INICIAR SESIÓNPerdi totalmente a fome após a vinda do padre aqui. Creio que todos da empresa estão sem entender nada com a presença dele, até porque não sou nem um pouco caridoso. Minha secretária avisou que Lukas está aqui, então mandei que ele entrasse imediatamente.
— Éder, trouxe alguns documentos do condomínio Vilamout. O engenheiro me comunicou que a obra foi totalmente concluída. — Boa notícia. Cuide de contemplar todos os que já compraram os apartamentos. — Acho incrível a sorte que você tem. Você é uma máquina de fazer dinheiro. — Lukas diz e eu apenas soltei um riso baixo. — Meu pai dizia: invista seu dinheiro em imóveis, bolsa de valores, aprenda economia. E eu fiz mais do que isso. — Você se tornou quase o dono de toda a cidade — Lukas falou, admirado e eu levantei o olhar frio. — Não sou o dono, nem faço questão de ser. Quero ser respeitado e admirado. — Isso você já é. — Não sou — neguei pensativo. Lukas ficou me observando enquanto eu permanecia em silêncio. Ele, parado à minha frente, me despertou com uma pergunta: — Éder, ouvi dizer que um padre veio aqui? — Veio a mando da Kira, que não gostou nada das flores que eu mandei — falei, recostando-me na cadeira. — Era o que se esperava. Kira é uma mulher comprometida. — O que você sabe sobre o noivo dela? O padre disse o nome dele... chama-se Tecio — falei, com indiferença. — Tecio Fernández, o engenheiro da Fernández. Ele foi o homem que competiu com você na compra daqueles terrenos baldios. — O mesmo que quis negociar a compra de metade dos terrenos para construir uma clínica ou um hospital — falei, com raiva. — Você não sabe quem ele é, até porque fui eu quem conversou com ele. Rapidamente pesquisei sobre ele e vi sua foto. Não preciso ir muito longe para saber que ele não vale nada; o sorriso diz tudo. Liguei para o investigador e pedi urgência nas investigações, principalmente para saber quem é Tecio, oferecendo o dobro do pagamento para saber logo quem é essa gente. Com isso, anoiteceu e eu ainda estava em jejum. Nunca passei um dia sem jantar. Liguei para Lukas, pedindo sua companhia. Poderia convidar Kênia, mas hoje estou sem paciência para ela. Enviei por mensagem o endereço do restaurante. Quando cheguei, Lukas já estava sentado, me esperando enquanto olhava um tablet. Ainda bem que ele me conhece e escolheu uma mesa em um canto mais reservado. — Éder, pensei que hoje você sairia com Kênia — ele me provocou. — Não estou com cabeça. Tive problemas demais hoje: padre, Kira... Kênia é só mais um. Preciso de paz — desabafei, cansado e Lukas me encarou com um olhar afiado. — Éder, é você que quer transformar Kira em um problema — Lukas diz e eu ignorei a opinião dele. Terminamos de falar e um garçom se aproximou de nós. Fizemos nossos pedidos. Pedi um bom vinho, precisava de algo forte para beber. Enquanto conversávamos e degustávamos a entrada — já que eu estava faminto —, Lukas começou a tossir de forma estranha. Franzi o cenho e segui o olhar dele e então vi Kira lindamente, intocável, acompanhada de seu noivo. Meu coração disparou, o corpo inteiro reagiu, mas ao lado dela está o tal Tecio. Fechei a cara imediatamente. — Éder, precisa voltar para a terra — Lukas chamou minha atenção. — Então esse é o canalha noivo dela? Nunca vi mais feio — ri sem humor, virando a taça de vinho de uma vez na boca. — Já vi coisa melhor. — Éder, somos amigos há um tempo, e eu nunca te vi assim, nervoso por causa da Kira. Você está interessado nela? — Olhei direto para ele. — Veja só o que você está dizendo. Não estou interessado em ninguém — encerrei o assunto e a tensão se instalou na mesa. O jantar chegou e meu apetite já tinha ido embora, mas comi mesmo assim para passar o tempo, os meus olhos sempre se voltam para Kira repetidas vezes. Vejo Kira mais apaixonada do que ele. A idiota não percebe e isso me irritava. — Daria tudo