INICIAR SESIÓNEle sequestrou a filha de seu inimigo. Agora, ela será sua esposa… e sua maior tentação. Helena Albuquerque é uma obstetra dedicada, mas carregar o sobrenome de um homem poderoso pode custar sua liberdade. Dante Montenegro é o homem mais temido do Rio de Janeiro. Frio, implacável e dono de um império criminoso, ele vive para vingar a morte da irmã. E, para destruir o homem que considera culpado, decide sequestrar sua única filha e obrigá-la a se casar com ele. Helena deveria odiá-lo. Dante deveria usá-la apenas como instrumento de vingança. Mas, entre ameaças, provocações e uma atração impossível de ignorar, as fronteiras entre ódio e desejo começam a desaparecer. Enquanto inimigos tramam nas sombras e segredos ameaçam destruir o império Montenegro, Helena descobrirá que o homem que roubou sua liberdade esconde verdades capazes de mudar tudo. Ele pode obrigá-la a usar seu sobrenome. Mas será que conseguirá conquistar seu coração antes que a verdade os destrua?
Ver más— Doutora, por favor, me diz que meu bebê está bem.
Helena Albuquerque ergueu os olhos do prontuário e encontrou o rosto pálido de uma mulher sentada à sua frente. Aos vinte e oito anos, grávida de quase trinta e quatro semanas e com as mãos trêmulas apertando a alça da bolsa, Camila parecia prestes a desabar. O ventilador antigo no canto da sala girava com um ruído irritante, espalhando mais barulho do que vento, enquanto o calor do Rio de Janeiro transformava a pequena clínica comunitária em uma estufa.
Helena conhecia aquele olhar. Já o tinha visto em mulheres que chegavam sozinhas às consultas, que escondiam o medo atrás de sorrisos cansados e que pediam desculpas até por sentir dor. Não precisava que Camila explicasse por que estava assustada. Bastava observar a maneira como ela mantinha uma das mãos sobre a barriga, como se pudesse proteger o bebê de qualquer coisa que acontecesse naquele lugar.
— Vamos respirar um pouquinho primeiro, tudo bem? — Helena pediu, aproximando a cadeira. — Me conta exatamente o que você sentiu.
— Minha barriga ficou dura várias vezes desde ontem. Hoje começou uma dor nas costas, e eu quase não senti o bebê mexer de manhã. Minha vizinha disse que era melhor eu vir, mas eu não tenho dinheiro para ir a uma clínica particular. — Camila engoliu em seco. — Eu não quero que aconteça nada com ele.
Helena pousou o prontuário sobre a mesa.
— Você fez muito bem em vir para cá. E não precisa me explicar sua situação financeira. Agora, vamos cuidar de você e descobrir o que está acontecendo.
Ela manteve a voz tranquila, embora sua atenção já estivesse concentrada nos sintomas. Contrações antes do termo, dor nas costas e diminuição dos movimentos fetais não eram sinais que pudesse ignorar. Helena precisava avaliar Camila imediatamente e verificar se havia sinais de trabalho de parto prematuro ou algum comprometimento do bebê.
Abriu o armário de materiais e sentiu o estômago apertar.
Duas caixas de luvas. Um pacote quase vazio de gaze. Poucos materiais para exame e um aparelho de pressão que precisava ser ajustado duas vezes antes de funcionar direito. O oxímetro, que já apresentara problemas na semana anterior, continuava guardado em uma gaveta à espera de conserto.
— Droga — murmurou.
— O que foi, doutora?
Helena se virou imediatamente.
— Nada que você precise resolver. Fique confortável enquanto eu organizo as coisas.
Era uma mentira pequena, mas necessária. Camila não precisava carregar também a preocupação com as condições da clínica.
Helena pediu ajuda a Joana, a técnica de enfermagem que trabalhava com ela havia quase dois anos. Juntas, conferiram os sinais vitais da paciente, organizaram os materiais disponíveis e entraram em contato com a maternidade de referência para informar o caso e providenciar uma avaliação obstétrica urgente. Helena não pretendia arriscar a segurança de Camila tentando resolver sozinha uma situação que exigia recursos hospitalares.
