INICIAR SESIÓNSeraphina Thourlet passou a vida acreditando que havia nascido para ser a Luna de Kaiden Cyrus. Ele era seu companheiro destinado. O homem que seu coração escolheu antes mesmo de o vínculo entre eles despertar. E, por uma única noite, Kaiden a fez acreditar que também a escolheria acima de qualquer coisa. Então veio a cerimônia que deveria uni-los para sempre. Diante de toda a matilha, Kaiden fez o impensável. Ele a rejeitou. Humilhada, com o vínculo destruído e carregando um segredo que ele jamais chegou a descobrir, Seraphina desapareceu antes do amanhecer. Cinco anos depois, ela está de volta. Mas a jovem que imploraria pelo amor de seu Alfa não existe mais. Seraphina retorna mais bela, perigosa e poderosa do que Kaiden poderia imaginar. E não está sozinha. Ao seu lado existe um menino de olhos familiares demais para ser ignorado. Kaiden conquistou territórios, submeteu Alfas e se tornou um dos homens mais temidos das matilhas. Mas bastou Seraphina atravessar novamente seu caminho para ele descobrir que existe uma coisa que todo o seu poder é incapaz de obrigá-la a fazer: amá-lo outra vez. Ele a rejeitou quando ela estava disposta a entregar tudo. Agora, Kaiden terá que descobrir até onde um Alfa é capaz de se ajoelhar pela mulher que deveria ter escolhido. Porque Seraphina voltou carregando muito mais do que o filho que ele nunca soube que tinha. E quando a verdade despertar, talvez não seja Kaiden quem decidirá quem merece governar. Talvez seja ela.
Ver másSeraphina soube que alguma coisa estava errada no instante em que Kaiden não olhou para ela.
O salão principal de Blackthorn estava cheio. Alfas de outras matilhas ocupavam os lugares de honra, guerreiros cercavam as paredes e as bandeiras negras e prateadas pareciam ainda mais pesadas naquela noite. Todos tinham acabado de assistir Kaiden Cyrus receber a coroa que pertenceu ao pai. Agora faltava apenas uma coisa. A Luna. Seraphina permanecia de pé perto da primeira fileira, usando o vestido que escolheu com a mãe. O coração batia tão forte que quase doía. Dentro de sua mente, Nymera também estava inquieta, andando de um lado para o outro como se sentisse algo que Seraphina ainda não conseguia entender. — “Ele não olhou para nós.” Seraphina manteve o rosto firme. — Está nervoso. — “Kaiden nunca evita nossos olhos quando está nervoso.” Ela não respondeu. Na noite anterior, ele havia estado na cama dela. Naquela manhã, Seraphina acordou sozinha e encontrou um bilhete sobre a mesa. — “Hoje você se torna minha Luna.” Ela ainda guardava o papel dobrado dentro do vestido. Aquilo precisava significar alguma coisa. Kaiden jamais faria uma promessa assim se não pretendesse cumprir. Foi o que Seraphina repetiu para si mesma quando ele se levantou diante de todos. O salão ficou em silêncio. Kaiden vestia preto. A coroa escura repousava sobre seus cabelos e o símbolo dos Cyrus estava preso sobre o peito. Ele parecia exatamente aquilo que todos esperavam que um Alfa fosse. Forte. Intocável. Poderoso. Mas Seraphina conhecia o homem por trás daquela postura. Conhecia o garoto que havia roubado frutas da cozinha com ela. O adolescente que aparecia machucado depois dos treinamentos e fingia que não sentia dor. O homem que encostou a testa na dela na noite anterior e prometeu escolhê-la diante de todos. Por isso sorriu quando Kaiden finalmente ergueu os olhos. O sorriso desapareceu quando encontrou o olhar dele. Havia dor ali. E culpa. Seraphina sentiu o peito apertar. Nymera rosnou. — “Alguma coisa está errada.” Kaiden abriu a boca. Seraphina deu um pequeno passo à frente. Esperava ouvir seu nome seguido da palavra companheira. Esperava que ele a chamasse para ficar ao lado dele. Esperava que sua vida começasse. — Seraphina Thourlet não será a Luna de Blackthorn. Durante alguns segundos, ela acreditou ter ouvido errado. Ninguém se mexeu. O silêncio dentro do salão ficou tão grande que Seraphina conseguia ouvir a própria respiração. Ela olhou para Kaiden. — O quê? A voz saiu baixa. Kaiden fechou a mão ao lado do corpo. Ragnar rugiu dentro da mente dele. — “NÃO.” Kaiden não respondeu ao lobo. Seraphina deu outro passo. — Kaiden, o que você acabou de falar? Os olhos