LOGINApós a minha conversa com o padre, voltei ao trabalho. Não posso me deixar abater por causa daquele covarde. Junto com a minha secretária, organizei a minha agenda. Durante o restante do dia, realizei alguns atendimentos de mulheres grávidas — e eu sou fascinada por ser mãe.
Sempre que posso, olho o meu celular, esperando uma mensagem de Tecio. Ele enfim marcou para irmos jantar, e o meu coração transbordou de alegria, porque só eu sei o quanto estou com saudades. No meio do trabalho, minha mãe veio me visitar, e eu a abracei forte. — Mamãe, que bom que veio! Ia chamar a senhora para me acompanhar ao salão. — Vamos sim. Tenho trabalhado tanto que estou precisando relaxar. — Tenho tanto orgulho da senhora! Quero ser forte como você. — Você também é o nosso bem maior, e te apoiamos em toda e qualquer decisão que tomar. Peguei a minha bolsa, e juntas fomos ao salão. Fizemos alguns tratamentos, cuidamos das unhas e dos cabelos. Ainda deu tempo de comprar alguns looks novos e, sem querer, encontrei Felipa segurando um buquê de rosas vermelhas, olhando a vitrine de uma loja. Fiquei feliz ao ver que ela encontrou alguém romântico. — Felipa! — falei, animada ao vê-la, e ela se assustou. — Nossa, que surpresa... Eu não te convidei para vir comigo porque você está sempre ocupada — disse Felipa, apreensiva. — Que lindas flores! Depois quero saber os detalhes desse encontro, viu? — falei, animada. Felipa ficou sem graça, um pouco estranha. Como eu estava apressada, nos despedimos, e mamãe me acompanhou. — Kira, você não achou a Felipa estranha? Ela ficou esquisita quando nos viu — mamãe questionou. — Achei ela um pouco assustada. Mas acho normal, até porque quase não venho fazer compras. — Você tem que cuidar mais de si, Kira. Homens amam mulheres sensuais, fica a dica — mamãe me aconselhou. Até Felipa ganhou flores... Eu também ganhei um lindo buquê, mas foi de alguém de quem eu não gosto. Enfim, preciso esquecer tudo e focar no meu encontro com o meu amor. --- A noite chegou, e eu coloquei um vestido sensual, passei o meu perfume, retoquei a maquiagem, ajeitei os cabelos e calcei um salto quinze. Minha mãe tem razão: estou linda, me sentindo maravilhosa. Peguei a minha bolsa quando minha mãe veio me chamar. — Kira, apresse-se, Tecio acabou de chegar! — Estou pronta, mãe. Acompanhei-a, e o meu amor estava perfeito, à minha espera. — Kira está perfeita. Não é porque ela é minha filha, mas preciso dizer: você é um homem de sorte — papai disse, orgulhoso. — Obrigada pelo elogio, pai. Eu é que sou uma mulher de sorte por ter Tecio e vocês ao meu lado — disse, abraçando-o e, em seguida, beijando Tecio. — Está linda, Kira. Seu pai tem razão — disse Tecio, beijando minha mão. Despedi-me dos meus pais, e durante o caminho disse o quanto estava com saudades. Como uma noiva dedicada, perguntei como foi o seu dia. Tecio conversou bastante comigo, mas senti-o um pouco frio. Fomos ao restaurante que costumamos frequentar. Eu esperava uma surpresa, mas até então não notei nada de diferente. O garçom nos atendeu, fizemos o pedido, e eu o encarei. — Meu amor, ainda bem que você chegou de viagem. Precisamos falar sobre o casamento — falei, beijando seu rosto. — Claro, meu amor. Nossa casa já está quase pronta, falta apenas a decoração. — Enquanto isso, já vou marcando a data. Quero logo ter filhos, construir nossa família... Eu te amo tanto — me declarei. O jantar seguiu envolto em carinho. Beijei loucamente o meu grande e único amor. Em seguida, o garçom veio em minha direção, trazendo uma rosa vermelha, e me entregou. — Essa rosa é para você — disse Tecio. Agradeci, mas foi impossível não