FAZER LOGINCAPÍTULO 46O Esteban levava a última meia hora a vaguear pela periferia do evento. Com o seu fato cinzento um pouco mais largo do que o necessário e um copo de vinho que mal tinha tocado.O seu olhar, no entanto, não procurava a aprovação do seu estrito chefe, o Thiago, nem a da impecável Karla. O que realmente queria, o que o tinha mantido a dar voltas à volta da zona dos grelhadores como um satélite tímido, era aproximar-se da Sofía.Tinha-a visto desde o momento em que chegou à quinta no autocarro fretado pela empresa. Ao contrário das executivas com os seus vestidos de cocktail e saltos impossíveis para o relvado, a Sofía levava um vestido comprido e fluido e umas botas baixas de couro. Movia-se entre as mesas com uma naturalidade avassaladora, a rir-se com os empregados de manutenção da mesma forma em que saudava os acionistas mais importantes.Armando-se de coragem, e aproveitando que o Mateo não estava na mesa principal e o Benício tinha arrastado o Thiago para o bar aberto, a
CAPÍTULO 45Mas antes que a Samanta pudesse dar meia-volta e escapar em direção à segurança da casa, a Sofía deteve-a com uma última estocada de hospitalidade.— Samanta —disse-lhe a Sofía—, antes de ires mudar-te... gostaria que ficasses na reunião. Que participasses connosco no jantar.A Samanta arregalou os olhos, alarmada. O seu acordo com o Héctor era claro: dançar e desaparecer. Ficar para jantar com a família De la Vega não fazia parte do plano.— Oh, não, não é preciso —apressou-se a dizer ela, recuando—. Eu já terminei o meu trabalho. Tenho de regressar à cidade, tenho... tenho outros compromissos.A Lucía, que não estava disposta a deixar ir a artista que tinha trazido tanta beleza à sua festa, interveio com a sua autoridade de anfitriã e mãe.— Sim, por favor, Samanta. Fica. —A Lucía pôs-lhe uma mão cálida no braço nu—. Peço-to eu. Fizeste desta noite algo inesquecível para o Alexander e para mim. O mínimo que podemos fazer é oferecer-te um prato de comida quente e um copo
CAPÍTULO 44O relógio marcava as dez da noite quando as luzes principais da tenda se atenuaram lentamente, deixando apenas o resplandor cálido das velas nos centros de mesa e umas luzes estratégicas focadas na pista de madeira que tinha sido instalada no centro do relvado. O murmúrio da multidão silenciou-se, substituído pela expetativa.A Sofía de la Vega, sentada junto ao seu irmão Mateo, inclinou-se ligeiramente para a frente.Uma melodia de piano, limpa e melancólica, começou a flutuar no ar frio da noite.Das sombras do jardim, emergiu uma figura.A Samanta não levava lantejoulas, nem penas, nem o olhar desafiante do Club Velvet. Vestia um maillot branco inmaculado e uma saia de tule vaporosa que lhe chegava abaixo dos joelhos. O seu cabelo escuro estava apanhado num carrapeto estrito de bailarina clássica, e o seu rosto, desprovido da maquilhagem pesada da cidade, exibia uma beleza pálida e etérea sob os focos tenues.Quando deu o primeiro salto, o tempo pareceu deter-se na quin
CAPÍTULO 43Horas mais tarde, a Sofía regressou ao sórdido beco traseiro do Club Velvet.Voltou a bater na pesada porta metálica. Desta vez, o Héctor já a estava a esperar.A Sofía abriu a sua mala tiracolo e tirou um envelope de papel pardo abaulado. Estendeu-lho sem hesitar.— Aqui trago-lhe o adiantamento que lhe prometi, Héctor —disse ela, com um tom firme e profissional que tinha aprendido a observar a mãe a negociar com fornecedores—. Metade exata da tarifa acordada para a apresentação da Samanta este sábado na quinta.O Héctor pegou no envelope. Sopesou a grossura na sua mão e, sem largar o cigarro, meteu o polegar pela aba para o abrir.— Espero que não a ofenda, senhorita De la Vega, mas vou contar —murmurou ele, tirando as notas de banco do envelope—. Negócios são negócios.A Sofía cruzou os braços, mantendo a sua expressão inalterável.— Conte as vezes que precisar.— Falemos do pagamento final. O resto do dinheiro quero que mo traga a mim no sábado também em dinheiro vivo
CAPÍTULO 42(Dias antes da celebração na Quinta Flores de la Vega)Desde que tinha descoberto o segredo do Mateo e a identidade da mulher que o atormentava, a ideia de levar a Samanta para a quinta tinha-se tornado numa obsessão para a Sofía.Aparcou o seu Jeep a duas quadras do clube. À luz do dia, o Velvet perdia todo o seu mistério e glamour. Sem os néones acesos nem a fila de carros de luxo à porta, o edifício parecia velho, cansado e francamente deprimente.A Sofía saiu do carro, a ajeitar o blusão de cabedal, e caminhou em direção à entrada de serviço que dava para o beco. Sabia que a Samanta provavelmente estaria a dormir a essa hora, mas não tinha a intenção de falar com ela diretamente. O cartão com o número de telefone que a bailarina lhe tinha dado queimava no seu bolso, mas a Sofía intu&iacut
CAPÍTULO 41A Sofía De la Vega caminhava pelo alpendre dianteiro com passos rápidos e nervosos. O seu telemóvel vibrou no bolso do blusão de malha que levava sobre o seu vestido verde. Era uma mensagem a confirmar que o carro de aluguer contratado tinha cruzado o portão de segurança da quinta e se aproximava pelo carreiro principal.A Sofía tinha contratado uma apresentação de dança da Samanta.Enquanto todos jantavam e ouviam um discurso anedótico do Augusto sobre os inícios da VegaCorp, a Sofía escapuliu-se silenciosamente da tenda iluminada e saiu para recebê-la ao caminho de gravilha.O sedan preto deteve-se com suavidade. A porta traseira abriu-se e a Samanta desceu do veículo. Levava um casaco comprido e escuro que ocultava a sua figura, e segurava com força uma mala de lona desportiva com o seu guarda-roupa e maquilhagem. Olhou &agr







