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capítulo 4 Leandro narrando

last update Veröffentlichungsdatum: 10.09.2026 19:07:15

Autora: Edivania Rios

História ambientada na década de 2000

Protagonistas: Leandro e Raquel

Quando mandei a esposa do meu pai voltar para a mesa, desci as escadas daquele prédio a toda velocidade, peguei um táxi e pedi para me levar a uma boate bem longe da outra, onde meu pai já tinha me encontrado uma vez.

Cheguei lá e me diverti muito, rodeado de mulheres. Levei duas para o motel — e não, eu não uso drogas, mas carrego elas comigo de propósito: para que a polícia me pegue com elas e dê uma dor de cabeça danada no meu pai.

Quando o dia começou a clarear, saí do motel e fui até perto do quartel da polícia. Paguei para alguém brigar comigo, fingi que estava alterado, pedi aos meus amigos que gravassem tudo — e logo os policiais me prenderam. Mandei eles colocarem o nome completo do meu pai em alguma rede de televisão. Dessa vez nem os advogados caros dele vão conseguir resolver nada; vai passar em todos os canais.

À tarde, um homem veio me buscar. Eu estava dormindo, e nem queria voltar para aquela casa — viver ali é uma angústia sem fim. Eu traí ele com a própria esposa dele. Tenho pena da menina, ela é uma prisioneira ali, e eu não posso fazer quase nada para ajudá-la. Às vezes acho que mereço estar preso. Talvez se ele tivesse tirado a virgindade dela, ela não estaria sofrendo desse jeito.

Cheguei em casa.

— Filho de uma puta! Você viu o que fez? Meu nome está em todos os lugares por sua causa! — gritou ele. Tinha amigos dele ali, e a esposa também, parada no canto.

— Como é que o senhor me chamou? — falei, firme. — Eu não te dei esse direito, seu assassino, seu canalha!

Ele me deu um tapa forte no rosto.

— Não me toque, seu maldito! — avisei. — E por favor, não fale comigo. Viva a sua vida de trapaças e me deixa com a minha vida fracassada.

— De onde você tirou dinheiro, Leandro? Para comprar essas suas merdas? E ainda comprou cocaína pura desse jeito, só para me queimar, seu menino de rua?

— O senhor é o dono de tudo, e o meu avô também. Vocês dois que bancem todas as minhas merdas!

Peguei o meu celular, mas ele bateu forte na minha mão, e o aparelho caiu no chão. Respirei fundo: aguenta, Leandro.

— Toma — a mulher do meu pai me entregou o celular, com a mão toda trêmula.

— Obrigado, moça. — Olhei para o velho. — Pai, o senhor não me irrita mais. Eu vou acabar com tudo, o seu jogo comigo não cola.

Saí dali, tomei um banho e dormi.

Mais tarde…

Acordei, e a primeira coisa que vi no meu quarto foi a esposa do meu pai. Ela estava linda, de camisola, os seios quase aparecendo… confesso que fiquei doido, que delícia. Ela pulou em cima de mim. Eu apertei o seu bumbum com carinho, e ela me beijou; comecei a beijá-la de volta, perdido no momento.

Mas logo a razão voltou. Deus, eu não posso! O Senhor me deu um pai errado, mas ela continua sendo a mulher dele.

— Por favor, vai embora — pedi, me afastando devagar. — Nós vamos nos dar muito mal com isso. Eu poderia até me vingar do meu pai usando você, mas não quero. Não quero brincar com os sentimentos dele, e nem abusar de você.

— Pode abusar de mim, eu deixo — disse ela, toda ingênua.

Ela não sabe nada. Só teve uma noite de prazer e acha que pode fazer tudo o que é proibido, só porque gostou. Não faz ideia do que espera por ela, e eu não quero me envolver mais nisso.

— Garota, você conhece o meu pai? — falei baixo. — Ele te colocou numa jaula. Daqui a pouco vai ter outras virgens aqui para ele se aproveitar, e você não conhece o mundo. Eu não quero que você participe do meu mundo. Você me atraiu para essa armadilha sua, e agora nós dois estamos presos.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

— O que você está me oferecendo hoje um dia vai entender — continuei. — O sexo para você foi algo maravilhoso, para o homem é só uma curtição. Um dia você vai ficar tão triste com a vida que vai querer competir com a gente. A diferença é que a mulher demora para encontrar o seu prazer, e nós, homens, conseguimos quando queremos. Tem homens que nem se importam em dar prazer a ninguém, só querem sentir eles mesmos — e nessa parte, não tem como competir com a gente. O homem é um bicho, um cachorro. Agora vai, sai do meu quarto. Se fosse qualquer outra mulher, eu ficaria — mas a mulher do meu pai, não.

Ela começou a chorar e saiu. Vai entender essas mulheres: quando você j**a limpo com elas, elas choram; quando você não j**a, elas choram também. Essa menina maluca me deixou assim, todo duro, sozinho no quarto.

Dois meses depois…

Meu pai até que estava tratando ela melhor. Acho que ela está grávida dele — e o velho é um péssimo exemplo de pai, vamos ver no que vai dar. Ele mesmo comprou os exames, e eu estou na sala com ele. A empregada está com Raquel, como ele pediu.

— Positivo, senhor Joaquim — anunciou ela. O rosto do velho ficou vermelho de raiva.