dele encontraram os dela novamente. Aquilo doeu mais do que se ele tivesse evitado olhar. Porque Seraphina viu que ele sabia exatamente o que estava fazendo. — Você não será reconhecida como Luna de Blackthorn. Um murmúrio atravessou o salão. Seraphina sentiu dezenas de olhares sobre ela. Alguns curiosos. Outros satisfeitos. Outros cheios de pena. Ela odiou todos. Mas odiou principalmente o homem diante dela. — Ontem à noite você estava na minha cama. A frase escapou antes que pudesse impedir. O salão inteiro pareceu prender a respiração. Kaiden ficou pálido. Seraphina continuou. — Ontem você me disse que me escolheria diante de todos. — Ele não respondeu. — Então olha para mim e me diga o que mudou. Kaiden apertou a mandíbula. — Seraphina... — Não use meu nome como se isso fosse diminuir o que está fazendo. Nymera estava furiosa. — “Faça ele falar.” Seraphina sentia o mesmo. — Me diga o que eu fiz. — Kaiden permaneceu em silêncio. Ela caminhou até ficar mais perto dele. — Eu traí você? Traí Blackthorn? Kaiden respirou fundo. — Não posso explicar isso aqui. Seraphina soltou uma risada sem humor. — Engraçado. Você consegue me humilhar aqui, mas não consegue explicar aqui. — A dor atravessou o rosto dele. Ela viu. E não se importou. — Você me devia pelo menos a verdade. Kaiden olhou brevemente para alguém ao lado do conselho. Malrik. Seraphina percebeu. Depois viu Celestine Arkwright alguns passos atrás de Gareth. Bonita. Elegante. Educada. Seraphina sentiu o estômago revirar. — Foi ela? Kaiden franziu a testa. — O quê? Seraphina apontou com o olhar para Celestine. — Você escolheu ela? — Não é isso. — Então o que é? Kaiden respirou fundo. — Escolhi o que é melhor para Blackthorn. A frase partiu alguma coisa dentro dela. Seraphina ficou imóvel. — Entendi. Kaiden percebeu imediatamente que não havia entendido nada. — Sera... — Não. Ela levantou uma mão. — Não me chama assim. Ragnar rugiu outra vez. — “PARE.” — Kaiden fechou os olhos por um segundo. — “Se pronunciar as palavras, eu nunca vou perdoar você.” Kaiden respondeu mentalmente: — Estou protegendo Blackthorn. — “Você está destruindo nossa companheira.” Kaiden abriu os olhos. Seraphina estava diante dele. Esperando. Talvez ainda acreditando que ele recuaria. Talvez uma parte dela ainda esperasse que ele atravessasse aquele espaço, segurasse seu rosto e dissesse que tudo tinha sido um erro. Kaiden não fez isso. Em vez disso, endireitou os ombros. A voz saiu firme o bastante para alcançar cada pessoa no salão. — Eu, Kaiden Cyrus, Alfa de Blackthorn, rejeito Seraphina Thourlet como minha companheira destinada e minha Luna. A dor veio imediatamente. Seraphina sentiu como se algo tivesse atravessado seu peito. O ar desapareceu. As pernas falharam. Ela caiu de joelhos. Nymera gritou dentro dela. Kaiden deu um passo. Malrik segurou seu braço. — Não. Kaiden olhou para a mão do tio. Depois para Seraphina. Ela estava no chão. E ele ficou parado. Foi isso que Seraphina jamais esqueceria. Não as palavras. Não os olhares. Não a dor atravessando o vínculo. Foi vê-lo parado enquanto ela caía. Ela ergueu o rosto devagar. Lágrimas desciam, mas Seraphina não tentou escondê-las. — Um dia você vai lembrar deste momento. Kaiden respirava com dificuldade. — Seraphina... — Vai chegar um dia em que você vai querer voltar atrás. Ela tentou se levantar. O corpo tremia. Nymera falou entre a dor. — “Não abaixe a cabeça.” Seraphina apoiou a mão no banco ao lado e conseguiu ficar de pé. — Quando esse dia chegar, lembre de como ficou parado enquanto eu caía. — Kaiden parecia destruído. Mas ainda não saiu do lugar. Seraphina respirou fundo. — A mulher que teria perdoado você por qualquer coisa morreu aqui. Ela virou as costas. Cada passo doía. O vínculo parecia rasgar alguma coisa por dentro. Seraphina levou a mão ao peito. — Nymera... — “Estou aqui.” — Acho que vou morrer. A resposta da loba veio diferente de tudo que Seraphina já tinha ouvido. Não havia medo. Havia força. — “Não.” — Seraphina parou por um segundo. Nymera ergueu a cabeça dentro dela. — “Agora nós vamos acordar.” Debaixo do vestido, o antigo colar de sua família começou a queimar contra sua pele. A pedra prateada brilhou. Seraphina