FAZER LOGINKENDRA HAYES
Sim, posso até ser solitária, mas há que admitir que a minha vida até que deu certo. Para a minha idade, estou um tanto realizada. Aos 26 anos tenho um grande cargo na empresa DELCOUR, Directora de projectos de uma das empresas de arquitectura e imobiliária mais renomadas de Seattle, é o sonho de muitas pessoas com o mínimo de ambição. Porquê? Isso pode ser totalmente por amor a carreira, mas de todo, garante uma vida privilegiada e muito luxo, bem, isso até ser despedida para que haja alguém melhor no seu lugar, o consolo é que dá para garantir uma boa reforma se for um bom gerente. Caminho pelo longo piso do hall de entrada de DELCOUR, um edifício de 20 andares que alberga diversos escritórios para responder a necessidade de todos os trabalhadores. Todo preto e com acessórios prateados na parte externa, se mostrando assim uma linda obra de arte inclusive com o seu interior igualmente luxuoso. Oiço os meus saltos batendo contra o chão e a cada passo me perco um pouco mais em meus próprios pensamentos, foi uma manhã um pouco estranha e não tenho tanta certeza se aquilo devia ter acontecido, não é de meu feitio. Eu prefiro e torço para jamais cruzar meu caminho com o de aquele homem, cujo o nome é Lewis, não saberia como lidar. Uma vozinha no meu subconsciente contraria essas afirmações com gritinhos, porque o homem é mesmo uma tentação. Entro no elevador espelhado, quando as portas se fecham após eu colocar décimo nono andar, encaro meu reflexo e me foco em ajustar qualquer irregularidade no meu traje e cabelo, que para reuniões opto por dividi-lo na parte frontal exatamente pelo meio e prender, realça a minha expressão de seriedade e todo mundo sabe que as mulheres são por vezes mais respeitadas pela forma como se vestem e a postura. As portas do elevador se abrem e mal saio, Jane, minha secretária, vem até mim com um triplo mocha latte com canela. Em algum momento da vida me tornei dependente e desta então não me sinto como um ser humano normal se não tomar a minha dose básica de leite e café, ainda mais pela manhã. — Obrigada. – Agradeço me dirigindo ao meu escritório, tenho pelo menos trinta minutos antes da reunião, tempo mais do que suficiente para me preparar para lidar com o novo acionista e CEO. Odeio mudanças, ainda mais quando o chefe é que muda, os riscos são maiores pois ele se foca em adaptar as coisas para o seu próprio estilo. Faltando 5 minutos para a reunião, Jane b**e a porta e me informa que o novo acionista já se encontra na empresa, então pego meu material e me dirijo ao andar acima do meu. Como em todo o prédio o chão é feito de mármore preto e é brilhante, paredes brancas com alguns detalhes adornados de cor prata e em partes estratégicas, este andar contém apenas um escritório espaçoso e deslumbrante e uma sala de reuniões. Ao adentrar na sala, a imensa mesa está preenchida pelos funcionários de alto cargo, saúdo a todos e me sento no lugar de sempre, restando apenas dois lugares para serem ocupados, o novo CEO, basicamente o dono da empresa uma vez que este possui a maior parte das acções, e talvez outra pessoa. Burburinhos se escutam entre os presentes e eu estou igualmente trocando palavras, quando as portas se abrem e eu, tal como todos os outros nos viramos. — Bom dia meus Senhores — uma voz grave e que ao mesmo tempo soa dócil se faz sentir na sala repentinamente silenciosa. Eu franzo a testa familiarizada com o tom e quando encaro a entidade que a emitiu, não reprimo o choque. Ele está acompanhado por uma mulher vestida elegantemente num conjunto vermelho chamativo, com detalhes brilhantes, os acessórios que a adornam são igualmente chamativos e dão realce ao seu rosto esculpido para a perfeição e ao tom de pele, levemente bronzeado, tal como de Lewis. Será coincidência? Quando ele se senta na ponta da mesa, de costas para uma imensa vista, e a mulher no seu lado esquerdo, nossos olhares se chocam inevitavelmente quando ele avalia rapidamente todos os rostos presentes, ele volta seu olhar para mim, surpresa expressa no seu rosto, entretanto a máscara demonstrando apenas um olhar sério e profissional. Ótimo! Agora tenho mesmo de saber como lidar com ele. E olha que isso parece alguma brincadeira para me sacanear, o universo está usando as palavras do meu subconsciente para me castigar. Como engolir que quando eu me deixei levar pelas emoções