INICIAR SESIÓNTudo o que a pequena Aurora Culiman queria de presente de Natal era uma mamãe. Com apenas sete anos, ela já entendia que seu pai, John, carregava no peito a dor de uma perda irreparável. Desde a morte de sua esposa, ele se fechou para o amor, dedicando-se inteiramente à fazenda e à filha. Clarice Madson, uma talentosa veterinária, viu sua vida desmoronar em um relacionamento abusivo. Em busca de liberdade e um novo começo, ela fugiu para o interior do Texas, onde o destino a levou até a fazenda dos Culiman. John precisava de alguém para cuidar de seus valiosos cavalos. Clarice precisava de uma nova chance. E Aurora? Ela só precisava de um milagre de Natal. Será que o coração endurecido de John encontrará um novo motivo para amar? E Clarice, conseguirá deixar o passado para trás e acreditar novamente no amor? Talvez o desejo de uma garotinha tenha o poder de transformar três vidas para sempre.
Ver másClariceA fazenda amanheceu em silêncio no dia do meu casamento. Não um silêncio vazio — era um silêncio cheio de promessas. O tipo de quietude que só existe antes das coisas certas acontecerem. O sol nasceu preguiçoso por trás das árvores antigas, dourando o campo ainda coberto de orvalho. As flores do caminho estavam úmidas, como se também tivessem acordado cedo demais para não perder nada.Eu respirei fundo na varanda do quarto onde me arrumava e pensei, não pela primeira vez, que aquela mulher ali… já não era quem eu fui. E isso não doía. Pelo contrário. Era um alívio tão grande que chegava a emocionar.O vestido estava pendurado perto da janela. Simples. Leve. Do jeito que eu sempre achei que vestidos de noiva deveriam ser — sem armaduras, sem excessos, sem nada que tentasse esconder quem eu era. Quando toquei o tecido, senti as mãos tremerem. Não de medo. De consciência. Eu estava escolhendo aquilo.Lila entrou no quarto antes mesmo de bater.— Você tá respirando estranho — ela
AuroraAlgum tempo depoisEu soube que era um sonho antes mesmo de acordar. Não porque fosse estranho — mas porque tudo ali tinha um brilho calmo demais para ser só lembrança. O tipo de brilho que não machuca os olhos. O tipo que envolve.Eu estava na mesma fazenda do casamento, mas sem música, sem vozes, sem passos. O campo se estendia quieto, e o céu tinha aquela cor entre o azul e o dourado que só existe quando o dia ainda está decidindo se vai nascer ou se vai partir. Eu caminhava descalça pela grama, sentindo o frio leve do orvalho. Não havia medo. Nem pressa. Apenas a certeza de que eu precisava ir.Foi então que eu a vi.Minha mãe.Mariana estava sentada perto da figueira, usando um vestido claro que dançava com o vento. O cabelo solto, o sorriso do jeito que morava na minha memória — inteiro, mas tranquilo, como se ela finalmente tivesse descansado.Eu parei.O coração bateu forte, mas não doeu.— Mãe… — chamei, com a voz pequena.Ela se levantou devagar, como quem não quer as
Aurora1 mês depoisO Natal já passou. As luzes ainda estão penduradas, mas agora piscam mais devagar, como se soubessem que não precisam mais provar nada. A árvore continua na sala, um pouco torta, com galhos que insistem em cair para o lado. Ninguém arrumou. Ninguém quis. A casa não voltou a ser silêncio. Ela virou outra coisa.Eu estou sentada no tapete, com as costas apoiadas no sofá. Clarice está na cozinha, cantando baixinho uma música que eu não conheço inteira, mas reconheço o tom. Papai está no quintal, falando com alguém ao telefone, rindo daquele jeito que começa no peito. Lila ainda dorme, espalhada no quarto de visitas, como se tivesse certeza de que ninguém vai mandá-la embora.Eu olho em volta e penso que, se esse momento fosse um desenho, eu não mudaria nada. Nem as coisas fora do lugar. Nem os sons misturados. Nem o tempo passando sem pedir licença.Antes, eu achava que o Natal era uma noite só. Um ponto no calendário. Um risco vermelho em volta de um dia específico.
AuroraA noite de Natal tem um som diferente. Não é só música, nem risos, nem o plim-plim das luzinhas piscando. É como se o ar ficasse mais macio. Como se a casa respirasse devagar para não acordar a felicidade. Eu percebi isso quando entrei na sala e vi tudo aceso. As luzes da árvore brilhavam sem pressa, algumas piscando mais rápido, outras quase dormindo. Tinham sido colocadas tortas, porque papai insistiu em ajudar e Lila decidiu que o certo era o errado. Clarice não corrigiu. Ela só riu e disse que o Natal não liga para simetria.Eu cheguei bem perto da árvore, quase colando o nariz numa bola vermelha.— Essa aqui parece um nariz de palhaço — falei.— Não fala isso — Lila disse. — Ela pode ficar triste.— Bola não fica triste — respondi.— Fica sim — Lila insistiu. — Especialmente no Natal.Encostei a testa na bola.— Desculpa — sussurrei. — Você tá bonita.Papai riu tão alto que a estrela do topo balançou.— Viu? — ele disse. — Agora ela não cai.— Isso não tem nada a ver — Lil












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