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Vendida para o Don cruel - vendida e casada com o Damian
Vendida para o Don cruel - vendida e casada com o Damian
Autor: Bell J. Rodrigues

Capítulo 1

last update Fecha de publicación: 2026-03-20 18:33:00

Esther Hawthorne. 

Sempre achei que havia algo de errado comigo. Às vezes, era meu cabelo negro demais, longo e ondulado demais, como se carregasse sua própria sombra. Outras vezes, eram meus olhos cinzas: frios, raros, quase estranhos que chamavam atenção mesmo quando eu tentava desaparecer. 

Ou talvez fosse a minha pele clara, tão branca que qualquer emoção parecia se acender nela com as sardas que eu carregava desde criança.

Mas, no fundo, eu sabia o verdadeiro motivo de me sentir deslocada: O luto silencioso que nunca foi embora.

Cinco anos se passaram desde que meus pais morreram. Um acidente, disseram a polícia, e bom... Eu acreditei. 

Repetiram tantas vezes que deveria ter virado verdade, mas dentro de mim… nada se encaixava. 

Desde então, eu vivi com Lucas Hawthorne, meu tio. O irmão do meu pai. O homem que nunca fez questão de esconder o quanto não queria estar no meu caminho.

Lucas nunca gostou de mim. Eu sempre soube. Só achava que era indiferença. Algo frio, distante… suportável. Nunca imaginei que pudesse ser pior.

Mas naquela tarde, eu senti algo estranho, não sabia bem explicar. 

Lucas apareceu na porta do apartamento, batendo com força, chamando meu nome com uma urgência que nunca ouvi antes. O que poderia ser? Pensei. 

Estava secando a louça, quando ouvi sua voz. 

— Esther. Vamos sair. — Sua voz era impaciente. — Já chamei um táxi. Anda logo.

Eu franzi a testa, confusa.

— Sair? Para onde? — perguntei secando minhas mãos no pano. 

— Só quero dar uma volta. — Ele respondeu seco, abrindo a porta como se estivesse atrasado para algo.

Ele nunca fazia isso. Nunca me chamava para nada. Nunca demonstrava nenhum interesse em mim.

 Ainda assim, eu obedeci. Talvez por hábito, por medo. Não sei. Eu só obedecia, era rotina eu fazer isso. 

Só saí do apartamento e entrei no veículo, eu me perguntava, para onde estávamos indo, ele não disse nada o caminho todo. 

****

Quando o táxi parou diante de um portão enorme de ferro, cercado por muros altos e seguranças armados, rostos cobertos por máscaras, postura rígida, meu coração parou por um segundo.

Eu reconhecia aquele lugar. Reconhecia as histórias, os avisos, os sussurros.

A mansão Moretti. O lar do homem que todos temiam. Minha respiração travou. Minhas pernas pareciam de borracha. Antes que eu pudesse pensar, meu corpo simplesmente reagiu. Saímos do carro, mas naquele instante, quis ir embora, correr dali. Não ficaria ali, o que meu tio estava fazendo aqui afinal? 

Meu coração disparou, o medo me invadiu. Não pode ser. 

Me virei e tentei correr, mesmo que minhas pernas estavam bambas. 

Mas a mão do meu tio agarrou meu pulso com tanta força que ardeu como fogo na pele. Ele me fez virar para ele, seu rosto estava furioso, um olhar que nunca vi antes, não com tanta raiva. 

— Para com isso. — Ele rosnou. — Vai entrar por bem ou por mal.

Ele estava louco? Por que estava fazendo isso? 

Não tinha como eu lutar com ele, era impossível. Eu só não sabia, porque ele estava fazendo isso? Era por raiva de mim? Por que não gostava de mim? Não sabia. 

Ele me puxou até os portões e aqueles homens... Abriram aquelas grades. 

Quando meu tio caminhou e me puxou, senti que estava entrando em outro mundo. Um pesadelo. O caminho iluminado por luzes amareladas criava sombras compridas. Havia homens armados em todos os lados. 

Meus dedos tremiam, e eu mal conseguia respirar. Na mansão, o impacto foi ainda pior. Uma mesa longa ocupava o centro da sala, sobre ela, um contrato.