— Parabéns, pai — falei com ironia. — O senhor vai ganhar um irmãozinho.

— Mas eu nunca toquei nessa prostituta! — gritou ele.

A menina apareceu na porta do banheiro, branca como papel — não sei se de medo ou se já está passando mal por causa da gravidez, mas está muito pálida.

— Ah, pai — falei firme —, o senhor precisa assumir as suas obrigações. Nunca quer se responsabilizar por nada.

— Obrigações que eu não tenho, filho de bandido!

Ele evita me chamar de “filho de uma puta” para não começar uma briga, mas me chama do que ele mesmo é.

— Vou dar um tempo para o senhor pensar — disse eu. Ele me olhou com um ódio que dava para sentir de longe.

— Já disse que não sou o pai! Nunca toquei nessa garota! Ela serve só para me ajudar a fazer negócios na sociedade.

Se ele não é o pai… então sou eu. Ela não tirava os olhos de mim um segundo. Meu pai segurou ela com força.

— Vamos abortar esse bebê! Preciso de você sem barriga, prostituta. Paguei caro demais por você.

— Pai, o meu avô vai chegar hoje! — falei, blefando. Na verdade ele nem sabe o que está acontecendo aqui, faz dias que não falo com ele. Mas usei o nome dele porque meu avô não aceita mais que ele maltrate nenhuma mulher — principalmente depois do que aconteceu com a minha mãe. Ele jurou que enquanto vivesse, faria justiça em nome dela.

Saí dali com o coração apertado, sem olhar para trás, correndo pelo corredor, cheio de sentimentos que me atormentavam. Entrei no meu quarto e liguei para o meu avô.

— Vô, vem para a casa do meu pai rápido. A mulher dele está grávida, e ele quer que ela aborte — igual ele queria fazer comigo.

— Chego aí em alguns minutos — respondeu ele direto.

Meu avô tem a mesma idade do meu pai; os dois eram parceiros nas maldades, mas meu pai matou a filha dele — a minha mãe —, não sei como. Desde então, meu avô se vingou de vários jeitos: tirou muito dinheiro das empresas dele, e obrigou ele a me assumir. As pessoas que acham que os dois valem alguma coisa, coitadas das vítimas… não sabem no que estão se metendo. Essa vingança existe entre eles, mas o meu pai tem medo que todos saibam da sujeira que ele fez com a minha mãe — e talvez outras coisas também. Por isso o meu avô está sempre um passo à frente.

Quando ele chegou, disse que quer que a criança nasça — porque eu falei que era o meu irmão, e que queria muito que ele viesse ao mundo. Meu pai então disse que vai tratá-la como uma empregada, e se não aceitar, ele vai dar um jeito de qualquer forma. Esse velho é perigoso, é melhor acatar por enquanto. Ele fez uma lista de regras e entregou para ela.

Estou sentado perto dele, do meu avô e da Raquel — a minha madrasta.

— Não quero que o senhor se meta na minha vida, senhor Félix — rosnou o pai. — E essas são as ordens para ela, já que essa infeliz vai ter a criança. Não sei nem o que o senhor veio fazer aqui.

— Olha só — disse o avô —, quando cheguei, o meu neto falou com tanta alegria que ia ganhar um irmão.

Raquel me olhou naquele momento, como se me acusasse — mas ela não entende: é tudo ou nada. Se meu pai levar ela para fazer um aborto clandestino, a vida dela não vale nem um centavo para ele, e nem a do meu filho. Mas eu também sei jogar baixo.

— Quais são essas ordens que vai dar para a moça? — perguntou o vô.

— Vou dizer agora — respondeu ele, e leu:

1. Se ela recusar fazer algo que eu queira, dentro das suas tarefas, fica sem almoço.

2. Se danificar qualquer coisa minha, não terá perdão.

3. Se fizer as refeições fora do horário dos empregados, fica sem comer o dia todo.

4. Se atrasar para algum compromisso e me fazer perder tempo ou dinheiro, levará um castigo severo.

— Pai — falei —, pensei muito nessas regras. Ela está grávida, então a terceira pode fazer muito mal ao meu irmão.

— Ele não é seu irmão! Essa prostituta deitou com outro homem!

— Você fez quase a mesma coisa com a minha filha — cortou o avô —, não dá para acreditar em você, Joaquim.

O passado dele está cobrando agora, e eu quase rio. Ele não me queria, fez o exame de DNA e viu que eu era mesmo filho dele — e agora, por causa do erro dele, vai ter que cuidar do meu filho.

— E se eu não cuidar dessa criança, o que vai fazer, Félix?

— Agora falo sério — disse o avô, duro. — Se fizer mal a essa criança, vai pagar por tudo. Sabe aquelas esmeraldas de bilhões que você negociou ontem? Pois é, agora estão nas minhas mãos.

— Como assim?

— Nunca te perdoei de verdade. Os seus cinquenta por cento vão virar vinte e cinco. E se aprontar alguma com a criança, não fica nem com esses vinte e cinco.

Meu pai sempre faz esses negócios grandes, e quando são muito bons, meu avô acaba levando uma parte. E assim, ela vai poder comer, e eu vou poder sair. Deixei os dois ali e fui curtir a noite com a minha ruiva, aliviado por ter conseguido protegê-la por enquanto.

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