A Dançarina e o Segurança

A Dançarina e o Segurança

last updateLast Updated : 2026-10-14
By:  AquinoUpdated just now
Language: Portuguese
goodnovel18goodnovel
Not enough ratings
17Chapters
12views
Read
Add to library

Share:  

Report
Overview
Catalog
SCAN CODE TO READ ON APP

Duas vidas ditadas pelo controle. Um encontro em que todas as regras são destruídas. De dia, a executiva. Naya Nogueira é a mente brilhante por trás da Montenegro. Uma executiva implacável que comanda o mundo corporativo com punho de ferro. À noite, sob as luzes vermelhas da exclusiva boate Noctua, ela despeja sua verdadeira essência na barra de pole dance. Protegida por uma máscara e pelo anonimato, ela é a dançarina mais cobiçada e enigmática da cidade. O palco é o único lugar que pertence só a ela. Rael Sampaio é o oposto do caos. Um homem de terno escuro, olhar gélido e cicatrizes que contam histórias de guerra. Ele lidera a empresa de segurança tática mais procurada de São Paulo. Seu trabalho é montar perímetros, prever ameaças e manter o controle absoluto. Ele não se envolve e não falha. Até que vê a mascarada no palco. De cara, Rael reconhece aquele corpo que já era desejado por ele há muito tempo. Ele não perde tempo. Passa a protegê-la mesmo sem ela mandar. Ele é segurança, ela é dançarina. E agora, ela ficou ainda mais grudada na cabeça dele. O que começa como um jogo de gato e rato logo se transforma em uma paixão bruta, possessiva e real. Dois mundos colidem. Rael encontra seu refúgio na segurança; Naya encontra o homem que a protege sem nunca tentar tirar a sua força. Mas, quando a obsessão doentia de uma figura do passado ressurge, o perigo ultrapassa os limites do escritório e invade a vida que eles começaram a construir. Ameaçados por uma caçada implacável, eles enfrentarão o teste definitivo em um cativeiro terrível, onde a sobrevivência dependerá da lealdade e do sangue frio. Um romance intenso sobre poder, cura e sobrevivência, em que o perigo caminha lado.

View More

Chapter 1

Capítulo 1

Naya Nogueira

A máscara de veludo cobrindo metade do meu rosto não é por charme nem fantasia de palco. É proteção pura. É a linha bem desenhada que separa a mulher centrada que engole a seco o dia a dia corporativo daquela que finalmente respira quando a noite cai.

De dia, me chamam de Dra. Nogueira. Sou a executiva fria e analítica do grupo Montenegro. Passo dez, doze horas pulando de reunião chata, lidando com relatórios gigantes, pressão por metas e prazos que parecem sufocar meu peito. Naquela rotina de concreto e vidro, o salto alto serve só como armadura para me impor no meio de homens que odeiam ser contrariados.

Mas aqui, sob a iluminação baixa e avermelhada do Noctua, o salto ganha outro sentido. Serve para me libertar.

Tem gente que vem para um clube fechado como este só para ostentar. Querem ser vistos, pagam caro em garrafas de bebida para inflar o ego e gostam de exibir relógios de grife no balcão. O dinheiro fácil e o desejo se misturam rápido nesse ambiente.

Eu não. 

Estou aqui porque amo a dança e amo a sensação de deixar minha rotina de lado por alguns minutos. A máscara me protege do julgamento de quem me conhece lá fora, e o palco é o único lugar onde o falatório da minha cabeça cala a boca.

As luzes do salão caem quase por completo. Fica só um foco vermelho cravado no centro do palco. O som grave do sistema de áudio estremece o chão antes da voz do locutor ecoar pelos alto-falantes:

— Senhoras e senhores... com vocês, Rubi, a dançarina Mascarada!

O público responde com aplausos e burburinhos ansiosos.

Ajusto a postura, respiro fundo e piso na madeira polida. O blues moderno começa a tocar, e a batida pesada do baixo faz meu peito vibrar. O ar do salão é intenso, cheio de cheiro de perfume caro, fumaça discreta de charuto e aquela audácia masculina previsível de quem acha que compra qualquer coisa com um cheque em branco.

Não estou ali por eles. Nunca estive. Estou ali por mim, pela descarga de adrenalina e pela dança. Perto da barra de aço, a executiva da Montenegro deixa de existir. Ali sou só a Rubi, a dançarina mascarada.

Seguro o metal gelado da barra. É um contato firme, conhecido. Dou um impulso limpo e subo, travando a pele das coxas contra o aço. O atrito machuca um pouco, mas é essa dor rápida que me faz prestar atenção no agora e esquecer o resto do mundo.

Giro o corpo em um movimento contínuo, jogando o tronco para trás e deixando meu cabelo solto balançar. Sei o efeito disso no salão; ouço quando alguns homens na primeira fileira prendem o ar. Eles adoram achar que estão no controle só porque estão olhando. Mas o controle aqui é todo meu. Eu decido a hora de subir, o momento de girar e a força de cada travada na barra.

Ou pelo menos era o que eu achava, até meu olhar cruzar o salão.

No canto mais escuro do clube, na mesa VIP do fundo, meu peito trava. O ar some da minha garganta com tanta força que preciso fazer um esforço físico absurdo para não perder o aperto do braço e cair de mau jeito. Meu estômago despenca.

Não é um cliente qualquer tentando aparecer. Não é um executivo bêbado jogando nota no palco.

É Rael Sampaio.

Um arrepio gelado desce pela minha espinha e meu coração dispara no ato. 