Quando voltou para perto da gestante, encontrou-a chorando em silêncio.
— Eu perdi meu primeiro bebê — Camila confessou, limpando o rosto depressa. — Foi no começo da gravidez. Desde então, qualquer dor me faz pensar que vou perder esse também.
A expressão de Helena suavizou.
Por um instante, o consultório pareceu pequeno demais para acomodar toda aquela angústia.
— Eu sinto muito que você tenha passado por isso. — Ela puxou a cadeira para mais perto. — Mas você não está sozinha agora. Nós vamos avaliar o que está acontecendo e conseguir o atendimento de que você precisa. Não vou prometer algo que ainda não sei, mas vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que você receba o cuidado certo.
Camila assentiu, agarrando aquela promessa com a força de quem precisava acreditar em alguma coisa.
Helena acompanhou cada etapa da avaliação, registrou as informações e insistiu para que a transferência não fosse adiada. Quando ouviu que a equipe da maternidade estava preparada para recebê-la, só então permitiu que os próprios ombros relaxassem um pouco.
Não era a primeira vez que enfrentava a falta de recursos. A clínica atendia mulheres que, muitas vezes, chegavam ali depois de adiar consultas porque não tinham dinheiro para o transporte, porque trabalhavam demais ou porque alguém em casa decidia que suas necessidades podiam esperar. Helena conhecia as dificuldades daquele território e sabia que nenhuma boa intenção substituía estrutura adequada.
Ainda assim, voltava todos os dias.
Talvez porque, durante muito tempo, tivesse vivido cercada por pessoas que confundiam dinheiro com solução e influência com direito de decidir a vida dos outros. Na clínica, seu sobrenome não comprava obediência, e o patrimônio da família não fazia diferença. Ali, ela precisava provar seu valor com as próprias mãos.
E era exatamente assim que preferia viver.
— A ambulância está chegando — avisou Joana, entrando na sala. — Já confirmaram a recepção na maternidade.
— Ótimo. Vou acompanhar a transferência até termos certeza de que ela foi entregue à equipe.
— Helena, você tem uma reunião com a administração às duas.
— Então vão ter que esperar.
Joana soltou uma risada curta.
— Um dia você ainda vai arrumar uma briga com alguém importante.
— Se a pessoa estiver atrapalhando o atendimento de uma gestante, pode entrar na fila.
Dessa vez, as duas riram, e até Camila conseguiu esboçar um sorriso.
Helena a acompanhou até a saída, ajudando-a a caminhar devagar enquanto Joana levava os documentos necessários. O ar quente da rua atingiu seu rosto assim que a porta se abriu. O movimento do bairro seguia seu curso: motocicletas cortando o trânsito, vendedores anunciando mercadorias e moradores conversando nas calçadas. Era uma tarde comum, barulhenta e viva.
Até que Helena reparou no carro.
Um sedã preto estava estacionado do outro lado da rua, próximo a uma oficina fechada. Não pertencia a nenhum dos funcionários da clínica, e os vidros escurecidos impediam que ela enxergasse quem estava lá dentro. Não seria estranho encontrar um veículo desconhecido naquela região. O problema era que ela tinha visto o mesmo carro quando chegara pela manhã.
E agora ele continuava ali.
Helena diminuiu o passo.
— Joana, você conhece aquele carro?
A técnica acompanhou a direção de seu olhar.
— Qual deles?
— O preto, perto da oficina.
Joana estreitou os olhos.
— Não. Por quê?
— Nada. Só achei que já tinha visto antes.
Helena não gostava de tirar conclusões sem provas. Passara anos ouvindo que era desconfiada demais, teimosa demais, independente demais. Em sua família, qualquer mulher que fizesse perguntas inconvenientes corria o risco de ser chamada de ingrata. Por isso, aprendera a observar primeiro e falar depois.
Mas aquele carro provocava uma sensação desagradável na boca do estômago.
Quando a ambulância chegou, ela se concentrou em Camila. Conferiu os documentos, repassou as informações clínicas à equipe e só se afastou depois que a gestante foi acomodada com segurança.
