FAZER LOGINComeçava a escurecer quando John e Lucy deixaram a casa e entraram no carro. No caminho, Lucy ligou para Jessi, que já estava em seu apartamento. Animada com o convite, a amiga correu para o quarto para se arrumar.— Ah, Jessi, um amigo de John também vai jantar conosco — avisou Lucy.— Então preciso caprichar! Se ele for bonito como o capitão...Lucy riu e olhou para John. A ligação estava no viva-voz, e ele também ouviu o comentário, soltando uma risada.— Vamos, deixe de ser assanhada! É apenas um jantar — brincou Lucy.— Nunca se sabe. Pode ser o amor da minha vida! — respondeu Jessi, rindo.Depois de combinarem que passariam para buscá-la, Lucy desligou. Seguiram até o hotel onde David estava hospedado e pararam para que ele entrasse no carro.Quando David se aproximou, Lucy abriu a porta e saiu.— Pode ir na frente. Vou sentar atrás para fazer companhia à Jessi.— Não precisa, Lucy. Posso ir atrás — respondeu David.— Eu prefiro. Assim vocês dois vão na frente, e eu fico com ela
Carl continuou olhando para a tela, tomado por uma sensação estranha.Era a ligação que o fizera abandonar Lucy no dia do aniversário dela.Recostou-se lentamente na cadeira, sem desviar os olhos do computador. Pela primeira vez, estava vendo com os próprios olhos o que Olivia havia feito naquela noite.Ela não havia sido assaltada. Havia preparado tudo.Carl voltou o vídeo e assistiu novamente, sem conseguir acreditar no que estava vendo. Não por Olivia, mas por ele mesmo, por ter sido enganado com tanta facilidade. Nunca acreditara que Olivia fosse uma santa, mas não esperava que ela fosse capaz de chegar tão longe.Quando viu as fotografias nas redes sociais e descobriu que Olivia havia pegado o projeto de Lucy e o inscrito naquele concurso, já não conseguia olhar para ela da mesma maneira. Ainda assim, relevou, tentando convencer a si mesmo de que ela era apenas jovem e impulsiva. Às vezes, chegou a encarar aquelas atitudes como ciúmes de Lucy.Olivia se sentia inferior porque Luc
Os dois terminaram de tomar o chá. John observou Lucy por alguns instantes e então perguntou:— Por que você não descansa um pouco?Lucy olhou ao redor, ainda emocionada por estar novamente naquela casa.— Acho que vou fazer isso.Ela deixou a xícara sobre a mesa e subiu as escadas. John a acompanhou com o olhar e, pouco depois, foi até o andar de cima. Encontrou Lucy no quarto da mãe, deitada na cama. Permaneceu à porta por um instante, observando-a, e então a encostou cuidadosamente, deixando-a descansar.Depois, desceu, pegou o celular e começou a fazer algumas ligações.Enquanto isso, Carl deixava o hospital. Assim que entrou no carro, ligou para Theo.— Como estão as coisas na empresa?— Tudo resolvido, senhor. Os curiosos já foram embora, não há mais ninguém por aqui. Está tudo tranquilo.— Ótimo. Prepare toda a documentação referente ao senhor Okamoto. Quero que tudo o que lhe é devido seja calculado e providenciado. Ninguém vai apresentar denúncia contra ele.— Está bem, senho
Carl, observava a distância.Por alguns instantes, Lucy permaneceu nos braços daquele homem. Ele se abaixou um pouco e lhe disse alguma coisa. Então, ela secou as lágrimas, e os dois caminharam juntos para outro corredor, seguidos por Jessi.Carl não fazia ideia de quem se tratava. Enquanto olhava para o vazio, algo lhe ocorreu. Tirou o celular do bolso e fez uma ligação. O telefone demorou um pouco para ser atendido.— Carl? O que está acontecendo? Samuel me deu a notícia. É Lucy que apareceu? — Perguntou Richard.— Exatamente — respondeu Carl. — Você tinha dito que a viu numa festa. Quem é o homem que estava com ela?— Eu não vi ninguém com ela. Mas a vi na festa e certamente estava acompanhada, porque se tratava de uma cerimônia de condecoração de militares.— É um homem loiro, mais ou menos da nossa idade, alto.— Alto e loiro? Há alguns. Um dos que foram condecorados é capitão. John Carter.— John Carter... — Carl baixou a cabeça, repetindo o nome. — Certo. Você o conhece?
Carl olhou para Lucy, sentindo um aperto no peito. Estava com raiva, achando que ela o havia abandonado, mas Lucy ficara gravemente ferida. E ela tinha razão: tudo aquilo era, sim, culpa dele, direta e indiretamente.— Ele... — Carl hesitou. — Ele mexeu no meu carro naquele dia. Queria me dar um susto, não pretendia prejudicar você. Eu sinto muito.Carl tentou se aproximar, mas Lucy recuou.— Por que ele faria isso? Era um dos nossos primeiros funcionários, um bom funcionário. Nunca deu qualquer problema.— Ele foi demitido sem justa causa. Quer dizer, com justa causa, mas não existia motivo para isso. É complicado. Eu soube há pouco tempo.— Você está dizendo que cometeu uma injustiça com ele a ponto de querer se vingar de você, Carl? O que você fez? — Lucy estava estarrecida, confusa.— Eu... Bem, eu não fiz nada. A esposa dele ficou doente, a empresa não concedeu os adiantamentos que ele pediu. Depois, ela morreu, ele faltou ao trabalho, perdeu o chão, perdeu a casa onde morava e a
Ela ergueu os olhos para a amiga.— Não estou falando de voltar à sua antiga vida — esclareceu Jessi. — Estou falando de assumir novamente sua identidade. Porque você tem a opção de manter seu nome artístico e continuar como Iris. Já havia providenciado aqueles documentos antes.— Eu sei. Ainda não pensei nisso.Jessi a observou por alguns segundos.— Então você está mais preocupada em não magoar Carl ou John?— John — respondeu Lucy imediatamente.— Você não se preocupa com Carl?Lucy demorou um pouco a responder.— Fiquei com pena dele quando olhou para mim. Sei que deve ter sofrido muito acreditando que eu estava morta. Mas não sei se sofreu porque realmente me amava ou se foi apenas pelo remorso do que aconteceu comigo.Ela fez uma pausa, pensativa.— Parece que, depois que as pessoas morrem, elas ficam boas, não é? Tornam-se santas. E eu não quero ser santa, Jessi. Quero apenas ser eu. Quero que me escolham mesmo quando tenho meus problemas.Jessi permaneceu em silêncio, ouvindo-