O que ele está fazendo aqui? 

De todas as noites do ano, de todos os lugares de São Paulo, por que ele tinha que aparecer logo neste clube?

Ele está sentado com a mesma postura imponente de sempre. Costas largas apoiadas no sofá escuro, terno ajustado ao corpo, exalando aquela autoridade natural que sempre me irritou profundamente. Rael não está rindo com os amigos. Não está bebendo rápido. Nem sequer se inclina para a frente como os caras desesperados da primeira fila.

Ele só está me olhando.

Aqueles olhos azuis e atentos estão cravados em mim. Rael não assiste à apresentação como quem busca distração; ele me estuda. Analisa cada movimento meu na barra, cada troca de peso, como se estivesse procurando uma falha para entender quem eu sou.

O pânico tenta tomar conta, mas me agarro à proteção do veludo. A máscara cobre boa parte do meu rosto e a roupa da Rubi não lembra em nada as camisas sociais e os blazers fechados que uso no escritório. Mas a dúvida b**e forte: e se ele me reconhecer?

Rael me conhece até demais. Fomos apresentados pela Dandara, minha melhor amiga, e desde o primeiro aperto de mão existe um clima esquisito entre a gente. Uma tensão pesada e incômoda que nenhum dos dois jamais assumiu.

Foram meses de trocas de olhares por cima de copos em jantares casuais. Dezenas de farpas e piadas irônicas em encontros de amigos. Nenhum dos dois deu o braço a torcer. Ele é orgulhoso e observador demais. E eu levantei muros altos demais para deixar qualquer um se aproximar sem resistência.

A gente se mede em silêncio há tempos. E ver Rael Sampaio ali, no meu espaço mais reservado, faz minha cabeça ferver de raiva e nervosismo.

A razão me manda encerrar a coreografia agora, descer sem chamar atenção, me trancar no camarim e ir embora pelos fundos. Mas eu nunca consegui agir de forma totalmente racional quando Rael está por perto.

Olhando para ele lá do alto, vendo aquela calma que parece deboche, a raiva fala mais alto. Odeio a facilidade com que ele abala minha concentração. Odeio a certeza que ele carrega no olhar, como se nada no mundo fosse capaz de pegá-lo de surpresa.

Pois ele vai ver.

Se isso entre a gente sempre foi um jogo velado de provocações, eu me recuso a jogar na defesa dentro do meu próprio terreno.

Sem perder o ritmo da música, encaro Rael de cima. Não desvio o olhar. Em vez de diminuir os movimentos, uso a própria dança para bater de frente.

Engato uma inversão na barra e fico de cabeça para baixo. Desço devagar pelo metal, com a coluna curvada, mantendo meus olhos cravados nos dele a cada centímetro. A distância entre o palco e o fundo do clube continua ali, mas a sensação é de que o ar entre nós dois travou.

Lá de cima, vejo o momento exato em que a postura dele muda. A expressão fria dele dá uma trincada imperceptível para o resto do salão, mas claríssima para mim. O peito dele se expande em uma respiração mais funda e a mão grande que estava solta no sofá se fecha com força.

Ele entendeu o recado. Viu que a provocação foi direta e percebeu que eu não vou me esconder.

A música chega nas últimas notas. Finalizo a sequência perto da base da barra, com a respiração curta e o peito subindo e descendo rápido, sem soltar o olhar dele. Rael sustenta o contato até o último segundo.

Não dou a ele o gosto de me ver hesitar. Assim que as luzes começam a apagar para a próxima atração, me viro e saio do palco antes que os aplausos ganhem força na escuridão.

Passo pela cortina de veludo e me tranco no camarim.

Giro a chave na fechadura, encosto as costas na madeira e solto o ar que passei minutos prendendo. O silêncio do cômodo, iluminado pelas lâmpadas amarelas ao redor do espelho, parece o único refúgio seguro no meio desse caos.

Vou até a bancada e me sento. Com as mãos trêmulas e a pele quente de suor, desato o nó da máscara e a tiro do rosto. Olho meu reflexo no espelho: bochechas coradas pelo esforço, teste suada e olhos inquietos.

— O que você acabou de fazer, Naya? — murmuro para mim mesma, cobrindo o rosto com as mãos.

Passei meses mantendo a postura perto dele em qualquer evento. Fiz de tudo para parecer neutra e distante. Bastou ver Rael Sampaio no canto de um clube para jogar o juízo fora e usar a dança como desafio.

Preciso sair daqui agora. Tiro o figurino da Rubi na pressa, limpo o excesso de maquiagem do rosto e me visto com minhas roupas normais: calça jeans escura, camiseta preta e jaqueta de couro. Solto o cabelo, arrumo os fios com os dedos e escondo a máscara no fundo da mochila.

Saio pela porta de serviço, que dá direto num beco lateral. O ar da noite paulistana está gelado. Começou uma garoa fina que deixa o asfalto escuro e brilhando com os reflexos dos letreiros da rua.

Cruzo os braços para tentar espantar o frio enquanto espero o carro que chamei no celular. O cheiro de chuva recente toma conta da rua, mas minha cabeça continua presa naquele olhar azuis que me encarou da penumbra.

Rael Sampaio não é o tipo de homem que deixa uma provocação passar em branco. E se ele desconfiou, por um segundo que seja, de quem estava atrás daquela máscara, as coisas no meu trabalho e na minha vida estão prestes a sair do controle.

Expand
Next Chapter
Download

Latest chapter

More Chapters

To Readers

Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.


No Comments
17 Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status