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last update Data de publicação: 2026-01-26 11:13:30

Naquele quarto, a primeira coisa que Alexander lhe deu foi aquele documento e ela, completamente embriagada pelo álcool e também meio inconsciente de sua realidade, acabou pegando-o em suas mãos.

— É um acordo de isenção de responsabilidade. — Sua voz tornou-se mais grave, mais séria, quase um ultimato. — Você decide se continua ou não. Qualquer coisa que aconteça, qualquer consequência... eu não serei responsável.

Ela franziu o cenho, tentando decifrar as palavras, mas a ideia de que aquele homem irreal lhe oferecia uma noite, uma saída de seu inferno pessoal, a atraiu com uma força magnética. Com a cabeça fria, jamais teria aceitado. Mas naquele momento, com o coração partido e a mente nublada, seus olhos apenas correram sobre as linhas sem prestar atenção alguma no que estava escrito ali.

"Um acordo de isenção de responsabilidade".

Assinou por aquela noite de esquecimento, onde não haveria espaço para se responsabilizar pelas consequências.

Que diferença fazia? Sua vida tinha desmoronado em questão de horas. O que ela tinha a perder, na verdade? Além disso, a lembrança pungente da infidelidade de Ricardo e suas palavras cruéis ainda em sua cabeça foram o empurrão final que precisava para se atrever.

Sem dizer uma palavra, Alexander arrancou o papel de suas mãos e o deixou cair em algum lugar que ela não viu. Seu olhar cravou-se no dela, intenso e sem escapatória. Em um movimento ágil e sem um pingo de brutalidade, ele a segurou e a prensou contra a parede. O frio do gesso em suas costas contrastava com o fogo que se acendia entre eles.

— Vou te fazer minha — gemeu no ouvido dela; ela estremeceu.

As mãos de Alexander moveram-se com uma segurança que lhe tirou o fôlego. Seus dedos se entrelaçaram no cabelo de Valeria, inclinando sua cabeça para trás. A proximidade era total; seus corpos se fundiram em um contato tão repentino quanto avassalador.

Valeria não soube como reagir. Sua mente, nublada pela inexperiência e pela surpresa, só conseguia processar a onda de sensações que a inundava.

Os lábios dele encontraram os dela em um beijo que começou com uma veemência que a fez ofegar. Era um beijo faminto, urgente, mas à medida que o contato se prolongava, a intensidade transformou-se em uma ternura inesperada.

Em algum momento, no meio de todo o descontrole, o relógio caro de Alexander acabou em algum lugar do quarto. Agora ele estava focado apenas em se divertir.

— Alexander...

— Relaxe.

Ele a carregou e a deitou na cama. Ele sorriu e seus olhos estavam injetados por uma urgência selvagem. E voltou a beijá-la, desta vez com maior frenesi. No entanto, depois de um tempo, não era a paixão desenfreada que ela havia imaginado, mas um misto de arrebato e delicadeza que a deixou completamente rendida.

Suas mãos, que a princípio foram firmes e quase dominantes, moveram-se com uma suavidade que a deixou sem fôlego. Valeria fechou os olhos, deixando-se levar pela perícia dele e por tudo o que nunca na vida havia sentido.

Naquele momento, só existia o aqui e o agora. Apenas os dois.

Uma luz brilhante feriu os olhos de Valeria. Uma dor aguda na têmpora a lembrou da ressaca. Sentou-se de golpe na cama king size, com o coração na mão. Estava sozinha. Uma torrente de imagens da noite anterior a atingiu com a força de um tsunami: a traição de Ricardo, a boate, o álcool, Alexander.

O arrependimento a invadiu, um frio gelado que queimava suas bochechas. Sentiu-se nojenta, traída por si mesma.

— Não pode ser... não, não... — murmurou, a vergonha dominando-a.

Com as mãos trêmulas, procurou suas roupas espalhadas pelo chão. Vestiu-se às pressas, agradecida por estar sozinha. Não suportaria vê-lo de novo. Enquanto recolhia seus últimos pertences, seus dedos tocaram algo frio e pesado sob a mesa de cabeceira. Era um relógio. Seus olhos se arregalaram desmesuradamente. Não era um relógio qualquer. O mostrador brilhava com uma elegância sóbria, e a pulseira de metal polido e a complexidade de seu mecanismo à vista revelavam seu imenso valor.

Sem dúvida, pertencia àquele cara.

— E agora o que eu faço? — sussurrou, com o relógio na palma da mão.

Ele não tinha deixado um bilhete, nenhum número. Era como se tivesse desaparecido. Não podia deixá-lo ali, mas a ideia de levá-lo e ter que procurá-lo a envergonhava. Com um suspiro de resignação, deslizou o relógio caro no bolso de seu blazer.

