Compartir

8: Uma noite no museu

Autor: Célia Oliveira
last update Última actualización: 2024-09-28 08:53:22

Os dias na empresa passam rapidamente, e Marina comemora em silêncio seu primeiro mês de trabalho.

Por mais que tenha que lidar com Victor com frequência, ela está feliz por continuar trabalhando no que acredita ser o início de um grande sonho.

— Hoje recebi meu primeiro salário — comenta, sorridente, enquanto ajuda os pais na padaria.

É sábado, e como de costume, Marina aproveita o dia de folga para auxiliar no negócio da família.

— Deveria sair para comemorar — sugere Daniela, feliz ao ver o entusiasmo da filha.

— Estava pensando nisso — confessa Marina, limpando a mesa de um cliente que acaba de sair. — Vou chamar a Andressa para ir comigo. Não quero ir sozinha.

Andressa é vizinha e amiga de infância. As duas têm a mesma idade e, apesar de seguirem caminhos diferentes, mantêm uma amizade sólida.

— Falando na Andressa… — Daniela se aproxima, baixando a voz em tom conspiratório. — Ouvi dizer que ela anda saindo com um homem rico e mais velho.

— Sério? Isso é bom, não é? — Marina franze o cenho, surpresa com a notícia.

— Seria ótimo, se fosse algo sério. Mas dizem que ele só a busca na esquina e nunca baixa o vidro do carro — sussurra Daniela, como se temesse que alguém pudesse ouvir.

A declaração pega Marina de surpresa, e ela fica pensativa. Contudo, não é de seu feitio alimentar fofocas, então decide encerrar o assunto.

— Seja como for, isso é problema dela — responde, afastando-se da mãe.

Após o almoço, Marina pega o telefone e liga para Andressa, convidando-a para sair.

— Claro que vou com você! — responde à amiga, animada. — Já estava pensando em sair hoje, mas não queria ir sozinha.

— E para onde você quer ir? — pergunta Marina, curiosa.

— Tenho convites exclusivos para uma exposição no museu central. Pensei em dar uma passada lá.

Uma visita ao museu não era exatamente o que Marina tinha em mente para comemorar, mas, querendo sair de casa, decide aceitar.

— Tudo bem, nos encontramos às cinco. O que acha?

— Perfeito! — responde Andressa, entusiasmada.

De volta ao quarto, Marina começa a se arrumar. Faz tempo que não sai para algo além do trabalho ou faculdade, e a ideia de um programa diferente a anima. Quando o relógio marca a hora do encontro, ela sai de casa e encontra Andressa. Ao vê-la, Marina não pode deixar de notar o quanto a amiga parece diferente. Andressa agora usa roupas de grife e ostenta um celular de última geração.

— Você está linda — comenta Marina, abraçando a amiga.

— E você também! — responde Andressa, radiante.

— Vamos pegar o ônibus das cinco e meia? — sugere Marina, já começando a caminhar, mas Andressa a interrompe segurando seu braço.

— Ônibus? Pelo amor de Deus, não! — diz Andressa, quase ofendida. — Já chamei um Uber.

— Não vai sair caro? — pergunta Marina, preocupada.

— Não se preocupe, eu pago — responde Andressa, despreocupada.

— Eu não posso deixar você pagar, especialmente sabendo que não está trabalhando… — insiste Marina, um tanto desconfortável.

— Só não estou trabalhando porque o meu namorado pediu para deixar o emprego — explica Andressa, com um sorriso tranquilo. — Ele me dá uma mesada todo mês.

A lembrança da conversa com a mãe na padaria surge na mente de Marina.

— Que bom namorado você tem… — responde ela, tentando não prolongar o assunto. — Mas é sempre bom ter um emprego, sabe? Não é bom depender de ninguém — aconselha.

— Não se preocupe com isso — diz Andressa, enquanto mexe no celular. Logo, um carro branco

chega e se aproxima delas, se identificando como o Uber, que as leva ao museu central. 

O lugar está movimentado, com pessoas bem vestidas. Na entrada, Andressa mostra dois cartões, revelando ser uma convidada especial.

A exposição, composta por obras e artefatos internacionais, atrai olhares de todos. Porém, Andressa parece distraída, como se estivesse à procura de alguém, enquanto Marina se encanta com as peças exibidas.

— Uau… — murmura, admirando um jarro datado de mais de mil trezentos anos.

