FAZER LOGINCapítulo 5
Caio tomou um gole de café, respirou fundo e olhou para o irmão. — Ela conversa com você como se esperasse uma resposta. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios. — Faz muito tempo que ninguém faz isso. Fez uma pausa, observando o rosto imóvel de Leon. — Espero que ela continue. Acho que... está fazendo bem para você. Levantou, vestiu o paletó e ajeitou a gola. — Vou trabalhar. Volto mais tarde. — Deu dois tapinhas leves no braço do irmão. — Tenta não dar trabalho para a Ísis, está bem? Saiu da sala com o peso de sempre nos ombros. *** No corredor, Rosie caminhava em direção ao quarto quando a voz de Caio atravessou a porta entreaberta. — Ela é muito linda... Seus passos vacilaram. Ficou imóvel por um segundo, sentindo o peito apertar com força. Em dois anos trabalhando naquela casa, nunca o ouviu comentar sobre a aparência de ninguém. Nunca. Mas bastaram poucas horas para que Ísis despertasse algo que ela jamais conseguiu. Rosie abaixou a cabeça, respirou fundo e continuou andando, engolindo o gosto amargo que subia pela garganta. *** Ísis entrou na sala carregando uma tigela com água morna e uma toalha branca macia. Sorriu ao ver Leon exatamente onde Caio o havia deixado. — Bom... hora de cuidar desse rosto bonito. Molhou a toalha e começou a passar com delicadeza pela testa dele, depois pelas bochechas e pelo pescoço. — Aposto que você era daqueles que implicavam quando a barba começava a crescer — murmurou, sorrindo sozinha. Passou a toalha pelo maxilar forte. — Ou talvez gostasse dela assim... Seja como for, continua bonito. Torceu a toalha novamente e terminou a higiene com o mesmo cuidado. Depois ajeitou a manta sobre as pernas dele. — Pronto. Agora está bem melhor. Ficou observando por alguns segundos, satisfeita, e pegou a tigela para sair. *** Pouco antes do almoço, no escritório, Caio olhou para o monitor. Como de costume, olhou rápido para as imagens das câmeras e congelou. Uma mulher caminhava pelos corredores da mansão como se fosse dona do lugar. Sem hesitação, pois conhecia cada cômodo. A xícara escapou de sua mão. O café quente espalhou pelo chão. — Não... Ele pegou o telefone e discou para casa. — Atendam! Ninguém respondia. — Atendam, droga! Na tela, a mulher parou diante da sala onde Leon estava. Empurrou a porta e entrou. — Não... *** Ísis voltava da cozinha quando viu uma desconhecida dentro da sala. — Com licença... Parou ao vê-la ao lado de Leon. A mulher acariciava o rosto dele com familiaridade. Ísis franziu a testa. — Posso ajudar? A desconhecida nem respondeu. Segurou o rosto de Leon com as mãos, se aproximou lentamente e o beijou. Um beijo demorado e possessivo. Quando se afastou, uma marca intensa de batom vermelho ficou estampada nos lábios dele. Ísis ficou sem ar. O estômago embrulhou. Só depois da surpresa veio a raiva. — Ei! Afaste-se dele! A mulher virou lentamente e sorriu, como se a situação a divertisse. Ísis olhou ao redor. Seus olhos encontraram o ferro da lareira. Pegou sem pensar, apertando o cabo com as duas mãos. — Eu falei para sair de perto dele. *** Alguém atendeu a ligação e Caio gritou no telefone: — Vão para a sala! Tem uma invasora na mansão! *** A mulher abriu calmamente a bolsa, pegou o batom e, sem desviar os olhos de Ísis, retocou os lábios diante do pequeno espelho. — Sou a mulher do Leon — disse por fim, a voz baixa e controlada. — O Caio pode tentar me afastar o quanto quiser. — Sorriu com uma arrogância fria. — Mas Leon sempre volta para mim. Ísis respirava rápido, as mãos tremiam ao lado do corpo. Estava tão tensa que começou a atropelar as palavras em inglês. — Get away from him. A mulher arqueou uma sobrancelha. Ísis deu um passo à frente. — Agora. Naquele instante, dois seguranças invadiram a sala e seguraram a mulher pelos braços. Ela não resistiu. Apenas virou o rosto para Leon uma última vez e sorriu. — Você pode tirar meu corpo daqui... — Fez uma pequena pausa, os olhos brilhando. — ...mas ele nunca vai me esquecer. Ísis acompanhou o olhar dela. E seu coração quase parou. Pela primeira vez desde que chegou àquela casa, os olhos de Leon não estavam perdidos no vazio. Estavam fixos naquela mulher...Capítulo 161 O jato particular da família Whitmore pousou em um pequeno aeroporto próximo à aldeia. Ísis desceu as escadas da aeronave com Leon segurando sua mão. Julian e Hanna caminhavam logo atrás, curiosos e um pouco tímidos. Liam e Emma dormiam nos braços de Sofia e Rose. Ísis respirou fundo. O ar quente do deserto trouxe memórias que não eram mais fragmentos. Ela sorriu. — Aqui... eu nasci de novo. Leon apertou sua mão. — Vamos agradecer quem cuidou de você. *** A aldeia recebeu o pequeno grupo com surpresa e alegria. As pessoas começaram a se aproximar. A curandeira foi uma das primeiras. A idosa caminhou devagar até Ísis, seus olhos brilhavam de emoção. Ísis a abraçou com carinho. A curandeira acariciou seus cabelos, como fazia quando ela era apenas uma mulher sem nome. Falou algo em árabe. Ísis compreendeu cada palavra. — Você voltou... minha filha. As lágrimas desceram pelos rostos das duas. Amina apareceu correndo. Parou a alguns metros deles e arregalou os o
