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Depois de Tudo

Author: Val Lima
last update publish date: 2026-09-02 22:56:14

Clara chegou à cobertura pouco depois das sete. Tomou banho, trocou de roupa e foi para a sala. Pegou um livro, serviu uma taça de vinho e se acomodou no sofá, mantendo os olhos nas páginas enquanto a noite avançava silenciosamente do lado de fora.

A iluminação baixa deixava a sala aconchegante, e o único som constante vinha das páginas sendo viradas. Clara conseguiu ler algumas páginas até ouvir o elevador parar no andar. O som das portas se abrindo fez com que levantasse os olhos.

Henrique sa
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  • Vidas Entrelaçadas    Nós vamos atrás deles.

    Algumas horas depois, o telefone de Vinícius vibrou sobre a madeira da mesa.Era Eduardo.— Descobriu alguma coisa? — Vinícius perguntou assim que atendeu, a voz rígida.— Sim. E acho que encontramos uma pista importante.Vinícius se endireitou na cadeira, os músculos do corpo tensionando de imediato.— Fale.— A equipe conseguiu identificar uma conta ligada ao Leonardo que não aparecia nos levantamentos anteriores. O dinheiro está mantido em uma estrutura financeira no exterior, em uma jurisdição conhecida pelo sigilo bancário.Vinícius ficou ainda mais atento, os olhos estreitados.— E o que encontraram?— Uma transferência de valor alto feita há poucos dias. O dinheiro foi enviado para uma empresa de aviação executiva.— Para contratar um jato?— Exatamente.Vinícius se levantou num ímpeto, a cadeira raspando no piso.— E conseguiram descobrir de onde ele vai sair?— Conseguimos. A empresa confirmou a contratação e passou os dados do voo. O jato vai decolar de uma pista particular

  • Vidas Entrelaçadas    Uma nova pista

    Quatro dias haviam se passado desde o desaparecimento de Clara. Durante todo aquele tempo, Vinícius acompanhara cada avanço da investigação. A polícia já havia analisado as imagens do hospital, localizado o motorista do aplicativo e registrado seu depoimento. O homem havia contado que outro veículo o obrigara a parar e que dois homens retiraram Clara do carro. Desde então, a polícia e a equipe de Vinícius vinham trabalhando em conjunto para reconstruir o trajeto feito depois daquele momento. Câmeras de segurança, registros de estabelecimentos e imagens de trânsito eram cruzados com os horários informados pelo motorista. Algumas gravações permitiram acompanhar o segundo veículo por determinados trechos, mas, depois de certo ponto, as imagens simplesmente desapareciam. Até aquela manhã. Vinícius estava novamente diante do computador, revendo parte das gravações que já conhecia quase de memória, quando o telefone tocou. Quatro dias quase sem dormir começavam a pesar. Seus olhos esta

  • Vidas Entrelaçadas    Ele realmente vai fazer isso

    Clara não conseguiu dormir naquela noite.Enquanto a escuridão do quarto parecia sufocá-la, ela permaneceu sentada no chão frio, olhando fixamente para a porta trancada. Tentava organizar os pensamentos em meio ao caos, mas a frase de Leonardo ecoava em sua mente como uma sentença: ele pretendia tirá-la do país.Com as mãos trêmulas, Clara levou os dedos até o ventre, protetora.Vinícius ainda não sabia da gravidez.Aquela deveria ter sido a melhor notícia do mundo, a primeira coisa que ela contaria assim que saísse do hospital e voltasse para os braços dele. Agora, o futuro havia se transformado em um borrão aterrorizante, e ela nem sequer sabia se voltaria a ver o homem que amava.Quando os primeiros raios de sol pálido cortaram a fresta da janela, ela continuava desperta, com os olhos ardendo de cansaço e lágrimas contidas.Pouco depois, o som metálico da chave girando na fechadura quebrou o silêncio.Leonardo entrou.Dessa vez, não trazia comida ou qualquer falsa cortesia. Apenas

  • Vidas Entrelaçadas    Nós vamos criar esse filho juntos

    Clara abriu os olhos devagar. A cabeça latejava com uma dor contínua, e sua visão demorou alguns segundos para se ajustar ao ambiente. Ela permaneceu imóvel sobre o colchão duro, tentando entender onde estava.O teto de madeira escura, com vigas expostas, era completamente desconhecido.Puxou o ar e sentiu um cheiro pesado de umidade, misturado à maresia e à poeira antiga. Não estava no hospital. Também não estava em casa.Com dificuldade, sentou-se na cama, mas uma onda de tontura e enjoo a fez fechar os olhos e levar a mão à testa.— Ai...As lembranças daquela tarde começaram a voltar aos poucos. Ela se lembrou de ter saído do hospital, entrado no carro do aplicativo e, pouco depois, de uma freada brusca em uma rua que não reconhecia. Depois vieram os homens, a mão cobrindo sua boca e aquele cheiro estranho que tomou conta de seus sentidos antes que tudo ficasse escuro.Depois disso, não lembrava de mais nada.O pânico tomou conta dela.Clara levou imediatamente a mão à barriga.—

  • Vidas Entrelaçadas    Então quem enviou aquela mensagem?

    Quando a reunião finalmente terminou, Vinícius soltou o ar devagar e recostou-se na cadeira.— Finalmente.Os investidores haviam prolongado a discussão muito além do previsto, e ele já estava exausto de olhar para aqueles documentos. Recolheu alguns papéis sobre a mesa enquanto os outros participantes começavam a deixar a sala.Foi então que se lembrou de Clara.Pegou o celular e viu uma mensagem de Eduardo.Eduardo: Vinícius, hoje a Clara passou mal. Eu levei ela para o hospital. Quando fui pegar os documentos que você pediu, pedi para a Marisa ficar com ela.Vinícius franziu a testa.— Foi alguma coisa séria?A resposta veio pouco depois.— Não. Ela estava bem quando saí. O médico estava acompanhando.Vinícius soltou o ar, mas a preocupação permaneceu. Ligou para Clara. O telefone chamou algumas vezes, mas ninguém atendeu. Tentou novamente.Nada.— Atende, Clara...Ele olhou para a tela por alguns segundos e decidiu ligar para Marisa. Depois de alguns toques, ela atendeu.— Alô?—

  • Vidas Entrelaçadas    127

    Naquela manhã, Clara acordou ao lado de Vinícius com uma sensação que há muito tempo não conhecia: paz.Depois de tantos meses vivendo entre desconfianças, mágoas e palavras que pareciam sempre esconder alguma coisa, era estranho simplesmente acordar e saber que não precisava se perguntar como seria o dia.Vinícius estava sentado na cama, terminando de abotoar a camisa, quando percebeu que ela o observava.— Está me encarando por quê?Clara sorriu.— Estou tentando me acostumar com você sendo gentil comigo.Ele soltou uma risada baixa.— Posso voltar a ser insuportável, se preferir.— Não. Acho que gostei dessa versão.Vinícius se inclinou e beijou a testa dela.— Então vou tentar manter.Pouco depois, os dois seguiram juntos para a empresa. No caminho, conversaram sobre coisas simples. Clara comentou sobre uma pendência do trabalho, Vinícius reclamou de um relatório que precisava revisar, e os dois acabaram rindo de uma situação que, em outra época, provavelmente teria terminado em d

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