— Imagino quanto isso deve valer — comenta Andressa, ainda olhando ao redor.

A atitude da amiga desperta a curiosidade de Marina.

— Está procurando por alguém? — pergunta, desconfiada.

— Não, claro que não — responde Andressa, visivelmente nervosa.

As duas continuam a explorar a exposição, e o local fica cada vez mais cheio. Enquanto Marina observa um quadro famoso, de relance, avista uma silhueta familiar: um homem alto, de cabelos pretos, está parado diante de uma obra de arte. Involuntariamente, sua mente voa para Victor.

“Ótimo… Só me faltava pensar naquele idiota no meu fim de semana.”

Ela balança a cabeça, tentando afastar o pensamento, mas Andressa percebe sua distração.

— Você ouviu o que eu disse? — pergunta Andressa, tirando Marina de seus devaneios.

— O quê? Desculpe, me distraí — responde, voltando a atenção para a amiga.

— Vi meu namorado.

— Sério? Não me diga que vai me deixar plantada aqui para ficar com ele — brinca Marina.

— Claro que não, sua boba — responde Andressa. — Mesmo que quisesse, não posso. Ainda não nos assumimos publicamente.

— Que situação complicada… Espero que se resolvam logo.

— Eu também, mas enquanto estamos assim, não está nada mal. Nos amamos e acredito que o amor vence tudo.

— Isso é verdade — concorda Marina.

As duas continuam caminhando pelos corredores, até que Marina para bruscamente, fazendo Andressa esbarrar nela.

— O que houve? — pergunta Andressa, sem entender a reação da amiga.

Marina permanece paralisada, com seus olhos fixos à sua frente. Victor Ferraz está ali, observando-a com um olhar frio e calculado. Ele lança um olhar rápido para Andressa e depois volta a encarar Marina, balançando a cabeça em um gesto de desaprovação.

— Vamos sair daqui? — pede Andressa, mas é tarde demais. Victor começa a caminhar em direção a elas. — Danou-se… — murmura Andressa, vendo o inevitável encontro se aproximar.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Um chefe irritante e irresistível   300: O tempo é precioso

    — O que houve? — Amelie pergunta preocupada, vendo as expressões sérias nos rostos dos pais.Assim, Victor conta toda a verdade para a filha. Amelie escuta tudo, e faz perguntas também, sobre tudo que sempre teve dúvida. Quando terminam de falar, ela está com os olhos marejados.— Obrigada por não esconderem nada de mim — diz ela, com a voz embargada.Se despedindo dos pais, ela vai para o quarto. Naquela noite, Amelie não conseguiu dormir. Já não bastava a expectativa da viagem que faria para os Estados Unidos, agora sabia toda a verdade sobre a vida de seus pais e seus avós.No outro dia, num impulso, manda uma mensagem para Daniel. Não demora muito, o rapaz responde.“Posso te ligar?”Então, eles conversam por longas horas. Amelie conta a verdade, diz que nunca foram parentes e que não fizeram nada errado.[…]Faltava um dia para os filhos irem para os EUA estudar, então Marina e Victor decidiram passar o sábado com os filhos.— Querem jantar em algum lugar especial hoje à noite? —

  • Um chefe irritante e irresistível   299: Voltando para casa

    Já é noite quando o avião de Victor finalmente pousa. Ele havia enviado uma mensagem para a esposa, explicando que iria se atrasar um pouco e prometeu contar os motivos assim que chegasse em casa. A resposta dela, como sempre, foi simples e acolhedora: “Tudo bem, vou preparar o jantar para quando você chegar.”A atitude compreensiva dela tocou-o profundamente. Ela era única, diferente de qualquer outra pessoa que ele já conheceu. Sua paciência, empatia e capacidade de criar um lar caloroso o fazia amá-la ainda mais. Em um mundo cheio de incertezas, Marina era a certeza que ele sempre quis. Ele sabia que havia escolhido a mulher certa para construir uma família, e, mesmo depois de todos os anos, sentia-se imensamente grato por tê-la ao seu lado.Quando o carro estaciona na garagem, Victor desce dele. Antes de entrar em casa, percebe Amelie no jardim dos fundos, sentada na borda da piscina, brincando com os dedos na água.Ele se aproxima devagar, tira os sapatos e dobra a barra da calça

