FAZER LOGINCapítulo 7
E todas as defesas de Ísis desmoronaram naquele instante. Seu corpo relaxou, sua mente se rendeu. Não haviam mais perguntas, só o calor dele, ali, tão perto. — Ísis? A voz distante a chamou de volta à realidade, mas seus lábios ainda estavam colados aos dele, num beijo tão desejado que arrepiou cada centímetro do seu corpo. Quando ele se afastou, um estalo suave marcou o fim daquele momento mágico, deixando-a ofegante. — Aonde você vai? — perguntou, atônita, vendo-o se levantar com um sorriso no rosto e deixar a cadeira de rodas de lado, como se nunca tivesse precisado dela. — Ísis? Dessa vez, a voz soou mais próxima e real. Ela despertou sobressaltada, piscando algumas vezes para entender onde estava. Tinha cochilado? Como? Olhou para Leon, que permanecia exatamente como antes: sentado na cadeira de rodas, com o olhar perdido, sereno e imóvel. Foi então que percebeu a enfermeira se aproximando com um sorriso gentil. — Vou levá-lo agora. O enfermeiro que me ajuda a dar banho nele acabou de chegar. Daqui a pouco devolvo ele pra você cheirosinho. Ela observou Rosie empurrar a cadeira de rodas, levando Leon para o banho. Com os dedos nos lábios, Ísis se deixou ficar ali por alguns instantes, como se tentasse prender o gosto daquele sonho que ainda pulsava dentro dela. Pareceu… tão real. Aproveitando o tempo livre, resolveu caminhar pela propriedade. Precisava espairecer, respirar. Andou por mais de vinte minutos, encantada com a grandiosidade e beleza do lugar e mesmo assim, não conseguiu percorrer tudo. Uma parte de mata mais fechada chamou sua atenção. Ísis não resistiu. Entrou ali sem pressa. Ao atravessar a vegetação, se deparou com uma cena inesperada: um chafariz antigo jorrava água cristalina no centro de um pequeno espaço aberto, cercado por árvores frutíferas que exalavam um perfume adocicado e suave. Ao fundo, um lago, provavelmente artificial, completava o cenário com perfeição. Era lindo. Um pedaço escondido de paz, como se fosse um refúgio secreto dentro da propriedade. Mas, ao mesmo tempo que admirava tudo, um aperto se formou em seu peito. Leonardo não podia aproveitar nada daquilo. Ela se aproximou do lago, tocou a água com a ponta dos dedos. O som do chafariz era como uma canção antiga, tranquila, que embalava pensamentos. Suspirou. — Um lugar como esse não deveria ser segredo… — murmurou para si mesma, com um sorriso leve nos lábios. Pensou em Leon. Ele apreciaria aquele recanto tanto quanto ela, talvez até mais. E então fez uma promessa silenciosa. Assim que tivesse uma oportunidade, o levaria ali. Nem que fosse empurrando a cadeira por entre as trilhas da mata. Nem que precisasse desviar galhos, abrir caminho com as mãos, suar. Ela o traria para ver aquele pedaço escondido de beleza da casa dele. Quando retornou para a casa, com os cabelos levemente bagunçados pelo vento e a pele aquecida pelo sol, Ísis mal acreditou no que viu ao entrar pela porta dos fundos. Leon estava na sala, na cadeira de rodas, usando uma calça jeans escura, sapatos de couro e uma camisa branca impecavelmente passada, com os primeiros botões abertos, revelando parte do peito. Ela parou na porta, com os olhos arregalados. - Como você conseguiu deixar ele mais bonito? - perguntou para Rosie, boquiaberta. Rosie deu de ombros com um sorriso vitorioso no rosto. - Eu não fiz nada. Ele é natural... um gatão de primeira - disse com um brilho divertido nos olhos. Caio chegou bem no momento em que Rosie falava que o irmão era um gatão de primeira. Parou na entrada da sala com as sobrancelhas erguidas e um sorriso provocador se formando nos lábios. — Olha só… parece que cheguei na hora certa — disse, cruzando os braços. — Então agora andam elogiando meu irmão pelas