Mag-log inQuanto mais eu lia o relatório, mais percebia o quanto Kira está rodeada de pessoas que não prestam, começando pelo seu noivo e pela sua amiga, que são amantes. A tal Felipa vive na casa e na vida de Kira como uma irmã, mas não passa de uma mau-caráter, sustentada por Tecio, que banca todos os seus luxos.
Dei uma pausa na leitura e liguei para um fotógrafo. Quero provas dos dois mau-caráter juntos. Preciso enviar para Kira, em breve, o que o seu noivinho anda aprontando. Só vou entrar em ação para destruir o casal apaixonado e perfeito quando tiver mais informações sobre os pais dela. Enquanto isso, vou assistindo à encenação do noivo perfeito. Saí da minha empresa e fui diretamente para o hospital visitar Cecília na UTI. Quando cheguei, perguntei por Bina, e uma enfermeira disse que ela estava na catedral, ao lado de um espaço onde as pessoas fazem orações pelos seus entes queridos. Quando cheguei, a vi de joelhos diante de uma imagem de Jesus. Aproximei-me, e ela se levantou ao perceber que eu era eu. — Senhor Éder. — Bina enxugou as lágrimas. — Bina, precisamos conversar. Quero saber tudo o que aconteceu com Cecília. Ela tomou os medicamentos certos? — perguntei, sem demonstrar preocupação. — Senhor Éder, Cecília não fez nada demais. As medicações dela nunca foram trocadas. Kênia nunca solicitou a troca. Bina continuou a me contar detalhes de como tudo aconteceu, e meu coração acelerou ao ouvir o sofrimento de Cecília. Bina chorava bastante, nervosa. Foi bom ouvir da boca dela que Kênia nunca trocou as medicações, e isso eu vou investigar. Talvez seja por isso que ela nunca progrediu no tratamento. — Bina, se Kênia aparecer e perguntar se eu estive aqui, diga que não. — pedi, pensativo. — Não se preocupe. Só queria que Cecília voltasse à vida alegre que tinha. Obrigada por toda ajuda que o senhor deu a ela. — Bina, não quero falar do passado. — disse, firme. Fui conversar com o diretor da unidade hospitalar. Ele me recebeu muito bem, e eu fui direto ao assunto: a saúde de Cecília. — Éder, seja bem-vindo. Sua visita aqui indica algum problema no meu trabalho à frente do hospital? — Lewis pergunta preocupado. — Não, nenhum problema. Vim saber sobre Cecília Santis, paciente internada pela médica Kênia Viana. — Sei quem é. A senhora Cecília está entre a vida e a morte, mas estamos fazendo o impossível para que ela acorde. — Quero a avaliação da medicação que ela estava tomando antes de vir para cá. — falei, sério. — Claro, Éder. No prontuário consta que ela toma apenas remédios calmantes, com uma dosagem alta, e medicamentos para controlar a pressão. — Como assim? Ela é uma pessoa acamada, que não andava por ter perdido o movimento das pernas! — Acalme-se, Éder. — Não conte a ninguém que estive aqui. Quero Cecília sendo acompanhada por outro médico. — E Kênia? — ele perguntou. — Deixe que ela pense que ainda cuida do caso. Em breve, ela terá o que merece. Saí batendo a porta do consultório e fui visitar Cecília. Quando a vi respirando por aparelhos, percebi que a situação era mais séria do que imaginei. Por um fio está a única pessoa da minha família. Se essa mulher for embora, não terei mais ninguém do meu sangue nesta terra. O remorso e a mágoa que sinto por ela dão lugar a uma emoção que nunca senti antes. Do fundo do meu coração, desejo que ela viva. Afinal, não desejo a sua morte. Devagar, toquei sua mão fina e apertei levemente, tentando lhe transmitir força. — Sei que dorme profundamente e não vai me ouvir, mas saiba que torço para você sair dessa. — falei, triste e emocionado. Soltei sua mão, desnorteado, sem acreditar que fui capaz de segurar a mão da mulher que me rejeitou. Saí do quarto sem rumo e fui até o estacionamento. Entrei no carro e dirigi sem direção, até chegar a um lugar tranquilo, que transmitia paz — tudo o que sempre quis e nunca tive. Os casais que passavam ao meu lado só confirmavam isso. No fundo da minha alma, eu queria viver a totalidade de um amor