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capítulo 06

last update Data de publicação: 2025-04-17 01:49:39

Vincent

continuação...

Dia 6

O dia amanheceu estranho. Acordei com uma ligação que gelou minha espinha. Um dos meus homens de confiança, Pietro, havia sido atacado. Não por rivais, mas por traidores... de dentro. Alguém que eu alimentei. Que cresceu sob minha proteção.

A máfia não perdoa traição. E muito menos eu.

Passei a manhã resolvendo esse tipo de sujeira. Sangue. Gritos. Punições. Esse é o lado da vida que eu escondo da Mirella. O lado que mancha minhas mãos, minha alma, meu nome. Mas é também o que me fez quem eu sou. O que me deu o poder de escolher com quem vou dividir o meu império.Escolher ela.

Mas hoje… tudo sair do controle. Mirella apareceu na faculdade bem no momento em que recebi uma ligação urgente. Eu estava no estacionamento. Ela me viu entrar no carro com dois homens armados e a expressão no rosto dela foi de puro pânico.

-Droga. Tentei disfarçar, mas ela já tinha visto o suficiente.Horas depois, voltei pra encontrá-la. Ela me esperava em frente ao prédio dela, braços cruzados, olhar de quem exige respostas.

— Vincent, eu vi! Vi você com aqueles caras... eles estavam armados, eu não sou idiota!

— Eu posso explicar. Tento manter a calma, mesmo com meu coração acelerado.

— Você me prometeu que seria transparente! a voz dela treme, e eu sinto a dor no peito. Como posso confiar em você se tudo parece um filme de crime?

Me aproximo devagar, com as mãos pra cima, como quem se entrega.

— Esse é o meu mundo, Mirella. Eu não disse que seria fácil, mas nunca escondi que era perigoso. A diferença é que, desde que você entrou na minha vida, eu venho tentando criar um espaço seguro dentro do caos. Por você.

— E se esse caos engolir a gente?

— Então eu mato o caos. minha voz sai firme, fria, real. — Por você, Mirella... eu mato o que for .Ela engole em seco. Os olhos marejam, mas ela permanece forte.

— E se eu decidir ir embora?

— Eu deixo você ir. minto.Ela percebe. Me encara. E então, pela primeira vez, ela fala algo que muda tudo .

— Me prova que eu posso confiar em você... porque se não, nem esses seus 30 dias serão suficientes.

Ela entra no prédio sem olhar pra trás. E eu fico ali, sozinho, sentindo que minha guerra agora não é contra os traidores da máfia…É contra o medo que ela sente de mim.

E talvez, contra o medo que eu tenho de perdê-la. Dia 6 .O jogo mudou. E agora, eu preciso lutar muito mais com o coração… do que com as armas.

Dia 7

Hoje, eu precisava mostrar pra Mirella que ela pode confiar em mim. Não com palavras, mas com atitudes. Então, pedi a um dos meus homens de confiança que marcasse um encontro com a dona Teresa uma senhora que cuido há anos, sem que ninguém saiba. Ela é a avó de um dos meus homens mais antigos. Ficou sozinha depois que o neto morreu em uma missão por minha causa. Desde então, sou o neto que ela perdeu.

Levei Mirella comigo sem dizer exatamente pra onde íamos.

— Isso aqui é o quê? ela perguntou, olhando pela janela do carro enquanto subíamos o morro.

— Um pedaço do meu mundo que quase ninguém conhece. respondi.

Chegamos em uma casa simples, com uma varanda cheia de vasos de flores. Dona Teresa nos recebeu com um sorriso e os olhos brilhando de emoção.

— Ah, meu menino voltou! ela abriu os braços e me abraçou com força, como sempre fazia. — E trouxe uma moça linda. É sua esposa?

Mirella ficou sem reação. Eu apenas sorri.

— Ainda não, Dona Teresa... mas quem sabe um dia.