para saber o que se passa nessa sua cabeça — disse Lukas. — Nada está passando aqui — Menti de novo. — Éder, vou precisar ir agora. — Vou ficar mais um pouco — disse, e ele foi embora. De longe, fiquei observando Kira e Tecio bebendo lentamente cada taça de vinho. Esse homem não sente nada por ela. É frio e distante, trouxe-a para jantar, mas não a presenteou com nada além de uma rosa vermelha. Tenho um sexto sentido que não falha: Kira não é amada por Tecio. Só fui embora quando os dois saíram. Com certeza, o terreno que esse canalha queria comprar era para montar algo para Kira. Preciso urgentemente desse dossiê. Durante o caminho para casa, lembrei do que Lukas disse "você está interessado nela" apertei o volante com raiva. não é nada disso, é curiosidade mesmo, curioso para saber mais sobre ela. Minhas intenções com Kira é somente mostrar controle e domínio. Quando cheguei na minha mansão, o silêncio me engoliu e o meu celular tocou. Era Kênia. A ignorei jogando o aparelho de lado, pois não queria falar com ninguém. Mas ela insistiu, ligando várias vezes, até que atendi. — Alô. — Cecília passou mal, fui avisada. Estou levando ela para o hospital. — A sua voz era tensa. — O que ela tem? O que houve a uma hora dessas? — perguntei, preocupado, levantando do sofá. — Um infarto. Estamos levando ela para o hospital da cidade. Não tenho outra opção, ou ela morre — disse Kênia, rapidamente e o mundo pareceu desacelerar. — Faça o impossível por ela — Desliguei e o silêncio voltou mais pesado e sufocante. Levei as mãos a cabeça em completo desespero. A minha vida é um caos, um verdadeiro inferno, eu não tenho paz. Na verdade acho que nunca vou ter, os meus olhos se encheram de lágrimas. #livro novo por aqui, adiciona a biblioteca e sigam o meu perfil de autora.FELIPA Dizem que o amor é capaz de cegar as pessoas, e hoje eu tenho certeza de que isso aconteceu comigo quando me envolvi com Técio, o noivo daquela que um dia foi a minha melhor amiga. Eu sabia que estava entrando em um terreno perigoso, mas estava apaixonada demais para enxergar as consequências. E, no fim, a traição caiu completamente sobre as minhas costas. Eu fui a culpada de tudo. A vilã da história. Até Técio me culpou pela queda do seu próprio império. Virei alvo da sua família. Fui perseguida pelos seus pais e ameaçada de morte por eles, mas, mesmo assim, continuei rastejando atrás de Técio como uma mulher completamente cega pelo amor. O que antes era fogo e paixão se transformou em uma verdadeira pedra de gelo. Ele já não me tratava como antes. Não havia carinho, não havia regalias, não havia sequer respeito. As empresas dirigidas por Técio foram à falência, e Éder não estava de brincadeira quando decidiu arruinar as nossas vidas. O pior de tudo era saber que aquela
***CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO 65 — Louca. Estragou tudo. Olhei para a porta por onde Kira havia saído. — Quando eu estiver bem, vou visitá-la na prisão. Adriano arqueou uma sobrancelha. — Tem certeza? — Quero saber o que motivou Felipa a atirar no grande amor da vida dela. Havia algo naquela história que não fazia sentido. Eu precisava descobrir. Adriano foi embora e fiquei sozinho por alguns instantes. Minha cabeça estava cheia de perguntas. O que Técio havia feito de tão grave para fazer Felipa perder completamente o controle? Ela o amava. Eu tinha certeza disso. Então por que atirar justamente no homem que ela dizia amar? E, principalmente, por que me avisar antes? Talvez Felipa tivesse se arrependido. Talvez houvesse algo muito maior por trás daquela história. Respostas que eu só teria quando Felipa aparecesse e contasse a verdade. --- Pouco tempo depois, uma enfermeira entrou no quarto para avisar que eu receberia alta. O médico viria me aval
Amo ser tratado com carinho por Kira. Existe algo no jeito como ela cuida de mim que