INICIAR SESIÓNEsmeralda não pôde evitar percorrer com os olhos aquele corpo escultural; uma chama se acendeu dentro de si. Talvez fosse por conta dos hormônios da gravidez, pois nunca havia sentido uma atração tão instantânea por um homem.
— Não vai falar nada? — insistiu ele.
— Me desculpe.
— Ah, então você sabe falar... Mas “me desculpe” não é suficiente. Ninguém te ensinou a olhar para os dois lados da rua antes de atravessar?
Ela arregalou os olhos, envergonhada. Por alguma razão, quanto mais o homem gritava com ela, mais aquilo a excitava.
Um carro passou e buzinou. Esmeralda se virou ao perceber que era para ela.
— Ai, gatinha, eu ofereço o dobro do que ele para você me alegrar hoje — disse o sujeito ao volante.
Esmeralda trincou a mandíbula e fechou os punhos; quem aquele idiota pensava ser para tratá-la como uma prostituta?
O homem de olhos azuis, que há pouco a repreendia, se colocou à frente dela.
— Vá embora — falou com autoridade.
— Ou o quê? Você sabe como essas vadias são: quem der o maior lance ganha — o cretino ainda sorriu.
O estômago de Esmeralda se contorceu ao ouvir aquilo. Deu um passo à frente para enfrentá-lo, mas o homem de olhos frios ergueu os braços, impedindo-a.
— Entre no carro — ordenou.
Esmeralda estreitou os olhos. Quando percebeu o olhar do homem sobre suas roupas, entendeu o motivo de estar naquela situação: estava seminua na rua. Usava apenas um robe por cima da lingerie ousada e um salto preto de sola vermelha. Sair assim, com o batom rosa nos lábios, inevitavelmente chamaria atenção. Suas bochechas ficaram tão vermelhas que pareciam pegar fogo.
Puxou a mala e correu em direção ao banco do passageiro, mas antes de entrar olhou para o carro do babaca. No banco de trás, com o vidro abaixado, alguém apontava uma câmera para ela.
Nesse instante, compreendeu tudo: o motorista e o homem escondido atrás da lente eram parte de uma armadilha. O fotógrafo trabalhava para uma revista de fofoca.
Furiosa, largou a mala e correu em direção a ele, tentando arrancar a câmera de suas mãos.
— Me dê isso agora! Quem você pensa que é para achar que tem o direito de tirar essas fotos?
Só então reconheceu o rosto do cretino. Conhecia-o muito bem: fazia anos que a perseguia, tirando fotos e publicando mentiras em um site de fofoca. Graças a isso, havia conseguido emprego em uma revista.
O sangue de Esmeralda ferveu ainda mais; apertou os dentes até sentir dor. Estava tomada por tanta raiva que desejava descontar toda a fúria naquele sujeito arrogante, com seus óculos grossos, sorriso debochado e barba por fazer.
— Olá, patricinha, sentiu saudades? — ousou dizer o fotógrafo.
— Me dê a câmera – ordenou, sem paciência alguma.
O homem de olhos azuis interrompeu a discussão com o motorista, abriu a porta do carro e puxou o fotógrafo com tanta facilidade que parecia não pesar mais do que uma pena.
Agradeceu aos céus por ter aquele anjo de olhos azuis ao seu lado; pelo que parecia, o homem gostava de ser herói e salvar donzelas em perigo.
Seu salvador tomou a câmera das mãos do fotógrafo e o empurrou para longe.
— O que pensa que está fazendo, seu idiota? Sabe quanto custa uma câmera dessas?
O homem de olhos azuis não se abalou. Abriu a câmera, retirou o cartão de memória, guardou-o no bolso e devolveu o equipamento.
— Fora essa, você tirou mais alguma foto? — perguntou com firmeza.
— Só estou fazendo o meu trabalho, cara — defendeu-se o fotógrafo.
— Trabalho? Isso é um trabalho de merda, inventando mentiras, se aproveitando da vida das pessoas e destruindo-as. Você deveria ter vergonha do que faz — disparou Esmeralda.
O fotógrafo sorriu de forma debochada.
— E o que você sabe sobre trabalho, princesinha? Cresceu em berço de ouro, tudo o que tem não é seu, foi dado pelos seus pais. Nunca soube o que é sofrer para ganhar um salário mínimo.
— Você ainda se orgulha do que faz? Não sente nenhum peso na consciência pelo que fez com a minha irmã? — Esmeralda se aproximou e o empurrou, já alterada. Fazia anos que sonhava em socar a cara daquele traste. Talvez aquele fosse o momento de realizar esse desejo.
