LOGINLogan
Dando as costas e ignorando o chamado do avô, Logan caminhou até o quarto.
Estava exausto.
A semana havia sido puxada, cheia de reuniões e problemas na empresa.
E, justamente no único dia em que saíra para relaxar com os amigos, acabou estampado nos sites de fofoca ao lado da bela ruiva.
A noite nem tinha sido como a manchete insinuava.
Ele já estava cansado daquele repórter que parecia tê-lo transformado em alvo pessoal.
Onde quer que fosse, o sujeito aparecia com uma câmera, sempre pronto para registrar momentos comprometedores.
Logan precisava descobrir quem estava por trás daquilo antes que o avô surtasse de vez.
Assim que abriu a porta do quarto, congelou ao encontrar uma loira seminua deitada em sua cama.
— Kayla, o que está fazendo aqui?
— Estava esperando por você.
Ela passou a mão pelos cabelos em um gesto que provavelmente considerava sedutor.
Para Logan, porém, a cena era apenas ridícula.
A prima usava uma lingerie rosa minúscula, os fios dourados caindo sobre os seios volumosos, enquanto segurava uma das novas pistolas automáticas lançadas pela Fox Armaments.
— Eu não quero você no meu quarto. Já falei para parar de entrar aqui. Sai agora mesmo.
— Tem certeza? — Kayla fez um biquinho, deslizando a arma lentamente pelo próprio corpo. — Acho que seu avô não gostaria de me encontrar assim aqui dentro…
— Ele mandaria você embora da mansão. E, sinceramente, eu adoraria assistir.
Ela soltou uma risadinha e se aproximou devagar.
— Acho que não. Seu avô vive reclamando que você precisa casar e assumir responsabilidades. Aposto que ele obrigaria você a se casar comigo.
— Não seja absurda. O velho pode ser controlador, mas não é idiota. Jamais me obrigaria a casar com uma prima oportunista.
— Somos primos de segundo grau. Não é tão próximo assim... — Ela sorriu. — E eu não sou oportunista. Estou apaixonada por você desde que cheguei aqui.
Logan revirou os olhos, já sem paciência.
— Ótimo. Então vamos tirar isso a limpo. — Ele abriu a porta do quarto e gritou: — Vovô! Pode vir aqui um instante?
Não demorou para Anthony Fox aparecer no corredor, claramente irritado.
— Que diabos significa essa gritaria...? — Ele parou ao ver Kayla seminua. — Mas que inferno é esse?
Logan cruzou os braços.
— Sua sobrinha resolveu invadir meu quarto porque acha que pode me forçar a casar com ela. Pode tirá-la daqui ou eu faço isso?
— Logan, eu…
— Chega! — rugiu Anthony, encarando a sobrinha. — O que pensa que está fazendo? Acha que vou permitir uma palhaçada dessas?
Kayla empalideceu.
— Tio Anthony, eu só…
— Não me venha com mentiras! Eu sei muito bem que Logan não chamou você aqui. Ele estava comigo no escritório até agora. Se estivesse interessado em encontros secretos, não teria passado horas discutindo assuntos da empresa.
A garota tentou conter as lágrimas.
— Mas eu amo ele…
— E eu não me importo! Vá imediatamente para o seu quarto. E escute bem: se eu descobrir que entrou aqui outra vez, você sai desta casa. Fui claro?
Kayla saiu correndo pelo corredor, chorando.
Anthony ainda resmungou algumas reclamações antes de se afastar, mas Logan já fechava a porta do quarto.
Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado.
Definitivamente, aquele tinha sido um dia infernal.
Precisava descansar.
Talvez sair, beber alguma coisa ou encontrar uma mulher bonita para esquecer os problemas por algumas horas.
Mas então as palavras do avô voltaram à sua mente.
“Ou aparece comprometido… ou perde tudo.”
O sorriso desapareceu de seu rosto.
Não podia entregar a empresa para Robert.
E, acima de tudo, precisava finalmente resolver as pendências do passado.
Após alguns segundos em silêncio, pegou o celular e fez uma ligação.
— Oficial… — disse em tom firme. — Eu aceito a proposta.
(***)
Felicity
O carro percorria a rodovia, com eles conversando sobre os conhecidos em comum.
— Como está a Lydia?
— Está muito bem, cuidando dos filhos. Já são 4. O mais velho, você lembra dele. Ela teve gêmeos depois, e o Max resolveu trazer uma menininha para casa.
— Sério? E a Lydia aceitou?
— Era uma garota que escapou de um atentado terrorista. O Max a salvou e, como ela perdeu toda a família, ele a trouxe. Mas Lydia não reclamou. Ela ama a garota.
— Vou visitá-la e conhecer seus filhos.
