FAZER LOGINContinuei lendo o restante da notícia do casal e, na manchete, falava que Kira era filha única. A joia preciosa da família. Joguei o jornal de lado e fiz apenas uma ligação para saber o endereço do trabalho de Kira. Não demorou muito e recebi a informação que precisava para lhe enviar um lindo presente: um buquê de rosas para surpreendê-la.
Não era qualquer buquê, era o mais caro da cidade, da melhor floricultura que temos por aqui. Liguei e, ao fazer o pedido, optei por rosas delicadas, iguais à mulher que vai recebê-las. Não sei ao certo explicar como ela é. Parece delicada, mas tem um gênio forte, difícil de suportar. Uma beleza que contrasta com tudo o que penso dela, e seus olhos amendoados combinam com seus fios claros. Ouvi batidas na porta e mandei entrar. — Éder, enviei o endereço para o seu celular. — Lukas falou. — Tirei o melhor proveito possível. — falei, com um sorriso sarcástico. — Conheço esse sorriso... Está fazendo maldade. — E desde quando enviar flores a uma dama é maldade? — disse, sério. — Não tem quem pare você. Fico imaginando ela vendo que foi você quem mandou. — Lukas disse, incrédulo. Lukas foi embora. Insultei Kira e agora é esperar um telefonema ou, quem sabe, a sua presença aqui. Ela não é o tipo de mulher que leva ofensa para casa, principalmente sendo noiva. Inclusive, uma das minhas curiosidades é saber quem é ele. Mas vou esperar a conclusão da investigação e só assim irei agir por completo. Quando voltava a focar no meu trabalho, o telefone tocou. Ao atender, minha secretária avisou que Kênia estava na linha. Bufei, cansado, porque nunca vi mulher mais insistente, e então atendi. — Alô, Kênia. — falei, sério. — Éder, esqueceu de mim, foi? Há dias estou esperando você me ligar para sairmos. — Tenho trabalhado demais, Kênia. Desculpa. — Já vai fazer um mês e você não honrou com a sua promessa. Está chegando o dia do atendimento da minha paciente. — Não quero tocar nesse assunto. Você sabe que, quando elas precisarem, ligarão para você, sem precisar que eu saiba. — disse, estressado. — Calma, Éder. Liguei somente para ouvir a sua voz. Nunca escondi que sou apaixonada... — Kênia disse, e eu a interrompi. — Mas eu não sou apaixonado por você. Não sei o que é isso, muito menos o que é amor. — disse, sem paciência. — Infelizmente, eu sei disso. Liguei mesmo só para ouvir a sua voz. — Kênia respondeu. Infelizmente, tenho que ser duro com ela, porque sua insistência é irritante. Odeio quando Kênia me lembra das minhas feridas incuráveis. Parece que sente prazer em tocar nesse assunto desagradável. Continuei trabalhando e recebi a notificação de que as flores foram entregues. Agora é só esperar a princesa vir tirar satisfação ou o telefone tocar. As horas se passaram e o telefone não tocou, nem ninguém apareceu. Isso me deixou intrigado. Será que as rosas realmente foram entregues a Kira? Olhei o relógio e vi que perdi completamente o horário do almoço. Quando já estava de saída, minha secretária avisou que o padre Cristian queria falar comigo. Eu poderia simplesmente não recebê-lo, não sei o que ele ainda quer. Deixei uma fortuna ontem para a igreja, mas mandei que ele entrasse. — Boa tarde, Éder. Obrigado por me receber. — o padre falou, tímido ao me ver. — A que devo a honra da sua visita? Houve algum problema com o pagamento do leilão? — perguntei, encarando-o. — Não há nada de errado com o pagamento. O problema é outro... e tem nome: Kira. — o padre respondeu. — Kira Lins. O que houve com ela de tão grave que o senhor teve que intervir? — disse, descaradamente. — Sobre as flores que você enviou a Kira... por favor, filho, pare! Kira é noiva, e isso não pega bem. — Foram só flores, padre. Não sei por que tanta ofensa. Eu não tenho culpa se o noivo dela não a presenteia com um buquê. — Falei isso para Kira. O noivado dela já é antigo, e o medo a ronda... medo de perder Técio. — Então o nome do noivo é Técio. Padre, avise a Kira que o seu noivo não quer deixar de ser noivo. Mais alguma reclamação? — Nenhuma, filho. Já vou embora. Com licença. — o padre saiu de cabeça baixa. Bati forte na mesa, com raiva. Esperava que ela viesse até mim, mas não. Pediu ajuda a um padre para interceder por ela. A vinda dele aqui não vai me fazer esquecer o que aconteceu ontem no estacionamento. Kira mexeu com a pessoa errada. Tenho planos melhores para ela e para sua família. Vi que não sou flor que se cheire para eles, que me odeiam, mas vou descobrir o que faz a família Lins me odiar gratuitamente. Nunca fiz nada contra eles, muito menos contra seus pais. Em breve, terei todas as respostas. E tudo vai se encaixar. E, no final, todos terão que me engolir. ---FELIPA Dizem que o amor é capaz de cegar as pessoas, e hoje eu tenho certeza de que isso aconteceu comigo quando me envolvi com Técio, o noivo daquela que um dia foi a minha melhor amiga. Eu sabia que estava entrando em um terreno perigoso, mas estava apaixonada demais para enxergar as consequências. E, no fim, a traição caiu completamente sobre as minhas costas. Eu fui a culpada de tudo. A vilã da história. Até Técio me culpou pela queda do seu próprio império. Virei alvo da sua família. Fui perseguida pelos seus pais e ameaçada de morte por eles, mas, mesmo assim, continuei rastejando atrás de Técio como uma mulher completamente cega pelo amor. O que antes era fogo e paixão se transformou em uma verdadeira pedra de gelo. Ele já não me tratava como antes. Não havia carinho, não havia regalias, não havia sequer respeito. As empresas dirigidas por Técio foram à falência, e Éder não estava de brincadeira quando decidiu arruinar as nossas vidas. O pior de tudo era saber que aquela
***CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO 65 — Louca. Estragou tudo. Olhei para a porta por onde Kira havia saído. — Quando eu estiver bem, vou visitá-la na prisão. Adriano arqueou uma sobrancelha. — Tem certeza? — Quero saber o que motivou Felipa a atirar no grande amor da vida dela. Havia algo naquela história que não fazia sentido. Eu precisava descobrir. Adriano foi embora e fiquei sozinho por alguns instantes. Minha cabeça estava cheia de perguntas. O que Técio havia feito de tão grave para fazer Felipa perder completamente o controle? Ela o amava. Eu tinha certeza disso. Então por que atirar justamente no homem que ela dizia amar? E, principalmente, por que me avisar antes? Talvez Felipa tivesse se arrependido. Talvez houvesse algo muito maior por trás daquela história. Respostas que eu só teria quando Felipa aparecesse e contasse a verdade. --- Pouco tempo depois, uma enfermeira entrou no quarto para avisar que eu receberia alta. O médico viria me aval
Amo ser tratado com carinho por Kira. Existe algo no jeito como ela cuida de mim que consegue acalmar até os meus pensamentos mais turbulentos. Talvez por isso eu tenha adormecido tão rápido naquela noite. Porém, durante a madrugada, acordei. Abri os olhos lentamente e a primeira coisa que fiz foi procurar por ela. Kira estava dormindo profundamente no sofá ao lado da minha cama. Seu corpo estava um pouco encolhido, provavelmente por causa da posição desconfortável, mas mesmo assim ela permanecia ali. Ao meu lado. Cuidando de mim. Fiquei alguns segundos apenas observando-a e senti meu peito apertar. Eu realmente estava apaixonado por aquela mulher. Não era mais apenas desejo. Não era apenas a atração que sempre existiu entre nós. Havia algo muito maior acontecendo dentro de mim, algo que eu já não conseguia controlar ou fingir que não existia. Kira tinha ocupado um espaço no meu coração que ninguém jamais havia conseguido alcançar. Estendi a mão para pegar o celula
Segundo o médico, Éder não estava delirando quando disse que me amava. Ele havia falado com tanta convicção e seriedade que, pela primeira vez, comecei a acreditar que aquelas palavras eram verdadeiras. Só de lembrar da declaração, minhas mãos voltavam a suar de nervosismo. Meu coração se encheu de alegria ao ouvir que ele estava me amando. Ou será que apenas gostava de mim e estava confundindo esse sentimento com amor? Afinal, nós havíamos nos entregado um ao outro, mas eu não sabia se aquilo tinha sido suficiente para fazer Éder se apaixonar por mim. Por mais que meu coração gritasse para que eu acreditasse nele, mantive a postura firme e não deixei a emoção transparecer. Não contei que também o amava. Não disse que meu coração já pertencia completamente a ele. Talvez eu ainda tivesse medo de ouvir que tudo aquilo não passava de um engano. Ainda no hospital, Éder parecia ter decidido se aproveitar da situação para se tornar um completo mimado. Só comia quando eu dava a
Nunca havia me declarado para mulher nenhuma em toda a minha vida. Sempre fui orgulhoso demais para admitir o que sentia, mas, deitado naquele leito de hospital, percebi que esconder o amor que carregava por Kira já não cabia mais dentro de mim. Criei coragem. Engoli o orgulho e abri meu coração. Disse que a amava. Disse que era ela quem ocupava meus pensamentos. Mas Kira apenas arregalou os olhos, assustada. Ela acreditou que eu estivesse delirando. Sem dizer mais nada, saiu às pressas do quarto para chamar o médico. Sorri de canto, fechando os olhos por um instante. — Eu não estou delirando... — murmurei, decepcionado. — Volta aqui, Kira... Ela retornou poucos segundos depois acompanhada do médico, visivelmente aflita. — Doutor, ele está delirando! — disse ela, preocupada. — Não estou delirando... — repeti em voz baixa. O médico aproximou-se da cama, conferiu os aparelhos, mediu minha temperatura e analisou meus sinais vitais. — Ele está muito bem. Não apresen
Estávamos sentados na recepção quando o médico apareceu.— Como foi a cirurgia, doutor? — Adriano perguntou imediatamente.O médico retirou a máscara do rosto e sorriu de forma discreta.— A cirurgia foi um sucesso. Conseguimos retirar a bala, controlar a hemorragia e estabilizar o paciente. Éder foi sedado novamente para que o organismo possa se recuperar. Agora precisamos aguardar o efeito da sedação passar e observar como ele irá reagir. Também foi necessário fazer uma transfusão de sangue.Senti minhas pernas fraquejarem de alívio.Pela primeira vez desde que tudo aconteceu, consegui respirar um pouco melhor.— Já podemos vê-lo? — perguntei ansiosa.— Sim. Apenas uma visita rápida, por enquanto.Como eu estava completamente desesperada, Adriano e Bina permitiram que eu entrasse primeiro.Ao abrir a porta do quarto, meu coração apertou.Éder dormia tranquilamente, ligado a diversos aparelhos que monitoravam seus sinais vitais.Era assustador perceber como a vida podia mudar em ques