— Se não fosse você, talvez ela ainda estivesse aqui.
A última frase lhe deu um nó na garganta. Tentou segurar as lágrimas, mas elas insistiam em cair. Não sabia ao certo o que havia no olhar do homem: pena, remorso ou apenas indiferença.
— Fiz apenas o meu trabalho. Você sabe que não tem mais direito à privacidade desde que nasceu; já deveria estar acostumada com isso.
Aquilo já estava indo longe demais. O ódio que Esmeralda nutria por aquele homem só crescia em seu peito. Apertou o punho, pronta para socar sua cara. Nem mesmo o som das buzinas e das cantadas dos motoristas ao redor tiraram sua atenção. Porém, outra pessoa foi mais rápida.
O homem de olhos azuis voltou a bancar o herói e acertou um soco no fotógrafo. Desta vez, Esmeralda não sentiu gratidão: ele havia roubado o momento que ela desejava há muito tempo.
Ainda assim, sentiu-se vitoriosa ao ouvir o grito de dor do fotógrafo e ver seu nariz jorrando sangue.
— Vá embora e não volte a procurá-la — ordenou o herói de olhos azuis.
— Você vai se arrepender por isso, cara — retrucou o fotógrafo.
— Se eu souber que alguma foto foi tirada deste dia, vou fazer picadinho de você. Está entendido? — disse o homem, enquanto o puxava pela gola da blusa polo.
O fotógrafo lançou um olhar assustado e, ao ser solto, correu para dentro do carro. Pediu ao motorista que saísse dali o mais rápido possível. O som dos pneus cantando e das buzinas dos outros motoristas, irritados por terem avançado o sinal vermelho, ecoou pela rua.
— Você está bem? — perguntou o homem, tocando suas mãos, que só então ela percebeu estarem trêmulas.
Esmeralda enxugou as lágrimas e acenou com a cabeça, confirmando.
O som de outra buzina chamou a atenção dos dois. Mais uma vez, ela se deu conta do estado em que estava e olhou para suas roupas — ou melhor, para a falta delas.
— Entre no carro, será melhor.
— Eu não deveria entrar no carro de um estranho — murmurou, engolindo em seco.
Já havia passado por coisas demais naquela noite, tudo consequência de seus atos irresponsáveis. Novamente se pegou pensando: se tivesse escutado seus pais, nada disso teria acontecido. Ao menos quanto a Vinícius, eles estavam certos.
— Depois de tudo o que passamos juntos em menos de meia hora, você ainda acredita que eu poderia te fazer algum mal?
Ela respirou fundo. Não tinha outra escolha naquele momento. Ao encarar aqueles olhos azuis, mesmo que parecessem tão frios quanto o gelo, sentiu-se protegida ao lado dele — por mais que fossem completos estranhos.
Esmeralda escutou uma voz que fez um arrepio percorrer sua espinha; mordeu os lábios, insegura. Caminhou até a sala de estar e encontrou Margarida resmungando algo para Penélope, que parecia desesperada para sair dali. — Que absurdo, toda mulher deve se casar e formar uma família. Deus nos criou para ser companheira do homem e você me diz que não pensa em se casar tão cedo. Pois eu digo que deve aproveitar enquanto pode ter filhos; quando estiver velha será tarde demais. Esmeralda conteve o riso. Penélope estava pronta para rebater à altura quando Henri se levantou alegre ao notar sua presença. — Prima! — disse, aproximando-se e cumprimentando-a com um abraço.— Sobrinha, fico feliz que tenha chegado. Quem sabe, se disser sua opinião sobre o casamento, consigo colocar algum juízo nessa cabeça de vento — comentou Catarina, olhando em sua direção. Penélope encarou a cunhada com a boca aberta, como se não acreditasse no que havia escutado.— Estou tentando dizer à sua querida tia que
Assim que saíram do avião, Esmeralda sentiu o vento balançando seus cabelos. Parecia que havia segurado o ar durante muito tempo e só agora conseguia respirar novamente.Era um alívio saber que aquele pesadelo havia acabado, que poderia enfim ter paz. Arthur segurou sua cintura e beijou-lhe a testa, enquanto Pérola resmungava palavras incompreensíveis em seu colo. Ao olhar para o marido, seu coração se acalmou; parecia que um peso havia sido tirado de suas costas. Sabia que não seria fácil seguir em frente depois de tudo o que viveu, mas aqueles olhos azuis que brilhavam ao encará-la despertavam uma chama de esperança, destruindo a tristeza que a consumira nos últimos dias. Eles estavam de volta, prontos para recomeçar e criar novas memórias. Esmeralda lembrou-se das palavras que dissera à mãe no dia em que partiu: precisava se permitir ser feliz, devia isso a Nina. Sua irmã perdera a vida lutando para manter a família segura, e ela não podia se deixar afundar na tristeza e deixar
Havia outras gravações como aquelas, e Esmeralda compreendeu que o Alfa trocava peças originais destinadas a leilões por falsificadas. Não sabia como Nina havia conseguido aquelas imagens, mas podia perceber o risco enorme que correu. Algumas vinham de câmeras de segurança, outras de um celular. Um vídeo, porém, chamou sua atenção: estava nomeado como “O Alfa”. Esmeralda clicou para iniciar e suas mãos tremiam, um nó se formou em seu estômago. Estava prestes a descobrir quem era o maníaco que perseguia sua família. Era nítido que o vídeo foi gravado no quarto de Nina. Esmeralda reconhecia cada detalhe, não havia dúvida de que fora feito pela webcam. Engoliu em seco, aguardando o que viria. Nina apareceu, olhou para a câmera como se certificasse da posição correta. Estava nervosa. Pouco depois, passos ecoaram e alguém entrou. Era Carlo. Esmeralda mordeu os lábios, atônita: por que o tio estava naquela gravação? Ele fechou a porta e se aproximou de Marina, que o encarava com medo.