Ela nos convidou pra entrar. Mirella ficou observando tudo, as fotos antigas, o cheirinho de bolo no forno, o carinho com que aquela senhora falava de mim. Ali, ela viu quem eu sou quando não estou vestido de terno preto e armado até os dentes.

— Você vem aqui sempre? ela sussurrou quando ficamos a sós por um momento na cozinha.

— Toda semana. Ela não tem mais ninguém. E eu devia isso ao neto dela. Ele morreu por mim.

Mirella me olhou de um jeito diferente. Como se visse algo novo. Como se pela primeira vez... confiasse.

— Então esse é o Vincent que ninguém conhece? ela perguntou.

— Esse é o Vincent que você vai conhecer se me der essa chance.

Ela não respondeu. Mas quando saímos da casa, ela segurou minha mão. Não disse nada. Só segurou. E pra mim, aquilo falou mais alto que qualquer palavra. Dia 7 completo. Ela começou a enxergar o homem por trás do mafioso. E isso... me deu esperança.

Dia 8

Ela está me matando aos poucos com esse olhar... e nem sabe.

Hoje decidi levar ela pra almoçar depois da aula. Ela tentou negar no início, mas cedeu ao ver que eu já estava estacionando o carro em um restaurante . Eu nunca insisti tanto por alguém... mas Mirella é diferente. É fogo e calmaria. É o desafio mais perigoso e mais doce que já enfrentei.

— Achei que tivesse dito que tinha compromissos hoje .ela disse ao sair do carro cruzando os braços.

— E eu tenho ,mas nada que não possa esperar que eu almoce com a minha futura eaposa . respondi, sem desviar os olhos dela.O silêncio se instalou por um tempo, até que ela soltou:

— Tá me dando medo, Vincent... esse seu jeito, essa sua intensidade. Parece que você me quer com tanta força que... que eu não consigo resistir e isso me assusta, depois de alimentados, já estava em atraso mas não perdi a oportunidade.

Estacionei o carro em uma rua mais calma. O coração batendo mais rápido. Virei de lado e encarei seus olhos castanhos.

— Eu quero você, Mirella. Quero sua presença, sua confiança, sua verdade. Não tô pedindo que você se jogue de olhos fechados... só que me permita ficar por perto.Ela mordeu o lábio inferior, nervosa. Eu cheguei mais perto. Devagar. Sentindo sua respiração acelerar.

— Você me provoca... ela sussurrou.

— E você me enlouquece... falei, agora com meu rosto a poucos centímetros do dela. — Sabe o que é mais perigoso nessa história? É que você está se infiltrando na minha pele sem pedir licença.

— E você tá tentando entrar no meu mundo com tudo, Vincent.

— Porque seu mundo é o único lugar onde eu me sinto em paz. A tensão entre nós era palpável. Mirella fechou os olhos por um segundo e, quando abriu, os nossos lábios estavam perigosamente próximos. Mas ela recuou.

— Eu... preciso ir pra casa. — disse, quase num sussurro. Assenti, respeitando seu limite. Mas antes de ela sair do carro, segurei sua mão e levei até meus lábios, deixando um beijo suave ali.

— Um dia, Mirella... você vai me beijar . Ela desceu do carro sem dizer nada, mas o jeito como olhou pra mim antes de fechar a porta... me disse tudo.

A tensão está aumentando. E eu vou ganhar essa batalha. Beijo por beijo. Desejo por desejo.Dia 8 completo.

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Último capítulo

  • Um Mafioso em minha vida    capítulo 89

    MirellaA brisa do mar invadia a casa com um perfume que só o Rio tem o Sal, sol e liberdade. Estávamos na casa de praia, onde tudo sempre parece mais leve, como se a vida nos desse uma trégua. Ou talvez seja o amor que mora aqui. O nosso amor.Vincent estava no terraço com Domenico, os dois na rede tirando um cochilo da tarde . Era bonito de ver. Aquele homem que já foi temido por tantos, agora paciente, com o filho. Às vezes, me pego olhando e penso que só quem conhece a guerra valoriza a paz assim.E hoje... hoje meu coração estava diferente. Batendo mais forte, mais rápido. Carregando um segredo que pulsava junto comigo. Peguei a xícara de café e subi devagar. Precisei respirar fundo antes de encarar ele e dar a notícia. Me olhei no espelho e vi a mulher que me tornei. Ainda sou aquela garota do subúrbio, nascida em meio ao barulho do morro e às gírias da rua. Mas agora... agora sou mãe. Sou esposa. E, hoje, sou mais.Vincent despertou na hora , ao ouvir meus passos , sorriu com Do