Capítulo 160 Assim que amanheceu, Julian abriu os olhos devagar. Ainda estava um pouco sonolento e esfregou os olhos. Virou para o lado e congelou. A mãe estava na frente dele, dormindo. A mão dela permanecia entrelaçada à do pai por cima dele e de Hanna. Julian arregalou os olhos. - Mamãe... — sua voz saiu num sussurro. Ísis abriu lentamente os olhos, demorou alguns segundos para entender onde estava. Então encontrou o rostinho do filho bem diante do seu e sorriu. - Bom dia... Julian não disse nada, se atirou sobre ela. Que o abraçou com força. - Meu menino... — disse entre as lágrimas. O movimento acordou Hanna, que olhou para o pai e depois se virou e viu a mãe. - Mamãe? Ísis abriu um dos braços, olhando para sua filha com carinho. - Vem cá, meu amor. Hanna também se jogou nos braços dela. Leon observava em silêncio o reencontro deles. Seu coração parecia pequeno demais para tanta felicidade. Hanna levantou o rostinho. - Você voltou? Ísis acariciou seus cabelos. -
Capítulo 159 - Arthur, apenas dirija. Sem pressa - Leon disse ao motorista. - Sim, senhor. Em seguida, acionou o botão que fechava completamente o vidro de privacidade entre eles. Ísis piscou algumas vezes e depois olhou para Leon. - Não me olhe assim, amor. Está tudo bem - O sorriso dele era tranquilo. Ele passou um braço por sua cintura, puxando para mais perto e a acomodou sentada em seu colo. Ela arregalou os olhos e colocou as mãos sobre os ombros dele para manter o equilíbrio. - O que está fazendo? - perguntou, um pouco preocupada. Ele sorriu com ternura. - Aproveitando o fato de que minha esposa finalmente voltou para mim. - Eu ainda não consigo lembrar direito... - Eu sei. Os olhos dele passearam delicadamente pelo rosto dela. Com muito cuidado, afastou uma mecha de cabelo que caía sobre sua testa. - Só vou fazer aquilo que você permitir. Ela relaxou os ombros. Passou as mãos pelo peito dele sentindo o coração ainda acelerado. - Continua acelerado. - Culpa sua
Capítulo 158 Enquanto isso, na cozinha da Mansão Whitmore. — Molly! Uma das cozinheiras se ajoelhou ao lado dela. — Tragam água! Arthur ligou novamente e alguém atendeu. — O que aconteceu? Ela está bem? — Senhor Arthur? — Sim! — Ela desmaiou. — Chamem um médico imediatamente! — Já chamamos. — Me Avise quando ela acordar. Momentos após o susto, Molly abriu lentamente os olhos. Piscou algumas vezes olhando para o teto. Ela sentou tão depressa que assustou todos ao redor. — O telefone! A cozinheira entregou o aparelho e ela ligou para o marido. — Molly! Ela nem o deixou terminar de falar. — Você mentiu para mim? — Não. — Jura por Deus? Arthur enxugou discretamente uma lágrima. — Pela minha vida. Ela está viva. Molly colocou a mão na boca. E começou a chorar alto, um choro que parecia vir de dentro da alma. — Meu Deus... Meu Deus... Ela está viva... Arthur respirou fundo. — Ela está sentada à mesa com o patrão neste momento num restaurante. Molly fechou os olho
Capítulo 157Leon permaneceu alguns segundos em silêncio, admirando o rosto de Ísis. Ergueu levemente o queixo dela com a ponta dos dedos.— Quer sair daqui?Ela sustentou seu olhar por alguns instantes e depois assentiu.— Quero.Ele sorriu. Sem soltar sua mão, eles desceram.Richard os viu e percebeu o que o chefe pretendia fazer.Quando o viu andar em direção à saída, se aproximou de Wilson.— Pode ir atrás deles. Eu volto de táxi.Wilson apenas concordou com um movimento de cabeça e caminhou alguns metros atrás do casal, mantendo a distância de sempre.Do lado de fora, a longa limusine os aguardava.O motorista abriu a porta e franziu a testa ao ver a mulher.Leon ajudou Ísis a entrar e, em seguida, se acomodou ao lado dela. A cidade começou a passar lentamente pelas janelas escuras do veículo.Nenhum dos dois falou durante alguns minutos. Leon apenas a observava. Como se tivesse medo de que ela desaparecesse outra vez. Muito devagar, abriu um dos braços.Ísis entendeu o convite e
Capítulo 156Ísis congelou. Seu coração, que já batia descompassado, pareceu parar por um segundo.— O... o que disse?Leon continuava olhando para ela. Haviam lágrimas contidas em seus próprios olhos.— Repete — a voz dela saiu quase num sussurro.Leon sentiu o peito apertar.— Pequena sereia.Ela colocou a mão na cabeça e cambaleou. Ele a segurou e no instante em que seus corpos se tocaram, ela fechou os olhos. As lágrimas começaram a descer.— Eu conheço você... — disse num tom trêmulo.Leon fechou os olhos por um segundo.— Sim... — sua voz falhou devido a grande emoção.Na entrada, Richard observava a cena em absoluto silêncio junto com Wilson. Do outro lado, Nikos chegou acompanhado de Clara e Anastácia.Leon acariciou delicadamente o rosto dela com o polegar. Como havia feito tantas vezes antes de perdê-la.— Olhe para mim.Ela assim o fez. Os olhos dele estavam vermelhos.— Você não sabe quem eu sou...Ela negou lentamente.— Não.Passou a mão sobre a dele em seu rosto.— Mas,







