FAZER LOGINCapítulo 6
Ísis ainda tremia quando os seguranças arrastaram a mulher para fora da mansão. Os gritos dela ecoaram pelo corredor: — Vocês vão pagar por isso! Leon vai me procurar! Vocês vão se arrepender! Só quando a porta bateu com força o silêncio voltou a cair sobre a casa. *** Na Corporation Whitmore, Caio acompanhava tudo pelas câmeras. Quando viu Ísis empunhando o ferro da lareira com determinação, passou a mão pela barba e deixou escapar um meio-sorriso. — Corajosa... — murmurou. — Ou completamente maluca. Balançou a cabeça, divertido. — Ainda bem que os seguranças chegaram a tempo. *** Ísis voltou para a sala com as pernas fracas. Respirou fundo, guardou o ferro da lareira no lugar e caminhou até Leon. Seus olhos foram imediatamente sobre a marca vermelha que manchava os lábios dele. Uma pontada de indignação subiu pelo peito. — Aquela mulher não tinha o direito... — sussurrou. Pegou um lenço limpo, umedeceu com um pouco de água e ajoelhou diante dele. — Vou tirar isso. Com toda a delicadeza, começou a limpar os lábios dele. Estava muito perto. Seu olhar ficou preso por um instante na curva daqueles lábios agora limpos, e, sem que conseguisse impedir, imaginou como seria vê-los sorrindo de verdade. O pensamento a fez prender a respiração. Rapidamente desviou os olhos, terminou de limpar o rosto dele e recuou um passo. Levou a mão à testa, sentindo o calor subir pelas bochechas. — Meu Deus... — soltou uma risada nervosa. — O que está acontecendo comigo? Naquele momento, Rosie entrou na sala. — Vi a confusão lá fora. Está tudo bem? Ísis apenas assentiu, ainda estava abalada. Rosie se aproximou de Leon, verificou se ele estava confortável e sorriu com suavidade. — Ainda bem que você estava aqui. Ísis ficou em silêncio por alguns segundos antes de perguntar, quase contra a vontade: — Aquela mulher... era mesmo namorada dele? Rosie demorou um instante para responder, olhando para Leon com uma expressão indecifrável. — Foi. Mas aquele relacionamento nunca me pareceu fazer bem ao senhor Leon. Ísis respirou discretamente, sentindo um alívio inexplicável com a resposta. Rosie percebeu e sorriu de canto. — Você está começando a gostar dele, não está? Ísis arregalou os olhos. — O quê? Claro que não! Rosie riu baixinho. — Está bem... Ísis desviou o olhar, mas acabou voltando a olhar para Leon. O peito apertou de novo, mais forte. — Acho que preciso de um pouco de ar. Saiu da sala antes que Rosie pudesse dizer mais alguma coisa. O jardim estava silencioso, banhado pela luz suave da tarde. A brisa fria ajudou a acalmar seus pensamentos acelerados. Ísis sentou em um banco sob uma árvore antiga e fechou os olhos. Conhecia Leon há pouco mais de um dia. Ele não se mexia, nem podia dizer nada. Mesmo assim, algo dentro dela queria protegê-lo. Queria vê-lo despertar. Queria conhecer o homem que existia por trás daquele silêncio. Abriu os olhos e sorriu de si mesma, balançando a cabeça. — Você enlouqueceu, Ísis... Passou a mão pelos cabelos, entre divertida e constrangida. — Está com ciúmes de um homem que nem sabe que você existe. Levantou-se do banco, respirou fundo e tentou se recompor. — Preciso de foco... E, principalmente, parar de pensar nesses olhos verdes. Mas, enquanto caminhava de volta para dentro da mansão, percebeu que era tarde demais. Pois, Leon Whitmore ocupava seus pensamentos muito mais do que deveria. Rosie apareceu no corredor com uma bandeja nas mãos, trazendo chá e biscoitos. — Está brigando com os próprios pensamentos outra vez? — perguntou com um sorriso de canto, colocando a bandeja sobre a mesinha ao lado do sofá. — Eu? Imagina… só tô… processando as coisas — disfarçou, mas seu tom nervoso a entregava. — Sei — Rosie arqueou a sobrancelha. — E "as coisas" têm nome? Ísis cruzou os braços, olhando para a imensa vidraça da janela que dava para o jardim. — Bom... Tem um rosto lindo e me tira o juízo sem