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Capítulo 4

Auteur: Shirley
Quando acordei novamente, Silvana já tinha ido embora.

Um empregado, Leo, entrou com uma bandeja de comida e ficou paralisado de choque ao ver a cena sangrenta.

A bandeja escorregou de suas mãos, a porcelana se estilhaçando no chão. Eu estava deitada em uma poça do meu próprio sangue.

— Meu Deus... — Leo correu até mim. — O que aconteceu com você?

— Eu preciso ligar para o chefe.

Quando a ligação foi atendida, a voz impaciente de Darren veio do outro lado.

— O que foi? Estou ocupado.

— Chefe, a senhora... ela está sangrando muito. Acho que o estado dela é crítico...

— Sangue? — Darren zombou. — Scarlett é forte. Ela aguenta. Não deixe que ela te engane.

— Diga a ela que não vou deixá-la morrer, mas aquela criança não deve nascer antes da criança da Angelina.

— Se ela se comportar, talvez eu deixe o bastardo viver.

A ligação foi encerrada.

Leo ficou ali, atônito, incapaz de acreditar no que tinha acabado de ouvir.

Ele olhou para mim, à beira da morte, com a consciência e a lealdade em conflito.

Por fim, tomou uma decisão.

— Eu não posso simplesmente te deixar morrer aqui.

Ele se ajoelhou e me ergueu cuidadosamente em seus braços.

— Eu conheço um lugar que pode te ajudar.

Ele saiu correndo do cômodo comigo nos braços.

Um rastro de sangue gotejava pelo chão de mármore do corredor.

Minha consciência oscilava em seus braços, e eu só percebia os solavancos e a dor.

O carro atravessava as ruas da cidade à noite em alta velocidade.

Leo falava ao telefone o tempo todo, organizando algo.

— Sou eu... sim, uma emergência... mulher grávida, hemorragia grave...

Depois do que pareceu uma eternidade, o carro parou.

Leo continuava me tranquilizando.

— Aguente firme, estamos quase chegando.

Mas quando chegamos à clínica, o médico idoso, de barba, viu as marcas de agulha no meu braço, e seu rosto ficou pálido como a morte.

— Meu Deus... que tipo de obra diabólica é essa...

— Eu... eu não sei... O médico particular da família aplicou nela...

As mãos do médico começaram a tremer.

Ele se virou para mim, os olhos cheios de desespero.

— Não há antídoto para esse tipo de veneno.

— Você precisa ligar para o chefe, agora! — O médico da clínica clandestina agarrou o braço de Leo. — Essa toxina está atacando o sistema nervoso dela! Eu preciso de equipamentos profissionais!

— Ou ela vai morrer!

A mão de Leo tremia enquanto discava o número.

— Chefe, o médico diz que precisamos de equipamentos profissionais para salvar a senhora Scarlett...

— Equipamentos profissionais? — A voz de Darren estava carregada de desprezo. — Leo, você esqueceu para quem são todos os melhores recursos médicos da cidade? São para o verdadeiro herdeiro.

Para garantir a segurança de Angelina, Darren monopolizou quase todos os melhores recursos médicos de Nova York.

Todos os obstetras renomados haviam sido "convidados" para o hospital privado controlado pela família Falcone.

— Foram apenas algumas injeções. Ela vai ficar bem.

— Em alguns dias, depois que Angelina tiver dado à luz em segurança, podemos tratá-la. Não será tarde demais.

O telefone foi desligado abruptamente.

O médico idoso me olhou com desespero, os olhos cheios de impotência e pena.

— Eu conheço um lugar.

— Talvez... talvez haja um milagre.

Ele me pegou novamente e correu até o carro preto estacionado do lado de fora.

Eu me encolhi no banco de trás, sentindo a vida se esvair lentamente da parte inferior do meu corpo.

Os chutes do bebê na minha barriga ficaram mais fracos, como um protesto final.

— Aguente. — Leo sussurrou no meu ouvido. — Estamos indo para o Hospital St. Mary.

Era também onde Angelina estava esperando para dar à luz.

Quando o carro parou em frente ao hospital, vi uma cena de completo desespero.

Toda a ala de maternidade estava isolada, cheia de homens dos Falcone.

Uma longa fila de ambulâncias estava de prontidão, todas apenas para Angelina.

Leo me ajudou a cambalear em direção à emergência.

Uma enfermeira me viu coberta de sangue e recuou horrorizada.

— Meu Deus! O que aconteceu?

— Ela é a esposa de Darren Falcone. — Disse Leo com urgência. — Ela precisa de cirurgia imediatamente!

O rosto da enfermeira ficou pálido, e sua voz tremeu.

— Mas... são ordens do chefe. Todos os nossos recursos estão reservados para a senhorita Angelina.

Fui colocada em uma maca no corredor, estava ouvindo a conversa deles.

Os efeitos colaterais da droga me deixavam incapaz de falar, forçada a assistir enquanto discutiam minha vida e minha morte.

Através das janelas do chão ao teto da ala de maternidade, eu podia ver as luzes brilhantes lá dentro.

Darren estava lá, acompanhando Angelina com cuidado.

— Por favor... — Leo implorou. — Pelo menos nos deixe ver o chefe...

A enfermeira-chefe hesitou por um momento antes de pegar o telefone interno.
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