verdadeiro. Mas ninguém vai me amar… até porque minha própria mãe nunca me amou. Foi o fim de semana mais entediante da minha vida. Tudo o que eu queria era me refugiar, ficar sozinho. Só me restou ir para a casa da montanha e me embriagar de vinho. Passei rapidamente em casa, fiz uma pequena mala e não disse para onde ia aos empregados. Dirigi o mais rápido que pude até a casa da montanha, onde fui recebido pelo velho Jesiel, o caseiro. — Patrão, que bom te ver. — Ele me recebeu de braços abertos. — Jesiel, hoje só quero ficar sozinho. Depois conversamos. — Abracei-o com força. Ele prontamente foi acender a lareira, enquanto eu me instalava no quarto. Vesti uma roupa mais confortável, pois queria ir ao mirante ver o pôr do sol. Quando desci para a sala, Jesiel me esperava sorridente. — Senhor Éder, sei que não quer ser importunado, mas preciso saber o que deseja para beber? — Café bem quente. Vou assistir ao pôr do sol. Preciso de paz e descanso. Nada melhor do que admirar a natureza. — disse, tranquilo. — Claro, já levo. Éder, se quiser conversar, é só me chamar. Sei que está chateado. — Jesiel realmente me conhece. — Obrigado, Jesiel. Saí de casa em direção ao mirante. A beleza daquele lugar é perfeita. Desliguei o celular e fiquei admirando o sol se pondo. Queria que, com ele, também fossem embora minhas dores e angústias. Perdi-me em pensamentos e nem vi Jesiel se aproximar com o café. — Café quentinho. Sabe, Éder, pensei que você viria acompanhado de um amor. — disse ele, sério. — Ninguém me ama. As mulheres que conheço são todas interesseiras, só querem dinheiro. — respondi, seco. — Coração fechado… Quem sabe um dia você encontra alguém. O amor bagunça o que está arrumado. — disse Jesiel. — Ninguém vai bagunçar o que nunca esteve arrumado. — Bebi um pouco do café. Jesiel saiu, me deixando sozinho. Continuei olhando para o horizonte. Duvido que alguém um dia ouse ultrapassar as barreiras de um coração escuro e bagunçado… de um homem quebrado.Após confessar à minha mãe que Samuel está vivo, ela se agarrou à fotografia dele, chorando muito. Mas nossas lágrimas já não eram de tristeza, e sim de alegria. Ele estava tão perto de nós! Fui ligar para Lukas, pois precisava marcar uma reunião de última hora com Samuel para o dia seguinte. Finalmente, revelaria a ele que somos irmãos. Enquanto isso, Kira saiu para visitar os pais. Ela passou o dia inteiro com eles, e a casa ficou vazia sem sua presença. Fui até o quarto buscar alguns documentos e, mesmo sem querer, percebi o quanto já sentia sua falta. Eu ficaria louco sem Kira ao meu lado. Voltei para o escritório, onde Lukas já me esperava. — Olá, Éder! Aqui estou. Vim o mais rápido que pude. — Preciso marcar uma reunião com Samuel para amanhã. — Sim, vou providenciar isso. Mas estou achando você tenso, Éder. — Tenho vivido assim ultimamente. Não sei como Samuel vai reagir quando descobrir toda a verdade. Mas também será o dia em que vou libertar Kira, caso ela queira ir
Nunca imaginei que me envolveria tanto com uma família como me envolvi com a do Éder. Conhecer Cecília e Bina, então, fez com que eu me apaixonasse ainda mais pela simplicidade e humildade das duas.Amo família grande porque sempre fui criada sozinha, e ter Cecília e Bina morando conosco, mesmo que seja por enquanto, está sendo maravilhoso. Estou amando conhecer mais da história de vida das duas, que é de emocionar. Entre os altos e baixos do passado, o presente foi generoso com Cecília por ter devolvido os seus dois filhos, mesmo que ela ainda não saiba que Samuel está vivo.Nesta última semana, tenho me dedicado muito a Éder e à sua mãe. Estou ajudando os dois no que posso, principalmente Cecília, que precisa recuperar a coordenação motora.E hoje acompanhei um dos momentos mais esperados por Éder: revelar para a mãe que Samuel está vivo. Naquele momento, eu não poderia controlar os seus impulsos. Afinal, essa família precisa se encontrar e se conhecer. Quem sabe, um dia, um porta-r
