INICIAR SESIÓNCapítulo 2: Adam...
Observava da janela Nova York se aproximar, com meu irmão caçula e extremante irritante ao meu lado, olhando-me de um jeito que sabia extamente como me irritar. — E então, qual é daquela brasileira? Vai dizer que encontrou o amor da sua vida? — dizia com aquele sorriso debochado que eu conhecia desde a infância. Revirei os olhos e sem sequer virar o rosto disparei: — Cala a boca! — Aff! Que mal humor! Vai ficar com essa cara fechada até Nova York? Aposto que está pensando na dançarina misteriosa... — insistiu na provocação. Revirei os olhos, fingindo desinteresse. — Você fala demais! Ele sorriu satisfeito por ter conseguido arrancar qualquer reação minha que não fosse indiferença. Continuou falando banalidades, fazendo piadinhas sobre dançarinas misteriosas e homens sérios que perdem a cabeça por um par de peitos. — Admita que ela mexeu com você... Faz tempo que não vejo isso acontecer... — Se não quer ir passar uma temporada estudando fora dos Estados Unidos, acho bom ficar quieto e não falar mais desse assunto! — vociferei. — Não está mais aqui quem falou! Bastou eu fechar os olhos, para aquele rosto surgir outra vez em minha mente. O jeito como me encarou como sem sequer saber quem eu era e o modo como recusou o dinheiro, poder... tudo aquilo que sempre funcionou comigo. Essa situação não é comum no meu mundo e isso me perturbava. Apoiei a cabeça no encosto e deixei que as lembranças antigas que eu tanto evitava se misturassem à imagem dela. Mesmo sabendo que não são a mesma pessoa... eu precisava vê-la novamente, me aproximar e falar com ela. A minha vida nunca foi simples... O seu rosto era nitido, os mesmos traços, o mesmo olhar que um dia me prometeu amor sincero. O meu peito apertou com força, como sempre acontecia quando o passado decidia cobrar o seu preço. Conheci Núbia jovem demais para entender que nem todo amor é suficente se apenas um ama. Namoramos por dois anos antes do noivado e, desde o início nossas famílias deixaram claro que aquilo era um acordo antigo, selado a muitos anos atrás, antes mesmo de nós dois existirmos. Crescemos ouvindo que estávamos destinados um ao outro. Acreditei cegamente e entreguei o meu coração sem reservas. Amei Núbia com uma devoção que hoje me parece quase ingênua. Planejei cada detalhe do nosso casamento, da vida que construíriamos juntos e eu estava pronto para aquele passo. Na véspera do casamento, ela simplesmente fugiu! Lembro-me daquele dia como se fosse uma ferida aberta, O altar montado, os convidados chegando, minha família em choque, a vergonha estampada em cada olhar. E eu, parado, tentando entender como alguém pode desaparecer levando consigo tudo o que você é. Semanas depois, Núbia voltou grávida e muito diferente do que um dia aparentou ser. Disse que estava assustada, confusa e que precisava de um tempo. Eu estava muito magoado, mas ainda assim aceitei. Pelo filho que viria, pelas nossas famílias e pelo amor que ainda insistia em existir dentro de mim. Tivemos os gêmeos primeiro, adolescentes agora, com dezesseis anos, que cresceram rápido demais, talvez para compensar a ausência emocional dos pais. Depois veio o nosso terceiro filho, agora com nove anos, curioso e inteligente, que sempre tentou me agradar com desenhos e perguntas demais. E, por último, a nossa pequena princesa, hoje com dois anos, a única que não pôde conhecer sua mãe viva. Com o passar dos anos, as brigas se tornaram rotina, discussões altas, portas batendo, ela bebendo desenfreadamente e diversos procedimentos no rosto deixando de ser a mulher linda que um dia conheci. Eu me esforçava, tentava entender e cedia, até descobrir as suas traições. Cada descoberta morria um pouco mais de mim. Ainda assim, eu fiquei ao seu lado, por amor, pelos nossos filhos e pela esperança idiota de que tudo poderia melhorar. O meu pai me fez acreditar que tudo era uma fase ruim, que eu precisava ser compreensivo. Para não sentir, fiz o que sempre soube fazer de melhor... trabalhar. Afundei-me em reuniões, projetos, viagens e quanto