INICIAR SESIÓNkaty Nunes Senti minhas mãos tremerem levemente sobre o colo, mas forcei o corpo a se manter ereto na cadeira. A amargura nos olhos do Júlio era quase palpável, transformando o homem que um dia foi o meu melhor amigo em um estranho rancoroso. — Você fala como se eu tivesse te traído, Júlio — respondi, mantendo o tom de voz firme, encarando-o nos olhos. — Se a nossa amizade de uma vida inteira significava alguma coisa para você, você deveria estar feliz por mim. Um amigo de verdade torce pela felicidade do outro, independente de qualquer coisa! Ele deu um riso seco e debochado, balando a cabeça enquanto dava mais um gole na bebida. — Feliz? — retrucou Júlio, inclinando o corpo sobre a mesa e baixando o tom para cuspir as palavras: — Feliz por ver você se iludindo desse jeito, Katy? Me economize. Você realmente acha que eu vou bater palma para essa palhaçada? — Júlio, me respeita! — levantei o queixo, sentindo a raiva começar a dominar o incômodo. — Respeitar o quê? A verda
Katy Nunes Eu já estava no meio do caminho para a agência quando o meu celular começou a tocar. Atendi pelo viva-voz do carro e a voz da Ana ressoou no alto-falante: — Katy, pode encostar o carro na próxima esquina! Você não vai voltar para o trabalho de jeito nenhum sem almoçar. O Ian já me ligou, me deu uma bronca e me encarregou pessoalmente de te alimentar! — O Ian e esse instinto protetor... mas no fundo, o meu estômago realmente já está reclamando. Dobrei aqui em Ipanema. Vamos em um bistrô? Enquanto caminhávamos para uma mesa ao fundo do salão, Julien nos acompanhou apenas para se despedir. — Meninas, eu adoraria me juntar a vocês, mas preciso mesmo voltar para o atelier — explicou Julien, ajustando a alça da câmera. — A equipe de produção já está me esperando para retomar as fotos da nova coleção. Katy, mais uma vez, você estava radiante. Ana, te vejo mais tarde? — Claro, meu amor. Bom trabalho! — disse Ana, dando-lhe um selinho carinhoso e um abraço antes que ele
Ian Parker O dia estava agitado. Passei a primeira parte da tarde circulando entre as salas do andar diretivo. Na sala de conferência principal, deixei a equipe de auditoria interna trabalhando com as planilhas dos últimos trimestres e, em seguida, passei na sala de projetos para resolver os entraves da reforma da nossa casa nova. O engenheiro responsável tentava me justificar um atraso na entrega da suíte master por causa da importação de um mármore italiano. — Não vamos esperar lote nenhum, engenheiro — resolvi a questão em dois minutos, mantendo o tom calmo e prático. — O nosso cronograma não será alterado. Eu não quero a Katy estressada com obras ou poeira quando nos mudarmos. Substitua o material hoje mesmo por uma opção equivalente que já esteja disponível a pronta entrega no mercado nacional. Quero o mesmo acabamento impecável, mas sem atrasos. Entendido? — Perfeito, senhor Parker. Faço a substituição agora mesmo — respondeu ele, aliviado com a solução rápida. Deixei
Katy Nunes — Já entendi tudo — disse a estilista, caminhando até a última capa protetora. — Você é uma mulher refinada, nobre e essencialmente sóbria, Katy. Você não precisa de glitter ou bordados pesados para chamar a atenção. A sua beleza é natural e clássica. O que você precisa é da maestria do corte e da nobreza dos tecidos. Tenho uma peça final que criei pensando exatamente nessa dualidade. Ela puxou o zíper da última capa e meus olhos se舆arregalaram imediatamente. Entrei no provador com a ajuda da assistente. Assim que deslizei as pernas e o quadril pelo tecido encorpado e nobre da zibelina, senti a estrutura do vestido se ajustar perfeitamente às minhas curvas. Quando a assistente terminou de abotoar os delicados botões encapados que subiam pelas minhas costas, um arrepio intenso percorreu minha espinha do pescoço até os pés. Caminhei devagar até o salão principal e subi calmamente no pedestal de madeira. O vestido trazia um decote ombro a ombro perfeitamente estrutu
Katy Nunes Estacionei o carro na calçada arborizada de Ipanema, logo em frente ao charmoso Atelier Maison Celeste. A fachada discreta, com seus portões de ferro trabalhado e uma imponente porta de madeira rústica, mal deixava transparecer o universo de luxo e alta-costura que nascia ali dentro. Assim que empurrei a porta, o toque suave de um sino de bronze anunciou minha entrada. O ambiente exalava um perfume delicado e acolhedor de baunilha com orquídeas frescas. No centro do salão decorado com espelhos vitorianos, Ana deu um salto do sofá de veludo rosê ao me ver e veio apressada ao meu encontro com os braços abertos. — Katy! Meu Deus, você conseguiu vir! — ela me abraçou forte, rindo de emoção. — Menina, você não tem noção do que é este lugar. Eu já passei aqui na frente dezenas de vezes e nem imaginava a preciosidade que tinha do lado de dentro. É surreal! Logo atrás dela, Julien surgiu da área de apoio ajustando a lente de sua câmera fotográfica profissional pendurada ao
Katy Nunes Estacionei o carro na calçada arborizada de Ipanema, em frente ao charmoso Atelier Maison Celeste. A fachada discreta, com portões de ferro trabalhado e uma porta de madeira rústica, mal deixava transparecer a grandiosidade da alta-costura que nascia ali dentro. Assim que empurrei a porta, o toque suave de um sino anunciou minha entrada. O ambiente exalava um perfume delicado de baunilha e orquídeas. No centro do salão, Ana deu um salto do sofá de veludo ao me ver, vindo ao meu encontro com os braços abertos. — Katy! Você conseguiu! — ela me abraçou forte, sorrindo de orelha a orelha. — Menina, você não tem noção da obra de arte que é esse lugar. Logo atrás dela, Julien surgiu ajustando a alça de sua câmera fotográfica profissional ao pescoço. — Chérie! — Julien me cumprimentou com dois beijinhos carinhosos no rosto. — Você está radiante! A estilista abriu uma exceção incrível no meio do nosso editorial para te atender. Ela é extremamente criteriosa, mas quando c