Então olhou novamente para o outro lado da rua.
O sedã estava saindo.
Por uma fração de segundo, Helena teve a impressão de que o motorista a observava pelo retrovisor. Em seguida, o carro entrou no trânsito e desapareceu entre os veículos.
— Você está bem? — perguntou Joana.
— Estou.
A resposta saiu depressa demais.
Helena ajeitou a bolsa no ombro e tentou convencer a si mesma de que estava exagerando. Tinha passado a manhã preocupada com Camila, dormido pouco e tomado café suficiente para manter um pequeno exército acordado. Talvez fosse apenas cansaço.
Mesmo assim, antes de voltar para a clínica, memorizou a placa.
Era um hábito antigo: nunca ignorar um detalhe só porque alguém poderia dizer que ela estava imaginando coisas.
Helena ainda não sabia que, naquele mesmo instante, seu nome atravessava uma sala protegida por homens armados, câmeras de segurança e portas que raramente se abriam para estranhos.
Dante Montenegro detestava ser interrompido durante uma reunião.
Principalmente quando a reunião envolvia dinheiro, território e um carregamento que não poderia desaparecer sem consequências.
Sentado à cabeceira de uma mesa escura, no último andar de um edifício discreto na zona sul do Rio de Janeiro, ele ouviu o homem que acabara de entrar sem demonstrar qualquer sinal de impaciência. O terno impecável, o relógio caro e a expressão controlada não revelavam o que acontecia por trás de seus olhos. Dante aprendera cedo que um homem podia mostrar o rosto ao mundo inteiro e, ainda assim, não entregar absolutamente nada.
— Fale — ordenou.
O recém-chegado fechou a porta.
— Temos uma informação sobre a clínica comunitária do território leste.
Dante apoiou os dedos sobre a mesa.
— Se for mais uma reclamação sobre a distribuição de medicamentos, resolva com o responsável local.
— Não é isso.
Houve uma pausa breve.
— A mulher que apareceu lá hoje é Helena Albuquerque.
O nome provocou uma mudança quase imperceptível no ambiente. Vicente Ferraz, sentado à direita de Dante, deixou de folhear os documentos. Os outros homens permaneceram em silêncio, aguardando a reação do chefe.
Dante não se mexeu.
— Tem certeza?
— Confirmamos a identidade. Ela é médica, trabalha como obstetra e atende naquela clínica algumas vezes por semana. É filha única de Augusto Albuquerque.
Durante anos, Dante Montenegro carregara o sobrenome Albuquerque como uma sentença. Uma lembrança de sangue, de promessas quebradas e de uma irmã que nunca tivera a chance de envelhecer. Augusto era o homem que ele culpava por tudo o que acontecera com Bianca.
E agora a filha dele estava dentro de um território ligado à sua organização.
— Ela estava sozinha? — perguntou Dante.
— Havia funcionários e pacientes. Mandamos alguém observar, mas não fizemos nenhuma abordagem.
Dante se levantou lentamente e caminhou até a janela. Lá embaixo, o Rio continuava brilhando sob o sol do fim da tarde, indiferente aos acordos feitos em salas fechadas e às guerras que se escondiam atrás de fachadas respeitáveis.
Helena Albuquerque não era apenas uma mulher que trabalhava em uma clínica.
Era a única herdeira de um homem que Dante jurara destruir.
E, pela primeira vez em muitos anos, a vingança acabara de lhe oferecer uma oportunidade que ele não pretendia desperdiçar.
— Quero tudo sobre ela — disse, sem tirar os olhos da cidade. — Rotina, horários, pessoas próximas. Tudo.
Vicente inclinou a cabeça.
— E quando tivermos as informações?
Dante se virou.
Seu rosto continuava impassível, mas havia algo perigoso em seus olhos.
— Quando tivermos, vou decidir como fazer Augusto Albuquerque entender que ninguém tira algo de mim sem pagar o preço.
Naquela tarde, Helena voltara para casa acreditando que o dia mais difícil tinha sido salvar uma gestante com recursos insuficientes.
Ela ainda não sabia que alguém acabara de transformar sua vida em uma questão de vingança.