— Lydia vai ficar muito feliz. Ela sempre pergunta por você. Você foi sua primeira criança.
Felicity sorriu. Ela amava Lydia.
A babá foi a única pessoa a protegê-la enquanto ela crescia com os Benson.
George a demitiu assim que o Sr. King foi enterrado. Ele nem mesmo esperou terminar o luto.
Se houvesse algo que Felicity amasse, Brigitte faria com que fosse retirado dela.
O ódio da senhora Benson era incompreensível, afinal ela havia conseguido a posição de esposa de George, mas, ainda assim, tornou a pequena King seu alvo de maldades.
Brigitte não era a única Benson a agir contra ela.
Brittany infernizava sua vida todos os dias, e Junior a aterrorizava a cada momento.
O colégio interno na Suíça veio como um sopro de alívio.
Não haveria Brigitte humilhando-a a cada segundo do dia ou Brittany sendo mimada e roubando o pouco que ela conquistasse.
Mas o melhor de tudo era não ter George Junior por perto. Ele era um assediador.
Se Felicity tivesse ficado, teria provavelmente sido abusada por ele, e nenhum dos Benson se importaria.
Ela ouvira sobre ele assediar uma das empregadas e, em poucos dias, a garota foi abusada até quase a morte.
O Sr. Benson não fez absolutamente nada; preferiu ignorar o fato e demitir a moça.
Quando Felicity tinha 13 anos e começava a desenvolver a sua feminilidade, Junior passou a tentar se aproximar e, sempre que possível, deixava claras suas intenções nojentas.
Embora os empregados não se importassem com ela, ao menos não deixavam que o garoto a encontrasse sozinha.
Principalmente John, ele a protegia sempre que podia.
A ideia do internato veio do Sr. Benson, provavelmente temendo que seu filho a matasse antes que pudesse colocar as mãos sujas em sua herança.
— Haverá convidados no jantar essa noite, John?
— Acredito que será apenas a família. Eu ouvi que o Sr. Benson tem planos para a senhorita. Acho que um casamento.
— Hum... Imagino que não seja algo que eu vá gostar. Você pode sair da rodovia e seguir pelo centro? Faz tantos anos que fui embora...
— Claro, senhorita, mas vamos acabar atrasando.
— Não vai ser problema. Direi à Brigitte que foi meu pedido. Por favor, John, você pode parar na próxima lanchonete? Preciso descer lá.
— Mas, senhorita, a senhora Benson falou para levá-la o mais rápido possível...
— Não vou para a armadilha, John. Eu sei quais são os planos dos Benson e não vou colaborar com eles.
— Então o que vai fazer? Se for para a Lydia, eles irão atrás de vocês, e toda a família será prejudicada!
— Não vou para a Lydia. Tenho os meus planos e não vou falar mais nada. Apenas pare o carro e espere por mim uns 10 minutos. Eu não vou voltar, e você poderá ir até a lanchonete procurar-me. Assim você terá respostas que satisfaçam os Benson. Não vou deixar que eles te prejudiquem por minha causa.
— Eu ainda acho que isso vai ser um problema para a senhorita.
— Não se preocupe, John. Estarei segura. Logo estarei na mansão para colocar tudo em ordem. Eu sou uma King Smith e não vou deixar roubarem o que é meu!
John parou o carro na entrada da lanchonete, e Felicity desceu.
Ela sentia o medo a envolver.
Será que ele havia desistido?
Ela estava atrasada.
Olhou em volta em busca de encontrá-lo, mas sem sucesso.
Ele desistiu de ajudá-la? — pensou, começando a temer seu futuro.
Respirando fundo, entrou na lanchonete e dirigiu-se ao balcão.
O lugar estava meio vazio naquele horário, e nenhum dos rostos era conhecido.
Esperou um pouco enquanto fingia olhar o cardápio, sentindo o suor frio escorrer por suas costas.
Não podia ir para a mansão.
Não podia deixar os Benson vencerem.
A mera ideia de ter o odiável e cruel George Junior no seu encalço a fazia estremecer.
Mas, se ele tivesse desistido dela, não haveria saída.
Estava prestes a dar a volta e sair quando ouviu:
— Olá, Felicity!
Ela virou-se e encarou os olhos dele — o verde que fez sua mãe se apaixonar e que a fizeram respirar aliviada na primeira vez que o fitou.
— Olá, papai!