Ao ver Samuel, me desarmei totalmente. Juro que tentei não transparecer o quanto estou emocionado, mas é impossível quando, ao meu lado, tenho Kira, uma mulher sensível que, ao perceber como estou, segurou minha mão e a apertou.— Tenho vontade de gritar para todos que ele é o meu irmão — disse, olhando em outra direção.— Nada de impulsividade. Veja só quem vem chegando.Olhei mais à frente e Bina já vinha sorrindo, de braços abertos.— Sejam bem-vindos. Chegaram em uma boa hora. Cecília acordou agora.— Que bom! — Kira disse, feliz.— Quero vê-la imediatamente — falei, animado.Seguimos para o quarto e, quando entramos, minha mãe nos olhou. Entrei de mãos dadas com Kira.— Éder... você sofreu um acidente? — minha mãe perguntou, com a voz baixa.— Sim, mãe. Foi um pequeno acidente — menti, para não deixá-la preocupada. — Vim te ver. Estou muito feliz por encontrar você acordada.Segurei sua delicada mão.— Me perdoa. Não me abandona.— Vamos viver o hoje. Já nos perdoamos. Precisamos
Odeio tomar medicamentos. Eles me causam várias reações e, infelizmente, uma delas é o sono. Depois de almoçar com Kira, senti uma sonolência enorme e, quando fui para o quarto com a intenção de apenas descansar um pouco, os remédios acabaram me vencendo. Peguei no sono, um sono tão tranquilo e relaxante que parecia ter desligado o mundo ao meu redor.Quando acordei, chamei por Kira.— Kira, você está aí?Ninguém respondeu.De primeira, pensei que ela estivesse com Bear, seu cachorro. Levantei-me, abri a janela do quarto e logo avistei Bear no jardim. Caminhei devagar até lá e descobri, através do segurança, que Kira havia saído de carro.Fiquei preocupado imediatamente. Ela não tinha me avisado que sairia.Minha cabeça começou a criar mil possibilidades. Rapidamente pensei que o problema poderia ser comigo. Só me restava ligar para saber onde aquela mulher tinha ido. Kira finalmente atendeu o celular, e meu coração se tranquilizou ao descobrir que ela estava com o padre Cristian. Mas
A felicidade do Éder é a minha quando o vejo sorrir tão facilmente, dando adeus àquele seu semblante pesado, como se toneladas de peso tivessem sido tiradas de suas costas. Fiquei feliz por ele. Aprendi a admirá-lo como homem e como ser humano. Éder me fez perceber como a vida pode nos enganar. Ninguém é realmente como imaginamos, e ele foi a verdadeira surpresa da minha vida. Almoçamos juntos, e ele continuou calculando cada passo que daria a partir de agora em relação a Samuel. Depois de tomar alguns medicamentos, Éder sentiu sono e foi para o quarto descansar. Ao perceber que ele havia adormecido, tomei uma decisão. Eu iria sair para visitar meus pais, mas, durante o caminho, estacionei o carro. Foi então que me lembrei de Felipa. Desde que soube da sua prisão, meu coração seguia apertado. Eu não conseguia simplesmente ignorar tudo o que havia acontecido. Liguei o carro novamente, mas a rota mudou. Agora, eu não iria mais para a casa dos meus pais. Meu destino seria o presídio p
Havia lágrimas nos olhos dela também. — Que alegria grande, Éder. Ela segurou meu rosto e me beijou. Foi um beijo cheio de carinho. Um beijo que dizia que ela estava ali. Que eu não estava sozinho. Quando nossos lábios se separaram, minha primeira reação foi pensar em Samuel. — A minha vontade é sair correndo daqui e ir falar para ele. — Sorri emocionado. — Quero olhar para o meu irmão. Quero dizer que sou irmão dele. Quero saber tudo sobre a vida dele. Lukas respirou fundo. — Mas você não pode agir assim. Samuel foi criado por outra família. Todo cuidado é bem-vindo para não gerar um conflito entre vocês. Eu sabia que ele tinha razão. Mas meu coração não queria esperar. — Éder, o Lukas tem razão. — Kira apertou minha mão. — Você precisa fazer isso com calma. Olhei para os dois. — Eu sei. Mas, mesmo dizendo aquilo, eu sabia que não conseguiria esperar por muito tempo. — Não posso esperar muito. — Minha voz ficou firme. — Toda a verdade precisa ser desco







