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Capítulo 5

Autor: Carla Cadete
last update Data de publicação: 2025-09-07 03:25:40

Capítulo 5

Caio tomou um gole de café, respirou fundo e olhou para o irmão.

— Ela conversa com você como se esperasse uma resposta.

Um sorriso discreto surgiu em seus lábios.

— Faz muito tempo que ninguém faz isso.

Fez uma pausa, observando o rosto imóvel de Leon.

— Espero que ela continue. Acho que... está fazendo bem para você.

Levantou, vestiu o paletó e ajeitou a gola.

— Vou trabalhar. Volto mais tarde. — Deu dois tapinhas leves no braço do irmão. — Tenta não dar trabalho para a Ísis, está bem?

Saiu da sala com o peso de sempre nos ombros.

***

No corredor, Rosie caminhava em direção ao quarto quando a voz de Caio atravessou a porta entreaberta.

— Ela é muito linda...

Seus passos vacilaram. Ficou imóvel por um segundo, sentindo o peito apertar com força. Em dois anos trabalhando naquela casa, nunca o ouviu comentar sobre a aparência de ninguém. Nunca.

Mas bastaram poucas horas para que Ísis despertasse algo que ela jamais conseguiu.

Rosie abaixou a cabeça, respirou fundo e continuou andando, engolindo o gosto amargo que subia pela garganta.

***

Ísis entrou na sala carregando uma tigela com água morna e uma toalha branca macia. Sorriu ao ver Leon exatamente onde Caio o havia deixado.

— Bom... hora de cuidar desse rosto bonito.

Molhou a toalha e começou a passar com delicadeza pela testa dele, depois pelas bochechas e pelo pescoço.

— Aposto que você era daqueles que implicavam quando a barba começava a crescer — murmurou, sorrindo sozinha. Passou a toalha pelo maxilar forte. — Ou talvez gostasse dela assim... Seja como for, continua bonito.

Torceu a toalha novamente e terminou a higiene com o mesmo cuidado. Depois ajeitou a manta sobre as pernas dele.

— Pronto. Agora está bem melhor.

Ficou observando por alguns segundos, satisfeita, e pegou a tigela para sair.

***

Pouco antes do almoço, no escritório, Caio olhou para o monitor. Como de costume, olhou rápido para as imagens das câmeras e congelou.

Uma mulher caminhava pelos corredores da mansão como se fosse dona do lugar. Sem hesitação, pois conhecia cada cômodo.

A xícara escapou de sua mão. O café quente espalhou pelo chão.

— Não...

Ele pegou o telefone e discou para casa.

— Atendam!

Ninguém respondia.

— Atendam, droga!

Na tela, a mulher parou diante da sala onde Leon estava. Empurrou a porta e entrou.

— Não...

***

Ísis voltava da cozinha quando viu uma desconhecida dentro da sala.

— Com licença...

Parou ao vê-la ao lado de Leon. A mulher acariciava o rosto dele com familiaridade. Ísis franziu a testa.

— Posso ajudar?

A desconhecida nem respondeu. Segurou o rosto de Leon com as mãos, se aproximou lentamente e o beijou. Um beijo demorado e possessivo. Quando se afastou, uma marca intensa de batom vermelho ficou estampada nos lábios dele.

Ísis ficou sem ar. O estômago embrulhou. Só depois da surpresa veio a raiva.

— Ei! Afaste-se dele!

A mulher virou lentamente e sorriu, como se a situação a divertisse.

Ísis olhou ao redor. Seus olhos encontraram o ferro da lareira. Pegou sem pensar, apertando o cabo com as duas mãos.

— Eu falei para sair de perto dele.

***

Alguém atendeu a ligação e Caio gritou no telefone:

— Vão para a sala! Tem uma invasora na mansão!

***

A mulher abriu calmamente a bolsa, pegou o batom e, sem desviar os olhos de Ísis, retocou os lábios diante do pequeno espelho.

— Sou a mulher do Leon — disse por fim, a voz baixa e controlada. — O Caio pode tentar me afastar o quanto quiser. — Sorriu com uma arrogância fria. — Mas Leon sempre volta para mim.

Ísis respirava rápido, as mãos tremiam ao lado do corpo. Estava tão tensa que começou a atropelar as palavras em inglês.

— Get away from him.

A mulher arqueou uma sobrancelha. Ísis deu um passo à frente.

— Agora.

Naquele instante, dois seguranças invadiram a sala e seguraram a mulher pelos braços. Ela não resistiu. Apenas virou o rosto para Leon uma última vez e sorriu.

— Você pode tirar meu corpo daqui... — Fez uma pequena pausa, os olhos brilhando. — ...mas ele nunca vai me esquecer.

Ísis acompanhou o olhar dela. E seu coração quase parou.

Pela primeira vez desde que chegou àquela casa, os olhos de Leon não estavam perdidos no vazio.

Estavam fixos naquela mulher...

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Comentários (1)
goodnovel comment avatar
Sonia Wessolowski
to achando maravilhosa a história ...
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