lembrar da mensagem no cartão que Éder havia me enviado junto com o buquê mais cedo. — Espero que tenha gostado — disse Tecio, e eu sorri. Agradeci com um leve beijo em seus lábios. Não sou de beber, mas tomei um pouco de champanhe. Abracei Tecio, que me encarou, e então disse: — Tecio, vamos para o seu apartamento... estou louca de saudades — falei, beijando sua boca. — Está bom, Kira — respondeu ele, com um semblante cansado. Ele pagou a conta, e fomos para o seu apartamento. Quando chegamos, fui logo tirando sua roupa, tomada pelo desejo. Fizemos amor para matar a saudade, mas Tecio, coitado, estava cansado de tanto trabalho após a viagem. Fiquei com pena do cansaço dele e pedi ao motorista que viesse me deixar em casa. Relacionamento é isso: parceria e compreensão. Voltei para casa pensativa, segurando a única rosa que ganhei. Beijei-a e a apertei contra o peito. — Te amo tanto, Tecio... Não vejo a hora de ter a aliança de casados no meu dedo — disse sozinha. — Senhora Kira, chegamos — disse o motorista, abrindo a porta do carro para mim. Desci meio perdida e entrei em casa. Hoje é a primeira vez que me sinto assim, com um turbilhão de pensamentos — bons, mas também cheios de dúvidas. É como se minha mente dissesse que há algo errado, enquanto meu coração me acalenta, pedindo que eu siga pelo caminho que escolhi.Após confessar à minha mãe que Samuel está vivo, ela se agarrou à fotografia dele, chorando muito. Mas nossas lágrimas já não eram de tristeza, e sim de alegria. Ele estava tão perto de nós! Fui ligar para Lukas, pois precisava marcar uma reunião de última hora com Samuel para o dia seguinte. Finalmente, revelaria a ele que somos irmãos. Enquanto isso, Kira saiu para visitar os pais. Ela passou o dia inteiro com eles, e a casa ficou vazia sem sua presença. Fui até o quarto buscar alguns documentos e, mesmo sem querer, percebi o quanto já sentia sua falta. Eu ficaria louco sem Kira ao meu lado. Voltei para o escritório, onde Lukas já me esperava. — Olá, Éder! Aqui estou. Vim o mais rápido que pude. — Preciso marcar uma reunião com Samuel para amanhã. — Sim, vou providenciar isso. Mas estou achando você tenso, Éder. — Tenho vivido assim ultimamente. Não sei como Samuel vai reagir quando descobrir toda a verdade. Mas também será o dia em que vou libertar Kira, caso ela queira ir
Nunca imaginei que me envolveria tanto com uma família como me envolvi com a do Éder. Conhecer Cecília e Bina, então, fez com que eu me apaixonasse ainda mais pela simplicidade e humildade das duas.Amo família grande porque sempre fui criada sozinha, e ter Cecília e Bina morando conosco, mesmo que seja por enquanto, está sendo maravilhoso. Estou amando conhecer mais da história de vida das duas, que é de emocionar. Entre os altos e baixos do passado, o presente foi generoso com Cecília por ter devolvido os seus dois filhos, mesmo que ela ainda não saiba que Samuel está vivo.Nesta última semana, tenho me dedicado muito a Éder e à sua mãe. Estou ajudando os dois no que posso, principalmente Cecília, que precisa recuperar a coordenação motora.E hoje acompanhei um dos momentos mais esperados por Éder: revelar para a mãe que Samuel está vivo. Naquele momento, eu não poderia controlar os seus impulsos. Afinal, essa família precisa se encontrar e se conhecer. Quem sabe, um dia, um porta-r