mais distante de casa, menos doía, isso que eu acreditava. Na última gravidez, tudo parecia mais clamo, uma falsa trégua. Até que aquele fatídico dia aconteceu... Núbia caiu acidentalmente em casa, pediu ajuda por muito tempo sem resposta e desmaiou de dor. Só então, foi encontrada pelos funcionários e levada ao hospital. Eu estava longe, fechando o maior contrato da minha carreira. Lembro-me da satisfação, do alívio, do orgulho, até o telefone tocar e receber a notícia de que ela estava passando por um parto complicado. Foi tudo o que ouvi antes de sair correndo, ignorando qualquer explicação, mas quando cheguei ao hospital era tarde demais. E tudo o que encontrei, foi seu corpo frio, imóvel, sem vida e uma bebê recém-nascida chorando em algum lugar que eu mal consegui ouvir. Naquele instante, o meu mundo desmoronou e no meu íntimo, carrego uma culpa que nunca consegui silenciar. Depois do enterro, eu me fechei para relacionamentos, para o amor, para a dor ou qualquer coisa que pudesse me fazer sentir aquela dor novamente. Meus filhos passaram a viver na mansão, cercados de conforto, funcionários e babás. Nunca lhes faltou nada material. Mas eu... eu me afastei! Passei a morar num apartamento em Manhattan, o silêncio tornou-se o meu aliado. Ainda assim, tem noites dentro de um avião cortando o céu que me pergunto onde foi que eu errei. O que fiz de errado para ela ter fugido, para ter me traído tantas vezes e para transformar as nossas vidas em um campo de batalha, quando tudo o que eu ofereci foi amor. Abri os olhos quando o avião começou a descer. Nova York nos aguarda... e, junto com ela uma casa cheia de filhos que eu não sabia mais como me aproximar e a certeza incômoda de que o rosto dquela mulher no palco não tinha surgido na minha vida por acaso. Por mais que eu tente negar, a verdade é apenas uma... o destino nunca brinca sem uma intenção! E Nova York como sempre nos recebeu com aquela rotina agitada... aeroporto, o trânsito caótico, prédios altos demais, tudo soava familiar demais. Ainda assim, sentia um aperto estranho no peito, como se algo estivesse fora do lugar, desde aquela noite no Brasil.Capítulo 170: Epílogo...Adrian e Joice...Se alguém me perguntasse, lá atrás, como eu imaginava o meu futuro, eu jamais descreveria a vida que tenho hoje. Não porque ela é perfeita, mas é muito mais bonita do que qualquer sonho que eu já tive.O tempo passou e não de forma brusca, nem distante… mas como algo que se encaixa, que amadurece, que transforma e, com ele, o nosso amor também mudou. Não diminuiu, só ficou mais forte e profundo.Hoje, amar ele não é mais um turbilhão constante, como no começo. Não é mais aquele medo de perder, aquela urgência de segurar. Hoje, amar ele é ter certeza e saber que, independente de qualquer coisa… ele vai estar ali e eu também.A nossa vida ganhou novos sons, risos mais altos, passos pequenos correndo pela casa, vozes que nos chamam a todo instante... os nossos três filhos. Três pedaços de nós que transformaram tudo em nossas vidas. A casa ficou mais bagunçada, mais barulhenta e muito mais viva.E eu nunca me senti tão completa como agora. Às vez
Capítulo 169: Epílogo...Adriel e Bruna...Se alguém me dissesse, lá no início, que a minha vida tomaria esse rumo, eu provavelmente não acreditaria. Tudo começou de forma confusa, dolorosa e cheia de desencontros, mas o amor… o verdadeiro amor, encontrou um jeito de crescer mesmo assim.O dia da minha formatura foi um dos mais importantes da minha vida, eu estava nervosa, ansiosa, com o coração acelerado e não apenas pelo diploma, mas por tudo o que aquele momento representava. Quando chamaram o meu nome, levantei com um sorriso que eu sabia que não era só meu... era nosso. Adriel esteve todo esse tempo ao meu lado, me ajudando e me incentivando.Enquanto caminhava pelo palco, meus olhos automaticamente o procuraram na plateia e lá estava ele. Adriel, com nossa filha nos braços, a nossa pequena princesa, já um pouco maior, com os olhos curiosos e atentos, como se quisesse entender tudo ao seu redor.E, ao lado deles… nossa família unida e forte.Segurei o diploma firmemente, sentindo
