INICIAR SESIÓNFiquei sentado no sofá, pensativo, e em meio a tanta angústia, recebi a notícia de que havia uma esperança de vida. Cecília, a mulher que me colocou no mundo e que me abandonou ainda bebê nos braços do meu pai, está viva, mas respirando por aparelhos. Uma mulher contra quem jurei vingança desde o momento em que soube do que ela fez.
O tempo passou, e eu me tornei independente. Mandei investigar toda a vida da Cecília, por onde andava e o que fazia, porque a minha vingança tinha pressa. E Cecília estava mais perto do que eu imaginava: ela havia voltado para sua terra natal, San Francisco. Engoli o meu orgulho e fui ao seu encontro porque Cecília precisava pagar por todo o meu abandono. Mas, no meu primeiro encontro com ela, Cecília se encontrava debilitada após um acidente. Já não podia haver vingança, porque, à minha frente, eu via uma mulher pagando caro por todas as suas escolhas do passado. Lembro-me como se fosse hoje, porque as lembranças ainda estão vivas, e eu nunca esqueci do seu olhar doloroso ao dizer: — Você veio — disse Cecília, com a voz fraca e eu travei o maxilar. — Eu não vim à procura de afeto e nem de amor, porque você não os possui. Vim me vingar de você — Dei um passo à frente. Ela fechou os olhos por um instante, como se já esperasse por aquilo. — Não precisa, Éder. — Sussurrou. — Já estou morrendo todos os dias, de tanta dor. Perdi tudo. Não tenho nada e nem ninguém, estou acamada. — soltei uma risada seca. — Ainda bem que vim ver com os meus próprios olhos que a colheita existe — virei as costas. — Perdão, Éder! — a voz dela falhou carregada de desespero — Sei que não vai aceitar, mas eu preciso dizer. Errei e me arrependo amargamente — Cecília confessou e, em seguida, silenciou. Ouvi sua confissão de costas, porque não acreditava em nenhuma palavra que saia da boca dela. Quando olhei para trás novamente, Cecília estava desacordada. Pensei que a vida dela não teria importância para mim, mas foi ao contrário: desesperado, a peguei nos meus braços levei-a até um hospital junto com a senhora Bina, sua cuidadora, e consegui salvá-la da morte. Daquele dia em diante, não consegui deixá-la sofrendo em um hospital público, porque eu não teria paz. Não a perdoei, mas também não a abandonei. Acolhi Bina e Cecília e as deixei em uma das minhas casas, longe de mim, porque não quis mais vê-la desde então. Ainda assim, deixei-as aos cuidados de Kênia, a médica que contratei para cuidar dela. Tentei ignorar o fato dessa mulher ainda respirar no mesmo mundo que eu, mas o destino nunca se contenta com pouco. Cecília está de volta muito perto de mim, lutando pela vida. A poucos quilômetros da minha casa está o hospital onde ela está internada. Ninguém sabe que minha mãe está viva, exceto Kênia. Fiquei meio desnorteado com a possibilidade de perder Cecília. Então subi para o meu quarto na tentativa de dormir e relaxar, porque hoje não foi fácil — muita coisa ao mesmo tempo. Fiz minha higiene, tomei um banho e deitei na cama. Lembrei de quando era criança, de como meu pai me tratava mal: a frieza, a indiferença… enquanto eu, sendo apenas uma criança, só queria ser amado, abraçado e compreendido. Não tive carinho de nenhum lado. Meu pai sempre disse que Cecília não valia nada, que se relacionava com vários homens e que eu fui um erro, uma pedra no caminho. Ele só me aceitou porque foi feito um exame e ele não teve alternativa senão me tornar um de seus herdeiros. Não existe coisa pior do que nunca ter sido amado verdadeiramente por ninguém. É por isso que não acredito no amor. --- No dia seguinte, acordei cedo e segui minha rotina normalmente. Antes de ir para a empresa, Kênia chegou à minha casa, e eu já temia que ela trouxesse uma má notícia. — O que aconteceu, Kênia? — perguntei friamente. — Passei aqui para te ver e dizer que sua mãe está na mesma. — Kênia