem dele com uma ruiva, em uma posição comprometedora, preenchia a tela.
— Os paparazzi não me deixam em paz. Eu só estava me divertindo, vovô. Nada demais.
— Se divertindo? Quando você vai crescer? Já tem quase 30 anos! Chega dessa vida de playboy irresponsável! Eu o nomeei CEO da Fox Armaments não foi para você ficar se divertindo, mas para ter responsabilidade! Não aceito esse tipo de atitude do meu herdeiro!
— Eu sou responsável. A companhia tem crescido sob minha administração. Se o senhor olhar os dados do último ano…
— Não estou questionando os dados nem o que você tem feito na empresa! Estou falando das suas atitudes fora dela. Acha que esse comportamento não afeta os negócios? Não prejudica a imagem dos Fox?
— Não acho que o que faço na minha vida particular afete meu trabalho. E, quanto à imagem da família, não dou a mínima.
— Não seja insolente! Não tolero esse comportamento! Você vai mudar. Vai agir como um legítimo Fox ou do contrário…
— Ou o quê? Vai me tirar do cargo? Me expulsar da família?
— Posso colocar o Robert no seu lugar. É isso que você quer?
— Haha, muito engraçado! Nós dois sabemos que Robert é um idiota! O senhor não seria tolo de usá-lo para me substituir. Ele levaria a empresa à bancarrota.
— Robert me obedece. Ele não faria nada sem minha aprovação!
— Então por que o senhor não o nomeou CEO, já que ele é perfeito?
— Porque você é meu neto! Não poderia colocar meu sobrinho no lugar do meu herdeiro! O que os investidores diriam? Eu nomeei você, e você vai fazer o que eu mando!
— Nos seus sonhos, vovô. Nos seus sonhos!
— O feriado está chegando. Vou anunciar seu noivado com a filha do George. A Companhia King está muito bem no mercado, e essa é uma excelente aliança. Soube que a filha dele está de olho em você, e não vou perder essa oportunidade.
— Sem chance! Nunca vou casar com uma patricinha mimada como a Brittany! Pode desistir da ideia. Ela jamais será minha esposa!
— Ora essa! Ela é uma moça de uma família de prestígio! Você não vai encontrar um casamento melhor!
— Quando — e se — eu decidir me casar, não será por conveniência social ou financeira! Vou escolher por querer a garota, não a família ou o status!
— Não seja ridículo! Um bom acordo é o melhor tipo de casamento.
— Ah, claro! Isso porque o senhor fez um acordo para minha mãe e olha só no que deu!
— Melanie era uma cabeça oca! Se tivesse permanecido com Ben, ainda estaria aqui. Fugir com um soldado foi o pior erro que ela cometeu!
— Bom, então o maior erro dela é quem dirige sua companhia hoje. E, se não fosse por mim, o senhor não estaria tão bem!
— Bobagem! Melanie teria tido muitos filhos com Ben. Eu teria netos responsáveis!
— Não importa. Eu sou o único que o senhor tem. É melhor aceitar.
— É melhor você aceitar minhas orientações e anunciar um noivado o mais rápido possível! Já chega dessas bobagens de boates e mulheres fáceis!
— A Linda não foi fácil. Tive que usar todo o meu charme para conquistá-la.
Logan sorriu, divertido, enquanto seu avô parecia prestes a ter uma apoplexia.
— Já chega desse comportamento insolente! Você vai noivar com a Brittany no feriado, ou vou colocar seu primo no seu lugar! E mais: vou retirá-lo do meu testamento! Não vou ficar ouvindo reclamações de investidores e clientes. Não vou permitir que o nome Fox seja arrastado para a lama! Dei o meu sangue e suor por essa empresa. Dediquei cada segundo para torná-la a melhor — e investi muito em você!
— Ah, claro. A Fox... sempre a Fox. Seu bem mais precioso.
Zombou ele, embora estivesse incomodado.
A empresa sempre vinha acima dos laços de sangue.
Às vezes, ele duvidava que o avô fosse capaz de amar alguém.
— Se não quer a Benson, traga outra noiva. Mas apareça no jantar comprometido com algo sério! — Por que essa preocupação agora? Qual dos seus puxa-sacos andou reclamando da minha vida pessoal?
— Não vou discutir isso com você. Quero seu compromisso, Logan. Ou aparece com uma noiva, namorada — alguém decente —, ou perde tudo! Fui claro?
— Muito. E não estou nem aí.
— Como é que é?
Ele não respondeu. Apenas se afastou e subiu para o quarto.
Não tinha paciência para lidar com o avô naquela noite.
Precisava descobrir quem era o paparazzi que não o deixava em paz — e, principalmente, quem estava por trás disso.
Havia alguém. E ele iria descobrir.
