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Capítulo 36

Author: K.H.Sakamoto
last update publish date: 2026-09-05 08:26:53

— Não... Não foi isso o que eu quis dizer — tentei interrompê-lo, sentindo uma fúria assassina queimar o meu sangue.

Como aquele verme tinha a audácia de oferecer a minha parceira predestinada como se fosse um pedaço de carne barato?

— Não precisa ficar sem jeito, Príncipe — Otávio continuou, erguendo a mão para me calar com uma arrogância cega.

— Só peço que não judie muito dela, afinal, ela é uma excelente cozinheira. Como não tem loba, passar uma noite com o senhor vai ser o mais perto
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    General Eu estava do lado de fora daquela pensão imunda, guardando as sombras, quando vi aquele homem entrar à força no quarto de Clara. Meu corpo tendeu para a frente, os instintos de Alpha em alerta máximo.A fresta da janela me permitiu ouvir o que acontecia lá dentro. Cada palavra fez o meu sangue ferver. — Vim aqui para te satisfazer lembra oque eu falei que ia fazer com você ... — a voz nojenta do velho ecoou. — Não... não... sai daqui! — o desespero na voz da minha companheira rasgou a minha alma.Foi o limite. Meu lobo interior arranhou o meu peito, uivando por sangue, querendo rasgar a garganta daquele infeliz. Eu não pensei em mais nada. Cruzei o corredor como um raio e arrombei a porta com um único chute, reduzindo a madeira a lascas. Ao entrar, o cenário infernal se confirmou: vi aquele velho nojento em cima de Clara, com as mãos por baixo da saia dela. — Tire as mãos dela! — o rosnado que saiu da minha garganta quase não era humano. Avancei sem dar chance de

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    Ela esperou que o meu choro acalmasse um pouco antes de se afastar e segurar meu rosto, me obrigando a olhá-la nos olhos. — Eu sei que, nesse momento, você não quer falar com ele, Clara — disse ela, com a voz carregada de preocupação. — Mas como você vai cuidar dessa criança sozinha? O salário aqui da lanchonete não dá nem para você comer direito!Ela fez uma pausa, olhando para a minha silhueta com uma tristeza profunda. — Eu vejo você pulando refeições todos os dias. Você está cada vez mais magra, Clara... Olha o seu estado. Agora não é mais só sobre você. Você tem que ir ao médico, precisa fazer exames de pré-natal e cuidar dessa gestação. E para isso, você vai precisar de apoio. Você não pode se destruir por causa de orgulho.Abaixei a cabeça, sentindo o peso das palavras dela esmagar o pouco de forças que me restava. Patrícia tinha toda razão sobre a miséria em que eu vivia na cidade humana. Como uma loba órfã, eu já tinha passado a vida inteira desamparada, sem o calor d

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    O gerente voltou até mim, com o semblante preocupado.— Você está bem? — perguntou ele, olhando na direção da porta por onde o velho tinha saído. — O que foi que ele falou para você? — Prefiro não repetir... — respondi com a voz embargada, sentindo um nó na garganta.Me virei rapidamente de costas para esconder as lágrimas que queriam cair e comecei a recolher os pratos sujos, tentando focar no trabalho para não desabar. Foi quando Patrícia, uma das cozinheiras que tinha visto toda a confusão de longe, se aproximou com passos lentos. — Mas você está mesmo grávida? — Patrícia perguntou, sem rodeios, me pegando totalmente de surpresa.O prato quase escorregou da minha mão. Senti minhas bochechas queimarem de vergonha. — Não... — gaguejei, o coração acelerando no peito. — Quero dizer... não. Eu só fiz uma vez. — Uma única vez basta para ficar grávida — Patrícia falou, soltando uma risada leve e bem-humorada enquanto passava a mão sobre a própria barriga redonda de cinco meses

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    Clara limpava o balcão gorduroso da lanchonete pela terceira vez, tentando ignorar o cheiro forte de óleo queimado que subia da fritadeira. Suas mãos estavam ásperas e o cansaço pesava em seus ombros como chumbo. Para conseguir se manter na cidade humana, ela aceitara aquele emprego exaustivo e alugara um quartinho minúsculo e frio nos fundos de uma pensão apenas para ter onde dormir.De repente, uma onda forte de náusea a atingiu. Clara engoliu em seco, apoiando-se no balcão enquanto o mundo parecia girar. “De novo não…”, pensou, respirando fundo pelo nariz.Ao longo do último mês, ela vinha se sentindo fraca e enjoada constantemente, mas tentava não dar importância. O dinheiro que ganhava na lanchonete mal dava para pagar o aluguel, o que significava que sua alimentação era péssima. Ela justificava para si mesma que aquele mal-estar era apenas o resultado de comer comida ultraprocessada e restos da lanchonete todos os dias. Seu corpo simplesmente não estava aguentando o tranco.

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    O Alpha Otávio chamou o carcereiro Osvaldo pelo elo mental: — Você sabe que eu não vou passar de amanhã... Meus filhos fizeram aquilo porque eu mandei. Eles não têm culpa de nada. Por favor, salve-os! Eu posso te recompensar. Tenho um tesouro escondido. Você pode fugir e levá-los com você. Eu fiz muita coisa errada, mas nunca deixaria meus filhos pagarem pelos meus pecados. Osvaldo ponderou sobre o assunto em silêncio. Os gêmeos já haviam pagado pelo que fizeram ao se tornarem ômegas, então não tinham muita serventia. Mas o tesouro... o tesouro sim o interessava. Com aquela fortuna, ele poderia comprar escravas humanas para satisfazer os seus desejos.Já na casa dos cinquenta anos, com baixa estatura, uma barriga de chope avantajada e um olho caolho, Osvaldo não atraía fêmea alguma. Depois que sua companheira de alma o abandonou, ele começou a se esconder nas sombras das masmorras. —Eu não deveria te ajudar... Mas, como os meninos já foram castigados e viraram ômegas, eu aceit

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    — Clara sabe como se esconder e conhece as regras do mundo deles.Eliza assentiu, tentando afastar a preocupação mútua que pairava no ar, e mudou de assunto, focando no que podíamos resolver naquele momento: Eliza segurou o meu casaco, me olhando com uma determinação que eu não via há dias.— Agora que estou me sentindo melhor, quero ajudar você a procurar sobre a profecia na biblioteca — disse ela, a voz firme apesar da fraqueza recente. — Depois de tantos dias caóticos, com tudo o que aconteceu e o meu repouso absoluto por causa do filhote, nós simplesmente não tivemos tempo de investigar o que o futuro reserva para ele. Eu olhei para o seu rosto determinado e soube que não conseguiria contê-la na cama por mais tempo. Dei um sorriso fraco e cedi. — Está bem, mas com uma condição: você não vai carregar nenhum peso — avisei, pegando Eliza pela mão com cuidado.Seus dedos se entrelaçaram nos meus, trazendo um alívio caloroso ao meu peito. Saímos do quarto em silêncio e caminhamos pe

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