costas? Rosie sorriu um pouco envergonhada. — Pelas costas, não. Eu elogio é na frente mesmo. Afinal, seu irmão merece. Leon continuava quieto olhando para o nada. — Sabe o que mais ele merece? — Rosie continuou animada, olhando para Caio com um sorriso. — Um passeio no jardim. Vai fazer bem pra alma dele... e pros olhos da gente também. Caio deu um meio sorriso, mas logo ficou sério. — Leve-o você, Rosie. — A voz dele desceu alguns tons. — Preciso conversar com a Ísis sobre aquela mulher. Rosie sentiu um arrepio subir pela espinha. Seu sorriso vacilou por um breve instante antes de se recompor. — Claro, senhor. Pode deixar comigo — respondeu, se voltando para Leon e empurrando a cadeira com cuidado. — Vamos dar uma voltinha, príncipe? Acho que tem um lugar perfeito pra te mostrar hoje. Os dois se afastaram, sumindo pelos fundos da casa em direção ao jardim. Ísis, que até então observava em silêncio, sentiu uma pontada de apreensão no peito. A menção à "aquela mulher" já bastava para acender todos os seus alertas. — Vamos — disse Caio, abrindo a porta do escritório e dando espaço para que ela entrasse primeiro. Ela respirou fundo e entrou. A porta se fechou atrás deles com um leve clique. Caio caminhou até a escrivaninha, apoiou as mãos na borda e ficou em silêncio por alguns segundos. Ísis permaneceu de pé, do outro lado da sala, com os olhos atentos nele. — Aquela mulher… a que apareceu hoje — começou ele, com a voz contida, tentando manter o controle. O estômago de Ísis revirou. — Quem é ela, afinal? Por que fala como se conhecesse o senhor Leon tão bem? Caio a encarou com seriedade. — Ela se chama Lorraine. — Ele fez uma pausa. — E, segundo alguns registros... ela esteve presente na vida do meu irmão nos últimos meses antes do acidente. Ísis levou a mão à boca, os olhos arregalados. — Isso significa que ela pode estar envolvida com o que aconteceu? — Ainda não sabemos. — Caio passou a mão pelos cabelos, impaciente. — Mas a forma como ela apareceu, cheia de autoridade e ameaças, me faz acreditar que não era só uma relação casual. E lá tem uma confiança absurda de que Leon ainda vai procurá-la. — Como se ele estivesse apaixonado por ela? — Ísis perguntou com um nó na garganta. Caio assentiu lentamente. — Ou como se ela soubesse algo... que pudesse manipulá-lo. Silêncio. Ísis sentiu o coração apertado. — O que a gente faz agora? — Vamos protegê-lo. — Caio respondeu firme. — Manter essa mulher longe. E, acima de tudo, fazer Leon lembrar de quem ele é... de quem está ao lado dele agora. Você, Ísis. Ela assentiu, com os olhos marejados. — Vou ficar ao lado dele. Custe o que custar. Caio respirou fundo e colocou a mão no ombro dela. — Então estamos juntos nessa. *** Do lado de fora, Rosie empurrava Leon lentamente por entre os caminhos do jardim florido. Rosie olhou de relance para ele. — Sabe, você tá diferente hoje. Mais presente. Quase... inteiro. Leon continuou do mesmo jeito. Momentos depois, ela o levou para dentro acreditando que a conversa de Caio e Ísis havia terminado. *** Rosie e Ísis, terminavam de vestir Leon com o pijama de algodão macio. Ele parecia mais quieto do que o normal, com os olhos semiabertos e o rosto levemente corado. — É quase dez horas — comentou Rosie, franzindo o cenho. — É estranho ele ainda não estar dormindo. Geralmente, a essa hora, ele já está apagado. Ela caminhou até a cômoda, pegando o termômetro, o oxímetro e um frasco de álcool. Ísis observava em silêncio, sentada na beira da cama ao lado de Leon, que respirava devagar, como se estivesse num estado de torpor. — Ele está quente — murmurou Ísis, encostando a palma da mão na testa dele, preocupada. Rosie se aproximou rapidamente e colocou o termômetro digital na testa de Leon. Um segundo