E Dante Montenegro nunca deixava uma dívida sem cobrança.
O primeiro homem saiu do sedã antes que Helena conseguisse entender o que estava acontecendo.Era alto, vestia roupas escuras e caminhava com uma tranquilidade que contrastava com a maneira abrupta como o veículo havia bloqueado a rua. Atrás dele, outro homem abriu a porta traseira, enquanto o motorista do carro que supostamente deveria levar Helena para casa permanecia parado, observando a movimentação.— Marina, fique atrás de mim — Helena sussurrou.A amiga apertou seu braço.— Helena, vamos entrar. Agora.As duas deram alguns passos em direção ao restaurante, mas o homem de terno que havia se apresentado como funcionário da família se colocou no caminho.— Senhorita Albuquerque, precisamos ir.— Eu já disse que não vou a lugar nenhum com você.— Não torne isso mais difícil.Helena olhou para o rosto dele, tentando encontrar algum sinal de constrangimento, qualquer coisa que denunciasse que aquela situação era um mal-entendido. Não encontrou nada.— Marina, ligue para a polícia.A
Helena quase cancelou a saída pela terceira vez.Estava diante do espelho do quarto, com um vestido preto de alças finas e os cabelos soltos sobre os ombros, enquanto tentava decidir se realmente tinha disposição para passar algumas horas fora de casa. A semana havia sido exaustiva. A discussão com Augusto continuava martelando em sua cabeça, os problemas da clínica não tinham sido resolvidos e, para completar, ela havia passado boa parte daquele dia tentando conseguir uma vaga para uma paciente que precisava de acompanhamento especializado.Não era exatamente o cenário ideal para uma noite divertida.O celular vibrou sobre a penteadeira.Marina: Se você me disser que vai furar de novo, eu juro que vou até essa casa te buscar pelos cabelos.Helena soltou uma risada.Helena: Estou pronta.Marina: Milagre. Estou chegando.Marina era uma das poucas pessoas capazes de fazê-la esquecer, mesmo que temporariamente, o peso das responsabilidades. As duas se conheciam desde a faculdade de medic
Dante Montenegro não gostava de esperar.Havia aprendido muito cedo que, no mundo em que vivia, hesitação podia custar dinheiro, território e, em determinadas circunstâncias, vidas. Por isso, quando recebeu a confirmação de que Augusto Albuquerque estaria presente em um evento privado organizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, sua primeira reação foi considerar a oportunidade como um presente inesperado.O encontro aconteceria naquela mesma semana, em um espaço reservado de um hotel na Zona Sul. Empresários, representantes políticos e figuras influentes da cidade estariam reunidos para discutir investimentos em segurança, projetos de revitalização urbana e parcerias com a iniciativa privada. Uma ocasião elegante, repleta de discursos sobre progresso e desenvolvimento, na qual homens como Augusto gostavam de circular.Dante conhecia bem aquele teatro.A cidade tinha seus palcos, seus personagens e suas regras não escritas. Alguns homens apareciam diante das câmeras para falar sobre
O portão de ferro se abriu antes mesmo que Helena precisasse tocar a buzina.A casa dos Albuquerque surgiu no alto da propriedade, imponente e silenciosa, cercada por jardins impecavelmente aparados, palmeiras ornamentais e uma fachada de pedra clara que parecia ter sido projetada para impressionar qualquer pessoa que se aproximasse em um dos bairros mais nobres do Rio. As janelas enormes refletiam o sol do fim da tarde, enquanto dois funcionários cuidavam da entrada como se cada detalhe daquele lugar precisasse permanecer exatamente onde estava.Helena conhecia cada canto daquela casa. Crescera ali, aprendera a andar pelos corredores largos e passara incontáveis noites esperando o pai voltar de reuniões que, segundo ele, eram importantes demais para serem interrompidas por assuntos familiares.Ainda assim, havia muito tempo que não se sentia em casa.Estacionou o carro próximo à entrada e pegou a pasta que carregava no banco do passageiro. Dentro estavam os relatórios da clínica comu












Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.