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27: Linha Reforçada

last update Data de publicação: 2026-01-07 00:39:04

John

O telefone tocou no começo da noite, quando a casa já estava envolta naquele silêncio denso que vem depois de um dia longo demais. Reconheci o número antes mesmo de atender. Meu corpo reagiu primeiro — não com tensão, mas com foco. Era assim que eu funcionava quando algo importante estava prestes a se confirmar.

— John — a voz do xerife Miller veio firme do outro lado. Sem rodeios. — Ele recebeu a notificação.

Expirei devagar, sentindo o peso daquele momento se acomodar no peito. Não er
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  • Um Pedido de Natal: Uma Nova Chance Para Recomeçar   Bônus: Milagre

    ClariceA fazenda amanheceu em silêncio no dia do meu casamento. Não um silêncio vazio — era um silêncio cheio de promessas. O tipo de quietude que só existe antes das coisas certas acontecerem. O sol nasceu preguiçoso por trás das árvores antigas, dourando o campo ainda coberto de orvalho. As flores do caminho estavam úmidas, como se também tivessem acordado cedo demais para não perder nada.Eu respirei fundo na varanda do quarto onde me arrumava e pensei, não pela primeira vez, que aquela mulher ali… já não era quem eu fui. E isso não doía. Pelo contrário. Era um alívio tão grande que chegava a emocionar.O vestido estava pendurado perto da janela. Simples. Leve. Do jeito que eu sempre achei que vestidos de noiva deveriam ser — sem armaduras, sem excessos, sem nada que tentasse esconder quem eu era. Quando toquei o tecido, senti as mãos tremerem. Não de medo. De consciência. Eu estava escolhendo aquilo.Lila entrou no quarto antes mesmo de bater.— Você tá respirando estranho — ela

  • Um Pedido de Natal: Uma Nova Chance Para Recomeçar   Bônus: A luz que fica

    AuroraAlgum tempo depoisEu soube que era um sonho antes mesmo de acordar. Não porque fosse estranho — mas porque tudo ali tinha um brilho calmo demais para ser só lembrança. O tipo de brilho que não machuca os olhos. O tipo que envolve.Eu estava na mesma fazenda do casamento, mas sem música, sem vozes, sem passos. O campo se estendia quieto, e o céu tinha aquela cor entre o azul e o dourado que só existe quando o dia ainda está decidindo se vai nascer ou se vai partir. Eu caminhava descalça pela grama, sentindo o frio leve do orvalho. Não havia medo. Nem pressa. Apenas a certeza de que eu precisava ir.Foi então que eu a vi.Minha mãe.Mariana estava sentada perto da figueira, usando um vestido claro que dançava com o vento. O cabelo solto, o sorriso do jeito que morava na minha memória — inteiro, mas tranquilo, como se ela finalmente tivesse descansado.Eu parei.O coração bateu forte, mas não doeu.— Mãe… — chamei, com a voz pequena.Ela se levantou devagar, como quem não quer as

  • Um Pedido de Natal: Uma Nova Chance Para Recomeçar   66: Final

    Aurora1 mês depoisO Natal já passou. As luzes ainda estão penduradas, mas agora piscam mais devagar, como se soubessem que não precisam mais provar nada. A árvore continua na sala, um pouco torta, com galhos que insistem em cair para o lado. Ninguém arrumou. Ninguém quis. A casa não voltou a ser silêncio. Ela virou outra coisa.Eu estou sentada no tapete, com as costas apoiadas no sofá. Clarice está na cozinha, cantando baixinho uma música que eu não conheço inteira, mas reconheço o tom. Papai está no quintal, falando com alguém ao telefone, rindo daquele jeito que começa no peito. Lila ainda dorme, espalhada no quarto de visitas, como se tivesse certeza de que ninguém vai mandá-la embora.Eu olho em volta e penso que, se esse momento fosse um desenho, eu não mudaria nada. Nem as coisas fora do lugar. Nem os sons misturados. Nem o tempo passando sem pedir licença.Antes, eu achava que o Natal era uma noite só. Um ponto no calendário. Um risco vermelho em volta de um dia específico.

  • Um Pedido de Natal: Uma Nova Chance Para Recomeçar   65: A melhor noite de Natal da minha vida

    AuroraA noite de Natal tem um som diferente. Não é só música, nem risos, nem o plim-plim das luzinhas piscando. É como se o ar ficasse mais macio. Como se a casa respirasse devagar para não acordar a felicidade. Eu percebi isso quando entrei na sala e vi tudo aceso. As luzes da árvore brilhavam sem pressa, algumas piscando mais rápido, outras quase dormindo. Tinham sido colocadas tortas, porque papai insistiu em ajudar e Lila decidiu que o certo era o errado. Clarice não corrigiu. Ela só riu e disse que o Natal não liga para simetria.Eu cheguei bem perto da árvore, quase colando o nariz numa bola vermelha.— Essa aqui parece um nariz de palhaço — falei.— Não fala isso — Lila disse. — Ela pode ficar triste.— Bola não fica triste — respondi.— Fica sim — Lila insistiu. — Especialmente no Natal.Encostei a testa na bola.— Desculpa — sussurrei. — Você tá bonita.Papai riu tão alto que a estrela do topo balançou.— Viu? — ele disse. — Agora ela não cai.— Isso não tem nada a ver — Lil

  • Um Pedido de Natal: Uma Nova Chance Para Recomeçar   64: Mamãe... o meu pedido foi ouvido

    "Às vezes, o sim não faz barulho. Ele não pula, não corre, não acena com a mão. Ele fica." — Aurora CullimanAuroraEu estava sentada na mesa da cozinha, comendo pão com manteiga, quando percebi que os dois estavam estranhos. Não estranhos de ruim. Estranhos de quando alguma coisa importante está acontecendo, mas ninguém sabe direito como contar. O pão estava quentinho, a manteiga derretendo, e mesmo assim eu mastigava devagar, porque meu corpo já tinha entendido antes da minha cabeça.Clarice mexia o café sem beber. A colher fazia um barulhinho baixo, redondo. Papai ajeitava a gola da camisa toda hora, como se ela nunca ficasse certa. Ele também respirava fundo demais.Eu observei. Aprendi a observar antes de falar.— Vocês brigaram? — perguntei.Os dois falaram ao mesmo tempo, rápido demais:— Não.Isso nunca acontece quando não é importante.Inclinei a cabeça, desconfiada.— Então por que vocês estão estranhos?Papai fechou os olhos por um segundo, como se estivesse contando até um

  • Um Pedido de Natal: Uma Nova Chance Para Recomeçar   63: O pedido feito a vida

    ClariceEu não planejei aquele momento. Não pensei nas palavras antes, não ensaiei diante do espelho, não organizei o coração. Ele simplesmente escorreu de mim, como coisas que ficam tempo demais guardadas e, quando encontram fresta, não pedem licença para sair.Era noite. A casa estava em silêncio — não o silêncio tenso que eu aprendi a temer, mas aquele outro, macio, que envolve sem apertar. Aurora já dormia, encolhida do jeito que sempre faz quando se sente segura, o rosto meio escondido no travesseiro, a respiração profunda. Fiquei alguns minutos parada na porta do quarto, observando, como se ainda estivesse aprendendo que aquilo era real. Que ela estava ali. Que eu estava ali. Que ninguém ia entrar para quebrar aquele instante.Fechei a porta devagar e caminhei até a sala.John estava no sofá, mexendo no celular sem realmente prestar atenção. Reconheci aquele gesto — a tela acesa mais como desculpa do que como interesse. Ele percebeu minha presença antes mesmo de eu falar. Sempre

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