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O jogo começa

Autor: Luana
last update Data de publicação: 2026-07-21 00:20:17

Laura narrando

Não consegui dormir.

Passei boa parte da noite sentada perto da janela, olhando para a escuridão que envolvia a propriedade.

De vez em quando, os faróis de algum veículo cruzavam a estrada distante.

Depois desapareciam.

E tudo voltava ao silêncio.

Um silêncio pesado.

Doloroso.

Fechei os olhos por alguns segundos.

A imagem de Tiago surgiu imediatamente em minha mente.

Será que ele tinha ido à mansão?

Será que acreditou quando disseram que eu havia viajado?

Meu coração apertou.

Uma
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Último capítulo

  • Vendida pela madrasta    Para sempre

    Laura narrando Seis meses. Às vezes eu ainda custava a acreditar que apenas seis meses haviam passado. Parecia outra vida. Naquela manhã, acordei cedo. Abri a janela do meu quarto e deixei o sol entrar. O jardim da mansão estava ainda mais bonito do que eu lembrava. As roseiras floresciam novamente. Os pássaros cantavam como se aquele lugar finalmente tivesse encontrado paz. Respirei fundo. Durante muito tempo, achei que jamais conseguiria voltar a viver naquela casa. Hoje, porém, ela já não me lembrava apenas da dor. Lembrava do amor do meu pai. Do carinho da minha mãe. Das brincadeiras da infância. E das pessoas que permaneceram ao meu lado quando tudo parecia perdido. Dona Célia continuava morando comigo. Ela dizia que agora a casa voltara a ter vida. E eu concordava. Todos os dias ela preparava café enquanto reclamava que eu trabalhava demais administrando os negócios deixados por meu pai. Eu ria. Era exatamente o tipo de bronca que ele dar

  • Vendida pela madrasta    Um novo começo

    Laura narrandoDepois que a viatura desapareceu no fim da estrada, permaneci alguns segundos olhando para o portão da mansão.Era estranho.Durante tantos meses eu havia sonhado com aquele momento.Imaginava que, quando Paola fosse presa, eu sentiria uma felicidade imensa.Mas não foi isso que aconteceu.O que senti foi paz.Uma paz silenciosa.Como se um peso enorme tivesse sido arrancado dos meus ombros.Respirei fundo.Olhei para Tiago.Ele sorriu para mim.— Está pronta?Olhei para a casa.A mesma casa onde aprendi a andar.Onde meu pai me pegava no colo quando eu tinha medo das tempestades.Onde minha mãe cantava para eu dormir.E onde, anos depois, tudo havia mudado.Engoli em seco.— Acho que agora estou.Entramos juntos.Assim que atravessei a porta, um perfume suave de madeira antiga e flores tomou conta do ambiente.Fechei os olhos por alguns segundos.Era exatamente o cheiro que eu lembrava da infância.Passei lentamente a mão pelo corrimão da escada.Meu pai sempre dizia q

  • Vendida pela madrasta    A justiça de Bernado

    Laura narrando O delegado ligou pouco depois das oito horas da manhã. Eu ainda não havia conseguido dormir. Passei a noite inteira olhando pela janela, pensando em tudo o que tinha acontecido. Quando o telefone tocou, meu coração acelerou. Atendi imediatamente. — Alô? — Laura? Era o delegado Henrique. — Sim. — Estamos na mansão do seu pai. Conseguimos cumprir os mandados de busca e de prisão. Olhei para Tiago, que imediatamente percebeu a expressão no meu rosto. — O que aconteceu? Coloquei a ligação no viva-voz. — Encontramos Paola e Ricardo. Nenhum dos dois conseguiu fugir. Meu coração bateu mais forte. Respirei profundamente. O delegado continuou: — Gostaria que você viesse até aqui. Existem alguns documentos que precisam ser reconhecidos por você. Além disso... Acho que este momento também pertence à sua família. Fechei os olhos. A mansão. Cada canto daquela casa trazia lembranças do meu pai. Da minha infância. Da minha mãe.

  • Vendida pela madrasta    O fim da mentira

    Paola narrandoNunca gostei do silêncio.Para mim, silêncio sempre significou perigo.Naquela madrugada, sentado no sofá da sala ao meu lado, Ricardo também permanecia calado.Nenhum de nós conseguia dormir.Desde que Matias saíra da minha casa dizendo que iria buscar Laura, um pressentimento ruim não saía do meu peito.Olhei para o relógio pela décima vez.Quase quatro horas da manhã.— Ele já deveria ter ligado.Ricardo respirou fundo.— Talvez esteja resolvendo tudo.Balancei a cabeça.— Matias nunca demorava para dar notícias.Ele sempre fazia questão de mostrar que estava no controle.Levantei-me e caminhei pela sala.As mãos estavam geladas.Peguei o celular.Nenhuma ligação.Nenhuma mensagem.Disquei o número dele.Chamou.Chamou outra vez.Depois caiu na caixa postal.Meu coração apertou.Tentei novamente.O mesmo resultado.Olhei para Ricardo.— Isso não é normal.Ele levantou-se.Tentando demonstrar uma calma que claramente não sentia.— Deve estar sem sinal.Sorri sem humor

  • Vendida pela madrasta    A justiça começa

    Laura narrandoO silêncio que tomou conta do jardim depois do último disparo foi mais assustador do que o próprio tiroteio.Durante alguns segundos, ninguém se moveu.Era como se todos tentassem entender o que havia acabado de acontecer.O vento balançava as árvores.As luzes da fachada iluminavam o gramado onde Matias permanecia caído.Minha mão ainda segurava a arma.Ela pesava tanto que parecia feita de chumbo.Olhei para meus dedos.Eles tremiam sem parar.Então a arma escapou da minha mão e caiu sobre a grama.O barulho me fez despertar daquele estado de choque.Olhei novamente para Matias.Ele continuava imóvel.Os homens dele permaneciam espalhados pelo jardim.Alguns ainda seguravam as armas.Outros simplesmente olhavam para o corpo do chefe.Sem saber o que fazer.Tiago aproximou-se devagar.Segurou minhas duas mãos.— Laura...Olhei para ele.As lágrimas voltaram imediatamente.— Eu... eu atirei...Minha voz quase não saiu.Ele segurou meu rosto com delicadeza.— Você salvou

  • Vendida pela madrasta    O último tiro

    Laura narrandoO tempo pareceu parar.Vi a mão de Matias desaparecer por dentro do paletó.Ao mesmo tempo, os seguranças de Tiago levantaram as armas.Os homens de Matias fizeram exatamente a mesma coisa.Por um único segundo...Ninguém respirou.— Não!Minha voz ecoou pela frente da casa.Dei um passo à frente.Levantei as duas mãos.— Não façam isso!Matias continuava olhando apenas para mim.Era como se mais ninguém existisse.Nem Tiago.Nem os homens armados.Nem o mundo inteiro.Só eu.Ele retirou lentamente uma pistola.Não a apontou para mim.Apontou para o chão.— Laura...Ainda dá tempo.Venha.Vamos embora.Respirei fundo.As lágrimas já escorriam pelo meu rosto.— Não existe mais "nós", Matias.Ele fechou os olhos por um instante.Quando tornou a abri-los, havia apenas dor.— Eu fiz tudo por você.Balancei a cabeça.— Não.Você fez tudo por você.Nunca perguntou o que eu queria.Nunca perguntou se eu era feliz.Só decidiu que eu seria sua.A expressão dele endureceu.— Eu a

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