Família BensonO aeroporto estava lotado, o que era ótimo para encobrir sua fuga.Depois que seu advogado ligou para falar sobre o tiroteio em um bairro com ninguém menos do que Thomas Smith e Chloe King, vivos, não restou muita coisa que George pudesse fazer.A herdeira King, sua ex-esposa e o seu marido, ressuscitado dos mortos, eram o assunto em todos os canais televisivos e em todos os sites na internet.Aquela notícia abalou o seu mundo e deu-lhe a única opção: fugir da América.E agora ele estava na fila de espera do embarque, usando um sobretudo de gola levantada e um chapéu cobrindo o rosto.Ele temia ser reconhecido, além de temer a justiça.Seu advogado avisou que logo ele poderia ser acionado a explicar o casamento com uma mulher que já era casada e tudo o que ele fez à frente da King Aerospace.
LoganOs dias pareciam ser uma repetição.Antes de se recuperar, voltava para o repouso.Ele estava cansado daquilo e mais cansado ainda das broncas do médico.Ao menos, essa última situação serviu para aumentar seu prestígio com o avô.As câmeras dos carros filmaram a ação e, quando ele assistiu, ficou impressionado com a coragem do neto.Logan não conseguia acreditar que foi capaz de entrar no fogo cruzado, trocar tiros, salvar sua esposa e sair quase ileso.Ele não podia fazer esforço ou poderia prejudicar seu ombro para o resto da vida.Mas era péssimo ficar sem fazer nada.Felicity entrou no quarto e foi direto para o banheiro.Logan gemeu baixinho ao pensar em sua bela esposa tomando banho, enquanto ele não podia nem mesmo se mexer.Como se fosse castigo, seu cor
ChloeEra perceptível o desespero em Thomas.Os olhos de Lizzie ainda estavam arregalados.Hannah havia fugido.Chloe se arrependia de não ter atirado para matar.Um tiro no ombro e outro na perna não haviam sido suficientes.— Uma equipe seguiu o carro, mas os perdeu no trânsito.— Quem ajudou aquela maldita mulher? Quem nos traiu?— Ninguém, senhor! Ela estava no quarto com os médicos e a nossa equipe não podia entrar. Então, os médicos saíram e ela saiu junto. Não sei como. Mas havia uma médica desacordada em seu lugar.— Precisamos rastrear o veículo. Descubram tudo o que puderem.— Eu posso ajudar.Lizzie olhou para Thomas com expectativa.Chloe podia perceber que aquela mulher amava o seu marido.Ninguém esperaria tantos anos por um
FelicityLogan estava dormindo sob o efeito das medicações.Felicity acariciou o seu belo rosto, agora não tão belo por causa dos machucados.A sua raiva fervia dentro de si.Ela queria quebrar a cara daquela ruiva maldita que havia machucado seu marido.Verdade fosse dita, a mulher era muito bonita e não parecia saber o que estava fazendo ali.Talvez ela fosse apenas mais um dos peões de Hannah Kovack.Ainda pensando nisso, Felicity decidiu ir ver Gabriela.Logan não iria acordar tão cedo, e havia vários seguranças para protegê-lo de algum louco.Ela não confiava na prisão de Hannah.A velha era astuta e daria um jeito.Dito e feito.Assim que Felicity caminhou para a ala onde Gabriela e Will estavam, viu Hannah fugindo numa cadeira de rodas, sendo conduzida por uma das garotas.
ThomasEle não estava interessado na mulher ferida a seus pés.Por mais que Hannah Kovack tivesse causado problemas e mais problemas, a sua preocupação estava em Thornton.O soldado arriscou a sua vida e estava por um fio.As ambulâncias chegaram e logo os feridos eram socorridos, enquanto os mortos eram deixados para a perícia.Ele esqueceu Chloe, Lizzie e sua inimiga mortal, Hannah Kovack, para acompanhar o soldado até o hospital.As horas pareciam se arrastar enquanto os médicos trabalhavam para salvar as vidas dos feridos.Chloe aproximou-se dele com cautela, e Thomas sentiu o peso de tudo aquilo cair sobre si.Num ato de desespero, ele puxou-a para seus braços, enterrando o rosto no seu pescoço.O choro veio fácil.Havia anos que ele controlava e cuidava das suas emoções, mas, naquele dia,
LoganO desespero tomava conta dele enquanto recolhia armas e juntava o seu exército.Por que a sua esposa não ficava em casa quando isso era pedido?Ele não sabia o motivo de Felicity e Chloe terem ido a uma clínica, mas, com certeza, elas não deveriam ter saído com apenas um carro e dois seguranças.O seu coração estava prestes a sair pela boca.O medo do que Hannah poderia fazer com a sua mulher e a sua sogra estava ali, gritando no seu ouvido.Os carros estavam prontos, e eles saíram em disparada, ignorando sinais vermelhos e cortando os veículos que estavam no caminho.Assim que chegaram ao caos, ele saltou do carro com a arma em punho e correu na direção do veículo de Hannah.A porta do Carnival estava aberta, e uma briga estava acontecendo nos bancos de trás.Logan viu algué