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    Mirella Vincent Mangano era uma tempestade disfarçada de homem. O olhar dele carregava séculos de orgulho e promessas que só os mortos poderiam cobrar. Eu sabia que me envolver com ele era como dançar sobre vidro. E mesmo assim, fiquei.Hoje, ele não é mais o mesmo homem. Ainda é forte. Ainda é temido. Mas agora... agora ele sangra onde só eu posso ver.Ele sorri para Domenico com os olhos marejados. Finge que não chora quando segura a velha foto do pai. Mas eu vejo. Eu vejo tudo.E escolho ficar.Porque é isso que mulheres como eu fazem quando amam de verdade sustentam o que o mundo inteiro tenta derrubar.Vi Vincent voltar do inferno. Vi os fantasmas da família Giulietta caírem um a um. Marco morreu, e com ele, um ciclo maldito. Mas também vi algo em Vincent morrer naquele momento a necessidade de vingar.Agora ele vive. E viver, para um homem como ele, é o maior ato de coragem.Eu sou a única que ele permite entrar no silêncio. A única que ele escuta mesmo quando não digo nada. Às v

  • Um Mafioso em minha vida    capítulo 86

    Vincent Eu enterrei meu pai com as mãos sujas de sangue e o coração partido em mil pedaços.O velho sempre dizia que morreria em guerra. Que o descanso não era pra homens como ele, forjados no fogo da máfia, moldados pela dor, pelo instinto, pelo sangue. Mas por mais que eu tenha escutado essas palavras a vida inteira, nada me preparou para vê-lo cair.Dom Mangano. O último dos gigantes. Meu pai. Ele morreu como viveu lutando. Protegendo o que amava. Defendendo a honra até o último fio de voz. E eu estava lá. Eu ouvi sua última palavra. Lute.Mas como se luta com um buraco no peito?Domenico ainda não entende. Ele sorri com a inocência de quem carrega um nome maior do que pode suportar. Olho pra ele e vejo o futuro... mas também vejo meu pai. A expressão séria, o queixo firme, a faísca nos olhos. Ele é um Mangano. E isso é uma bênção. E uma maldição.Mirella segura minha mão nas madrugadas em que acordo suando frio, os olhos buscando por um vulto que não está mais aqui. Ela é forte.

  • Um Mafioso em minha vida    capítulo 85

    Dom ManganoEu não envelheci por sorte. Envelheci porque fui mais esperto do que os homens que tentaram me derrubar.Marco achou que podia voltar dos mortos. Que a poeira do tempo apagaria as dívidas de sangue. Mas no jogo da honra, o relógio não perdoa. O que se deve, se paga com juros.Ele reapareceu. Mexeu nos negócios em Milão, matou um dos meus homens e deixou um recado. Acha que isso me assusta?Eu sou Dom Mangano. Fundador de um império. Criador de monstros. Pai de um herdeiro que agora segura o próprio filho nos braços. Isso me torna mais perigoso do que jamais fui. Agora, é a hora de matar o fantasma.Cheguei em Marselha, França, sob identidade falsa. Trouxe comigo apenas dois homens Dante e Bellini. Fiéis como cães treinados. Não precisávamos de mais. O plano era simples. Rápido. E fatal.Lúcia morava num apartamento discreto, dois andares acima de uma floricultura. Cabelos curtos agora. Olhos cansados. Mas a mesma intensidade de quem já foi amada e traída pelo mesmo homem.

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