depois, o visor brilhou em vermelho. — Ah, meu Deus... — sussurrou Rosie. — Está com febre. Quase quarenta. O coração de Ísis apertou. — Isso não é normal, Rosie. Ele estava bem hoje mais cedo. Nesse instante, a porta se abriu com um leve rangido, e Caio entrou, prestes a desejar boa noite. — Aconteceu alguma coisa? — Ele está com febre, senhor. — Febre? — a voz dele soou em pânico. Rosie confirmou com um aceno rápido, preparando o oxímetro. — Pode ser algo simples, uma infecção leve, mas do jeito que ele tá... é melhor levar pro hospital, só pra garantir. Caio não hesitou. Caminhou até a cama e, com cuidado, passou os braços ao redor do corpo inerte do irmão. — Vamos para o hospital — disse com firmeza, tentando manter a calma. — Aguenta firme, Leon. Você vai ficar bom. Ísis se levantou num salto. — Eu vou com vocês. Caio a deteve. — Fique aqui. A gente se fala assim que souber de algo. Não quero você preocupada no meio da confusão. Rosie, vem comigo. Rosie estava pegando a bolsa com os documentos e o celular. Caio apertou Leon contra o peito e saiu do quarto com passos apressados. Ísis correu até a janela e viu o carro de Caio saindo da garagem. Ele acomodou Leon com cuidado no banco de trás e acelerou, sumindo pela estrada cercada de árvores. Sozinha no quarto, ela se sentou novamente na beira da cama, sentindo um aperto no peito. O travesseiro ainda guardava o calor do corpo dele. Passou a mão pelo lençol como se pudesse absorver a energia que Leon deixara ali. — Você vai ficar bem... você tem que ficar bem — murmurou baixinho, as lágrimas ardendo nos olhos.Capítulo 161 O jato particular da família Whitmore pousou em um pequeno aeroporto próximo à aldeia. Ísis desceu as escadas da aeronave com Leon segurando sua mão. Julian e Hanna caminhavam logo atrás, curiosos e um pouco tímidos. Liam e Emma dormiam nos braços de Sofia e Rose. Ísis respirou fundo. O ar quente do deserto trouxe memórias que não eram mais fragmentos. Ela sorriu. — Aqui... eu nasci de novo. Leon apertou sua mão. — Vamos agradecer quem cuidou de você. *** A aldeia recebeu o pequeno grupo com surpresa e alegria. As pessoas começaram a se aproximar. A curandeira foi uma das primeiras. A idosa caminhou devagar até Ísis, seus olhos brilhavam de emoção. Ísis a abraçou com carinho. A curandeira acariciou seus cabelos, como fazia quando ela era apenas uma mulher sem nome. Falou algo em árabe. Ísis compreendeu cada palavra. — Você voltou... minha filha. As lágrimas desceram pelos rostos das duas. Amina apareceu correndo. Parou a alguns metros deles e arregalou os o
Capítulo 160 Assim que amanheceu, Julian abriu os olhos devagar. Ainda estava um pouco sonolento e esfregou os olhos. Virou para o lado e congelou. A mãe estava na frente dele, dormindo. A mão dela permanecia entrelaçada à do pai por cima dele e de Hanna. Julian arregalou os olhos. - Mamãe... — sua voz saiu num sussurro. Ísis abriu lentamente os olhos, demorou alguns segundos para entender onde estava. Então encontrou o rostinho do filho bem diante do seu e sorriu. - Bom dia... Julian não disse nada, se atirou sobre ela. Que o abraçou com força. - Meu menino... — disse entre as lágrimas. O movimento acordou Hanna, que olhou para o pai e depois se virou e viu a mãe. - Mamãe? Ísis abriu um dos braços, olhando para sua filha com carinho. - Vem cá, meu amor. Hanna também se jogou nos braços dela. Leon observava em silêncio o reencontro deles. Seu coração parecia pequeno demais para tanta felicidade. Hanna levantou o rostinho. - Você voltou? Ísis acariciou seus cabelos. -
