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Capítulo 5.

last update Fecha de publicación: 2025-01-18 06:03:44

Capítulo 5.

Marcelo.

Passado - Dois meses depois...

Os arranha-céus da cidade iluminavam o céu noturno enquanto eu dirigia pela estrada quase deserta. O brilho das luzes da cidade parecia piscar e dançar, como se estivessem tentando me acalmar após um dia exaustivo de trabalho. Como CEO, os dias eram sempre longos e cheios de desafios e surpresas. E algumas nada agradáveis, como descobrir um roubo de quase duzentos mil reais de uma das minhas contas empresariais. Mas eu sempre encontrava conforto ao pensar em Andressa, minha noiva, que me esperava em casa.

Ela e a minha família eram as pessoas em quem eu mais confiava e não havia motivos para pensar o contrário. Ao estacionar o carro na garagem, respirei fundo, tentando deixar para trás o estresse do dia.

Peguei minha pasta e as chaves, caminhando em direção à porta da frente. Ao abrir a porta, fui recebido pelo silêncio. Estava tudo estranhamente quieto para uma mulher que vivia em casa, se preparando para a chegada do nosso filho, e que passava boa parte de seu tempo ouvindo músicas ou assistindo suas séries coreanas.  Subi as escadas, seguindo o silêncio que parecia cada vez mais pesado.

Ao chegar no quarto, a porta estava entreaberta e uma luz suave escapava de dentro. Meu coração começou a bater mais rápido, um pressentimento estranho me fez hesitar por um momento antes de empurrar a porta e espiar o que acontecia por trás dela.  Contudo, deixando os sentimentos ruins de lado, segui em frente e entrei. O que vi a seguir foi como um soco no meu estômago e meu mundo ruiu. 

Andressa estava na cama, com as pernas abertas, enquanto era fodida por um homem que reconheci imediatamente: era Gabriel, meu amigo de longa data e o dono da casa noturna onde conheci minha noiva, a mulher que o miserável fodia como se o mundo fosse acabar. Os dois estavam tão envolvidos em sua foda que nem perceberam minha presença no quarto.  Tomado pelo choque de presenciar tal cena, grunhi e a pasta que segurava caiu de minhas mãos, espalhando papéis pelo chão.

O barulho fez Andressa e Gabriel pararem de imediato e virarem o rosto na direção da porta, dando de cara comigo, pasmo e sem reação, parado nela.  A puta da mulher que escolhi amar — não havia outro adjetivo para ela — desceu da cama, nua, enquanto Gabriel, também nu, procurava suas roupas.

— Marcelo... eu posso explicar. — Começou a dizer, falando a frase clichê que todos falavam após serem pegos no flagra. Seguia sem me mover, chocado demais para ter qualquer reação além da vontade de cometer meu primeiro assassinato.

Gabriel ficou calado, apenas se vestiu e esperou que minha noiva se explicasse. O filho da puta, além de traidor, era um tremendo covarde. Andressa tentou se aproximar, mas ergui a mão, parando-a.

— Eu não queria fazer isso... só aconteceu... — Ela começou, suas palavras tropeçando em sua pressa para encontrar uma desculpa, mas eu não queria ouvir suas desculpas ou explicações.

Não havia desculpa para isso.

A traição é uma escolha, com prós e contras, que você analisa antes de tomar a decisão final, e ela havia escolhido me trair. Escolheu jogar fora tudo o que estávamos construindo. Tudo o que havíamos vivido nesse quase um ano juntos.

A dor que sentia era profunda, uma mistura de nojo, raiva e desespero para apagar a cena que seguiria em minha mente até o fim dos meus dias. Sem dizer uma única palavra, dei as costas aos dois e saí do quarto, descendo as escadas e saindo pela porta da frente. Pela porta da casa que havia comprado para viver uma longa vida com ela e nosso filho.

Filho esse que nem sabia se era realmente meu.

Enquanto caminhava pela rua escura, as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, uma torrente de emoções que eu não conseguia controlar. A traição de Andressa e Gabriel havia quebrado algo dentro de mim, algo que eu não tinha certeza se poderia ser consertado. 

Eu não sabia para onde estava indo ou o que faria a seguir, mas uma coisa era certa: nada seria como antes e eu nunca mais iria amar ou confiar em outra mulher.

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