FAZER LOGINCapítulo 6 — O Clube
Fui ao clube. Não porque Noah tivesse me convencido — dizia isso a mim mesma no banco do carro, enquanto ele dirigia rápido demais pelas curvas da estrada — mas porque ficar naquela casa, sozinha com os próprios pensamentos, parecia pior do que qualquer coisa que ele pudesse aprontar. — Sabia que você viria — ele disse, um sorriso satisfeito no rosto, os olhos na estrada. — Não se acostume. — Impossível. Já estou imaginando as próximas vezes. O clube era exatamente o tipo de lugar que eu esperava — piscina infinita, gente bonita demais bebendo coisas caras demais, um ambiente que cheirava a dinheiro e indiferença. Noah caminhava por ali como se fosse dono do lugar, cumprimentando pessoas com aperto de mão e sorrisos fáceis, sempre com uma mão leve nas minhas costas me guiando pela multidão, um gesto que parecia mais possessivo do que gentil. — Relaxa — ele sussurrou perto do meu ouvido, o hálito quente contra minha pele. — Ninguém aqui vai te comer viva. Isso é trabalho meu. — Muito engraçado. — Eu sei. — Ele piscou, pegando duas taças de uma bandeja que passava e me entregando uma. — Bebe. Vai te ajudar a suportar essas pessoas insuportáveis. Sentamos numa mesa afastada, perto o suficiente da piscina para sentir a brisa fresca da água. Pela primeira vez desde que cheguei àquela família, senti algo parecido com normalidade — Noah contando histórias absurdas sobre os amigos ali presentes, fazendo-me rir de verdade pela primeira vez em dias. — Você é diferente quando ri — ele disse, de repente, a voz mais séria do que o tom da conversa pedia. — Devia fazer isso mais. — Difícil rir muito numa casa cheia de gente que quer me ver longe. Algo cruzou o rosto dele — uma sombra rápida, ali e desaparecida antes que eu pudesse examiná-la de perto. — Nem todo mundo quer isso — ele disse, baixinho. — Você também não parece muito interessado em me ter por perto, com todas as suas piadas sobre eu ser um "problema". — Piadas são minha forma de lidar com coisas que eu não sei como processar. — Ele se aproximou, a distância entre nós encolhendo devagar. — E você, Elisa Ferreira, é definitivamente algo que eu não sei processar. O ar entre nós ficou pesado, carregado de uma tensão que eu tinha sentido crescendo desde o primeiro dia, mas que nunca tinha sido tão inegável quanto naquele momento. — Noah... — Eu sei. — Ele recuou de repente, como se tivesse se pego fazendo algo proibido, a máscara de charme voltando ao lugar rápido demais. — Esquece. Vamos, te apresento pra galera. O resto da noite passou num borrão de risadas forçadas e conversas superficiais, mas eu não conseguia esquecer aquele momento — o jeito como a voz dele tinha mudado, o jeito como os olhos dele tinham me encarado como se eu fosse algo raro e perigoso ao mesmo tempo. Já estava escurecendo quando voltamos para o carro. Noah dirigia em silêncio dessa vez, o rádio baixo, algo diferente na energia entre nós. — Obrigada — falei, quebrando o silêncio. — Por hoje. Precisava disso. — De nada. — Ele parou o carro no portão da mansão, mas não desligou o motor, os dedos batendo um ritmo nervoso no volante. — Elisa, eu preciso te dizer uma coisa. Meu coração acelerou. — O quê? Ele hesitou, os olhos passando dos meus para os lábios e de volta, uma luta silenciosa acontecendo por trás daquela fachada sempre confiante. — Esquece — ele disse finalmente, balançando a cabeça, a voz mais rouca do que antes. — Vamos entrar antes que meus irmãos decidam me matar por chegar tarde com você. Ele saiu do carro rápido demais, evitando meu olhar, e eu fiquei sentada por um segundo a mais, o coração batendo forte, tentando entender o que quase tinha acontecido — e por que, cada vez mais, uma parte de mim desejava que ele não tivesse recuado.Capítulo 89 Para sempre, do nosso jeito Seis meses passaram. Era uma tarde de primavera. Os jardins da mansão Andrade nunca estiveram tão bonitos. Flores brancas enfeitavam o caminho de pedras. Pequenas luzes pendiam das árvores. Não havia luxo exagerado. Nem centenas de convidados. Apenas as pessoas que realmente faziam parte da nossa história. Simone e Tatiele estavam ao meu lado desde cedo. Enquanto ajustavam os últimos detalhes do meu vestido, as duas não escondiam a emoção. Simone sorriu através das lágrimas. Simone: — Lembra da menina que morria de medo do primeiro dia na empresa? Ri baixinho. Elisa: — Às vezes acho que ela ainda mora aqui dentro. Tatiele segurou minhas mãos. Tatiele: — Não. Ela cresceu. Você continua sendo a mesma... Só ficou mais forte. Respirei fundo. Era verdade. Eu havia mudado. Mas sem perder quem eu era. Do lado de fora, Felipe, Thiago e Noah aguardavam juntos. Os três usavam ternos escuros. Cada um ca