consegue acalmar até os meus pensamentos mais turbulentos. Talvez por isso eu tenha adormecido tão rápido naquela noite. Porém, durante a madrugada, acordei. Abri os olhos lentamente e a primeira coisa que fiz foi procurar por ela. Kira estava dormindo profundamente no sofá ao lado da minha cama. Seu corpo estava um pouco encolhido, provavelmente por causa da posição desconfortável, mas mesmo assim ela permanecia ali. Ao meu lado. Cuidando de mim. Fiquei alguns segundos apenas observando-a e senti meu peito apertar. Eu realmente estava apaixonado por aquela mulher. Não era mais apenas desejo. Não era apenas a atração que sempre existiu entre nós. Havia algo muito maior acontecendo dentro de mim, algo que eu já não conseguia controlar ou fingir que não existia. Kira tinha ocupado um espaço no meu coração que ninguém jamais havia conseguido alcançar. Estendi a mão para pegar o celula
Segundo o médico, Éder não estava delirando quando disse que me amava. Ele havia falado com tanta convicção e seriedade que, pela primeira vez, comecei a acreditar que aquelas palavras eram verdadeiras. Só de lembrar da declaração, minhas mãos voltavam a suar de nervosismo. Meu coração se encheu de alegria ao ouvir que ele estava me amando. Ou será que apenas gostava de mim e estava confundindo esse sentimento com amor? Afinal, nós havíamos nos entregado um ao outro, mas eu não sabia se aquilo tinha sido suficiente para fazer Éder se apaixonar por mim. Por mais que meu coração gritasse para que eu acreditasse nele, mantive a postura firme e não deixei a emoção transparecer. Não contei que também o amava. Não disse que meu coração já pertencia completamente a ele. Talvez eu ainda tivesse medo de ouvir que tudo aquilo não passava de um engano. Ainda no hospital, Éder parecia ter decidido se aproveitar da situação para se tornar um completo mimado. Só comia quando eu dava a
Nunca havia me declarado para mulher nenhuma em toda a minha vida. Sempre fui orgulhoso demais para admitir o que sentia, mas, deitado naquele leito de hospital, percebi que esconder o amor que carregava por Kira já não cabia mais dentro de mim. Criei coragem. Engoli o orgulho e abri meu coração. Disse que a amava. Disse que era ela quem ocupava meus pensamentos. Mas Kira apenas arregalou os olhos, assustada. Ela acreditou que eu estivesse delirando. Sem dizer mais nada, saiu às pressas do quarto para chamar o médico. Sorri de canto, fechando os olhos por um instante. — Eu não estou delirando... — murmurei, decepcionado. — Volta aqui, Kira... Ela retornou poucos segundos depois acompanhada do médico, visivelmente aflita. — Doutor, ele está delirando! — disse ela, preocupada. — Não estou delirando... — repeti em voz baixa. O médico aproximou-se da cama, conferiu os aparelhos, mediu minha temperatura e analisou meus sinais vitais. — Ele está muito bem. Não apresen
Estávamos sentados na recepção quando o médico apareceu.— Como foi a cirurgia, doutor? — Adriano perguntou imediatamente.O médico retirou a máscara do rosto e sorriu de forma discreta.— A cirurgia foi um sucesso. Conseguimos retirar a bala, controlar a hemorragia e estabilizar o paciente. Éder foi sedado novamente para que o organismo possa se recuperar. Agora precisamos aguardar o efeito da sedação passar e observar como ele irá reagir. Também foi necessário fazer uma transfusão de sangue.Senti minhas pernas fraquejarem de alívio.Pela primeira vez desde que tudo aconteceu, consegui respirar um pouco melhor.— Já podemos vê-lo? — perguntei ansiosa.— Sim. Apenas uma visita rápida, por enquanto.Como eu estava completamente desesperada, Adriano e Bina permitiram que eu entrasse primeiro.Ao abrir a porta do quarto, meu coração apertou.Éder dormia tranquilamente, ligado a diversos aparelhos que monitoravam seus sinais vitais.Era assustador perceber como a vida podia mudar em ques







