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Capítulo 31

Autor: Mara Santos
last update Data de publicação: 2026-09-10 21:18:36

Camila

Alguns meses se passaram desde aquela noite aterrorizante, e a minha rotina ao lado do Davi foi tragada por um longo e doloroso processo de recuperação.

​Após a brutal agressão que o deixou entre a vida e a morte, ele passou por cirurgias complexas e delicadas, incluindo uma intervenção delicada no pênis e no estômago, além de carregar os hematomas visíveis pelo rosto e pelo corpo. A permanência na UTI foi apenas o começo de uma fase devastadora. Para um homem orgulhoso como o Davi, lid
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Comentários (1)
goodnovel comment avatar
Helena Darc Soares
Será que isso tudo foi encomendado?! pq o bandido atirou nele?!
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    LeonardoFiquei aguardando parado com o carro em frente à universidade, observando o movimento. Vi quando os alunos começaram a sair e reparei no professor descendo as escadas — ele passou perto, mas nem prestou muita atenção no carro. Continuei focado na porta, esperando o momento em que ela apareceria.Não demorou muito e lá estava ela. Quando me viu, seu rosto se iluminou com um sorriso enorme, daqueles que têm o poder de alegrar o meu dia inteiro assim que cruzam o meu caminho. Abri a porta do passageiro e, assim que ela entrou, aproximei o rosto e selei nossos lábios em um beijo que carregava toda a vontade que eu estava de vê-la.Dei partida e seguimos em direção ao apartamento dela. A princípio, a minha intenção era apenas deixá-la em segurança e seguir meu rumo, mas, assim que o motor do carro silenciou na garagem, a atmosfera mudou. O papo leve deu lugar a olhares intensos e, num piscar de olhos, já nos beijávamos de novo, com uma urgência que vinha crescendo desde o momento

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    Camila Peguei a caixa de chocolates sem graça e agradeci com um nó na garganta, louca para sair daquela situação. Dei as costas o mais rápido que pude e subi as escadas em direção à minha sala de aula, querendo deixar aquele momento desconfortável para trás.​Assim que passei pela porta e sentei no meu lugar, a Stephany me olhou de cima a baixo, percebendo na hora o meu semblante.​— Que cara é essa, mulher? — perguntou ela, inclinando-se na minha direção.​— Aquele professor Wesley... ele acabou de me dar essa caixa de bombom lá embaixo.​Stephany olhou para o presente e depois para mim, soltando uma risadinha:​— Nossa! É assim, amiga, ele não é feio, mas ele é bem mais velho, né? Não tem nada a ver com você.​— Pois é, tô achando tão estranho — concordei, ajeitando a alça da bolsa.​Ela continuou me analisando por alguns segundos, com um sorriso de canto de boca, e franziu o cenho.​— E essa carinha assim? Tem um... sei lá, né? Você tá com um brilho diferente hoje, amiga, nos olho

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    Camila A viagem de volta ao consultório pareceu durar apenas alguns segundos. O ar quente do carro, o som suave do rádio e, principalmente, o peso da mão do Léo entrelaçada na minha sobre o câmbio faziam meu peito vibrar em uma frequência completamente nova. O mundo lá fora continuava o mesmo, mas tudo por dentro tinha mudado.​Quando ele estacionou e desligou o motor, olhei para o prédio comercial à nossa frente. Quantas vezes eu tinha entrado por aquela porta apenas como a secretária dedicada, engolindo a saudade e tentando manter a postura profissional? Agora, o reflexo do vidro me mostrava outra Camila: a pele ainda ruborizada, os lábios sensíveis e uma luz no olhar que eu não via há anos.​— Chegamos — murmurei, sorrindo e virando-me para ele.​Léo soltou minha mão devagar, mas antes que eu pudesse pegar minha bolsa, ele se aproximou e selou nossos lábios em mais um beijo demorado, calmo, como se quisesse gravar o gosto do nosso reencontro antes de encarar a rotina.​— Te vejo l

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    LeonardoCamila me olhou fundo nos olhos, apertando suavemente as minhas mãos, e desabafou:​— Eu também olhava para trás e me achava um pouco precipitada, Léo... Eu sei que você errou, mas a gente também não tinha nada sério naquele tempo. Eu me magoei ao ponto de largar tudo e ir embora, mas hoje vejo tudo o que vivi como uma experiência. Uma experiência necessária. Eu realmente não viveria tudo aquilo de novo... mas passou.​Apertei as mãos dela com mais força, sentindo uma onda de alívio e gratidão me lavar por inteiro ao ouvir aquelas palavras. O ar entre nós ficou denso, carregado de uma tensão doce e da vontade de recomeçar. Olhei bem no fundo dos olhos dela, alisando a pele macia da sua mão com o polegar:​— Você me daria uma nova chance, Camila? — perguntei, com a voz falhando pelo sentimento represado no peito. — Quer dizer... você me daria uma segunda chance?​Inclinei-me ligeiramente para mais perto dela, sem soltar suas mãos:​— E você me daria um segundo primeiro beijo d

  • Um Doutor para chamar de Meu   Capítulo 58

    LeonardoFui para casa com a cabeça fervendo, repassando cada segundo daquela discussão ridícula no carro. Passei a noite inteira em claro, rolando de um lado para o outro na cama, atormentado pela besteira que eu tinha feito. A imagem da Camila descendo do carro de cabeça baixa, triste com a minha reação possessiva e descabida, não saía da minha mente.​Entre um suspiro e outro encarando o teto no escuro, uma pergunta martelava sem parar na minha cabeça: O que está acontecendo comigo? Será que eu estou apaixonado pela Camila?​Não dava mais para negar. O meu dia só começava de verdade quando eu via o sorriso dela na recepção ou quando recebia uma mensagem sua. Quando eu estava no plantão da madrugada, exausto, era na imagem dela que meu pensamento buscava refúgio. Eu nunca tinha me sentido tão desestabilizado e, ao mesmo tempo, tão vivo por causa de alguém. E ter agido como um imbecil ciumento por causa daquele professor só provava o quanto eu já estava totalmente rendido.​Cheguei a

  • Um Doutor para chamar de Meu   Capítulo 57

    Camila Deixei um suspiro leve escapar, olhando para a minha irmã depois de absorver cada palavra do seu conselho.​— E o que é que eu vou fazer agora, Liz? — perguntei, com a voz mais calma, sentindo o peso nos ombros finalmente ceder.​Ela deu um sorriso acolhedor e se levantou do sofá, puxando-me pela mão com carinho.​— Eu vou fazer um chá, você vai tomar e você vai dormir — disse Liz, caminhando comigo em direção à cozinha. — Amanhã você acorda mais cedo, toma um café com calma, se maqueia, tudo com calma. Você vai tirar um tempo para você. Já que não pode ser durante o dia, você faz isso pela manhã, antes de sair.​Concordei com a cabeça, sentindo um afeto enorme por ter o apoio dela. Enquanto a água do chá esquentava, ficamos conversando baixinho na cozinha. Tomei a bebida quente acolhida pelo abraço da minha irmã, que fez questão de me ver deitada e coberta antes de se despedir e voltar para casa.​Naquela noite, apesar de tudo o que tinha acontecido no carro com o Leonardo e

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