  • Um chefe irritante e irresistível   298: Entendo algo

    Sem entender de imediato o que a mãe acabara de dizer, Victor opta por permanecer calado, esperando que ela continuasse.— Eu menti para você e para o seu irmão — confessa Joana, com sua voz carregando um peso evidente. — Sempre fiz vocês acreditarem que eu e o seu pai nunca tivemos desentendimentos, mas essa não é a verdade. — Ela abaixa o olhar, pega uma pequena colher e começa a mexer seu chá, como se precisasse desse pequeno movimento para reunir coragem antes de continuar. — Depois que tive o Rodrigo, percebi que seu pai ficou mais distante, parecia cansado de estar conosco. Fiz de tudo para reanimá-lo, para que ele voltasse a se interessar por nossa vida em família… mas nada funcionava. Ele começou a mencionar o desejo de ter outro filho e, por um momento, vi uma faísca de animação nos olhos dele. Eu me entusiasmei também, e então começamos a tentar novamente.Victor ouve atentamente, seu olhar fixo encara a mãe, enquanto ela faz uma pausa, ainda mexendo o chá.— Mas com o passar

  • Um chefe irritante e irresistível   297: Conversas e revelações

    Uma garçonete se aproxima com o pedido, interrompendo a conversa. Joana, visivelmente surpresa, tenta disfarçar a expressão de espanto enquanto a moça arruma a mesa. Assim que a garçonete se afasta, ela se inclina para frente e pergunta com uma voz cheia de incredulidade:— Um filho?— Sim — responde Victor, com um tom mais sério. — O rapaz é alguns anos mais velho que os meus filhos. A Andressa escondeu isso de todos nós.— E como você descobriu isso? — Joana continua, visivelmente abalada.Victor solta um longo suspiro antes de responder:— Há um ano. Amelie chegou em casa dizendo estar apaixonada e contou que queria nos apresentar o namorado.O silêncio que se segue é denso. Joana percebe pela hesitação de Victor que o que ele está prestes a dizer será difícil de ouvir.— Fiquei receoso com a situação. Para mim, Amelie sempre será a minha menininha, mas reconheço que o tempo não para. Decidido a evitar que minha filha entrasse num relacionamento às escondidas, concordei que ela tro

  • Um chefe irritante e irresistível   296: Um reencontro

    O tempo foi correndo sem pressa. As semanas se transformaram em meses, e antes que percebesse, um ano inteiro já havia se passado.Todos pareciam ter seguido a sua rotina normal. Amelie e Arthur haviam terminado o ensino médio e estavam prestes a ingressar na faculdade. Arthur havia optado por Harvard, enquanto Amelie escolheu a Yale University. A decisão dela foi motivada pela abordagem flexível da Yale em seus programas de graduação, que permitiam aos alunos explorarem uma ampla gama de disciplinas antes de se comprometerem com uma área específica de estudo. Amelie fez isso porque, no fundo, se sentia confusa pelo caminho que deveria seguir.Victor e Marina também retomaram suas rotinas no escritório, ainda que sentissem os corações apertados diante da iminente partida dos filhos para o exterior, sabendo que só os veriam novamente nas férias.Mergulhado em seus papéis e planilhas, Victor tenta manter a mente ocupada. Porém, o toque insistente do telefone o tira do foco. Ele olha par

  • Um chefe irritante e irresistível   295: Sensatez

    Nada naquele momento podia consolar o coração de Amelie, enquanto ouvia a explicação da mãe sobre tudo o que aconteceu no passado. Cada nova revelação fazia com que ela sentisse mais tristeza e pesar.Já se passava da meia-noite quando Marina acompanhou a filha até o quarto, onde ela se deita na cama sem ter nem mais forças para chorar.— Por que isso foi acontecer comigo, mamãe? — pergunta Amelie, segurando o braço da mãe, que está sentada ao seu lado.— Às vezes a vida nos prega algumas peças que não conseguimos entender, filha — comenta Marina, passando a mão levemente pelos longos cabelos pretos da filha. — Sei que nesse momento tudo parece sem sentido, mas sei que com o tempo você voltará a ser feliz. Logo se apaixonará novamente.— De tantos homens no mundo, eu fui me apaixonar logo por ele — comenta sem acreditar no que havia acontecido.Logo, uma grande interrogação surge na cabeça de Marina, algo que a incomoda como um punhal em seu peito, a ponto de perturbá-la. Estava sem j

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status