Capítulo 159 - Arthur, apenas dirija. Sem pressa - Leon disse ao motorista. - Sim, senhor. Em seguida, acionou o botão que fechava completamente o vidro de privacidade entre eles. Ísis piscou algumas vezes e depois olhou para Leon. - Não me olhe assim, amor. Está tudo bem - O sorriso dele era tranquilo. Ele passou um braço por sua cintura, puxando para mais perto e a acomodou sentada em seu colo. Ela arregalou os olhos e colocou as mãos sobre os ombros dele para manter o equilíbrio. - O que está fazendo? - perguntou, um pouco preocupada. Ele sorriu com ternura. - Aproveitando o fato de que minha esposa finalmente voltou para mim. - Eu ainda não consigo lembrar direito... - Eu sei. Os olhos dele passearam delicadamente pelo rosto dela. Com muito cuidado, afastou uma mecha de cabelo que caía sobre sua testa. - Só vou fazer aquilo que você permitir. Ela relaxou os ombros. Passou as mãos pelo peito dele sentindo o coração ainda acelerado. - Continua acelerado. - Culpa sua
Capítulo 158 Enquanto isso, na cozinha da Mansão Whitmore. — Molly! Uma das cozinheiras se ajoelhou ao lado dela. — Tragam água! Arthur ligou novamente e alguém atendeu. — O que aconteceu? Ela está bem? — Senhor Arthur? — Sim! — Ela desmaiou. — Chamem um médico imediatamente! — Já chamamos. — Me Avise quando ela acordar. Momentos após o susto, Molly abriu lentamente os olhos. Piscou algumas vezes olhando para o teto. Ela sentou tão depressa que assustou todos ao redor. — O telefone! A cozinheira entregou o aparelho e ela ligou para o marido. — Molly! Ela nem o deixou terminar de falar. — Você mentiu para mim? — Não. — Jura por Deus? Arthur enxugou discretamente uma lágrima. — Pela minha vida. Ela está viva. Molly colocou a mão na boca. E começou a chorar alto, um choro que parecia vir de dentro da alma. — Meu Deus... Meu Deus... Ela está viva... Arthur respirou fundo. — Ela está sentada à mesa com o patrão neste momento num restaurante. Molly fechou os olho
Capítulo 157Leon permaneceu alguns segundos em silêncio, admirando o rosto de Ísis. Ergueu levemente o queixo dela com a ponta dos dedos.— Quer sair daqui?Ela sustentou seu olhar por alguns instantes e depois assentiu.— Quero.Ele sorriu. Sem soltar sua mão, eles desceram.Richard os viu e percebeu o que o chefe pretendia fazer.Quando o viu andar em direção à saída, se aproximou de Wilson.— Pode ir atrás deles. Eu volto de táxi.Wilson apenas concordou com um movimento de cabeça e caminhou alguns metros atrás do casal, mantendo a distância de sempre.Do lado de fora, a longa limusine os aguardava.O motorista abriu a porta e franziu a testa ao ver a mulher.Leon ajudou Ísis a entrar e, em seguida, se acomodou ao lado dela. A cidade começou a passar lentamente pelas janelas escuras do veículo.Nenhum dos dois falou durante alguns minutos. Leon apenas a observava. Como se tivesse medo de que ela desaparecesse outra vez. Muito devagar, abriu um dos braços.Ísis entendeu o convite e
Capítulo 156Ísis congelou. Seu coração, que já batia descompassado, pareceu parar por um segundo.— O... o que disse?Leon continuava olhando para ela. Haviam lágrimas contidas em seus próprios olhos.— Repete — a voz dela saiu quase num sussurro.Leon sentiu o peito apertar.— Pequena sereia.Ela colocou a mão na cabeça e cambaleou. Ele a segurou e no instante em que seus corpos se tocaram, ela fechou os olhos. As lágrimas começaram a descer.— Eu conheço você... — disse num tom trêmulo.Leon fechou os olhos por um segundo.— Sim... — sua voz falhou devido a grande emoção.Na entrada, Richard observava a cena em absoluto silêncio junto com Wilson. Do outro lado, Nikos chegou acompanhado de Clara e Anastácia.Leon acariciou delicadamente o rosto dela com o polegar. Como havia feito tantas vezes antes de perdê-la.— Olhe para mim.Ela assim o fez. Os olhos dele estavam vermelhos.— Você não sabe quem eu sou...Ela negou lentamente.— Não.Passou a mão sobre a dele em seu rosto.— Mas,