do momento e transei com um homem totalmente desconhecido, acabei descobrindo que ele é meu novo chefe? A reunião prossegue e em alguns momentos nossos olhares se cruzam, mas foco em manter a postura e a calma. Sim, algo em mim sonhou em encontrar ele novamente por aí, mas isso acontecer no meu ambiente de trabalho e como meu chefe é o cúmulo. Quando a reunião, que durou cerca de duas horas, chega ao fim, não reprimo a indignação e bufo enquanto arrumo a minha pasta. — Srta. Hayes — Ele me chama e levanto o olhar. Vestido formalmente, um terno preto sob medida, entretanto sem gravata, mas isso o fazia exalar charme e autoconfiança. Seu olhar se desvia para a mulher que agora sei se chamar Margot Collins — Directora dos serviços de design de interiores, um novo catálogo da empresa. — E acena, ela acaba por nos lançar um olhar perfurante e se retira. — Sr. Luttrell — faço uma careta meio desgostosa — Meu chefe, uau. Ele sorri envergonhado, embora ache que isso não vai de acordo com a postura. — Nunca supus essa possibilidade — fala — que pudéssemos nos reencontrar no nosso local de trabalho, preferia que fosse em outras circunstâncias. Não reprimo a surpresa por suas palavras. Então quer dizer que ele quis que tivéssemos outra interação, mas em outro local? Ok, já prevejo problemas. — Eu preferia que nada acontecesse — Recupero a postura e fico séria, preciso esclarecer limites — Há encontros que devem ser apenas uma vez na vida, coisas que devem acontecer e ser esquecidas. Lewis franze a testa e sinto seu corpo enrijecer, mas mantenho minhas palavras firmes: — Se eu pudesse ter evitado o que aconteceu entre nós, o faria. Agradecia que o senhor enterrasse esse incidente e mantivéssemos as coisas extremamente profissionais. Concluo na defensiva e me retiro da sala sem esperar uma resposta. Assim que estou no elevador sozinha, me permito respirar. Ele devia ser o primeiro a ignorar esse assunto, pois é o meu chefe. De qualquer forma, eu não quero distracções no meu trabalho, é uma das coisas mais valiosas que tenho, me faz esperar algo do dia e me mantém viva. Respiro fundo meio irritada e ao sair do elevador, Jane da sua mesa de secretaria percebe a minha aura e se mantém em silêncio, então em passos apressados entro no escritório, jogo a pasta na mesa e pego o celular logo me permitindo desabar no sofá do canto. — Onde você está? — Pergunto assim que ela atende. — Olá para você também. Estou bem, obrigada pela preocupação — responde irónica e continua — Estou em casa e sozinha, pode vir. — Tem vinho aí? — Tem sim. O que se passa? — seu tom rapidamente soa preocupado e até me sinto culpada por isso. — É só um péssimo dia, mas estou bem. — Garanto e quase rio da minha afirmação, ainda são dez da manhã, como é possível tudo já estar errado? — Te vejo logo. Me despeço e pego meus pertences para sair. É sábado, viemos apenas para a reunião que estava a dias sendo adiada, e hoje é um bom dia para passar com a minha garota e um pouco de vinho, porque afinal de contas não sou tão solitária como disse.KENDRA HAYES Um ano depois… — Oh meu Deus — eu ri. — Você não fez. Meu marido olhou para mim com aquele sorriso arrogante enquanto estávamos diante do chalé. — Eu fiz. — Uau — eu olhei em volta, apreciandi o lugar pela primeira vez. — O lago parece muito bom. Lewis me abraçou por trás. — Ouvi dizer que é bom para nadar à meia-noite. — Oh? O que mais você ouviu? — Que se você tiver muita sorte, a garota dos seus sonhos vai se apaixonar por você aqui. — Isso parece improvável. — É, não é? — Ele colocou um beijo no topo da minha cabeça. — Mas, às vezes, os sonhos se tornam realidade. — Ainda não consigo acreditar que você está me surpreendendo assim. — Você deveria me conhecer bem o suficiente agora. Eu gosto de mimar você. E, ainda mais do que isso, gosto de levar você embora. Daí a grande escapada de fim de semana. Fazia seis
KENDRA HAYESTrês meses depois… — Onde estamos indo? — Olhei pela janela do jato particular dos pais de Lewis. O que era uma loucura, eu jamais me acostumaria. — Você vai ver — disse meu namorado com um sorriso maroto.Nos quase cinco meses em que estivemos juntos – cerca de seis meses, quando você incluiu nosso período de não-estamos-juntos amigos-com-benefícios – essa pode ser a coisa mais maluca que Lewis já fez por mim. Perdendo apenas para se apaixonar por mim.Por muito tempo, acreditei que o amor não era algo para o qual eu tinha tempo, algo que valia a pena abrir espaço em minha vida. Eu costumava pensar que a maioria dos homens não iria querer uma mulher voltada para a carreira, uma mulher focada em si mesma e que não colocasse um relacionamento em primeiro lugar. E talvez eu estivesse certa sobre a maioria dos homens, mas também encontrei um homem que provou que eu estava errada.Lewis tinha quebrado tudo i