Com o estômago revirado, saiu do quarto. O corredor luxuoso parecia zombar de sua miséria. Queria escapar daquele lugar e de seus próprios erros. Ao chegar ao seu pequeno apartamento, sentiu-se terrível. Foi direto para o banheiro. Precisava se purificar, apagar de sua pele o contato daquele homem, a lembrança daquela noite. Esfregou-se com o sabonete com fúria, quase até ficar vermelha, sentindo a decepção consigo mesma por ter sido tão acessível.

— Sou uma tonta — soluçou, dominada pela frustração de ter feito algo de que se arrependia.

Enquanto isso, em seu luxuoso apartamento, Alexander estava abotoando a camisa de seda em frente ao espelho, seu reflexo impecável, quando sentiu a falta. Algo estava ausente. Seu pulso esquerdo estava nu. De repente, seu olhar pousou no lugar vazio.

Ele franziu o cenho.

— Meu relógio — murmurou, com a voz gélida.

Era seu relógio favorito, uma peça única, um presente de seu avô. Precioso, insubstituível. Virou-se bruscamente, seus olhos cinzentos faiscando com um incômodo crescente. Como pôde ter sido tão descuidado? Lembrou-se da noite. Da mulher. Valeria.

— Maldição... — rosnou, com os punhos cerrados.

Para Alexander, a conclusão era óbvia. Não havia outra explicação. Ele não tirava o relógio. Aquela mulher... aquela mulher o tinha tirado. Uma ladra. A fúria acendeu-se em seus olhos, queimando-o por dentro. Ele a tinha subestimado, acreditado que era apenas mais uma de suas conquistas.

— Mark! — rugiu, sua voz potente ecoando pelo amplo apartamento. — Michael!

Instantes depois, duas figuras corpulentas, seus seguranças pessoais, apareceram.

— Sim, senhor.

Alexander voltou-se para eles, o rosto contraído pela ira. Começou a caminhar de um lado para o outro, como um predador enjaulado.

— Quero que encontrem aquela mulher — disparou, suas palavras carregadas de veneno. — A mulher com quem estive ontem à noite.

Mark e Michael trocaram um olhar rápido. Já sabiam que algo não ia bem com o chefe quando sua voz adquiria aquele tom.

— Do que precisa, senhor Baskerville?

— Aquela mulher chamada Valeria está com meu relógio. Aquele relógio, entendem? É o meu favorito. E não pretendo deixar que qualquer uma saia impune.

Mark, o mais experiente, assentiu com seriedade.

— Entendido, senhor. Faremos o possível...

Alexander bufou, a paciência se esgotando.

— Quero que a rastreiem. Quero saber tudo sobre ela. Seu endereço, seu trabalho, sua família, tudo! E quero meu relógio de volta.

— Imediatamente, senhor — assegurou Mark, virando-se para sair com Michael.

Enquanto os dois homens saíam para cumprir a ordem, Alexander retomou seu passo furioso pelo quarto.

Uma ladra. Como ela se atrevia?

Aquela mulher ia se arrepender. Ele estava furioso e, quando Alexander ficava assim, era melhor se preparar para as consequências.

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Último capítulo

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   FIM

    EpílogoQuando os quadrigêmeos já tinham cerca de dois anos de idade, Valeria e Alexander decidiram se casar novamente. Queriam fazê-lo de maneira sincera, para que ficassem boas lembranças daquele dia, e não aquele casamento que foi realizado de forma abrupta e que fora apenas um trâmite. Valeria estava diante do espelho, olhando-se. Estava linda. Tinha lágrimas nos olhos, mas conteve-se para não estragar a maquiagem.Diana aproximou-se, também contente e cheia de muita emoção.— Felicidades, filha! — disse, com a voz tremendo de felicidade —. Realmente me alegra te ver assim. Este dia é lindo e me enche de emoção poder compartilhá-lo ao seu lado. Isso nos faz muito felizes.— Mamãe, você vai me fazer chorar com suas palavras bonitas! — exclamou Valeria, sorrindo através dos olhos umedecidos.— Desejo-te o melhor, de verdade. Assim como você tem vivido sua vida, continue fazendo-o desta maneira que te faz feliz.Abraçaram-se ali, carinhosamente. Naquele momento, apareceu Marina. Mari

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   157

    Quando Valeria acordou, encontrou-se em um quarto de hospital, e ao seu lado estava Alexander. Ele se inclinou sobre ela, com o rosto iluminado pelo alívio.— Que bom que você acordou, Valeria. Como se sente, querida? — perguntou amoroso, enquanto beijava sua testa e sua bochecha com uma ternura gigantesca.Ela sorriu, ainda um pouco fraca.— Acho que ficarei bem, eu acho. Suponho que já prepararam a cesárea, não é?O homem assentiu com a cabeça.— Estão te preparando. Vão te levar para o centro cirúrgico em uma hora, mais ou menos. Você acha que eu devo estar lá com você também?— Tem certeza? Você vai conseguir ficar lá sem desmaiar? — perguntou ela, um pouco divertida.Alexander sorriu com a pergunta dela.— Você acha que eu sou covarde a ponto de desmaiar no nascimento dos meus filhos? É claro que não farei isso. Não vou desmaiar, então não se preocupe.Ela assentiu com a cabeça.— Nesse caso, então não saia do meu lado.— Prometo que não sairei do seu lado, querida.Depois de mai