Capítulo 88 Um pedido. Três corações. Dois meses se passaram. A paz finalmente fazia parte da rotina da mansão Andrade. A Coleção Eterna continuava sendo um sucesso. Minha joia havia se tornado uma das mais vendidas da coleção. Ainda me emocionava sempre que recebia cartas de clientes contando por que haviam escolhido aquela peça. Algumas compravam para celebrar um casamento. Outras, o nascimento de um filho. Uma senhora escreveu que comprara o pingente para presentear a neta no dia da formatura. Cada história fazia meu coração bater mais forte. Era exatamente para isso que eu desenhava. Na Andrade Jewelry, minha mesa já não ficava no canto reservado aos estagiários. Agora eu dividia o espaço com os demais designers. Helena continuava exigente. Caio continuava meu maior parceiro de ideias. Amanda... Amanda ainda era competitiva. Mas nossa rivalidade havia se transformado em respeito. Naquela manhã, ela parou ao lado da minha bancada. Amanda: — Soube que sua peça ba
Capítulo 87 A nossa escolha A mansão voltou a respirar. Pela primeira vez em muito tempo, os corredores estavam silenciosos por um motivo bom. Não havia medo. Não havia tensão. Apenas paz. Na manhã de domingo, Lúcia insistiu para que todos tomassem café juntos. — Hoje ninguém trabalha. Nem discussões. Nem celulares. Nem reuniões. Ricardo riu. Felipe tentou esconder o telefone debaixo da mesa. Lúcia lançou um olhar firme. Lúcia: — Felipe. Ele suspirou, desligou o aparelho e o colocou sobre o balcão. Thiago começou a rir. Thiago: — Milagre. Noah levantou a xícara. Noah: — Um brinde ao raro momento em que o nosso presidente aceita obedecer alguém. Todos riram. Até Felipe. Olhei aquela cena e senti uma felicidade simples. Era exatamente isso que eu sempre procurei. Uma família. Depois do café, Ricardo pediu que os quatro o acompanhassem até o jardim. No centro do gramado havia uma grande árvore. Lúcia segurava uma caixa de madeira antiga. Ela a entregou ao mar
Capítulo 86 O fim da caçada A manhã começou antes do nascer do sol. Quando desci para a cozinha, encontrei Felipe sozinho. Uma xícara de café repousava sobre a mesa. O notebook permanecia aberto. Mapas. Relatórios. Fotografias. Ele nem havia dormido. Levantei a mão e fechei delicadamente a tampa do computador. Felipe ergueu os olhos para mim. Elisa: — Você precisa descansar. Um sorriso cansado surgiu em seu rosto. Felipe: — Descanso quando isso terminar. Aproximei-me. Segurei sua mão. Elisa: — Então termine. Mas volte para mim. Ele entrelaçou nossos dedos. Felipe: — Eu volto. Sempre. Poucos minutos depois, Thiago e Noah chegaram. Os quatro seguiram para a sala de reuniões da mansão. Ricardo já os esperava. Henrique espalhou alguns documentos sobre a mesa. Henrique: — Encontramos o erro que Augusto cometeu. Todos olharam para ele. Henrique apontou uma fotografia. Henrique: — As falsificações eram distribuídas por empresas de fachada. Mas o dinheiro... Sem
Capítulo 85 A armadilha Dormi pouco naquela noite. As palavras de Ricardo ainda ecoavam na minha cabeça. Confiança. Era isso que sustentava o Grupo Andrade. Muito mais do que ouro. Muito mais do que diamantes. Levantei cedo e coloquei o pingente sobre o pescoço. Não para exibi-lo. Mas para lembrar a mim mesma por que eu tinha lutado tanto para chegar até ali. Assim que entrei na empresa, percebi um movimento incomum. Henrique caminhava apressado pelos corredores. Advogados entravam e saíam da sala da presidência. No setor de marketing, Noah conversava ao telefone enquanto analisava diversos relatórios. Até Helena parecia mais séria que o habitual. Caio aproximou-se da minha mesa. Caio: — Hoje ninguém tomou café. Olhei ao redor. Elisa: — O que aconteceu? Antes que ele respondesse, Helena apareceu. Helena: — Elisa. Felipe quer falar com você. Agora. Entrei na sala da presidência. Felipe estava de pé diante da janela. Thiago caminhava de um lado para o outro. N
Capítulo 84 A confiança é a primeira vítima Na segunda-feira, o Grupo Andrade parecia funcionar normalmente. Funcionários caminhavam pelos corredores. Reuniões aconteciam. O telefone da presidência não parava de tocar. Por fora... Tudo parecia igual. Mas eu já conseguia perceber quando alguma coisa estava errada. Os seguranças estavam mais atentos. Felipe recebia ligações o tempo inteiro. Thiago passava mais tempo na sede da empresa do que na construtora. Noah cancelara duas campanhas publicitárias sem explicar o motivo. Alguma coisa estava acontecendo. E ninguém queria me preocupar. No fim da manhã, Felipe apareceu no setor de criação. Era raro vê-lo ali durante o expediente. Helena ergueu os olhos. Helena: — Aconteceu alguma coisa? Felipe respirou fundo. Felipe: — Preciso falar com a equipe. Todos pararam o que estavam fazendo. Ele caminhou até o centro do ateliê. Felipe: — Recebemos a informação de que algumas joias da Coleção Eterna estão sendo falsificadas.







