LOGINOs primeiros raios de sol pintavam o céu em tons de laranja e dourado, afastando os últimos vestígios da noite. Na varanda, Ashley e Eleonora ainda estavam lado a lado, compartilhando o calor uma da outra. O mundo parecia mais calmo, mais seguro — mas não menos cheio de possibilidades. Ashley, envolta em um cobertor, olhava para o horizonte. — Nunca pensei que chegaria a sentir isso de novo, Eleonora. Paz. Eleonora segurou a mão dela, apertando com leveza. — Você lutou por isso, Ashley. Foi sua coragem, sua força, que nos trouxe até aqui. Elas permaneceram em silêncio por um momento, deixando o som da natureza preencher o espaço. Então, Ashley sorriu. — Quero fazer mais, Eleonora. Não apenas para nós, mas para os outros. Ensinar, proteger... mostrar que podemos enfrentar o que vier, juntos. Eleonora arqueou uma sobrancelha, divertida. — Está planejando criar uma escola de bruxaria? Ashley riu. — Talvez. Não uma escola tradicional, mas algo que ajude outros a se conectarem com
O céu estava escuro, coberto por nuvens espessas que ameaçavam desabar a qualquer momento. Ashley e Eleonora voltaram para casa exaustas após o confronto. O fracasso em capturar Vincent pesava em seus ombros, mas a esperança ainda brilhava. Elas sabiam que precisavam se reerguer rapidamente. Ashley estava sentada no chão da sala, rodeada por livros antigos e anotações espalhadas por todos os lados. Eleonora observava em silêncio, preocupada com o cansaço evidente de sua namorada. — Você precisa descansar, Ashley, — disse Eleonora, ajoelhando — se ao lado dela. — Não podemos derrotar Vincent se você se destruir antes disso. Ashley balançou a cabeça. — Não posso parar agora. Ele está mais fraco, Eleonora. Estamos perto, eu sei disso. Eleonora segurou suas mãos, forçando Ashley a olhar para ela. — E se ele usar isso contra nós? Ele sabe que está mexendo com sua mente. É exatamente o que ele quer. Por um momento, Ashley hesitou. Eleonora tinha razão, mas a ideia de deixar Vincent es
A manhã seguinte nasceu cinzenta e carregada de tensão. Ashley mal havia dormido. As palavras de Vincent ainda ecoavam em sua mente. Ela sabia que o tempo estava se esgotando, e que ele não demoraria a atacar novamente. No entanto, agora havia um plano. Um plano que poderia ser a única chance de derrota-lo.Eleonora entrou na cozinha com passos firmes, trazendo mapas e anotações.— Revisei tudo mais uma vez. O bosque é o lugar ideal para atraí-lo. Há clareiras cercadas por árvores altas, perfeitas para isolar a energia dele e dificultar sua fuga.Ashley, que estava encostada no balcão, olhando para o vazio, finalmente ergueu os olhos.— É arriscado, Eleonora. E se ele nos emboscar antes que possamos ativar o feitiço?Eleonora sentou-se ao lado dela, seus olhos encontrando os de Ashley.— Então vamos virar o jogo. Ele espera que sejamos as presas. Mas nós seremos os predadores.As duas passaram o dia montando armadilhas no bosque. Eleonora usou sua força sobrenatural para mover pedras e
Ashley segurava o papel amassado com a mensagem de Vincent. Seus olhos percorriam a caligrafia intensa, quase agressiva. Uma ideia começou a se formar em sua mente enquanto analisava cada detalhe. Ela respirou fundo, sentindo uma mistura de excitação e preocupação. — Eleonora, e se a caligrafia dele contiver mais do que palavras? — perguntou Ashley, girando o papel entre os dedos. Eleonora, que estava sentada no sofá revisando mapas do bosque que elas planejavam usar como armadilha, levantou os olhos. — Como assim? — Vincent é poderoso, mas ele também é arrogante. A maneira como ele escreve... É como se ele estivesse canalizando energia para cada palavra. Talvez eu possa usar isso contra ele. Eleonora levantou — se, aproximando — se de Ashley. — Você acha que pode reverter a energia dele? Ashley assentiu. — Não tenho certeza absoluta, mas vale a tentativa. Ele deixou isso aqui como um recado, mas pode ser uma ligação direta com sua magia. Se eu conseguir decifrar... talvez poss
O amanhecer trouxe um clima de inquietação para Ashley. A conversa com sua mentora ainda ecoava em sua mente, e cada palavra parecia se misturar ao som do vento do lado de fora. Ela desceu para a cozinha, onde Eleonora já estava de pé, preparando café com uma serenidade que contrastava com o turbilhão de pensamentos de Ashley. Eleonora olhou para ela com um sorriso caloroso, mas rapidamente percebeu o semblante tenso da namorada. — Você não dormiu bem, não é? — Eleonora perguntou, colocando uma xícara de café na frente de Ashley. Ashley suspirou, passando os dedos pelos cabelos. — Não é isso... quer dizer, dormi, mas tive outro encontro com minha mentora. Eleonora arqueou as sobrancelhas e se sentou à mesa. — O que ela disse desta vez? Ashley contou tudo, desde o feitiço de contenção até os requisitos necessários para realiza-lo. Cada palavra fazia Eleonora se inclinar mais para frente, como se estivesse pronta para absorver cada detalhe. — Um lugar de poder, algo que pertence
Ashley estava no quarto, a luz fraca do abajur lançando sombras nas paredes. O livro de bruxaria estava aberto sobre a cama, suas páginas gastas exibindo diagramas intricados e palavras em uma língua que ela começava a entender. Papéis cobriam o chão ao redor, repletos de anotações e desenhos que ela fizera durante as horas exaustivas de estudo. Ela passou as mãos pelo rosto, exausta. Tentara de tudo: traduzir os textos mais antigos, combinar ingredientes para feitiços experimentais e até meditar, buscando respostas dentro de si mesma. Nada parecia suficiente. Vincent era uma força implacável, um predador à espreita, e o tempo estava se esgotando. — Por que isso é tão difícil? — murmurou, jogando a cabeça contra o travesseiro. Foi quando sentiu algo diferente. Um arrepio percorreu sua espinha, como se o ar ao seu redor tivesse mudado. A sensação era familiar, mas ainda assim a deixava inquieta. Ashley sentou-se, olhando ao redor do quarto. A princípio, tudo parecia normal, mas entã