se aproximou de mim. — Cecília não é a minha mãe — me afastei dela. Saí, deixando-a sozinha. Meu motorista já me esperava, e fui diretamente para a empresa, mesmo sendo um dia de folga, em que eu deveria estar descansando. Liguei o computador — eu só queria me refugiar no trabalho — e assim fiz por algumas horas. Mas uma mensagem importante chegou ao meu celular: o dossiê da família Lins. Parei de ler imediatamente os relatórios. Na minha cabeça, só veio Kira. Abri a mensagem e comecei a ler. A família é muito bem-sucedida, mas não é dessa cidade. O pai de Kira chegou aqui como um trabalhador comum, com sua esposa, e, com muito esforço e honestidade, construíram tudo o que têm. Hoje, são empresários renomados. — Não pode existir tanta perfeição… Não acredito nessa família feliz — disse para mim mesmo. Continuei lendo, agora sobre Kira. Ela está sendo enrolada por aquele patife — quatro anos entre namoro e noivado. Médica fisioterapeuta, generosa, ajuda os pobres… isso eu também faço, sem me identificar. Tem uma melhor amiga chamada Felipa, que de amiga não tem nada. Arregalei os olhos ao ler o que estava no arquivo, ao descobrir o que a tal amiga está fazendo com Kira. — Uau… não é possível. — Sorri de lado. — Sim, é possível. E eu vou aproveitar essa situação a meu favor. Kira que me aguarde. A roda vai girar na vida dela, e eu vou assistir tudo de camarote. Eu sabia que a perfeição não existia na vida de ninguém. Liguei para o investigador e pedi que ele viajasse para a cidade natal dos pais de Kira. Quero saber mais sobre o que eles faziam antes de vir para cá. Desliguei o computador e decidi ir para casa terminar de ler os relatórios, tomando um bom vinho. #quem tiver lendo deixe comentários, eles são de extremas importância.FELIPA Dizem que o amor é capaz de cegar as pessoas, e hoje eu tenho certeza de que isso aconteceu comigo quando me envolvi com Técio, o noivo daquela que um dia foi a minha melhor amiga. Eu sabia que estava entrando em um terreno perigoso, mas estava apaixonada demais para enxergar as consequências. E, no fim, a traição caiu completamente sobre as minhas costas. Eu fui a culpada de tudo. A vilã da história. Até Técio me culpou pela queda do seu próprio império. Virei alvo da sua família. Fui perseguida pelos seus pais e ameaçada de morte por eles, mas, mesmo assim, continuei rastejando atrás de Técio como uma mulher completamente cega pelo amor. O que antes era fogo e paixão se transformou em uma verdadeira pedra de gelo. Ele já não me tratava como antes. Não havia carinho, não havia regalias, não havia sequer respeito. As empresas dirigidas por Técio foram à falência, e Éder não estava de brincadeira quando decidiu arruinar as nossas vidas. O pior de tudo era saber que aquela
***CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO 65 — Louca. Estragou tudo. Olhei para a porta por onde Kira havia saído. — Quando eu estiver bem, vou visitá-la na prisão. Adriano arqueou uma sobrancelha. — Tem certeza? — Quero saber o que motivou Felipa a atirar no grande amor da vida dela. Havia algo naquela história que não fazia sentido. Eu precisava descobrir. Adriano foi embora e fiquei sozinho por alguns instantes. Minha cabeça estava cheia de perguntas. O que Técio havia feito de tão grave para fazer Felipa perder completamente o controle? Ela o amava. Eu tinha certeza disso. Então por que atirar justamente no homem que ela dizia amar? E, principalmente, por que me avisar antes? Talvez Felipa tivesse se arrependido. Talvez houvesse algo muito maior por trás daquela história. Respostas que eu só teria quando Felipa aparecesse e contasse a verdade. --- Pouco tempo depois, uma enfermeira entrou no quarto para avisar que eu receberia alta. O médico viria me aval
Amo ser tratado com carinho por Kira. Existe algo no jeito como ela cuida de mim que consegue