Ao ver Samuel, me desarmei totalmente. Juro que tentei não transparecer o quanto estou emocionado, mas é impossível quando, ao meu lado, tenho Kira, uma mulher sensível que, ao perceber como estou, segurou minha mão e a apertou.— Tenho vontade de gritar para todos que ele é o meu irmão — disse, olhando em outra direção.— Nada de impulsividade. Veja só quem vem chegando.Olhei mais à frente e Bina já vinha sorrindo, de braços abertos.— Sejam bem-vindos. Chegaram em uma boa hora. Cecília acordou agora.— Que bom! — Kira disse, feliz.— Quero vê-la imediatamente — falei, animado.Seguimos para o quarto e, quando entramos, minha mãe nos olhou. Entrei de mãos dadas com Kira.— Éder... você sofreu um acidente? — minha mãe perguntou, com a voz baixa.— Sim, mãe. Foi um pequeno acidente — menti, para não deixá-la preocupada. — Vim te ver. Estou muito feliz por encontrar você acordada.Segurei sua delicada mão.— Me perdoa. Não me abandona.— Vamos viver o hoje. Já nos perdoamos. Precisamos
Odeio tomar medicamentos. Eles me causam várias reações e, infelizmente, uma delas é o sono. Depois de almoçar com Kira, senti uma sonolência enorme e, quando fui para o quarto com a intenção de apenas descansar um pouco, os remédios acabaram me vencendo. Peguei no sono, um sono tão tranquilo e relaxante que parecia ter desligado o mundo ao meu redor.Quando acordei, chamei por Kira.— Kira, você está aí?Ninguém respondeu.De primeira, pensei que ela estivesse com Bear, seu cachorro. Levantei-me, abri a janela do quarto e logo avistei Bear no jardim. Caminhei devagar até lá e descobri, através do segurança, que Kira havia saído de carro.Fiquei preocupado imediatamente. Ela não tinha me avisado que sairia.Minha cabeça começou a criar mil possibilidades. Rapidamente pensei que o problema poderia ser comigo. Só me restava ligar para saber onde aquela mulher tinha ido. Kira finalmente atendeu o celular, e meu coração se tranquilizou ao descobrir que ela estava com o padre Cristian. Mas
A felicidade do Éder é a minha quando o vejo sorrir tão facilmente, dando adeus àquele seu semblante pesado, como se toneladas de peso tivessem sido tiradas de suas costas. Fiquei feliz por ele. Aprendi a admirá-lo como homem e como ser humano. Éder me fez perceber como a vida pode nos enganar. Ninguém é realmente como imaginamos, e ele foi a verdadeira surpresa da minha vida. Almoçamos juntos, e ele continuou calculando cada passo que daria a partir de agora em relação a Samuel. Depois de tomar alguns medicamentos, Éder sentiu sono e foi para o quarto descansar. Ao perceber que ele havia adormecido, tomei uma decisão. Eu iria sair para visitar meus pais, mas, durante o caminho, estacionei o carro. Foi então que me lembrei de Felipa. Desde que soube da sua prisão, meu coração seguia apertado. Eu não conseguia simplesmente ignorar tudo o que havia acontecido. Liguei o carro novamente, mas a rota mudou. Agora, eu não iria mais para a casa dos meus pais. Meu destino seria o presídio p
Havia lágrimas nos olhos dela também. — Que alegria grande, Éder. Ela segurou meu rosto e me beijou. Foi um beijo cheio de carinho. Um beijo que dizia que ela estava ali. Que eu não estava sozinho. Quando nossos lábios se separaram, minha primeira reação foi pensar em Samuel. — A minha vontade é sair correndo daqui e ir falar para ele. — Sorri emocionado. — Quero olhar para o meu irmão. Quero dizer que sou irmão dele. Quero saber tudo sobre a vida dele. Lukas respirou fundo. — Mas você não pode agir assim. Samuel foi criado por outra família. Todo cuidado é bem-vindo para não gerar um conflito entre vocês. Eu sabia que ele tinha razão. Mas meu coração não queria esperar. — Éder, o Lukas tem razão. — Kira apertou minha mão. — Você precisa fazer isso com calma. Olhei para os dois. — Eu sei. Mas, mesmo dizendo aquilo, eu sabia que não conseguiria esperar por muito tempo. — Não posso esperar muito. — Minha voz ficou firme. — Toda a verdade precisa ser desco