Família BensonO aeroporto estava lotado, o que era ótimo para encobrir sua fuga.Depois que seu advogado ligou para falar sobre o tiroteio em um bairro com ninguém menos do que Thomas Smith e Chloe King, vivos, não restou muita coisa que George pudesse fazer.A herdeira King, sua ex-esposa e o seu marido, ressuscitado dos mortos, eram o assunto em todos os canais televisivos e em todos os sites na internet.Aquela notícia abalou o seu mundo e deu-lhe a única opção: fugir da América.E agora ele estava na fila de espera do embarque, usando um sobretudo de gola levantada e um chapéu cobrindo o rosto.Ele temia ser reconhecido, além de temer a justiça.Seu advogado avisou que logo ele poderia ser acionado a explicar o casamento com uma mulher que já era casada e tudo o que ele fez à frente da King Aerospace.
LoganOs dias pareciam ser uma repetição.Antes de se recuperar, voltava para o repouso.Ele estava cansado daquilo e mais cansado ainda das broncas do médico.Ao menos, essa última situação serviu para aumentar seu prestígio com o avô.As câmeras dos carros filmaram a ação e, quando ele assistiu, ficou impressionado com a coragem do neto.Logan não conseguia acreditar que foi capaz de entrar no fogo cruzado, trocar tiros, salvar sua esposa e sair quase ileso.Ele não podia fazer esforço ou poderia prejudicar seu ombro para o resto da vida.Mas era péssimo ficar sem fazer nada.Felicity entrou no quarto e foi direto para o banheiro.Logan gemeu baixinho ao pensar em sua bela esposa tomando banho, enquanto ele não podia nem mesmo se mexer.Como se fosse castigo, seu cor
ChloeEra perceptível o desespero em Thomas.Os olhos de Lizzie ainda estavam arregalados.Hannah havia fugido.Chloe se arrependia de não ter atirado para matar.Um tiro no ombro e outro na perna não haviam sido suficientes.— Uma equipe seguiu o carro, mas os perdeu no trânsito.— Quem ajudou aquela maldita mulher? Quem nos traiu?— Ninguém, senhor! Ela estava no quarto com os médicos e a nossa equipe não podia entrar. Então, os médicos saíram e ela saiu junto. Não sei como. Mas havia uma médica desacordada em seu lugar.— Precisamos rastrear o veículo. Descubram tudo o que puderem.— Eu posso ajudar.Lizzie olhou para Thomas com expectativa.Chloe podia perceber que aquela mulher amava o seu marido.Ninguém esperaria tantos anos por um
FelicityLogan estava dormindo sob o efeito das medicações.Felicity acariciou o seu belo rosto, agora não tão belo por causa dos machucados.A sua raiva fervia dentro de si.Ela queria quebrar a cara daquela ruiva maldita que havia machucado seu marido.Verdade fosse dita, a mulher era muito bonita e não parecia saber o que estava fazendo ali.Talvez ela fosse apenas mais um dos peões de Hannah Kovack.Ainda pensando nisso, Felicity decidiu ir ver Gabriela.Logan não iria acordar tão cedo, e havia vários seguranças para protegê-lo de algum louco.Ela não confiava na prisão de Hannah.A velha era astuta e daria um jeito.Dito e feito.Assim que Felicity caminhou para a ala onde Gabriela e Will estavam, viu Hannah fugindo numa cadeira de rodas, sendo conduzida por uma das garotas.
ThomasEle não estava interessado na mulher ferida a seus pés.Por mais que Hannah Kovack tivesse causado problemas e mais problemas, a sua preocupação estava em Thornton.O soldado arriscou a sua vida e estava por um fio.As ambulâncias chegaram e logo os feridos eram socorridos, enquanto os mortos eram deixados para a perícia.Ele esqueceu Chloe, Lizzie e sua inimiga mortal, Hannah Kovack, para acompanhar o soldado até o hospital.As horas pareciam se arrastar enquanto os médicos trabalhavam para salvar as vidas dos feridos.Chloe aproximou-se dele com cautela, e Thomas sentiu o peso de tudo aquilo cair sobre si.Num ato de desespero, ele puxou-a para seus braços, enterrando o rosto no seu pescoço.O choro veio fácil.Havia anos que ele controlava e cuidava das suas emoções, mas, naquele dia,
LoganO desespero tomava conta dele enquanto recolhia armas e juntava o seu exército.Por que a sua esposa não ficava em casa quando isso era pedido?Ele não sabia o motivo de Felicity e Chloe terem ido a uma clínica, mas, com certeza, elas não deveriam ter saído com apenas um carro e dois seguranças.O seu coração estava prestes a sair pela boca.O medo do que Hannah poderia fazer com a sua mulher e a sua sogra estava ali, gritando no seu ouvido.Os carros estavam prontos, e eles saíram em disparada, ignorando sinais vermelhos e cortando os veículos que estavam no caminho.Assim que chegaram ao caos, ele saltou do carro com a arma em punho e correu na direção do veículo de Hannah.A porta do Carnival estava aberta, e uma briga estava acontecendo nos bancos de trás.Logan viu algué