KENDRA HAYES O sábado amanheceu cinza, com aquele tipo de vento que parece querer arrancar a pele do mundo. As árvores se curvavam como se estivessem tentando se esconder, e as nuvens se arrastavam pesadas, como se carregassem segredos antigos. Acordei antes do despertador, com a sensação incômoda de que havia algo me chamando para fora de mim. Não era um pensamento claro. Era um impulso. Um nó no peito que não se desfazia com café ou com banho quente. Talvez fosse culpa. Talvez fosse coragem. Ou talvez só fosse a necessidade de entender e encerrar o outro lado da minha vida — aquele que eu vinha evitando há anos, como quem contorna uma ferida para não sentir a dor. Peguei o carro. Não avisei a ninguém, nem mesmo a Lewis. Apenas dirigi. A cidade onde meu pai mora fica a algumas horas. Tempo suficiente para meus pensamentos me afogarem e ressuscitarem, como sempre fazem. A estrada parecia mais longa do que o habitual, talvez porque eu sabia que não havia retorno emocional depoi
KENDRA HAYES ‘I want your midnights, but I’ll be cleaning up bottles with you on New Year’s Day…’ Os alto-falantes da casa de Lewis – que em breve seria nossa casa, se eu conseguisse – tocavam enquanto balançávamos na cozinha às nove da manhã do dia 1º de janeiro. Era uma espécie de paz tranquila; um que eu não tinha certeza se realmente gostava antes de ele entrar na minha vida. Eu queria isso – ele, todas as suas madrugadas e todo o tempo intermediário. — Então, meu amor, o que você acha? — Lewis me perguntou, balançando-me em outro círculo. — Sobre o que? — Eu perguntei, olhando para ele. — Sobre nosso próximo ano juntos. — Ele mostrou os dentes em um sorriso deslumbrante. — Hm, estou pensando nisso. — Vou ter quantos você me der. Deitei minha cabeça em seu ombro. — Eu me sinto gananciosa. — Por que? — Porque eu quero todos eles. Ele beijou o topo da minha cabeça. — Eu acho que isso pode ser arranjado, K. — Bom. — Eu me aconcheguei em seus braços. — Esper
LEWIS LUTTRELL — 5, 4, 3, 2, 1… Feliz Ano Novo! — A sala explodiu em um grito barulhento enquanto todos comemoravam e trocavam abraços com seus entes queridos. Puxei Kendra para mais perto e a beijei profundamente.— Feliz Ano Novo, meu amor.Seus olhos castanhos, cheios e brilhantes, olharam para mim enquanto ela sorria.— Feliz Ano Novo,Lewis.Peguei duas taças de champanhe de um garçom e entreguei uma a ela antes de bater nossas taças.— Por muitos mais anos juntos.— Todos eles, eu espero — ela sorriu. — Agora, vamos, vamos encontrar nossos amigos.O resto de nossa equipe havia saído para o pátio do hotel que escolhemos para passar o Ano Novo – estava gelado e frio, mas era uma noite linda. Coloquei meu paletó sobre os ombros de Kendra, para que não tivéssemos que procurar seu xale, e a conduzi para fora.Norsha e Jane estavam sentadas em um sofá próximo conversando com Ryan e Daniel.— Ei, turma — disse Kendra com um sorriso, sentando-se no meio das duas mulheres, deix
LEWIS LUTTRELLAcontece que segurar a mão de Kendra enquanto caminhávamos pela cidade, bebericando o melhor chocolate quente enquanto brisa fria vinha de alguma direcção pode ter sido minha atividade de Natal favorita de todas. Perambulamos um pouco pelo mercado, juntando mais sacolas, a maioria das quais eu insistia em carregar.Ela estava usando um dos gorros da minha irmã que tinha um grande pompom no topo, envolto em um casaco grosso de lã e cachecol. Ela também pegou emprestado um par de luvas da minha mãe – algo que eu nunca pensei que veria.— Você está tão fofa. — Eu disse, olhando para ela. Eu estava sempre olhando para ela.— Sim, estou — ela sorriu.— E humilde também.Ela passou os braços em volta do meu pescoço.— Eu também acho você fofo. E muito bonitinho. Bonito. — Ela enterrou o rosto no meu pescoço para poder sussurrar em meu ouvido: — E muito bom com o seu…— Kendra! — Não pude deixar de rir enquanto a puxava de mim. — Estamos em público.— O que? — Ela deu