nem abrir os olhos direito. Rosie soltou uma risada baixa. — Menina, você tá mesmo enfeitiçada. Tá parecendo aquelas histórias que a minha avó contava. Só falta o príncipe acordar com um beijo. Ísis mordeu o lábio inferior, tentando conter o sorriso involuntário. — E se ele acordar… e for um idiota? — Aí você dá meia-volta e parte pra outro. Mas… e se ele for tudo o que você sonhou? Essa pergunta ecoou dentro dela. Ísis encarou a janela novamente. — Na verdade, o que me assusta é exatamente o que aquela maluca disse... Ele acordar e correr atrás dela como um cachorrinho. — Existe essa possibilidade — respondeu Rosie, sem rodeios. O coração de Ísis afundou como pedra em um lago. Era duro ouvir aquilo em voz alta, ainda mais porque, no fundo, ela sabia que era verdade. Mais tarde, Ísis empurrava a cadeira de rodas, com Leon até o jardim. Parou perto da piscina, em um ponto de meia-sombra. Ela olhou a água cristalina e sentiu uma vontade súbita de mergulhar. — Você se importa se eu entrar? — perguntou, sem esperar resposta. Sentou-se numa espreguiçadeira próxima e olhou ao redor. O lugar era bonito, silencioso, quase mágico naquela hora do dia. — É... melhor não. — murmurou, sorrindo para si mesma. — Não estou com os trajes adequados. Quem sabe amanhã, se o tempo melhorar. Deitou-se devagar, aproveitando o calor suave do sol e fechou os olhos por um instante, respirando fundo. Mas, de repente, sentiu uma sombra cobrir seu rosto, como se o sol tivesse sumido. Franziu a testa, ainda de olhos fechados. — Uai... cadê o sol? Antes que pudesse se mexer, alguém sentou-se ao seu lado. O peso na espreguiçadeira e a presença próxima a fizeram abrir os olhos, sobressaltada. Era ele. Leon. Olhando direto para ela. — Leon? — sussurrou, surpresa. — Xiii... — ele fez um gesto com o dedo nos lábios, e sem dizer mais nada, se inclinou devagar. O beijo veio de forma inesperada.Capítulo 161 O jato particular da família Whitmore pousou em um pequeno aeroporto próximo à aldeia. Ísis desceu as escadas da aeronave com Leon segurando sua mão. Julian e Hanna caminhavam logo atrás, curiosos e um pouco tímidos. Liam e Emma dormiam nos braços de Sofia e Rose. Ísis respirou fundo. O ar quente do deserto trouxe memórias que não eram mais fragmentos. Ela sorriu. — Aqui... eu nasci de novo. Leon apertou sua mão. — Vamos agradecer quem cuidou de você. *** A aldeia recebeu o pequeno grupo com surpresa e alegria. As pessoas começaram a se aproximar. A curandeira foi uma das primeiras. A idosa caminhou devagar até Ísis, seus olhos brilhavam de emoção. Ísis a abraçou com carinho. A curandeira acariciou seus cabelos, como fazia quando ela era apenas uma mulher sem nome. Falou algo em árabe. Ísis compreendeu cada palavra. — Você voltou... minha filha. As lágrimas desceram pelos rostos das duas. Amina apareceu correndo. Parou a alguns metros deles e arregalou os o
Capítulo 160 Assim que amanheceu, Julian abriu os olhos devagar. Ainda estava um pouco sonolento e esfregou os olhos. Virou para o lado e congelou. A mãe estava na frente dele, dormindo. A mão dela permanecia entrelaçada à do pai por cima dele e de Hanna. Julian arregalou os olhos. - Mamãe... — sua voz saiu num sussurro. Ísis abriu lentamente os olhos, demorou alguns segundos para entender onde estava. Então encontrou o rostinho do filho bem diante do seu e sorriu. - Bom dia... Julian não disse nada, se atirou sobre ela. Que o abraçou com força. - Meu menino... — disse entre as lágrimas. O movimento acordou Hanna, que olhou para o pai e depois se virou e viu a mãe. - Mamãe? Ísis abriu um dos braços, olhando para sua filha com carinho. - Vem cá, meu amor. Hanna também se jogou nos braços dela. Leon observava em silêncio o reencontro deles. Seu coração parecia pequeno demais para tanta felicidade. Hanna levantou o rostinho. - Você voltou? Ísis acariciou seus cabelos. -