acalmar até os meus pensamentos mais turbulentos. Talvez por isso eu tenha adormecido tão rápido naquela noite. Porém, durante a madrugada, acordei. Abri os olhos lentamente e a primeira coisa que fiz foi procurar por ela. Kira estava dormindo profundamente no sofá ao lado da minha cama. Seu corpo estava um pouco encolhido, provavelmente por causa da posição desconfortável, mas mesmo assim ela permanecia ali. Ao meu lado. Cuidando de mim. Fiquei alguns segundos apenas observando-a e senti meu peito apertar. Eu realmente estava apaixonado por aquela mulher. Não era mais apenas desejo. Não era apenas a atração que sempre existiu entre nós. Havia algo muito maior acontecendo dentro de mim, algo que eu já não conseguia controlar ou fingir que não existia. Kira tinha ocupado um espaço no meu coração que ninguém jamais havia conseguido alcançar. Estendi a mão para pegar o celula
Segundo o médico, Éder não estava delirando quando disse que me amava. Ele havia falado com tanta convicção e seriedade que, pela primeira vez, comecei a acreditar que aquelas palavras eram verdadeiras. Só de lembrar da declaração, minhas mãos voltavam a suar de nervosismo. Meu coração se encheu de alegria ao ouvir que ele estava me amando. Ou será que apenas gostava de mim e estava confundindo esse sentimento com amor? Afinal, nós havíamos nos entregado um ao outro, mas eu não sabia se aquilo tinha sido suficiente para fazer Éder se apaixonar por mim. Por mais que meu coração gritasse para que eu acreditasse nele, mantive a postura firme e não deixei a emoção transparecer. Não contei que também o amava. Não disse que meu coração já pertencia completamente a ele. Talvez eu ainda tivesse medo de ouvir que tudo aquilo não passava de um engano. Ainda no hospital, Éder parecia ter decidido se aproveitar da situação para se tornar um completo mimado. Só comia quando eu dava a
Nunca havia me declarado para mulher nenhuma em toda a minha vida. Sempre fui orgulhoso demais para admitir o que sentia, mas, deitado naquele leito de hospital, percebi que esconder o amor que carregava por Kira já não cabia mais dentro de mim. Criei coragem. Engoli o orgulho e abri meu coração. Disse que a amava. Disse que era ela quem ocupava meus pensamentos. Mas Kira apenas arregalou os olhos, assustada. Ela acreditou que eu estivesse delirando. Sem dizer mais nada, saiu às pressas do quarto para chamar o médico. Sorri de canto, fechando os olhos por um instante. — Eu não estou delirando... — murmurei, decepcionado. — Volta aqui, Kira... Ela retornou poucos segundos depois acompanhada do médico, visivelmente aflita. — Doutor, ele está delirando! — disse ela, preocupada. — Não estou delirando... — repeti em voz baixa. O médico aproximou-se da cama, conferiu os aparelhos, mediu minha temperatura e analisou meus sinais vitais. — Ele está muito bem. Não apresen
Estávamos sentados na recepção quando o médico apareceu.— Como foi a cirurgia, doutor? — Adriano perguntou imediatamente.O médico retirou a máscara do rosto e sorriu de forma discreta.— A cirurgia foi um sucesso. Conseguimos retirar a bala, controlar a hemorragia e estabilizar o paciente. Éder foi sedado novamente para que o organismo possa se recuperar. Agora precisamos aguardar o efeito da sedação passar e observar como ele irá reagir. Também foi necessário fazer uma transfusão de sangue.Senti minhas pernas fraquejarem de alívio.Pela primeira vez desde que tudo aconteceu, consegui respirar um pouco melhor.— Já podemos vê-lo? — perguntei ansiosa.— Sim. Apenas uma visita rápida, por enquanto.Como eu estava completamente desesperada, Adriano e Bina permitiram que eu entrasse primeiro.Ao abrir a porta do quarto, meu coração apertou.Éder dormia tranquilamente, ligado a diversos aparelhos que monitoravam seus sinais vitais.Era assustador perceber como a vida podia mudar em ques







