Masuk"Valentina"O som do eco dos meus próprios saltos contra o chão do galpão do meu novo estúdio de dança tinha o ritmo da vitória naquela tarde de terça-feira. Eu andava de um lado para o outro com uma prancheta nas mãos, revisando os detalhes para a inauguração no dia seguinte, vendo os meus novos funcionários testando seu novo espaço de trabalho e acompanhando a montagem das mesas e da decoração para o nosso coquetel de inauguração. Uma onda de felicidade indescritível inundava o meu peito a cada cinco minutos, me fazendo levar a mão direita de forma automática até a minha barriga. O mundo parecia ter se encaixado nos trilhos certos depois que eu conheci o Dante, ele tinha me dado mais do que prometeu, ele me deu proteção e afeto. A reluzente pulseira de rubis que o Dante havia deslizado no meu braço na noite passada reluzia sob os refletores de led, me lembrando de que eu não era mais alguém tentando sobreviver, eu era a dona do meu próprio império. Aquele estúdio, o meu filho, a mi
"Aurélia"Aquela seria a última humilhação que a dançarina exótica nos faria passar! Exigir que o meu filho se tornasse um dos funcionários da casa era uma vingança mesquinha, um absurdo, uma degradação! O Dante não deveria ter permitido aquilo! Dessa vez, eles foram longe demais. Mas eu ia acabar com a confiança dela, assim que o Dante desse o último suspiro eu a arrastaria para fora pelos cabelos.Eu estacionei o meu carro a dois quarteirões do empório que fornecia os sucos do Dante. Eu só tinha que entrar lá, descobrir qual era a encomenda para a casa Montenegro e colocar o nosso plano em ação. Eu caminhei até a loja que, para minha sorte, era de uma conhecida minha, seria muito natural que eu a fizesse uma visita se estivesse por perto. Bem, eu estava por perto. Eu atravessei a rua e antes de entrar coloquei um sorriso no rosto. A filha dela, uma jovem um tanto desengonçada que andava suspirando pelo Breno, estava no caixa. Ela ajeitou os óculos de grau, abriu um sorriso afetado
"Valentina"O Fausto não pediu licença, avançou a passos largos e segurou o braço do Breno sem nenhuma delicadeza ou cortesia, levantando o inútil como se fosse um saco de lixo. O playboy soltou um guincho de medo, tentando resistir ao aperto, seu rosto se convertendo numa expressão de pânico. Mas antes que o Fausto pudesse alcançar a porta, arrastando o Breno com ele, a Aurélia desabou por completo no desespero. Ela se levantou em um salto, engoliu todo o orgulho e esticou as mãos trêmulas na minha direção, implorando com lágrimas de desespero.- Não! Pelo amor de Deus, Valentina, para! Não faça isso com o meu filho, eu imploro! Ele não tem para onde ir. Deixe o Breno ficar, eu pago as despesas dele!Eu ergui a minha mão firme, fazendo o Fausto parar, mantendo o playboy praticamente suspenso no ar. Eu encarei a Aurélia. Eu não podia negar que ela era uma boa mãe, ou pelo menos uma mãe que protegia a cria. - Perua, você precisa deixar esse inútil virar homem. Ficar assumindo as respo
"Valentina"O jantar de segunda-feira foi embalado por um silêncio quebrado apenas pelos talheres tocando sutilmente a porcelana. Havia a tensão de todas as refeições na mansão Montenegro, mas também parecia que algo estava prestes a acontecer. Eu senti um calafrio ao olhar para aqueles três folgados sentados à minha frente. Eles se comportavam como a realeza, mas não passavam de ratos oportunistas. Eles estavam muito quietos, talvez pensando que eu tinha me esquecido do prazo do playboy, mas eles estavam enganados. Eu não me esqueci. Eu sabia que o inútil nem tinha procurado um emprego, a D. Marta me mantinha informada de tudo, mas eu deixei que ele saboreasse a última refeição. É claro que eu sabia que a Aurélia não aceitaria a expulsão do filho e armaria uma confusão, por isso eu tinha uma carta na manga e essa seria muito mais divertida do que colocar o inútil pra fora. Eu dei uma olhada para o Dante, ele me lançou um meio sorriso, alheio ao que estava prestes a acontecer, mas a
"Valentina"O silêncio que se instalou no escritório depois que o meu marido resolveu a nossa aposta com um empate técnico que premiou a nós dois era carregado de uma cumplicidade gostosa. Enquanto o Dante comandava o seu império com a seriedade de um homem intocável, eu fazia os últimos ajustes para a inauguração do meu estúdio, mas vez ou outra eu erguia os olhos para admirar o homem que estava preenchendo a minha vida com sentimentos que eu pensei que nunca teria. No fim da tarde, enquanto eu estava de pé junto à mesa retocando o batom, o Dante veio por trás, envolveu a minha cintura com os seus braços fortes e colou o seu corpo no meu, deixando um beijo quente e demorado na curva do meu pescoço que me fez fechar os olhos e sorrir. - Passei o dia ansioso para tirar o seu vestido de novo. - Ele confessou. Eu me virei em seus braços e coloquei as mãos no seu peito. - Eu estou ansiosa para que você faça isso. - Eu respondi e o sorriso dele foi uma doce recompensa. - Não diz isso,
"Valentina"Meu marido andava a passos largos pelo corredor da empresa, me puxando como se algo urgente estivesse esperando por nós na sala dele. Ao passar pela secretária ele deu a ordem para não ser interrompido, com a seriedade de quem está entrando em uma reunião de negócios. Assim que entramos na sala, ele trancou a porta, deu um beijo no meu rosto e se sentou na sua cadeira, como um rei em seu trono. Ele me encarava com um sorrisinho confiante. - Seja uma boa perdedora, Encrenca. - Ele falou com um tom leve e divertido.- Eu não perdi a aposta e não vou tirar a roupa pra você! - Eu declarei e fui para a minha mesa. Ele se levantou e veio em minha direção, me abraçando por trás.- Ah, você perdeu, amor. - Ele sussurrou no meu ouvido. Suas mãos alcançaram a barra do meu vestido e puxando um pouco para cima, as pontas dos seus dedos roçando a minha pele. Eu fechei os olhos, tentando reprimir aquela onda de desejo que ele me causava só com aquela proximidade. Ele tinha poder sobr