Esmeralda arregalou os olhos diante de tudo o que ouviu. Não queria acreditar, mas talvez Rafael tivesse razão e o Alfa fosse mesmo algum parente próximo. O choro de Pérola a fez levantar-se ainda atordoada. Imaginou que Rafael soubesse mais do que ela, mas Marina havia escondido segredos até mesmo dele. Ao se aproximar do quarto, encontrou a bebê chorando de fome. Pegou-a no colo e sentou-se na cama de Cristal, que também havia acordado. Enquanto alimentava a filha, acariciava os cabelos da sobrinha, que a observava sonolenta. Pouco depois, Cristal levantou-se e espalhou seus brinquedos pelo chão. Esmeralda sentou-se junto, com Pérola no colo, que observava a prima e gargalhava. Rafael se aproximou para beijar o rosto da filha, mas quando a menina pediu mais atenção, ele se afastou dizendo que iria tomar banho e depois voltaria para brincar. Isso deixou Cristal irritada; ela não sabia lidar bem com seus sentimentos. Pérola segurava um urso de pelúcia da prima quando Cristal se ap
João e Marta eram gentis, porém Esmeralda não conseguia sentir-se em casa; tinha a impressão de ser uma intrusa e torcia para que tudo aquilo acabasse logo. Enquanto isso, Rafael mantinha-se distante. Trocaram poucas palavras no dia em que chegaram. Esmeralda desejava um momento para conversar sobre Nina, mas sempre que tentava se aproximar, ele se afastava. De acordo com João, o café delicioso que bebiam era plantado ali mesmo, e Rafael passava os dias ajudando na lavoura. Para se aproximar dele e também ter alguma ocupação, Arthur começou a trabalhar, mesmo sem saber quase nada sobre o assunto, disposto a aprender. Esmeralda, por sua vez, preenchia os dias cuidando da sobrinha Cristal e da filha, além de ajudar Marta na cozinha. Já não se sentia um completo desastre como antes, pois Arthur havia lhe ensinado algumas coisas. Marta era calma e paciente, sempre disposta a ensinar, e Esmeralda sentia orgulho a cada receita que conseguia preparar sem cometer erros. Ainda assim, por m
A emoção tomou conta das duas. Esmeralda deu alguns passos à frente e abraçou a mãe. Aquele abraço foi diferente de todos os outros. Sentiu um peso enorme se desfazer de seus ombros; somente naquele instante teve certeza de que havia conseguido perdoá-la e compreender, ao menos em parte, suas atitudes. Catarina foi a primeira a sair do quarto. Arthur se aproximou de Esmeralda, segurando seu rosto. — Não imagina o quanto estou orgulhoso de você. É a mulher mais forte que conheço e ainda não consigo acreditar na sorte que tenho por tê-la como minha esposa — disse, beijando sua testa. — Obrigada, Arthur. Você me ajudou a seguir em frente.— Você fez o mesmo por mim, amor.……………….. Um nó se formou na garganta de Arthur ao se sentar à mesa e observar a família reunida. Seria difícil ficar longe do pai e da irmã, principalmente não ter notícias deles. Tinha esperança de que fosse por pouco tempo e que em breve estariam todos juntos novamente. O clima era pesado, dava para ver a trist