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   156

    Naquela manhã, haviam terminado de ajustar os últimos detalhes do quarto dos quadrigêmeos. Valeria e Alexander estavam contentes com o resultado. Ambos se abraçaron, olhando o espaço cuidadosamente decorado.— Eu amo este lugar — comentou Valeria, acariciando o ventre volumoso —. E pensar que faltam apenas alguns dias para o nascimento dos bebês. Estou tão nervosa e, ao mesmo tiempo, animada — admitiu, com um enorme sorriso no rosto.Alexander a abraçou pelos ombros, trazendo-a para perto de si com carinho.— Eu também estou bastante ansioso para conhecê-los — mencionou ele —. Sinto-me emocionado, e ainda é inacreditável que vou me tornar pai, e não de apenas um bebê, mas de quatro! — confessou, com um sorriso que denotava uma felicidade genuína.Valeria suspirou, inclinando a cabeça no ombro dele.— Eu não poderia encontrar homem melhor. Acho que estávamos destinados a nos encontrar — disse, em tom de brincadeira.— Por que você está rindo, Valeria? — perguntou ele, carinhosamente.E

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   155

    Valeria se postou diante de seu pai, com a respiração um pouco agitada pela ansiedade; precisava falar com ele e contar sobre sua reconciliação.— Papai, preciso falar com você. Agora — emitiu, buscando os olhos dele.Alejandro cruzou os brazos sobre o peito, sentindo que a calma que havia buscado ao chegar em casa se afastava. Não tinha un bom pressentimento.— Filha, seja o que for, pode esperar. Estou cansado. Podemos falar amanhã?— É sobre o Alexander.O rosto de Alejandro endureceu naquele momento. Não queria falar de Alexander. Por fim, suspirou.— E então? O que tem ele? Ele já assinou os papéis do divórcio que você tanto desejava?Valeria respirou fundo. Tinha que ser direta, apesar de não estar tão segura.— Não, Papai. Não haverá divórcio.— O que você está dizendo, Valeria? — Sua voz era grave, atônita —. Você acaba de recuperar seu sobrenome, passou pelo inferno... Depois de tudo o que esse homem te fez... depois da traição e da desonra... você vem me dizer que não vai se

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   154

    A moça finalmente olhou para Leo. Sua voz soou irritada pela pressão.— Por que o senhor faz tudo isso? Por que insiste em me ajudar quando eu não pedi? — balbuciou ela, não porque quisesse ser ingrata, mas porque se sentia desconfortável com a intromissão.Leo olhou para ela por um instante, um gesto de fastio. Voltou a fixar o olhar na estrada.— Quantas vezes vou ter que repetir para não ser formal comigo? Apenas me trate por "você" — repetiu.Ela suspirou sonoramente, voltando a dirigir-se a ele.— Não entendo por que você insiste em me ajudar quando claramente já fez muito por mim.— Como você quer que eu não me preocupe? Naquele dia, quando você apareceu do nada e se jogou na estrada sem pensar, parecia estar fugindo de alguém ou de algo. E agora mesmo você está com um hematoma no olho. Alguém fez isso com você. Então, diga-me quem te bateu e por que você não denuncia isso à polícia. Você deveria fazer isso para que se tomem providências contra essa pessoa.A mulher ficou novame

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   153

    Valeria voltou para casa. Sua mãe, Diana, percebeu que a filha parecia um pouco diferente, como se estivesse mais contente.— Você está bem, Valeria? Noto que está diferente — admitiu ela, aproximando-se —. Parece que algo bom aconteceu.Diana percebeu o reflexo da felicidade nos olhos dela, aquele brilho que voltava a resplandecer de alguma maneira. Significava que algo bom ocorrera.Valeria sorriu amplamente e abraçou a mãe.— Na verdade, você não se engana, Mamãe — sussurrou, com alegria —. Aconteceu algo muito bom. Alexander e eu decidimos começar de novo. Queremos estar juntos. Ambos sabemos que o divórcio não é algo que desejamos. Espero que entenda, Mamãe.Diana encheu-se de surpresa com a notícia, mas, ao mesmo tempo, sentiu uma felicidade genuína. Ver a filha contente fazia com que ela se sentisse da mesma forma.— É claro que estou contente por você, Valeria! Você não imagina o quanto me sinto feliz ao ouvir isso — disse ela, abraçando-a novamente.Valeria separou-se dela, c

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