INICIAR SESIÓNCarolina Cinco meses depois, acordo todo dia com o mesmo sentimento no peito − paz. Nunca imaginei que diria isso. Paz. Mas é isso que sinto quando abro a janela do nosso quarto e vejo o jardim florido, a cerca branca, o balanço que Otávio instalou para o Luquinha na grande mangueira. Sinto pa
Otávio Dois meses depois... O sol começa a se deitar atrás das colinas quando a música enche o jardim. Tudo ali parece saído de um sonho que eu nunca tive coragem de sonhar e que agora é real. As cadeiras brancas estão alinhadas nos dois lados do corredor improvisado, coberto de pétalas que Ro
Carolina Eu estou terminando de colocar o último bolo na vitrine quando a chuva engrossa. As gotas tamborilam no toldo como se quisessem derrubar tudo. Ótimo, penso, o dia perfeito para ficar sozinha com minha raiva. Faz três dias que voltei para Belo Horizonte. Três dias fingindo que está tud
Otávio Pego o segundo pedaço do bolo com a mão mesmo, sem nem tentar fazer pose, e mordo devagar só para ver o jeito como ela me olha, como se eu fosse um caso perdido. — Eu juro por Deus — falo, com a boca meio cheia, tentando não rir — que você faz o melhor bolo de cenoura do mundo. Ela revi
Carolina Passo a espátula pela superfície do bolo, deixando a cobertura lisa e brilhante. O cheiro de cenoura e chocolate preenche a cozinha, e por um instante me sinto estranhamente em paz. Estar aqui, nesta casa, não me machuca mais como antes. Talvez porque agora tudo seja diferente. Talvez p
Carolina Acordo num sobressalto, o coração disparado e a respiração ainda curta. De início, não reconheço o quarto. O lençol amassado, o cheiro dele ainda impregnado na minha pele, o silêncio pesado que parece encher cada canto. Passo a mão pelo cabelo, tentando colocar algum juízo na cabeça, mas







