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Você está gostando disso

Autor: Val Lima
last update Fecha de publicación: 2026-04-20 20:55:53
Clara acordou com a sensação de que a noite não tinha passado de verdade.

O corpo estava pesado, a cabeça lenta, como se o descanso tivesse sido interrompido antes mesmo de começar, e por alguns segundos ela permaneceu imóvel, encarando o teto enquanto tentava reunir alguma clareza que não vinha.

Virou o rosto devagar.

Vinícius dormia ao lado, a respiração estável, o corpo relaxado de um jeito que contrastava com o estado dela, e a luz fraca que atravessava a cortina desenhava contornos su
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Último capítulo

  • Vidas Entrelaçadas    A espera

    — Dona Clara... Dona Clara...A voz chegou distante, como se viesse de dentro de um sonho.Clara se mexeu no sofá, franzindo a testa enquanto tentava ignorá-la. Por alguns segundos, acreditou que ainda estivesse dormindo.— Dona Clara, acorde.Ela abriu os olhos lentamente e encontrou Marisa parada diante dela.Clara piscou algumas vezes, tentando entender onde estava. Então a lembrança da noite anterior voltou de uma vez. Vinícius ainda não tinha chegado.Ela se ajeitou no sofá e passou a mão pelo rosto. O corpo inteiro doía por ter dormido naquela posição. Olhou para o relógio e percebeu que já era manhã.— Que horas são?— Já passou das oito.Clara arregalou os olhos.— Oito?Marisa assentiu.— A senhora não vai para a empresa?Clara levou a mão aos cabelos, ainda tentando despertar completamente.— Vou. Eu só acabei dormindo.Seu olhar caiu sobre a mesa de centro. O celular estava exatamente onde o havia deixado. Ela o pegou e desbloqueou a tela, mas não encontrou nenhuma mensagem

  • Vidas Entrelaçadas    A manhã seguinte

    A primeira coisa que Vinícius sentiu ao acordar foi a dor de cabeça.Uma pressão incômoda latejava atrás dos olhos, fazendo com que permanecesse imóvel por alguns segundos, ainda de olhos fechados. Tentou se lembrar de onde estava, mas as imagens da noite anterior surgiam desordenadas em sua mente. O bar, Henrique, Sabrina, o uísque e, por último, Júlia. A lembrança dela fez sua expressão mudar antes mesmo que conseguisse entender por quê.Ele abriu os olhos de repente.O teto não era o da sua cobertura.Vinícius virou lentamente o rosto e examinou o quarto desconhecido. Por alguns segundos, não conseguiu entender o que estava fazendo ali.Então seu olhar caiu sobre o chão. A calça estava jogada próxima à cama, enquanto a camisa social se encontrava do outro lado do quarto, parcialmente amassada, como se tivesse sido deixada ali às pressas.Vinícius franziu a testa e sentou-se devagar, passando a mão pelo rosto.A última lembrança nítida que tinha era de Júlia ajudando-o a chegar até

  • Vidas Entrelaçadas    Uma noite diferente

    O carro de Júlia atravessou o estacionamento quase vazio do prédio e parou diante do elevador privativo. Vinícius permaneceu alguns segundos sentado no banco do passageiro, com a cabeça apoiada no encosto e os olhos fechados. A bebida havia diminuído a tensão em seu corpo, mas não conseguira silenciar os pensamentos que o perseguiam desde que descobrira toda a verdade.Júlia desligou o motor e olhou para ele com cuidado. Apesar de tentar manter a firmeza, Vinícius parecia completamente exausto. Havia uma tristeza silenciosa em seu rosto que ela nunca tinha visto daquela maneira.— Você consegue subir?Vinícius abriu os olhos lentamente e soltou um suspiro.— Consigo. Só não quero ir para casa.Júlia não precisou perguntar o motivo. Sabia que Clara estaria esperando por ele na cobertura e também sabia que, naquele momento, qualquer conversa entre os dois poderia terminar em mais sofrimento.— Então não vá.Vinícius virou o rosto para ela, como se não tivesse entendido.— Como assim?—

  • Vidas Entrelaçadas    Até quando você vai fugir de mim?

    Henrique conduzia o carro pelas ruas quase desertas da cidade. O silêncio dentro da cabine era denso, carregado por uma tensão que, embora pesada, não chegava a ser desconfortável. Sabrina, com o olhar perdido na paisagem que passava pela janela, suspirou baixinho antes de romper a quietude.— Acho que tem algo errado naquela notícia — comentou ela, sem tirar os olhos do vidro.Henrique desviou a atenção da pista por apenas um segundo, concordando com um breve aceno.— Também acho. Páginas de fofoca adoram aumentar os fatos. Conhecendo a Clara como conhecemos, duvido muito que a história seja exatamente o que estão pintando.Sabrina passou a mão pelos cabelos, num gesto de frustração.— O problema é convencer o Vinícius disso. Ele está magoado demais para enxergar qualquer coisa além da própria dor agora.Henrique apenas respirou fundo, mantendo o foco na direção até estacionar em frente à casa de Sabrina. O motor silenciou e, logo em seguida, ele desceu do carro, contornando o veícul

  • Vidas Entrelaçadas    Acho que deu por hoje

    O silêncio ficou sobre a mesa por mais tempo do que qualquer um deles gostaria. Vinícius manteve os olhos presos ao copo, girando lentamente o uísque entre os dedos, enquanto Sabrina ainda parecia tensa, como se quisesse dizer algo, mas não encontrasse uma forma de fazer isso sem piorar tudo. Henrique foi o primeiro a se mover e chamou o garçom com um gesto discreto. — Mais uma rodada. Sabrina olhou para éle, surpresa. — Henrique... — Só mais uma — ele respondeu, tentando aliviar o peso do momento. — Acho que todo mundo aqui precisa respirar um pouco. Vinícius não protestou. Quando o garçom deixou as bebidas na mesa, Henrique mudou de assunto com a habilidade de quem conhecia bem o amigo. Falou de uma viagem antiga, de uma reunião em que quase derrubara café em um cliente importante, de qualquer coisa que não envolvesse Clara, Gael ou fotografias espalhadas pela internet. No começo, Vinícius quase não reagiu, mas logo soltou uma risada baixa com uma das histórias. Sabrina

  • Vidas Entrelaçadas    Nem Toda Verdade Traz Paz

    O bar estava movimentado, mas longe do caos de uma boate. Música ao vivo preenchia o ambiente em um volume agradável, misturada ao som de conversas e ao tilintar dos copos. Vinícius apoiou os cotovelos sobre a mesa redonda enquanto girava lentamente o uísque no copo. Henrique observou o amigo por alguns segundos antes de quebrar o silêncio. — Você precisa parar de pensar nisso nem que seja por duas horas. Vinícius soltou um sorriso sem humor. — Se descobrir como, me avisa. — É exatamente por isso que eu te arrastei até aqui. Mesmo não gostando de ambientes assim. — Você me arrastou porque não aguentava mais me ouvir reclamar. — Também. Os dois riram discretamente. Pela primeira vez in dias, o peso sobre os ombros de Vinícius parecia um pouco menor. — Sabe qual é a pior parte? — Vinícius perguntou. Henrique apenas ergueu os olhos. — Eu passei tanto tempo querendo descobrir a verdade... e agora que descobri, parece que não resolveu nada. — Porque algumas verdades

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