O que era isso? Meus olhos saltaram. 

Ao redor, capangas imóveis como estátuas, me observando. E então eu o vi. O Don.

Damian Moretti. O homem mais temido de toda a Califórnia.

Ele estava sentado à cabeceira como se fosse dono do mundo. A luz baixa tocava seus olhos castanhos intensos, profundos, perigosos. As tatuagens subiam por seu pescoço e sumiam sob a camisa aberta, revelando só o suficiente para dar medo… e curiosidade.

Quando os olhos dele encontraram os meus, senti algo gelado correr por dentro.

Era como se ele estivesse anotando cada detalhe meu. Meu cabelo, minha pele, meu medo, minha postura, minha respiração.Tudo. Nada passava despercebido.

Meu tio caminhou até a mesa, e só então percebi que suas mãos tremiam um pouco. Ele nem olhava para Damian. Apenas pegou a caneta e assinou o contrato.

Eu senti o chão sumir sob meus pés. Aquele contrato… era sobre mim. Claro... Ele estava, me vendendo para ele? Mas, por que? Não entendia. 

Minha visão ficou turva por um instante. As palavras não faziam sentido. O ar parecia pesado demais para entrar nos meus pulmões.

Damian pegou a caneta com uma calma que me aterrorizou. Ele assinou como se estivesse fechando um acordo qualquer. E, com aquele simples gesto, minha vida deixou de ser minha.

Não era nada qualquer, era a minha vida... E agora... eu pertencia a ele.

— Um dos meus homens vai entregar o dinheiro. — A voz dele cortou o silêncio como lâmina.

Meu desespero finalmente explodiu. Eu corri até meu tio, segurando sua camisa, implorando.

— Por favor… me leve embora. Por favor, tio… eu não quero ficar aqui. Eu imploro… por que está fazendo isso comigo? Eu não entendo... - disse, com os olhos marejados. 

Ele olhou para mim como se eu fosse nada. Olhos vazios, não havia nada ali, e isso era bem pior. 

— Você não é mais problema meu. — disse, afastando minha mão com violência.

E então… ele foi embora. Sem olhar para trás. Sem hesitar. Sem remorso.

Meu mundo quebrou ali. Segurei o choro com tanta força que meus dedos doíam enquanto apertavam meu vestido. Mas não adiantava. Foi então que eu senti. A presença dele.

Damian Moretti se aproximou devagar. Seus passos eram calculados, firmes. Predatórios.

Quando ele parou diante de mim, a sala toda pareceu encolher. Ele me observava como se eu fosse uma peça rara que acabara de adquirir.

— Agora você é minha. — disse, sua voz rouca e baixa, carregada de um poder que me fez estremecer.

Sua mão tocou minha cintura. Forte. Quente. Ele me puxou até a parede gelada, prendendo meu corpo com facilidade. Arfei, tentando empurrá-lo, mas era impossível movê-lo. Ele era grande demais, forte demais. 

Mesmo assim… eu consegui me afastar alguns centímetros. Não muito. Mas o suficiente para mostrar que eu não queria aquilo. Os olhos dele mudaram. Eles se estreitaram… E então vi algo que me deixou sem ar:

Interesse. Diversão. Curiosidade. Como se eu fosse o primeiro desafio da vida dele.

Ele sorriu de lado, um sorriso perigoso, lento.

— A partir de hoje… tudo será divertido. — Ele disse, como se estivesse me avisando e brincando ao mesmo tempo.

Depois, estalou os dedos.

— Levem-na para o quarto. E reforcem a porta. Não quero que ela saia.

Dois homens vieram imediatamente. Me seguraram pelos braços e me arrastaram pelo corredor como se eu fosse leve demais para importar. A mansão parecia um labirinto escuro, iluminado apenas por lâmpadas antigas, jogando sombras estranhas nas paredes.

Quando a porta se fechou atrás de mim, eu não aguentei.

Meu corpo cedeu.

Me joguei na cama e comecei a chorar, não acreditando que meu tio tinha feito isso. Ele me vendeu para o Don, mas por que? Eu não valo nada, isso não tem explicação. 

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