Capítulo 159 - Arthur, apenas dirija. Sem pressa - Leon disse ao motorista. - Sim, senhor. Em seguida, acionou o botão que fechava completamente o vidro de privacidade entre eles. Ísis piscou algumas vezes e depois olhou para Leon. - Não me olhe assim, amor. Está tudo bem - O sorriso dele era tranquilo. Ele passou um braço por sua cintura, puxando para mais perto e a acomodou sentada em seu colo. Ela arregalou os olhos e colocou as mãos sobre os ombros dele para manter o equilíbrio. - O que está fazendo? - perguntou, um pouco preocupada. Ele sorriu com ternura. - Aproveitando o fato de que minha esposa finalmente voltou para mim. - Eu ainda não consigo lembrar direito... - Eu sei. Os olhos dele passearam delicadamente pelo rosto dela. Com muito cuidado, afastou uma mecha de cabelo que caía sobre sua testa. - Só vou fazer aquilo que você permitir. Ela relaxou os ombros. Passou as mãos pelo peito dele sentindo o coração ainda acelerado. - Continua acelerado. - Culpa sua
Capítulo 158 Enquanto isso, na cozinha da Mansão Whitmore. — Molly! Uma das cozinheiras se ajoelhou ao lado dela. — Tragam água! Arthur ligou novamente e alguém atendeu. — O que aconteceu? Ela está bem? — Senhor Arthur? — Sim! — Ela desmaiou. — Chamem um médico imediatamente! — Já chamamos. — Me Avise quando ela acordar. Momentos após o susto, Molly abriu lentamente os olhos. Piscou algumas vezes olhando para o teto. Ela sentou tão depressa que assustou todos ao redor. — O telefone! A cozinheira entregou o aparelho e ela ligou para o marido. — Molly! Ela nem o deixou terminar de falar. — Você mentiu para mim? — Não. — Jura por Deus? Arthur enxugou discretamente uma lágrima. — Pela minha vida. Ela está viva. Molly colocou a mão na boca. E começou a chorar alto, um choro que parecia vir de dentro da alma. — Meu Deus... Meu Deus... Ela está viva... Arthur respirou fundo. — Ela está sentada à mesa com o patrão neste momento num restaurante. Molly fechou os olho
Capítulo 157Leon permaneceu alguns segundos em silêncio, admirando o rosto de Ísis. Ergueu levemente o queixo dela com a ponta dos dedos.— Quer sair daqui?Ela sustentou seu olhar por alguns instantes e depois assentiu.— Quero.Ele sorriu. Sem soltar sua mão, eles desceram.Richard os viu e percebeu o que o chefe pretendia fazer.Quando o viu andar em direção à saída, se aproximou de Wilson.— Pode ir atrás deles. Eu volto de táxi.Wilson apenas concordou com um movimento de cabeça e caminhou alguns metros atrás do casal, mantendo a distância de sempre.Do lado de fora, a longa limusine os aguardava.O motorista abriu a porta e franziu a testa ao ver a mulher.Leon ajudou Ísis a entrar e, em seguida, se acomodou ao lado dela. A cidade começou a passar lentamente pelas janelas escuras do veículo.Nenhum dos dois falou durante alguns minutos. Leon apenas a observava. Como se tivesse medo de que ela desaparecesse outra vez. Muito devagar, abriu um dos braços.Ísis entendeu o convite e
Capítulo 156Ísis congelou. Seu coração, que já batia descompassado, pareceu parar por um segundo.— O... o que disse?Leon continuava olhando para ela. Haviam lágrimas contidas em seus próprios olhos.— Repete — a voz dela saiu quase num sussurro.Leon sentiu o peito apertar.— Pequena sereia.Ela colocou a mão na cabeça e cambaleou. Ele a segurou e no instante em que seus corpos se tocaram, ela fechou os olhos. As lágrimas começaram a descer.— Eu conheço você... — disse num tom trêmulo.Leon fechou os olhos por um segundo.— Sim... — sua voz falhou devido a grande emoção.Na entrada, Richard observava a cena em absoluto silêncio junto com Wilson. Do outro lado, Nikos chegou acompanhado de Clara e Anastácia.Leon acariciou delicadamente o rosto dela com o polegar. Como havia feito tantas vezes antes de perdê-la.— Olhe para mim.Ela assim o fez. Os olhos dele estavam vermelhos.— Você não sabe quem eu sou...Ela negou lentamente.— Não.Passou a mão sobre a dele em seu rosto.— Mas,