Capítulo 168: Lídia...Os meses passaram como páginas de um livro que eu não queria que terminasse. Cada dia trazia uma nova emoção, um novo detalhe e uma nova descoberta.A minha barriga crescia… e com ela, o amor dentro de mim parecia não ter limites. Adam se tornou ainda mais presente, mais atento e mais cuidadoso.Se antes ele já era protetor, agora… era quase impossível sair de perto dele sem que perguntasse para onde eu ia, com quem eu estava e se eu precisava de alguma coisa.— Você vai ficar bem sozinha? — perguntava até quando eu ia apenas até a cozinha.Eu ria.— Adam, eu só vou pegar água.— Mesmo assim... eu pego pra você! E então ele ia comigo, mas eu não reclamava, porque em cada gesto há amor. Um amor que me envolve, me acolhe e me faz sentir segura.Núbia também se tornou parte essencial da minha rotina, nós compensávamos cada segundo perdido, conversávamos sobre tudo e ríamos de coisas bobas.Às vezes chorávamos juntas… não de tristeza, mas de alívio.Nessa rotina, J
Capítulo 167: Joice...O casamento foi perfeito e emocionante, com palavras, não conseguiria descrever esse momento tão especial e único em nossas vidas.A recepção foi simplesmente inesquecível, ainda sentia o gosto do beijo intenso dele em meus lábios. Ainda sentia o calor de suas mãos segurando as minhas fortemente. Ainda sentia… tudo, mas agora, além da emoção, tinha leveza, alegria e aquela sensação gostosa de “conseguimos”.— Senhora Carter… — começou, com aquele sorriso provocador.Levantei uma sobrancelha.— Nem começa.— Senhora minha esposa... — completou, se aproximando.Revirei os olhos, mas sorri.— Você está se achando muito.— Eu posso... Afinal, casei com a mulher mais linda, perfeita e excepcional do mundo!Ele segurou minha cintura, me puxando levemente para perto e o meu coração deu aquele pulinho.— Convencido.— Realista.Ri, encostando a testa na dele.— Eu te amo, Adrian! — Eu sei e eu te amo mais.— Nem vem.— Sempre.A recepção estava linda, as luzes douradas
Capítulo 166: Adrian...Confesso, que nunca acreditei muito naquele tipo de frase…“Esse é o dia mais feliz da sua vida.”Sempre achei exagero, até hoje.O lugar estava impecável, exatamente como Joice merecia... luz suave, flores brancas por todos os lados. O caminho até o altar refletindo as luzes como se fosse um espelho… como se cada passo levasse direto para um sonho.Mas, mesmo com tudo perfeito, nada conseguia acalmar o que estava acontecendo dentro de mim. O meu coração batia descompassado, as minhas mãos suavam e eu não conseguia parar de olhar para a entrada.Desesperadamente ansioso.— Calma, cara. — Adriel sussurrou ao meu lado. — Você já enfrentou coisa pior.Eu soltei um riso nervoso.— Nunca algo tão importante e único na vida, cara!Adam me deu um leve tapa no ombro.— Ela vai vir. Eu sabia, mas ainda assim cada segundo parecia uma eternidade.Então, a música começou e tudo parou.Meu corpo inteiro ficou intenso e o meu coração quase saiu pela boca.E quando ela apare
Capítulo 165: Ella...Depois daquela noite no jardim de casa, comecei a perceber nos pequenos detalhes, no jeito como Eduardo me olhava quando estávamos sozinhos, na forma como suas mãos demoravam um segundo a mais na minha cintura, a respiração dele mudando quando nossos beijos se prolongavam.Percebi o quanto ele estava se segurando, não era difícil notar.No começo, eu não entendia completamente, achava que talvez fosse insegurança, ou medo de ir rápido demais. Mas, com o tempo, percebi que era algo muito maior do que isso. Tratava-se de cuidado, respeito, escolha e isso me toca de um jeito profundo. Ele faz eu sentir que não preciso corresponder a uma expectativa... não há pressão, nem urgência. Apenas um sentimento crescendo, firme, constante, genuíno e seguro. Mas, ao mesmo tempo… eu também estou mudando.Ultimamente, o meu corpo reagia de formas novas quando ele me tocava. Meu coração acelerava com mais intensidade, minha respiração ficava irregular, e aquele frio na barriga qu