não percebeu. Kaiden também não. Mas, do outro lado do salão, Malrik Cyrus viu. E pela primeira vez naquela noite, o homem que havia ajudado a destruir Seraphina Thourlet pareceu verdadeiramente assustado.Orion chegou à clareira com os braços cruzados e uma expressão que deixava claro que não estava feliz. Seraphina havia escolhido um lugar afastado da fortaleza, cercado por árvores altas e longe do movimento da matilha. Elowen, Kaiden e Tavian estavam com eles, além de quatro guerreiros que aceitaram participar do treino. Todos receberam uma orientação simples.Ninguém provocaria Orion.Ninguém tentaria desafiar seu poder.E, principalmente, ninguém se ajoelharia por vontade própria apenas para facilitar as coisas.— Eu já sei controlar meu poder — Orion reclamou.Seraphina cruzou os braços.— Ontem você fez um Alfa pedir desculpas porque não gostou do jeito que ele falou comigo.Orion ergueu o queixo.— Ele merecia.Kaiden virou o rosto tentando esconder um sorriso. Seraphina percebeu.— Não incentive, Kaiden.Kaiden ficou sério imediatamente.— Não estou incentivando, Sera.Orion apontou para ele.— Você estava quase rindo.Kaiden respirou fundo.— Foi uma falha momentânea de carát
O homem de manto escuro tentou dar mais um passo para trás. Não conseguiu.Seus músculos ficaram tensos, o rosto endureceu e uma veia apareceu em sua testa enquanto ele lutava contra alguma coisa que nem mesmo Orion parecia entender.O menino apenas continuou olhando. Seus olhos estavam prateados.— Você não pode ir embora — Orion falou.O estranho apertou os dentes.— Garoto...Orion franziu a testa.— Eu não mandei você falar.O homem ficou calado. Foi assim que Seraphina encontrou os dois.— Orion!Ela correu pelo jardim. Kaiden vinha logo atrás com Tavian. Orion virou para a mãe.— Mamãe, ele estava me seguindo.Seraphina chegou até ele e segurou seus ombros.— Ele tocou em você?— Não, mamãe.Kaiden não esperou. Avançou sobre o desconhecido, segurou-o pelo pescoço e o empurrou contra a árvore.— Quem mandou você?O homem soltou uma risada baixa.— O Herdeiro já está acordando.Seraphina ficou tensa. Nymera rosnou dentro dela.— “Droga. Ele sabe.”Kaiden apertou mais o tecido.— R
A descoberta dos registros mudou Seraphina mais do que ela gostaria de admitir. Desde que leu que nenhum Herdeiro Regente havia chegado à idade adulta, passou a observar Orion o tempo inteiro. Conferia onde ele estava, com quem falava e até quanto tempo demorava para voltar de um cômodo para outro.Orion percebeu rápido.— Mamãe, você está me seguindo até o banheiro.Seraphina parou no corredor.— Estou passando por aqui.O menino arqueou uma sobrancelha.— Pela terceira vez?Kaiden, encostado perto da porta da sala, tentou esconder o sorriso. Seraphina olhou para ele.— Não ajuda.Orion colocou as mãos na cintura.— Eu não vou quebrar.Seraphina soltou o ar e se ajoelhou diante dele.— Eu sei que não vai.— Então por que está com medo?Ela abriu a boca. Não encontrou resposta. Kaiden se aproximou devagar.— Porque adultos também ficam com medo quando amam alguém.Orion olhou para ele.— Outra coisa complicada?Kaiden assentiu.— Muito, mas com o tempo você entende.Seraphina lançou u
Kaiden não esperou o amanhecer para aumentar a segurança em Blackthorn. Antes mesmo de Orion voltar a dormir profundamente, Tavian já havia recebido ordens para dobrar as rondas, reforçar os portões e verificar cada estranho que entrasse no território. Ninguém deveria se aproximar da fortaleza sem ser identificado.Quando Seraphina descobriu, ficou irritada.— Ele estava dormindo.Kaiden sustentou o olhar dela.— Sim, estava.— Crianças falam coisas estranhas dormindo.Kaiden respirou fundo antes de responder.— Crianças comuns talvez.Os olhos de Seraphina endureceram.— Cuidado com o que fala.Ele percebeu imediatamente.— Não quis dizer desse jeito.— Então escolha melhor as palavras.Elowen, que estava sentada perto de Orion, resolveu interferir antes que os dois transformassem a preocupação em outra discussão.— Não podemos ignorar o que aconteceu.Seraphina soltou o ar. Sabia disso. Só não gostava.Orion estava sentado na cama com os cabelos completamente bagunçados, segurando












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